O
zoneamento ecológico-econômico como referencial metodológico de um programa de
educação ambiental aplicado em áreas rurais.
1(1) Euler Batista Erse
1(2) Tainá Tavares de Carvalho
1(3); Emilye Ribeiro Silva
1(1)Mestrado em Desenvolvimento e Meio
Ambiente – Programa Regional de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio
Ambiente – PRODEMA / UFPB; Graduação em Oceanologia – Fundação Federal
Universidade do Rio Grande – FURG. Professor Colaborador da Faculdade Estadual
de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá – FAFIPAR; www.GEDASSA fafipar.br Grupo de Estudos em Desenvolvimento Agrário Sustentado e Segurança Alimentar – GEDASSA Endereço: Rod. PR 407 Km
14, Correio Guaraguaçú, Caixa postal 57.018, Guaraguaçú, Pontal do Paraná – PR,
Cep: 23.2555-000.Tel. (41) 9959-2723. E-mail: erseeuler@yahoo.com.br.
1(2)Acadêmica do curso de Ciências
Biológicas da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá –
FAFIPAR;
1(3)Acadêmica do curso de Ciências
Biológicas da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá –
FAFIPAR;
Resumo
A atuação dentro de uma comunidade ribeirinha
através de projetos ligados ao conceito de desenvolvimento sustentável gera uma
necessidade de se trabalhar tanto a conscientização quanto a informação. Neste
trabalho, realizaram-se atividades de capacitação ligadas à educação ambiental
que procuraram salientar a condição dos
produtos biológicos como fontes renováveis conectando essa à educação e cidadania
necessária para a manutenção da economia envolvida nos processos de explotação sustentável
dentro da região-alvo do trabalho. Os documentos gerados podem ser
classificados em etapas básicas geralmente utilizadas para um zoneamento
ecológico-econômico: Informações sobre as condições sócio-econômicas dos
moradores; levantamento da flora e fauna potencialmente utilizáveis na Mata
Atlântica e uma proposta de zoneamento territorial inserida dentro da área de
abrangência do trabalho.
Palavras-chave: Educação Ambiental;
Zoneamento Ecológico-Econômico; Mata Atlântica
Abstract
The performance inside of a marginal
community through projects to the concept of sustainable development generates
a necessity of working as much awareness as information. In this work, on
activities of qualification to the environmental
education had been become fulfilled that they had looked to point out the
condition of the biological products as sources you renewed connecting this to
the education inside and necessary citizenship for the maintenance of the
involved economy in the process of sustainable exploration of the region-target
of the work. The generated documents can be classified in basic stages
generally used for a ecological-economic zoning: information about social-economic
conditions of the inhabitants; survey of the potentially usable flora and the
fauna in inserted Atlantic and a proposal of territorial zoning inside of the
area of the work.
Key Words: Environmental
education; ecological-economic zoning; Mata Atlântica
Introdução
Dentro do
contexto da Educação Ambiental, parâmetros metodológicos que adotem modelos de
gerenciamento ambiental participativo são cada vez mais uma referência a ser
seguida. Numa condição ideal, a opinião das comunidades na discussão dos
problemas é respeitada ao se propor mudanças na percepção e na atitude de seus
habitantes que, paulatinamente, e de forma ascendente, adquirem o poder social
e econômico, político e intelectual, para, com a devida orientação, definir,
analisar, assumir e resolver seus problemas. A Educação Ambiental, baseada
nesses parâmetros, é considerada um instrumento condicionador de massa capaz de
atenuar o conflito social existente entre o ser humano com suas necessidades, e
o espaço físico, promovendo um processo de auto-diagnóstico e autogestão, a
médio e longo prazo, pelas pessoas diretamente afetadas, disseminando um
embasamento ideológico convergente às pretensões políticas, sócio-econômicas e
culturais.
A percepção ambiental é um
processo difuso e abstrato para ser apreendido como indicador
técnico-científico, mas um concreto fator de experiência psíquico-cognitiva
pessoal que, mesmo com características de individualidade, pode ser percebida
com um indicador de comportamento sócio-cultural em relação ao espaço vivido (Tuan, 1980: 278 p.). Segundo BASSANI
(2001: 47-57 pp.), o processo perceptivo não é passível de recepção
informativa, pois ocorre como produto sensorial do ambiente em um dado momento,
implicando formulação de estruturas e capacidades interpretativas de motivação
ambiental antrópica.
Contudo, trata-se de um
importante indicador da condição do meio, uma vez que a sua qualidade é
percebida pelo ser humano através do estado de equilíbrio ecológico entre os
fatores bióticos e abióticos (Oliveira,
1997: 15-21 pp.). Desta maneira, a percepção pode ser lapidada e concretizada
pela cognição, absorvendo através das interações com o ambiente, novas
concepções de conhecimento e construção da realidade, sendo a Educação
Ambiental uma ferramenta multidisciplinar de intervenção dinâmica e bastante
eficiente neste processo na medida em que pode suscitar condutas, valores e
atributos favoráveis a estabilidade ecológica (Silva et al,
2003).
Para que haja um resgate
positivo da relação ser humano X natureza, deve-se aplicar uma metodologia que
abranja: interdisciplinaridade; adequação a realidade; orientação para
encontrar soluções; desenvolvimento do senso crítico; técnicas participativas
que incentivem a reflexão, integrando a linguagem formal e informal (Santos, 2000). Também deve ser
trabalhado o incentivo às atividades práticas e experiências dos cidadãos e
cidadãs da comunidade (Quintas,
2000: 161p.), reintegrando os moradores à situação local do ambiente natural e
construído, valorizando sua cidadania e projetando-o para a realidade global. Todo
este direcionamento das ações deve ser dirigido para que o público-alvo possa
estar habilitado a exercer atividades auto-sustentáveis.
Seguindo esta orientação,
foi trabalhada nesta atividade a preparação de um esboço de plano de utilização
territorial, utilizando-se como sua principal ferramenta, a educação ambiental
e conscientização da diretoria e conselho fiscal de uma OSCIP recém criada no
bairro Guaraguaçú, cidade de Pontal do Paraná - PR. Esta foi instruída quanto à
necessidade de um uso sustentável da região-alvo de projetos futuros.
A partir da avaliação do
ambiente feita por meio de ferramentas metodológicas que generalizem os
aspectos sócio-culturais da comunidade envolvida no processo fundamentou-se o
trabalho basicamente, nos elementos físico-ambientais do meio ambiente e social
em questão. Desta forma, procurou-se proporcionar a fundamentação necessária
para que aquela possa compreender e avaliar os diversos elementos componentes
do meio ambiente-alvo, assim como das futuras atividades a serem implantadas.
Reuniram-se para a execução
do trabalho, os diversos conceitos envolvidos na temática proposta no trabalho
como educação, planejamento, zoneamento, representação social, espaço físico e
comunidade. Estes múltiplos conceitos foram trabalhados através da
representação de cenários reais e da identificação de impactos e conflitos de
uso, apresentados e reunidos em unidades ambientais e zonas ambientais, as
quais representam verdadeiramente tais cenários.
Foi executado então, o
ensino não-formal através da elaboração do perfil ambiental da comunidade, sob
uma abordagem da ecologia humana, fornecendo subsídios importantes para um
planejamento seguro, mais próximo das carências reais desejadas. Utilizando-se
do levantamento dos aspectos ambientais, sociais, econômicos e culturais da
comunidade, procurou-se traçar uma teia de interações entre os participantes da
diretoria da OSCIP e os alunos da faculdade objetivando através da revelação
das prioridades daquela e da determinação de estratégias para a elaboração de
programas diretores para a região-alvo. A metodologia específica trabalhada
pelas equipes é descrita em seguida:
Metodologia
Neste trabalho, foi
utilizado uma proposta de planejamento ligado à educação que baseou-se nos
elementos que compõe o meio ambiente, suas potencialidades e fragilidades,
conflitos de uso, determinantes sócio-econômicos, qualidade de vida,
representações sociais e anseios da comunidade localizada próxima à área destinada
pelo plano diretor da cidade de Pontal do Paraná ao “Parque Nacional do
Guaraguaçú.”.
O trabalho foi realizado utilizando-se
da educação ambiental formal prevista no conteúdo programático da disciplina de
educação ambiental da turma de ciências biológicas da Faculdade Estadual de
Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá – FAFIPAR. Procurou-se integrar a
Educação Ambiental formal à não formal através da técnica pedagógica do projeto
(Dias, 2003: 541 p.)
Buscam-se diferentes soluções possíveis para um dado problema, com a
intervenção dos professores da disciplina junto a grupos de alunos que conduzem
um determinado projeto.
Como estratégia definida,
elaborou-se uma metodologia de trabalho em grupo, a qual envolveu a
participação de equipes de alunos contendo 6 a 8 membros, sendo cada uma desta responsável pela execução de uma tarefa específica. A classe pôde abordar os
diferentes aspectos de um mesmo problema assim como focalizar problemas
distintos. Cada equipe de alunos se responsabilizou por uma tarefa a ser
executada ao longo do tempo destinado ao componente prático da disciplina (12
semanas). Estas tarefas foram supervisionadas pelo presente autor – professor
da disciplina de Educação Ambiental – de forma que, sob a sugestão do mesmo, os
alunos planejaram, executaram e avaliaram uma parte do projeto sob um tema
específico.
Como método de trabalho,
utilizou-se o zoneamento ambiental da unidade ambiental de Mata Atlântica
inserida no contexto da comunidade como um norteador de idéias e debates junto
à mesma provendo os alunos da turma de ciências biológicas das mais diversas
representações sociais com formas específicas de participação popular.
Como estratégia de repasse
de informações para a diretoria da OSCIP criada pela comunidade, foi elaborado
um curso intitulado “Uso Sustentável da Terra”. Tal curso foi coordenado pelo
presente autor e ministrado pelos alunos de Educação Ambiental do curso de
Ciências biológicas da citada faculdade.
O objetivo geral do curso
foi “Promover a Educação Ambiental por meio de um curso participativo que
proponha um zoneamento territorial de uso sustentável na área localizada às
margens do rio Guaraguaçú – Pontal do Paraná” e os objetivos específicos foram:
1 - Informar
os participantes da diretoria e conselho fiscal da OSCIP do bairro sobre as
possíveis atividades a serem desenvolvidas pelos técnicos;
2 -
Conscientizar os mesmos da importância da realização das atividades de cunho
sustentável na área-alvo;
3 - Promover
a participação da diretoria e conselho fiscal quanto ao seu papel de agentes
difusores de informação e participação dentro do bairro Guaraguaçú.
Quanto à participação dos
alunos neste processo, estes foram divididos pelo professor em equipes de
trabalho na qual cada uma ficou responsável pela execução de uma tarefa com
atividades específicas, organizadas do seguinte modo:
Grupo 1 - Ciclo de Palestras
sobre temas relacionados com desenvolvimento sustentável:
Foram elaboradas pelos
alunos e supervisionadas pelo professor, palestras a serem apresentadas na
comunidade sobre os seguintes temas:
a – Desenvolvimento Sustentável;
b – Saúde e Higiene pessoal / social;
c – Ética e Cidadania;
d – Cooperativismo.
Grupo 2 – Execução de um
Mini-Laudo Biológico da área-foco:
Foi realizado pelos alunos
um levantamento da biota existente dentro da área-foco do trabalho. Este
trabalho teve participação efetiva dos participantes do curso inseridos na
comunidade envolvida, tendo estes ajudado na listagem, coleta e confecção de um
mural expositivo das espécies da flora da Mata Atlântica contendo algumas espécies
coletadas em saída de campo com a presença do professor e guiados por um
mateiro residente no bairro Guaraguaçú.
As atividades desta equipe
foram as seguintes:
a – Levantamento empírico da Fauna e
flora;
b – Coleta de espécies da flora;
c – Confecção de um mural digital e
expositivo das espécies;
d – Palestra de resultados na
comunidade.
Grupo 3 - Levantamento
sócio-econômico do bairro Guaraguaçú:
Quanto a essa equipe, foi
realizado pelos alunos e orientados pelo professor as seguintes atividades
relacionadas a um levantamento sócio-econômico do bairro inserido na área-foco
do trabalho:
a – Preparação de um questionário;
b – Aplicação do questionário no
bairro;
c – Tabulação dos resultados obtidos;
d – Palestra de resultados na
comunidade.
Os parâmetros
sócio-econômicos levantados pelos alunos foram: Escolaridade, número de
componentes familiares por casa, renda mensal do chefe de família, casa, tipo
de trabalho do chefe de família, renda complementar familiar, utilização de
crédito rural, classificação da residência, conservação da residência,
iluminação elétrica, água para consumo, destino dos dejetos, cultivo de horta,
criação de animais, uso do rio Guaraguaçú, uso ou não do rio, tipo de atividade
no rio, necessidade de atendimento médico regular e regularidade de atendimento
médico regular.
Grupo 4 - Apresentação de
algumas propostas de projetos para área-foco:
Nesta equipe, após uma acareação
com a comunidade envolvida, foram elaboradas pelos alunos sob a supervisão do
professor, três propostas de projetos para a área-foco do trabalho. Tais
propostas foram confeccionadas de acordo com o anseio da comunidade, levando-se
em consideração todos os parâmetros sociais, econômicos, ambientais e
legislativos envolvidos no processo:
a - Extrativismo Sustentável;
b – Ecoturismo;
c – Novas intervenções produtivas na
área-foco;
Grupo 5 - Proposta de zoneamento
da área-foco:
O trabalho desta equipe em
particular foi a de desenvolver e apresentar para a comunidade informações relativas
ao espaço cartográfico-ambiental da área-foco do trabalho. Sob a supervisão do
professor, procurou-se demonstrar para a comunidade, a importância do
planejamento ambiental para a adequada execução de projetos de cunho
sustentável. Coube a esta equipe, em especial, condensar todas as informações
obtidas nas demais equipes em uma proposta de zoneamento territorial para a
área de mata atlântica inserida no bairro Guaraguaçú.
a – Levantamento de informações
cartográficas;
b – Georeferenciamento da área-foco do
trabalho;
c – Esboço de Zoneamento territorial
da área-foco;
Resultados
Neste trabalho, os grupos de
alunos da disciplina de educação ambiental da turma de ciências biológicas da
Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá – FAFIPAR -
grupos 2 a 5 – apresentaram para a os membros componentes da OSCIP da
comunidade de Guaraguaçú, palestras temáticas contendo os resultados finais de
suas atividades de campo e sala de aula.

Figura 1 – Comunidade
do Guaraguaçú assistindo palestras
Como resultados do grupo 2
- Mini-Laudo Biológico da área-foco, foram catalogadas 26 espécies da
flora e 22 espécies da fauna nativas existentes na Mata Atlântica da
região-foco do trabalho. Da flora, foram obtidas na coleta in loco. Para
todas as espécies da flora, foram identificados por indivíduos da própria
comunidade, seus respectivos usos potenciais, sendo coletadas 14 espécies com
potencial de manejo sustentável, para artesanato, uso medicinal e
comercialização. Segue-se uma listagem das espécies da flora e fauna cordata ocorrentes
na área-foco da região:
Tabela 1 – Lista de espécies da flora
pesquisadas pelos alunos em Guaraguaçú
|
NOME popular
|
Nome científico
|
potencial de uso
|
|
Anoga
|
|
Óleo
medicinal (laxante natural) / Artesanato
|
|
Araçá
|
Psidium
sp
|
Venda
direta / Produtos culinários
|
|
Bacupari
|
Rheedia
gardneriana
|
Produto
medicianal
|
|
Cabeça-de-negro
|
Annona
squamosa
|
Produto
medicinal (contém muito açúcar)
|
|
Canela
do mato
|
Cróton
zehntneri
|
Tempero
/ Aromatizante
|
|
Cravo
do mato
|
Tillandsia
tenuifolia
|
Produto
medicinal
|
|
Guanandi
|
Calophyllum
brasiliense
|
Produto
medicinal / extração de madeira / óleo
|
|
Guapê
|
Sizigium
sp
|
Produto
medicinal (controle da diabete)
|
|
Jambro
|
Eugeni
bocainensis / oblongata
|
Venda
direta / Produtos culinários
|
|
Muxinga
|
Microlicia
isophylla
|
Venda
direta / Produtos culinários
|
|
Palmito
|
Euterpe
edulis
|
Venda
direta / Produtos culinários
|
|
Papaguela
|
|
Venda
direta / Produtos culinários / artesanato
|
|
Tucum
|
Bactris
glaucescens
|
Produtos
culinários / artesanato / óleo
|
|
Camarinha
|
Corema
album
|
Venda
direta / Produtos culinários
|
|
Ariticum
|
Rollinia
sylvatica
|
Venda
direta / Produtos culinários
|
|
Carova
|
Jacarandá
pubaula
|
Produto
medicinal (cicatrizante)
|
|
Chapéu-de-couro
|
Echinodorus
grandiflorus
|
Produto
medicinal
|
|
Arnica
|
Arnica
montana
|
Produto
medicinal (anestésico)
|
|
Ingá
|
Ingá
sp
|
Venda
direta / Produtos culinários / artesanato
|
|
Coronha
|
Ormosia
arborea
|
Venda
direta / Produtos culinários / artesanato
|
|
Tapiá
|
Alchornea triplinervia Muell. Arg.
|
Venda
direta / Produtos culinários / artesanato
|
|
Cipó
corda-de-viola
|
Ipomoea purpurea Roth
|
Artesanato
|
|
Cipó
Timbopeva
|
|
Artesanato
/ produção de vassouras
|
|
Coquinho
Jerivá
|
Syajrus
romanzofiana
|
Venda
direta / Produtos culinários / óleo
|
|
Malacraia
|
|
Artesanato
(semente)
|

Figura 2 – Mural de plantas
apresentado à comunidade
Tabela 2 – Lista de espécies da fauna cordata
pesquisadas pelos alunos em Guaraguaçú
|
NOME
popular
|
Nome
científico
|
Nome
POPULAR
|
Nome
científico
|
|
Cágado-pescoçudo
|
Hydromedusa tectifera
|
anu-preto
|
Crotophaga ani
|
|
jacaré-papo-amarelo
|
Caiman latirostris
|
anu-branco
|
Guira guira
|
|
Lagarto-coral
|
Diploglossus fasciatus
|
corujinha-do-mato
|
Otus choliba
|
|
cobra-de-vidro
|
Ophiodes fragilis
|
pica-pau-de-cabeça-amarela
|
Celeus ffavescens
|
|
Lagarto-teiu
|
Tupinambis merianae
|
joão-de-barro
|
Furnarius rufus
|
|
cobra-de-duas-cabeças
|
Leposternon microcephalum
|
bem-te-vi
|
Pitangus sulphuratus
|
|
cobra-cipó
|
Chironius bicarinatus
|
tamanduá-mirim
|
Tamandua tetradactyla
|
|
Muçurana
|
Clelia plumbea
|
Tatu
|
Dasypus septemcinctus
|
|
falsa-coral
|
Oxyrhopus clathratus
|
Quati
|
Nasua nasua
|
|
Caninana
|
Spilotes pullatus
|
Lontra
|
Lontra longicaudis
|
|
coral-verdadeira
|
Micrurus corallinus
|
Jaguatirica
|
Leopardus pardalis
|
|
Jararaca
|
Bothrops jararaca
|
Puma
|
Puma concolor
|
|
Jaracuçu
|
Bothrops jararacussu
|
Cateto
|
Pecari tajacu
|
|
inhambu-guaçu
|
Crypturellus obsoletus
|
Veado
|
Mazama sp.
|
|
Biguá
|
Phalacrocorax brasilianus
|
Preá
|
Cavia aperea
|
|
socó-grande
|
Ardea cocoi
|
Capivara
|
Hydrochaeris hydrochaeris
|
|
garça-branca-pequena
|
Egretta thula
|
Cutia
|
Dasyprocta azarae
|
|
pato-do-mato
|
Cairina moschata
|
Paca
|
Agouti paca
|
|
Gavião-caramujeiro
|
Rosthramus sociabilis
|
ouriço-cacheiro
|
Sphiggurus sp.
|
|
Carcará
|
Polyborus plancus
|
Jaçanã
|
Jacana jacana
|
|
saracurinha-da-mata
|
Amaurolimnas concolor
|
piriquito-verde
|
Brotogeris tirica
|
Como resultados do grupo 3
- Levantamento sócio-econômico do bairro Guaraguaçú, obtiveram-se, após
a elaboração e aplicação do questionário pelos alunos, os seguintes valores
percentuais, representados nos seguintes gráficos:

Gráfico 1 – Escolaridade dos
membros familiares da comunidade

Gráfico 2 – Número de componentes
familiares por família

Gráfico 3 – Quantificação
da renda mensal por família

Gráfico 4 –Tipo de consumo
de água pela família

Gráfico 5 –Tipo de criações
animais na comunidade

Gráfico 6 –Percentagem de
cultivo de horta no terreno na comunidade

Gráfico 7 –Tipo de uso dos recursos
naturais da Mata Atlântica
Como resultado do grupo 4 -
Apresentação de algumas propostas de projetos para área-foco:, foram
discutidas algumas propostas de projetos, entre elas:
1 - a criação de um programa envolvendo
projetos de:
a) ecoturismo
na área de Mata Atlântica inserida dentro do bairro Guaraguaçú com as seguintes
atividades: caminhadas por trilhas naturais já criadas dentro da mata e por
estradas de terra na região adjacente à mesma, tirolesa, rapel, trilhas
suspensas, entre outras atividades recreativas,
b)
ecoturismo no rio Guaraguaçú com passeios de barco na bacia hidrográfica de
Guaraguaçú,
c)
ecoturismo científico, com propostas de montagem de estruturas para receber integrantes
de instituições governamentais e particulares, tais como universidades e
faculdades, associações, organizações não governamentais como ONGs E OSCIPs e a
comunidade em geral interessada na ciência e no conhecimento do ecossistema da
região,
d)
ecoturismo antropológico-cultural que pretenderia levar, à comunidade turística
e em geral, o conhecimento da cultura regional e indígena da região;
2 – Um
programa de aqüicultura orgânica potencialidades dos recursos hídricos da bacia
hidrográfica do Guaraguaçú;
3 – Um
programa de Emissão Zero que inclui projetos de agricultura orgânica, em acordo
com a vocação local, de cultivo de mamona para produção de Biodiesel no aterro
sanitário do município de Pontal do Paraná localizado no bairro de Guaraguaçú e
projetos de biossistemas integrados (sistemas de integração produtiva entre as
atividades granjeiras e aqüicultoras);
4 - Um
programa de Extrativismo Sustentável envolvendo a explotação de recursos
naturais da Mata Atlântica, com projetos de reflorestamento das áreas
degradadas e extração e replantio sustentável de ervas medicinais endêmicas da
região e plantas com potencial extrativista para fins de artesanato.
Como resultados do Grupo 5
- Proposta de zoneamento da área-foco foi realizado, utilizando-se de um
GPS e com auxílio de “mateiros” da própria comunidade, um georeferenciamento da
área-foco do trabalho: a Mata Atlântica inserida no Bairro Guaraguaçú. Os
pontos georeferenciados foram inseridos dentro de esboço digital de zoneamento territorial
elaborado com a participação dos alunos da faculdade e integrantes da própria
comunidade. Este esboço se encontra representado a seguir:

Figura
3 – Zoneamento da área-foco do trabalho
Discussão e conclusões
O trabalho aqui desenvolvido
teve como foco principal uma demanda que a micro-região, conhecida como
comunidade de Guaraguaçú, parecia apresentar. Alguns dos membros da comunidade
inserida dentro da área de entorno da Mata Atlântica, davam sinais de que
desejavam uma melhoria na qualidade de vida do bairro em questão. Com vocação para a atividade agrária extrativista, utilizavam os recursos do meio
ambiente de maneira desordenada. Artesanato, exploração dos recursos aquáticos
presentes no rio Guaraguaçú e extração de samambaia para fins de venda estavam
entre suas principais atividades de complementação da renda familiar.
Podemos observar que,
segundo os resultados obtidos no questionário aplicado na comunidade,
praticamente a metade da população não passa do primeiro grau de escolaridade.
Apesar disso, sua renda mensal é relativamente boa, pois exercem funções de
prestadores de serviço básicos fora de seu local de residência de maneira bastante
eficiente. Este potencial, com a criação do parque, pode ser bem explorado se
o mesmo estiver conduzido de forma que a comunidade entenda os processos
envolvidos em uma Unidade de Conservação desta espécie e se acostume a tirar
proveito de sua capacidade de prestar serviços. Percebe-se, por exemplo, que dos
recursos naturais presentes no bioma de Mata Atlântica, a comunidade utiliza apenas
o rio Guaraguaçú para a pesca e do Meio Ambiente como um todo, apenas para recreação
própria. A comunidade não tira proveito de sua capacidade de prestar serviços
correlacionando o ambiente do entorno á atividades que poderiam ser catalisadoras
de geração de trabalho e renda, como por exemplo o ecoturismo.
Apesar destes fatos, pessoas
consideradas como “líderes naturais” dentro da comunidade, entendendo que
poderiam aproveitar de maneira mais adequada os futuros empreendimentos
previstos no Plano Diretor para seu bairro, aproximaram-se de membros da
comunidade universitária a fim de suas considerações pudessem ser entendidas e
aproveitadas de alguma forma.
Assim, uma Organização
Social de Interesse Público foi criada dentro do bairro tendo como membros
pessoas moradoras do bairro e da comunidade universitária. O objetivo foi envolver
pessoas interessadas em determinadas ações que levassem a um compartilhamento
dos conhecimentos sobre o meio ambiente a fim de obter respaldo para mudanças de
atitude e conseqüente apoio ao uso sustentável do mesmo.
Seguindo as recomendações
de (Santos,
1997), foi trabalhado o repasse de informações através de objetos e experiências
de campo e por meios ilustrativos, com o propósito não simplesmente de
instruir, mas de provocar e estimular idéias. O
zoneamento ambiental foi escolhido como ponte de ligação entre a comunidade e o
manejo da área.
Um processo educativo foi
criado utilizando o cenário ambiental do entorno, de forma a permitir uma
participação ativa dos atores sociais envolvidos. Alguns
autores, como Jacobson (1991),
referem-se que programas capazes de desenvolver a “educação conservacionista” podem
ser voltados à manutenção dos recursos naturais. Isto exige o desenvolvimento
de metodologias dinâmicas, interdisciplinares, dentro de um contexto de
produção integrada de conhecimento, levando em consideração as diversas
representações sociais sobre os problemas da região em questão.
Um importante processo foi
considerado ao se trabalhar a educação ambiental nesta comunidade: De acordo
com as recomendações da UNESCO/ UNEP (1997: 126 p.), na Conferência Intergovernamental sobre
Educação Ambiental, procurou-se “lograr que os
indivíduos e a coletividade compreendam a natureza complexa do meio ambiente
natural e do meio criado pelo homem, resultante da integração de seus aspectos
biológicos, físicos, sociais, econômicos e culturais, e adquiram os
conhecimentos, os valores, os comportamentos e as habilidades práticas para
participar responsável e eficazmente da prevenção e solução dos problemas
ambientais, e da gestão da questão da qualidade do meio ambiente”.
Como observado por Leal (1995: 35 p.), um planejamento
deste trabalho procurou ser elaborado a partir da definição de unidades
ambientais pode funcionar como plano motivador, que auxiliou discussões com o professor
de Educação Ambiental, seus alunos e a comunidade, apontando à criação de plano
coletivo, com ampla participação popular de determinados líderes.
Propostas de planejamento
de regiões rurais, principalmente propostas de planejamento, sejam do espaço
urbano ou rural, foram consideradas a priori, através de um sistema de
planejamento ligado à educação. Isto correspondia aos elementos que compõe o
meio, suas potencialidades e fragilidade, conflitos de uso, acertos,
determinantes sócio-econômicos, qualidade de vida, representações sociais e
anseios da comunidade a ser atingida. Procurou-se alcançar, em função de um
planejamento objetivo e detalhado, a alguns programas aplicáveis, a serem
difundidos através de conteúdos coerentes e racionais. O próprio planejamento visou
permitir que o processo educativo esteja permanentemente sujeito a uma
participação pública e revisão comum.
De acordo com Jacobson (1991), o simples fato de a
população poder acessar um lugar com alguns representantes da flora e fauna
nativa da cidade em que mora, já representa uma experiência educativa. Sejam quais
forem os objetivos, sempre é exigida uma metodologia ativa relacionada ao meio,
que deve-se fundamentar no uso do entorno imediato.
Se previamente, o espaço é
interpretado e mapeado dentro de uma concepção holística, seus resultados podem
ajudar a discussão e compreensão destas representações (Reigota et al, 1997: p. 123-128). Nesta perspectiva estas
informações devem-se apresentar como um instrumento norteador para os debates
com as comunidades.
À título de conclusão geral,
ficam registrados neste trabalho, alguns pontos citados pela Conferência Intergovernamental sobre Educação
Ambiental (UNESCO / UNEP 1977: 126 p.), que guiaram de maneira genérica os membros participantes
deste trabalho no aperfeiçoamento dos métodos de Educação Ambiental no
exercício do desenvolvimento sustentável pretendido pela equipe para esta
comunidade:
- Que
determinados setores da comunidade, como os constituídos pelos habitantes
rurais, os administradores, os trabalhadores da indústria e os líderes
religiosos, precisam de programas de educação ambiental, adequados a cada caso;
- Os
aspectos biológicos e físicos constituem a base natural do meio ambiente,
enquanto que as dimensões socioculturais e econômicas define as orientações e
os instrumentos conceituais técnicos com os quais o homem poderá compreender e
utilizar melhor os recursos da natureza, para satisfazer as suas necessidades;
- a EA deve
afastar-se da pedagogia exclusivamente informativa;
- Há de ser
a contribuição de diversas disciplinas e experimentos educativos ao
conhecimento e à compreensão do meio ambiente, assim como à resolução dos seus
problemas e à sua gestão. Sem o enfoque interdisciplinar não será possível
estudar suas relações, nem abrir o mundo à educação à comunidade, incitando
seus membros à ação;
- Enquanto
os alunos se mantiverem à margem da ação social, as relações entre a escola e a
comunidade somente poderão se superficiais;
- A EA não
poderá desenvolver-se plenamente se não incitar os indivíduos a descobrirem as
opções que determinam as decisões;
- A EA
deverá procurar estabelecer uma complementaridade estruturada de conhecimentos
teóricos, práticos e de comportamento;
- A EA
não-formal, deverá inspirar, a todos os membros de uma comunidade, atitudes
próprias;
-
utilizar o próprio meio ambiente como recurso educativo... As saídas e visitas
dos alunos são indispensáveis em EA... Não se deve limitar exclusivamente a certos elementos privilegiados, como parques, reservas, etc...
- As
atividades de EA devem ser o centro do programa porquanto permitem aos alunos,
oportunidades de desenvolver uma sensibilidade a respeito dos seus problemas ambientais
e buscar formas alternativas de soluções, conduzindo pesquisas no ambiente...
- A fonte de
erros no planejamento tem sido a mesma: planeja-se sem o conhecimento devido do
perfil ambiental das comunidades a serem envolvidas e do seu respectivo
metabolismo;
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