Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos. Eduardo Galeano
ISSN 1678-0701 · Volume XXIII, Número 94 · Março-Maio/2026
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16/03/2026 (Nº 94) LABORATÓRIO DA UFPA EM ALTAMIRA UNE PESQUISA, CONSERVAÇÃO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL
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LABORATÓRIO DA UFPA EM ALTAMIRA UNE PESQUISA, CONSERVAÇÃO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL

19 de fevereiro de 2026

No Campus Universitário de Altamira da Universidade Federal do Pará (UFPA), um laboratório vem se destacando por aliar ciência, conservação da biodiversidade e aproximação com a comunidade local. Coordenado pelo professor Leandro Sousa, o Laboratório de Aquicultura de Peixes Ornamentais do Xingu (LAQUAX) desenvolve pesquisas voltadas à reprodução, ao manejo e à preservação de espécies nativas da bacia do Rio Xingu, muitas delas endêmicas e ameaçadas de extinção.

Embora o laboratório tenha sido institucionalizado nos últimos anos, o trabalho científico que hoje sustenta o espaço teve início ainda em 2011 no contexto dos debates e estudos ambientais relacionados à implantação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. À época, pesquisadores já realizavam monitoramentos sistemáticos da ictiofauna da região, acompanhando impactos ambientais e ciclos reprodutivos das espécies.

No âmbito dos Planos Básicos Ambientais (PBA), foram previstas condicionantes que incluíam tanto a catalogação da biodiversidade quanto o desenvolvimento de estudos reprodutivos de espécies impactadas. Hoje, o Laboratório de Ictiologia de Altamira (LIA) abriga uma coleção científica com quase 500 espécies de peixes da região devidamente catalogadas.

A criação do laboratório foi resultado de uma longa articulação para garantir que essa estrutura ficasse na Universidade e não fosse desmontada após o fim do licenciamento ambiental”, explica o professor Leandro Sousa. “Foi um ganho enorme para a UFPA e para a região. Muitos laboratórios montados durante o licenciamento foram desmontados depois. Aqui, conseguimos garantir continuidade, produção científica e formação de pessoas”, destaca o coordenador.

Símbolo do Xingu –O LAQUAX domina técnicas de reprodução em aquários e tanques experimentais, com estudos sobre qualidade da água, alimentação e crescimento dos peixes. Os resultados têm sido publicados em artigos científicos e apresentados em eventos acadêmicos.

Entre as espécies estudadas no laboratório, uma se destaca. O acará-zebra, peixe ornamental endêmico do Rio Xingu. A espécie é reconhecida internacionalmente por sua coloração listrada em preto e branco, foi amplamente exportada a partir da década de 1980 e teve sua comercialização proibida em 2004 devido à sobrepesca e, mais recentemente, aos impactos ambientais na região. Atualmente, o acará-zebra é considerado criticamente ameaçado de extinção.

O acará-zebra é um símbolo do Xingu. Ele só existe aqui e despertou interesse no mundo inteiro. Nosso trabalho é desenvolver protocolos científicos de reprodução em cativeiro para garantir a conservação da espécie e ampliar o conhecimento sobre sua biologia”, afirma Leandro Sousa.

Pesquisa com impacto social e ambiental – Além da conservação, os estudos desenvolvidos no laboratório têm impacto direto sobre as comunidades ribeirinhas. Um dos exemplos é a pesquisa sobre o papel dos pacus na dispersão de sementes de árvores do igapó, processo afetado pelas mudanças no regime de cheias do rio.

Esse é um conhecimento que os ribeirinhos sempre tiveram, mas que agora conseguimos comprovar cientificamente. Quando a semente passa pelo trato digestivo do peixe, ela germina mais rápido. Isso ajuda a entender o que está mudando no ecossistema”, explica o professor.

Outro eixo das pesquisas envolve a aquicultura sustentável com o objetivo de viabilizar, no futuro, a criação de espécies nativas do Xingu em tanques-rede e viveiros escavados, evitando a introdução de peixes de outras regiões e reduzindo impactos ambientais.

Comunidade – Apaixonado por aquarismo desde a infância, Leandro Sousa percebeu a demanda da cidade por espaços de ciência acessíveis. Assim, parte do laboratório foi transformada em um aquário de visitação pública, por meio de um projeto de extensão.

O espaço abriga espécies como pacus, arraias, tucunarés e peixes ornamentais, todos da região do Xingu, com exceção pontual de espécies utilizadas para fins didáticos comparativos.

Atendemos muitas escolas, principalmente da rede municipal. Vêm crianças muito pequenas e o espaço é uma forma de mostrar, muitas vezes, que esses peixes fazem parte da nossa riqueza natural, não apenas do prato”, relata.

O laboratório também é um importante espaço de formação acadêmica, envolvendo estudantes de graduação e pós-graduação da UFPA, além de bolsistas de iniciação científica e extensão. Há ainda uma parceria com o Instituto Federal do Pará (IFPA) e com a Universidade do Estado do Pará (UEPA).

A divulgação científica complementa esse trabalho por meio de redes sociais, onde o projeto compartilha vídeos, curiosidades e informações sobre os peixes do Xingu (perfil @ictioxingu no Instagram). “O principal objetivo é gerar conhecimento e difundir esse conhecimento. Quando a população conhece os peixes do rio, ela entende melhor os impactos ambientais e a importância da conservação”, resume o professor.

O Laboratório de Aquicultura de Peixes Ornamentais do Xingu funciona de segunda a sexta-feira, em horário comercial. A visitação é gratuita.

TEXTO: Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

FOTOS: Alexandre de Moraes - Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA



Fonte: Laboratório da UFPA em Altamira une pesquisa, conservação e educação ambiental – UFPA

Ilustrações: Silvana Santos