ISSN 1678-0701
Número 12, Ano III.
Março-Maio/2005.
Números  
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Fazer doação      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Dinâmicas e recursos pedagógicos     Entrevistas     Arte e ambiente     Divulgação de Eventos     O que fazer para melhorar o meio ambiente     Sugestões bibliográficas     Educação     Você sabia que...     Trabalhos Enviados     Folclore
Entrevistas

09/03/2005Entrevista com Margi e Gérard Moss, idealizadores do Projeto Brasil das Águas  
Link permanente: http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=302 
" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">

Nova pagina 1

Entrevista com Margi e Gérard Moss, idealizadores do Projeto Brasil das Águas

Por Berenice Gehlen Adams

Margi e Gérard Moss desenvolvem um importante projeto que busca, entre outros objetivos, a conscientização da população em relação ao uso consciente da água. Os pesquisadores desenvolvem projetos voltados para a análise da qualidade da água dos rios, lagos e reservatórios hídricos brasileiros. A principal ferramenta dos pesquisadores é um avião anfíbio, equipado com um laboratório. Este tipo de avião possibilita a coleta de amostras em locais de difícil acesso, (que permite recolher amostras das águas). Cabe destacar que se trata de uma pesquisa inédita e inovadora, com a utilização de tecnologia 100% brasileira. Vamos conhecer um pouco mais sobre esta experiência:

- Margi e Gérard, como surgiu a idéia de criar o Projeto Brasil das Águas?

Há 15 anos  voamos pelo mundo em aeronaves leves, em geral a baixa altitude. Já estivemos em mais de 100 países, e no decorrer desses anos, fomos percebendo a deterioração do meio ambiente, seja pelas queimadas, pela erosão ou pela poluição das águas.


Como Brasil é um país de águas, algo cada vez mais escasso no mundo, queríamos fazer duas coisas:
1) chamar a atenção do público para a situação das águas doces brasileiras, porque o brasileiro tende a pensar que são inesgotáveis.
2) descobrir como está a saúde dessas águas em uma escala nacional. Qual seria a porcentagem que está poluída E qual a porcentagem de águas puras  

Já no final de 2001, depois de completar a volta ao mundo de motoplanador, Gérard teve a idéia de usar um anfíbio para coletar amostras de água, porque somente usando um avião seria impossível fazer o levantamento de todas as bacias hidrográficas de um país de tamanho continental como o nosso.

Claro, certos rios e lagos do país já são monitorados há anos por instituições e/ou empresas. A Agência Nacional de Águas tem equipes pelo Brasil afora. Porém todas têm sua atuação limitada pelas distâncias enormes e o tempo que se leva para percorrê-las. Num avião, é possível passar de um rio para outro em 10 minutos: num dia de trabalho, podemos cobrir 1.500 km. De barco, tudo isso é impossível.

Mas a idéia era nova. Pelo que eu saiba, ninguém nunca havia coletado água deste modo (de avião) para pesquisa. Primeiro, Gérard bolou um sistema para captar as amostras em vôo rasante (o equipamento e a sua instalação foram todo desenhado desenvolvidos pela nossa equipe, usando uma sonda multi-paramétrica e um computador de bordo - hardware e software brasileiros da empresa Atos, de São Paulo). Depois, verificou-se a coleta a 100 km/hora não prejudicaria as características da água. Foram feitos muitos testes, comparando água coletado no avião com amostras coletadas pelo Prof. Tundisi (do Instituto Internacional de Ecologia, de São Carlos) no mesmo local de barco. Constatamos que fatores como pH, temperatura, salinidade e outros, lidas quase que instantaneamente pela sonda, em nada foram prejudicados pela forma da coleta.

- Desde a sua criação, quais foram as principais realizações do Projeto Brasil das Águas, que vocês poderiam destacar?

Acho que os números falam por si.  Conseguimos coletar em 1163 pontos de amostragem  (163 a mais que originalmente previsto), de norte a sul, de leste a oeste do país – o quê rendeu umas 5.000 amostras.

 Voamos 120.000 kms, isso quer dizer bem mais do que a distância equivalente a duas voltas ao mundo!  Foram 760 horas de vôo, em 14 meses de operações em campo, e os pesquisadores estão trabalhando nas análises.

- Com quem vocês contam para o desenvolvimento do projeto, em termos de parceria?

Depois de desenvolver a parte técnica e ter certeza de que iria funcionar, começou a fase de captação de recursos financeiros para viabilizar o projeto. A idéia teve excelente repercussão com as empresas procuradas por nós.Acabamos fechando com a Petrobras como patrocinador-master e a Embratel como co-patrocinador (ambos antigos parceiros nossos em outros projetos). Além disso, a Companhia Vale do Rio Doce, a Agência Nacional de Águas e a Chubb Seguros entraram como parceiros, e várias outras empresas deram seu apoio institucional (Unesco e WWF) ou em equipamentos (como Wollner, Garmin - GPS - Goodyear por exemplo).

- Vocês contam com um mascote, o Ursinho Monte. Qual a importância desse mascote para a educação ambiental?

O Monte já deu duas voltas ao mundo – acho que deve ser o urso mais viajado da Terra! Ele, como nós, é testemunha da devastação dos recursos naturais em todo o planeta. Espero que ele escreva a história dele um dia desses, especialmente para explicar  para as crianças a importância da preservação para o futuro de todos os seres.

- Não poderia deixar de trazer essa última questão: quais são as maiores dificuldades enfrentadas no desenvolvimento desse fabuloso projeto?

Esse projeto foi altamente técnico, desde a parte  da aviação, até a engenharia (criação e implementação do sistema de coleta de água), passando pelo manuseio cuidadoso das amostras (congelamento, preservação com lugol etc) ,além do simples controle dos locais de coleta de amostragem). Todo o planejamento foi extremamente detalhado (escolha dos pontos onde as coletas seriam feitas) e tudo isso antes dos procedimentos próprios do simples dia-a-dia de vôo (cuidados com o avião), que exige disciplina, habilidade, cuidado com o motor, abastecimento, burocracia, planos de vôo etc.

Sei que muitas pessoas pensam “Que maravilha sair voando por aí pelos rios e lagos!”, mas por detrás desta imagem colorida, há horas e horas de vôo, mau tempo, turbulência, não tem banheiro nem comissária a bordo,  além  do risco sempre inerente à aviação.

- Para concluir, peço que deixem um recado para os leitores da nossa revista Educação Ambiental em Ação:

Primeiro, quero parabenizar os leitores porque, se são leitores, é porque se interessam no assunto educação ambiental.  E AÇÃO”,  é o quê precisamos. Sei que a tendência é sempre  a de concentrarmos nossos esforços na educação dos jovens, ou daqueles menos privilegiados, ou ainda dos excluídos, mas que tal tentarmos estabelecer uma rigorosa educação ambiental aos POLITICOS??!!

A equipe da revista virtual Educação Ambiental em Ação agradece a vocês, Margi e Gérard, pela valiosa contribuição de dividir um pouco dessa experiência fascinante com os leitores e com as leitoras desta revista.

É possível conhecer o projeto detalhadamente através do link http://www.brasildasaguas.com.br/ .


 



" data-layout="standard" data-action="like" data-show-faces="true" data-share="true">
 
Início      Cadastre-se!      Procurar      Submeter artigo      Fazer doação      Contato     Apresentação     Normas de Publicação     Artigos     Dicas e Curiosidades     Reflexão     Para sensibilizar     Dinâmicas e recursos pedagógicos     Entrevistas     Arte e ambiente     Divulgação de Eventos     O que fazer para melhorar o meio ambiente     Sugestões bibliográficas     Educação     Você sabia que...     Trabalhos Enviados     Folclore