Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos. Eduardo Galeano
ISSN 1678-0701 · Volume XXIII, Número 94 · Março-Maio/2026
Início Cadastre-se! Procurar Área de autores Contato Apresentação(4) Normas de Publicação(1) Entrevistas(1) Educação(1) O Eco das Vozes(1) Saber do Fazer(1) Reflexão(2) Para Sensibilizar(1) Dinâmicas e Recursos Pedagógicos(6) Divulgação de Eventos(13) O que fazer para melhorar o meio ambiente(1) Sugestões bibliográficas(1) Reportagem(2) Dicas e Curiosidades(2) Soluções e Inovações(1) Educação e temas emergentes(4) Ações e projetos inspiradores(22) Notícias(34) Iniciativas Empresariais Sustentáveis(1) Doações(1)   |  Números  
Conteúdo educacional sem propagandas
Esta publicação é um projeto educacional elaborado de forma voluntária. Doando qualquer quantia, você estará criando uma conexão genuína com esta publicação, minimizando custos de confecção e manutenção da revista. Ajude-nos a continuar transformando vidas. Muito obrigada!
Ações e projetos inspiradores
16/03/2026 (Nº 94) ELA CUIDA, RECUPERA E DEVOLVE À NATUREZA; TUDO DE FORMA VOLUNTÁRIA
Link permanente: http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=5712 
  

ELA CUIDA, RECUPERA E DEVOLVE À NATUREZA; TUDO DE FORMA VOLUNTÁRIA

Nem sempre o cuidado com a natureza acontece em reservas ambientais ou centros especializados.

1 de março de 2026 Flaviane Antolini Alegrete

Em Alegrete, parte desse trabalho ocorre de forma voluntária, dentro da casa da bióloga Mariana Costa, que há anos se dedica à recuperação de animais silvestres resgatados em situação crítica.

Servidora pública municipal desde 2019 e recentemente chamada para atuar também como professora da rede estadual, Mariana construiu sua trajetória profissional unindo ciência, serviço público e educação ambiental, áreas nas quais passou a ser reconhecida pela dedicação e pelo compromisso com a comunidade.

Paralelamente à carreira profissional, porém, desenvolve uma atividade pouco conhecida da comunidade: o acolhimento e a reabilitação de animais encaminhados principalmente pela Polícia Ambiental.

A rotina não segue horários fixos. Sempre que um resgate é realizado e não há estrutura imediata para atendimento, a casa da bióloga transforma-se em abrigo temporário.

Aves debilitadas, animais do banhado, corujas, marrecos, pombas, filhotes órfãos e até pequenos predadores já passaram pelo local. Muitos chegam desnutridos, feridos ou incapazes de sobreviver sozinhos.

Recentemente, dois pequenos gaviões com lesões nas pernas passaram a integrar a lista de animais em recuperação.

Sem apoio financeiro institucional, Mariana arca pessoalmente com alimentação, medicamentos e manutenção das estruturas necessárias para o cuidado. Gaiolas adaptadas ocupam parte do espaço doméstico, transformado em um verdadeiro centro informal de reabilitação.

Diferentemente de um abrigo permanente, o trabalho realizado tem uma finalidade clara: devolver o animal à natureza.

Após o período de recuperação, os animais são encaminhados novamente à Polícia Ambiental ou liberados em locais adequados, respeitando critérios de segurança e adaptação ao ambiente natural.

Uma das histórias mais marcantes foi o resgate de um filhote de veado-campeiro. Extremamente pequeno e debilitado quando chegou, o animal recebeu cuidados intensivos até recuperar força suficiente para sobreviver sozinho.

Meses depois, já desenvolvido, foi reintroduzido em área rural com acompanhamento. Dias após a soltura, produtores da região enviaram imagens mostrando o animal pastando livremente no campo — confirmação de que o processo de reabilitação havia sido bem-sucedido.

Todo o trabalho é realizado de forma voluntária.

Não há remuneração, convênio ou estrutura pública permanente vinculada à atividade. O atendimento acontece por iniciativa pessoal, motivado pela formação acadêmica e pela consciência ambiental.

Segundo especialistas, ações individuais como essa contribuem diretamente para a preservação da fauna silvestre, especialmente em regiões onde centros especializados são escassos.

O pensador indiano Mahatma Gandhi afirmava que “a grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo como seus animais são tratados”. A atuação de Mariana exemplifica essa ideia na prática cotidiana.

Colegas destacam sua capacidade de dedicação e organização, qualidades que também se refletem no cuidado ambiental realizado fora do expediente.

Apesar do impacto das ações, Mariana raramente divulga o trabalho realizado. Muitos dos resgates só se tornam conhecidos por relatos da própria Polícia Ambiental ou de pessoas que acompanham as solturas dos animais recuperados.

Entre chegadas urgentes, tratamentos longos e despedidas necessárias, o ciclo se repete continuamente.

Animais chegam fragilizados.

Recebem cuidado.

Recuperam a força.

E voltam para a natureza.

Sem cerimônia.
Sem reconhecimento formal.
Apenas com a certeza de que tiveram uma segunda chance.

Fonte: Ela cuida, recupera e devolve à natureza; tudo de forma voluntária

Ilustrações: Silvana Santos