MATERIAIS GRATUITOS APOIAM
ESCOLAS A INTEGRAR EDUCAÇÃO AMBIENTAL AO CURRÍCULO
Conheça
recursos e materiais que ajudam educadores a colocar o tema em
prática no dia a dia
Parceria
com
por
Ana Luísa D'Maschio
19
de novembro de 2025
A educação
ambiental deixou de ser apenas um projeto pontual para se tornar
uma necessidade estrutural das escolas. Em um mundo marcado por ondas
de calor, enchentes e estiagens prolongadas, a relação
entre clima e educação se torna cada vez mais
evidente.
Formar
novas gerações capazes de compreender e transformar o
planeta exige que educadores e redes de ensino incorporem o tema de
maneira permanente ao currículo e ao cotidiano.
Essa
urgência ganha ainda mais força no contexto da COP30
(Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças
Climáticas de 2025), que segue em Belém (PA) até
sexta-feira, 21 de novembro. Em carta aberta, a presidência
da COP declarou que o planeta entrou definitivamente na chamada “era
das consequências”. O presidente designado, André
Corrêa do Lago, afirmou que a adaptação climática
deixou de ser uma escolha e passou a ser condição para
a sobrevivência humana.
O
MEC (Ministério da Educação) também
aproveitou o evento global para anunciar a PNEAE (Política
Nacional de Educação Ambiental Escolar), que deverá
ser lançada em breve. “Pensar na questão
ambiental passa fundamentalmente pela questão da educação”,
afirma o ministro Camilo Santana.
“Quando
a gente fala em educação, na relação que
ela tem com a questão ambiental, a gente fala de uma educação
de qualidade, em que todos tenham acesso e permaneçam na
escola. Mas nós queremos uma educação com
equidade e com inclusão, e a questão climática
não é mais uma questão do futuro, é uma
questão do presente, fruto dos eventos extremos que o Brasil
tem sofrido”, complementa.
Eixos da PNEAE (Política
Nacional de Educação Ambiental Escolar)
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Coordenação
federativa – Estrutura de governança tripartite
entre MEC, Consed (Conselho Nacional de Secretários de
Educação) e Undime (União dos Dirigentes
Municipais de Educação), além de uma Rede
Executiva de Governança composta por 53 agentes estaduais,
municipais e distrital, e 346 agentes territoriais de educação
ambiental escolar.
Protocolos,
diretrizes, cadernos orientativos e planos de resiliência
para redes e escolas.
Formação
– Currículo e práticas pedagógicas
para escolas sustentáveis e resilientes, com foco em
adaptação climática, soluções
baseadas na natureza, saberes tradicionais e populares, pátios
verdes e bioconstruções.
Compartilhamento
de saberes e práticas – Criação do
Selo Chico Mendes de Educação Ambiental Escolar
(reconhecimento de escolas e redes sustentáveis); o Dia da
Virada Climática para mobilização
educacional em torno da justiça climática; editais
públicos de incentivo às práticas
educacionais sustentáveis de juventudes; e ações
de comunicação voltada à difusão de
saberes tradicionais.
|
Escolas afetadas
Apenas
no Brasil, em 2024 cerca de 1,5 mil municípios interromperam
aulas devido a eventos climáticos extremos. Mais de 10 mil
escolas tiveram seu funcionamento comprometido e aproximadamente 2,5
milhões de estudantes foram afetados.
As
altas temperaturas diminuem a concentração, dias sem
aula prejudicam a continuidade pedagógica, enchentes
inviabilizam o transporte escolar e desastres ambientais geram
insegurança emocional dentro e fora das escolas, como
mostramos na Série Escolas Resilientes. O especial
foi selecionado pelo edital da Jeduca (Associação de
Jornalistas de Educação) e premiado pelo Covering
Climate Now Awards, que reconhece sua relevância no debate
sobre educação e clima.
Apoio
pedagógico
Se
a crise climática afeta profundamente a educação,
também é pela própria educação que
surgem caminhos concretos para a mudança. Escolas e
organizações de diferentes partes do país já
demonstram que é possível construir práticas
significativas, desde que exista apoio, formação
docente e materiais pedagógicos adequados.
Uma
das iniciativas que contribui com educadores dessa área é
o Programa
Reciclus Educa,
que disponibiliza gratuitamente materiais de apoio, formações
e recursos didáticos que facilitam a inserção
dos temas ambientais no cotidiano escolar.
A
organização é responsável por
operacionalizar a logística reversa das lâmpadas
fluorescentes que contêm mercúrio, com mais de 3
mil pontos
de entrega em
estabelecimentos comerciais em todo o Brasil.
“Na
Reciclus, costumamos dizer que a educação ambiental é
como uma semente: ela precisa ser plantada, regada e cuidada. E essa
mesma concepção vale para a construção da
consciência ambiental com crianças e jovens”, diz
Camilla Horizonte, gerente-executiva da Reciclus. “Não
acreditamos apenas no ‘para’, mas especialmente no ‘com’:
com crianças, com jovens, com educadoras e educadores, com a
comunidade. Sempre no coletivo, pois é nele que moram as reais
oportunidades de engajamento e mudança.”
Entre
esses materiais estão:
O
gibi “Uma Ideia Brilhante”, produzido em parceria com o
Instituto Mauricio de Sousa, que apresenta de forma lúdica o
problema das lâmpadas com mercúrio e a importância
da logística reversa.
O
e-book “Investigar, Sentir e Pertencer”, voltado a
professores da educação infantil e dos anos iniciais,
com orientações sobre pertencimento à natureza,
observação sensível e uso de materiais não
estruturados.
O
“Guia para Professores”, organizado pelo biólogo e
educador Samuel Cunha, com estratégias práticas para
trabalhar educação ambiental com o 6º ao 9º
ano e o ensino médio.
A
Cartilha do Bem, desenvolvida pela ABES-SP (Associação
Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental de São
Paulo), em parceria com a Reciclus, com a ABRE (Associação
Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e
Eletrodomésticos), e com a Prolata (Programa nacional voltado
à reciclagem de embalagens de aço), também
apresenta de forma acessível o caminho correto dos diversos
tipos de resíduos e ajuda estudantes a compreenderem o ciclo
completo da logística reversa, ou seja, do descarte correto.
Estímulo
ao debate
Segundo
Camilla Horizonte, muitos professores têm vontade de trabalhar
educação ambiental, mas não conseguem acessar
materiais confiáveis, alinhados à BNCC (Base
Nacional Comum Curricular) ou adequados à faixa
etária.
O
relatório “Educação sobre Mudanças
Climáticas: Percepções e Práticas de
Professores no Brasil” revela que 92% dos professores
consideram a educação climática muito
importante, mas a maioria ainda enfrenta falta de formação,
apoio institucional e recursos pedagógicos para trabalhar o
tema de forma contínua nas escolas. O estudo ouviu 1.600
professores de todas as regiões do país, das redes
pública e privada.
Camilla
explica que, ao oferecer materiais gratuitos e formações,
a Reciclus apoia educadores que querem transformar suas práticas,
mesmo em contextos de baixa infraestrutura. “O objetivo é
democratizar o acesso ao conhecimento ambiental para que escolas
públicas e privadas, independentemente de localização
ou recursos, possam desenvolver projetos consistentes.”
O
impacto desse trabalho já aparece em iniciativas como a da
Biblioteca Pedagógica Professora Cleonice Teresinha Mercuri
Quitério, de Limeira, interior de São Paulo. O espaço
se tornou um polo de iniciativas ambientais e culturais, ligadas ao
cotidiano das escolas municipais.
No
começo deste ano, a bibliotecária Taciana Lefcadito
Alvares, que ali trabalha desde 2011, desenvolveu um projeto de
acolhimento inspirado no livro “Azul e lindo: Planeta
Terra, nossa casa”, de Ruth Rocha e Otávio Roth. As
crianças produziram desenhos sobre ações de
cuidado com o planeta, fizeram de votações públicas
e receberam certificados e prêmios simbólicos.
Elas
também participaram do projeto itinerante “A Árvore
– Biomas Brasileiros”, uma obra de arte colaborativa
executada há mais de 30 anos, composta por desenhos de
crianças de mais de 70 países. Idealizada pelo artista
visual Otávio Roth na Escola Internacional das Nações
Unidas, em 1990, a obra segue mobilizando crianças e
adolescentes. Qualquer
secretaria de educação pode inscrever suas escolas para
participar da iniciativa.
Taciana
afirma que as crianças se envolvem muito quando percebem que
suas ideias são levadas a sério pela escola. “A
turma ensina em casa o que aprende. São meninos e meninas que
se tornam multiplicadores dentro de casa e na comunidade”,
explica.
A
atuação da Reciclus fortaleceu ainda mais essa rede de
ações ao promover uma formação com Samuel
Cunha, que reuniu 74 professores da rede municipal. A biblioteca
recebeu mais de 2,5 mil gibis e 500 cartilhas, distribuídos às
escolas da região.
Por
onde começar?
Levar
educação ambiental para a sala de aula pode começar
com gestos simples: observar o clima, registrar a temperatura,
investigar o consumo de água, usar histórias literárias
para discutir cuidado e pertencimento, pesquisar o caminho do lixo do
bairro ou refletir sobre os impactos das enchentes e ondas de calor
na comunidade. Esses movimentos ampliam o repertório dos
estudantes e fortalecem a capacidade de análise crítica
sobre o mundo.
“O
melhor caminho é começar pelo simples, considerando
sempre a realidade da escola e da comunidade. Inspirações
são importantes, mas só fazem sentido quando adaptadas
ao contexto em questão”, aponta Camilla Horizonte.
Segundo
Camilla, para desenvolver projetos ligados à educação
ambiental, é interessante considerar toda a comunidade escolar
pensando em como o projeto se insere na realidade da escola, tanto
nas relações entre as pessoas como na perspectiva
interdisciplinar. “De que forma o projeto dialoga com outros
conteúdos e disciplinas?”, sugere como primeiro ponto.
“A construção da educação ambiental
é um processo que precisa ser semeado para germinar”,
incentiva.
A educação
ambiental promove ações práticas resumidas
nos 5Rs:
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1. Repensar hábitos
de consumo ao fazer compras.
2. Recusar produtos
que causem danos ao meio ambiente ou à saúde.
3. Reduzir a
geração de resíduos individual e
coletivamente.
4. Reutilizar sempre
que possível (por exemplo, transformando potes de vidro em
copos ou embalagens de amaciante em vasinhos).
5. Reciclar.
Além disso, a lei estabelece a Responsabilidade
Compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. Esse conceito
está ligado à logística reversa, que obriga
quem produz a receber de volta o item após o uso,
garantindo reaproveitamento ou descarte correto.
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Fonte: Cartilha do Bem –
Aprendendo a Cuidar do Meio Ambiente – Reciclus
Fonte:
https://porvir.org/materiais-gratuitos-educacao-ambiental