O modo de funcionamento da humanidade entrou em crise. (Ailton Krenak)
ISSN 1678-0701 · Volume XXI, Número 80 · Setembro-Novembro/2022
Início Cadastre-se! Procurar Área de autores Contato Apresentação(4) Normas de Publicação(1) Artigos(11) Notícias(11) Dicas e Curiosidades(1) Reflexão(1) Para sensibilizar(1) Dinâmicas e recursos pedagógicos(1) Entrevistas(1) Arte e ambiente(1) Sugestões bibliográficas(1) Educação(1) Você sabia que...(1) Sementes(1) Ações e projetos inspiradores(5) Cidadania Ambiental(1) Do Linear ao Complexo(3) A Natureza Inspira(1) Relatos de Experiências(9)   |  Números  
Entrevistas
14/03/2006 (Nº 15) Entrevist@ com Genebaldo Freire Dias
Link permanente: http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=357 
  
Nova pagina 2

Entrevist@ com Genebaldo Freire Dias
Por Berenice Gehlen Adams
Para a revista eletrônica Educação Ambiental em Ação (15a. Edição - Dez/2005)


Apresentação: Esta edição da revista eletrônica Educação Ambiental em Ação tem a honra de apresentar a entrevist@ com o ilustre professor Genebaldo Freire Dias, Biólogo, Mestre e Doutor em Ecologia, autor de diversos livros de Educação Ambiental. Lançou neste ano (2005) o livro "40 Contribuições Pessoais Para Sustentabilidade" pela Gaia Editora. Recentemente participou do programa Sem Censura apresentando o seu livro e falando sobre as atividades que desenvolve, entre elas a Educação Ambiental. Vamos conhecê-lo mais um pouco através desta entrevista.

- Professor Genebaldo, conte-nos como surgiu o seu interesse pela Educação Ambiental e desde quando você se dedica a esta prática? O que o levou a escolher este caminho?

Comecei a lecionar aos 17 anos (Física). A educação sempre me fascinou. Queria novos caminhos, propostas. Buscava sempre a prática.  Depois como professor de Química e Biologia, pude reunir esses conhecimentos, ampliando a percepção dos processos naturais.

Sempre tive curiosidade sobre as formas como a natureza se organizava, funcionava. Buscava sempre respostas para nossos comportamentos (como mamíferos e como ser eucultural).

Daí, nos anos 70 veio a poluição, baía de minamata, Estocolmo e toda aquela revolução.  Daí foi um pulo!

- Como você percebe a Educação Ambiental (EA) de uma forma geral? Você poderia definir a EA em poucas palavras?

Defino como umas forma de ampliar a percepção socioambiental e reduzir a pegada ecológica humana.

Percebo como um processo por meio do qual se tenta reduzir sofrimentos evitáveis, combater o analfabetismo ambiental e ampliar as chances evolutivas da espécie humana.

- Fale-nos um pouco sobre suas perspectivas em relação à Educação Ambiental: você percebe mudanças significativas nas pessoas, ao longo destes anos trabalhando com a EA?

Percebo sim. No Brasil essas questões ambientais estão presentes nas empresas, nos negócios, nos governos, nas comunidades.  Temos entretanto, resistências fantásticas dentro das escolas particulares e das universidades.  Nas escolas, molda-se o processo educativo em função de vestibular, de conteúdos. Uma falácia. A escola deve preparar a pessoa para a vida, para ser interdisiciplinar, interativo, cooperativo, emotivo. Deve atentar para os desafios evolucionários.   As universidades, em sua maior parte, são caquéticas, ultrapassadas, engessadas por grossas camadas de vaidades.  Preparam pessoas para um mundo que não existe mais. Avessas a mudanças, continuam seu caminho koyaanisqatysi (filme do Francis Ford Coppolas, 1998, em dvd, recomendo).

Porém, é bom acentuar que as pessoas ainda não mudaram o suficiente - em qualidade e quantidade - para produzir mudanças em prováveis rotas de colisão com a insustentabilidade. Continuamos na mira do meteoro. Ultrapassamos vários sinais de alerta e não temos sinalizações que as mudanças políticas necessárias estão sendo tomadas.

Essa é a grande luta.

- Professor Genebaldo, conte-nos algum acontecimento ou fato curioso que tenha ocorrido ao realizar atividades ligadas a EA, que tenha ficado marcado, para você.

Como essa entrevista é bastante informal, tenho a liberdade de dizer que não gosto de falar sobre mim pois essa trajetória foi marcada por muita perseguição, injustiça e sacrifício, coisas que agora não têm a menor importância.

Marcam-me os emails e cartas que recebo, os sorrisos das professoras e professores quando no final dos nossos cursos, das dinâmicas experimentadas. A cada novo grupo novos elos de amizades, confraternização, esperanças...

- O que você, com toda sua experiência, tem a dizer aos/as docentes que ainda não encontraram um "caminho" para trabalhar a Educação Ambiental ou que se sentem "perdidos" em relação a esta questão?

Não há ninguém mais perdido em EA, no Brasil. Hoje somos a Nação mais entusiasta em caminhos diversificados desse processo.  No caso de dúvidas, escutem um pouco mais o coração, escutem mais a intuição. Temos nos nossos genes as orientações para a sobrevivência.

- No programa Sem Censura você falou sobre a importância da espiritualidade para o desenvolvimento de uma nova consciência em relação ao meio ambiente. Fale-nos um pouco sobre esta questão.

Imagine a complexidade do Projeto Terra. Aqui a vida foi instalada em um ambiente com água potável, solo fértil, aquecimento, bichos e plantas, fungos e vírus e uma incrível teia de relações entre isso tudo.  É um grande experimento no qual estamos todos envolvidos. Um projeto cuja complexidade inicia-se nos núcleos das células e se espalha no cosmos. Somos micro e macro ao mesmo tempo.

Não se pode querer explicar tudo, não conseguiremos.  É necessário parar um pouco para contemplarmos a beleza, o fascínio e a grandeza disso tudo.

- Outro assunto tratado no programa foi o de se criar uma disciplina específica para a EA. Quais seriam as conseqüências de se fragmentar a EA, compartimentando-a em uma disciplina, já que tenho conhecimento que algumas escolas estão optando pela instalação da disciplina de EA no currículo escolar, apesar do PRONEA que a define como prática interdisciplinar?

Houve uma falha nos investimentos em EA, no Brasil. Historicamente.

Há a necessidade de se investir em capacitação e formação profissional, em desenvolvimento de recursos instrucionais próprios. A estratégia de projetos deveria ser estimulada para a prática da EA.

A criação de uma disciplina é uma medida de desespero.

- Há algo que não perguntei e que você considera importante de comentar?

Sim. Sobre os novos projetos.

No início de 2006 estaremos relançando o nosso "Atividades Interdisciplinares de EA" (Gaia, SP). São 50 práticas interdisciplinares inovadoras.

A seguir, lançaremos um livro só sobre dinâmicas de EA e em junho um sobre Mudanças Climáticas.

- Deixe uma frase, uma palavra, uma poesia ou uma idéia que você gostaria de compartilhar com os/as leitores/as da revista eletrônica Educação Ambiental em Ação.


Milhos ficam contentes

quando explodem

em forma de pipoca?


Prezado professor Genebaldo, nós, Editoras e Colaboradores(as) da revista eletrônica Educação Ambiental em Ação agradecemos imensamente pela gentileza de conceder-nos esta entrevist@.  Muito Obrigada!

Ilustrações: Silvana Santos