TRILHAS INTERPRETATIVAS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL COM ALUNOS DO ENSINO MÉDIO DE CRUZ ALTA-RS

O USO DE TRILHAS ECOLÓGICAS PARA ALUNOS DO ENSINO MÉDIO EM CRUZ ALTA-RS COMO INSTRUMENTO DE APOIO A PRÁTICA TEÓRICA


Carlos Eduardo Copatti1*, Jober Vanderlei de Vargas Machado2, Bethânia Ross3


*Autor para correspondência. Professor, Dr. em Zootecnia-UFSM. Centro de Ciências da Saúde, UNICRUZ, R. Andrade Neves, 308 - Cruz Alta, RS, CEP 98025-810, Fone (55) 3321-1500, E-mail: carloseduardocopatti@yahoo.com.br;

2 Aluno do Mestrado em Ciências Biológicas - Biodiversidade Animal da UFSM. E-mail: jobervm@bol.com.br;

3 Aluna do Curso de Ciências Biológicas da UNICRUZ. E-mail: bethaniaross@yahoo.com.br


Resumo

O trabalho em questão teve como objetivo realizar trilhas ecológicas interpretativas em diferentes paisagens ecológicas com alunos do Ensino Médio de Cruz Alta-RS, através de conteúdo prático e atividades lúdicas. As trilhas foram realizadas entre novembro de 2007 e abril de 2009. Ao todo, 545 alunos e 12 professores do Ensino Médio participaram das atividades, com durabilidade de três horas. A maioria dos alunos ainda não havia participado de trilhas ecológicas e quase todos demonstraram interesse em participar de atividades similares, não apresentando dificuldades em percorrer o percurso estabelecido. Os assuntos mais interessantes na opinião alunos foram: plantas medicinais e pegadas de animais. Além disso, apontaram que é importante a associação dos conteúdos práticos das trilhas com os conteúdos teóricos da sala de aula. Os professores enfatizaram que, para os alunos, a participação nestas atividades é fundamental para o melhor desenvolvimento de seus conteúdos em sala de aula. As trilhas interpretativas possibilitaram benefícios de aprendizado e recreação, contribuindo com uma qualidade de vida satisfatória.


Palavras-Chave: Educação ambiental. Atividades lúdicas. Plantas medicinais. Pegadas de animais.


Abstract

The use of ecologic trails to pupils of the high school in Cruz Alta-RS like instrument of support theoretical practice. This work has like objective realize trails of interpretation in different ambient with pupils of the high school of Cruz Alta-RS. The trails occurred between November 2007 and April 2009. A total of the 545 pupils and 12 teachers of the high school participated of the activities, with duration of the three hours. In this practice, applied of ludic activities by of ecological task, revised concepts demonstrated within the course. It was also applied some questions to the pupils concerning to the ecosystems of the areas visited, so like some questions to the teachers. The majority of the pupils haven’t participate of ecologic trails and almost ever demonstrated interest in participate of actives similar, without presented difficulties in walk and report of the actives realized during the course. The topics more interesting in opinion of the students were: medicine plants and animals’ footstep. Beyond, they appointed that is important association of the contents practice of the trials with the contents of the classroom. The teachers empathized that, to the students, the participation in those actives is fundamental to the best development of the contents. The interpretative trails permit benefits of apprenticed and recreation, contributed with a good quality of life.


Key-words: Ambient education. Ludic activities. Medicine plants. Animals’ footstep.


Introdução


As trilhas, enquanto instrumentos pedagógicos para a educação ambiental devem explorar o raciocínio lógico, incentivar a capacidade de observação e reflexão, além de apresentar conceitos ecológicos e estimular a prática investigatória (LEMES et al., 2004). Para Dias & Zanin (2004), as trilhas traduzem para os alunos visitantes das áreas naturais os fatores que estão além das transparências, como as leis naturais, histórias e fatos (PÁDUA & TABANEZ, 1998). Têm o propósito de estimular os grupos de atores a um novo campo de percepções, com objetivo de levá-los a observar, experimentar, questionar, sentir e descobrir os vários sentidos e significados relacionados ao tema selecionado (VASCONCELLOS, 1998).

As trilhas interpretativas, de acordo com Di Tullio (2005), são também uma estratégia utilizada para maior integração entre o ser humano e o meio natural, proporcionando um melhor conhecimento do ambiente local, dos seus aspectos históricos, geomorfológicos, culturais e naturais. A interpretação da natureza no contexto de uma trilha ecológica é atividade educativa que tem como objetivo a revelação de significados, relações ou fenômenos naturais por intermédio de experiências práticas e meios interpretativos, ao invés de simples comunicação de fatos e datas (DIAS, 2001). A percepção da paisagem em uma trilha de interpretação é apenas uma breve amostragem de suas seqüências, estruturas e dinamismo, porém, as experiências ambientais envolvidas trazem uma lição pertinente à compreensão mais profunda de nossas próprias percepções e vivências ambientais, diante de tantos e tão diferenciados ecossistemas naturais e construídos (LIMA, 1998).

As trilhas ecológicas são um forte aliado da educação ambiental, auxiliando na formação de cidadãos críticos, capazes de atuarem sobre a realidade, tornando-a menos agressiva para o meio ambiente e aguçando a percepção ambiental da sociedade como forma de aproximar o mundo natural às suas necessidades. Sobretudo, trilhas ecológicas possibilitam que as pessoas desfrutem de todos os aspectos positivos e inerentes do meio ambiente, melhorando a qualidade de vida e aprimorando conhecimentos. Da Silva et al. (2006) afirmam que o contato e a observação direta com a natureza tornam as pessoas mais sensíveis para perceber a ação do ser humano no meio ambiente. Muitos participantes não reconhecem o patrimônio natural original, confundindo plantas e animais exóticos como nativos, demonstrando a influência cultural na paisagem da região. Através da sensibilização da trilha ecológica fica evidente o grande elo que existe entre o ser humano e a natureza, reconhecendo na biologia uma das bases da formação de ambos.

Freitas & Magalhães (2003) consideram que as áreas de conservação, além de proporcionarem uma visão contemplativa para os visitantes observadores, exercem múltiplas funções ambientais para determinado ecossistema. Segundo resoluções da UNESCO e PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) de 1977, a Educação Ambiental é conceituada como uma ferramenta que deve ser dirigida aos mais diversos grupos de coletividade, de acordo com suas necessidades e seus interesses, para que sensibilize a opinião desses grupos com relação aos problemas ambientais através de modificações nas atitudes, de novos conhecimentos e critérios (DA ROCHA, 2000).

Este trabalho teve como objetivo realizar estudos de diferentes paisagens ecológicas, através de mecanismos de educação ambiental na área do CEPPA-UNICRUZ (Centro de Estudo, Pesquisa e Preservação Ambiental da UNICRUZ) para alunos do Ensino Médio de Cruz Alta-RS, visando o emprego de ações e percepções que auxiliassem no aprendizado do educando e do educador, bem como a manutenção de condições ambientais satisfatórias às necessidades dos organismos vivos, inclusive da sociedade humana.


Material e Métodos


Foi desenvolvido, experimentalmente, um trabalho de educação ambiental com 545 alunos do Ensino Médio de Cruz Alta-RS, além de 12 professores que os acompanharam.

Os alunos realizaram um “passeio-aula” em diferentes ecossistemas compreendendo áreas de mata e campo, na área do CEPPA-UNICRUZ, entre novembro de 2007 e abril de 2009. As atividades tiveram durabilidade de 3 horas e foram realizadas nos períodos matutino ou vespertino, de acordo com o horário disponível dos alunos. O percurso das trilhas foi de 2 km.

Todas as trilhas foram realizadas sempre com o acompanhamento de professores ou responsáveis das escolas participantes. Além destes, pelo menos dois alunos do Curso de Ciências Biológicas da Unicruz participaram da atividade, com a finalidade de aplicar conceitos de educação ambiental durante o percurso da mesma. Cada escola designava os professores para acompanhar os alunos, de acordo com a disponibilidade de tempo e horário dos mesmos. Os professores que acompanharam as atividades eram das disciplinas de Biologia, Educação Física, Português, Literatura, Inglês, Geografia e História.

Foram feitas explanações sobre diversos eixos ambientais, tais como: histórico da região, flora, fauna, estudo do solo, recursos hídricos e estudo do ar; sempre inter-relacionando os fatores entre si e com o conteúdo de sala de aula.

Antes do percurso propriamente dito, todas as normas de conduta foram informadas de maneira a fornecer todas as orientações necessárias para o melhor proveito da mesma. Durante o percurso da trilha, nove locais previamente escolhidos foram ambientes de parada temporária do percurso, onde explicações sobre diversos fatores ecológicos foram proferidas. Sempre que necessário, outras paradas ocorreram, com o intuito de explicar algum conceito ecológico presente no local pretendido.

Na primeira parada foram realizadas explanações sobre sucessão ecológica, demonstrando aos alunos como que um fragmento de Mata Atlântica em processo de sucessão ecológica se comporta. Foram apresentados exemplos de plantas herbáceas, arbustivas e arbóreas pioneiras, ressaltando a importância de cada uma destas para o ecossistema.

Numa segunda parada observaram-se exemplares de uma espécie de planta arbórea pioneira: o fumeiro bravo (Solanaceae, Solanum erianthum D. Don) que também possui propriedades medicinais por ser diurético e, além disso, emite substâncias tóxicas. Outras plantas medicinais, como boldo (Lamiaceae, Plectranthus barbatus Andrews), picão-preto (Asteracea, Bidens pilosa L.) e chá-de-bugre (Flacourtiaceae, Casearia sylvestris Sw.) foram visualizadas. Inclusive, explicaram-se diferenças e aplicações para chás e infusões, bem como os cuidados necessários no uso das mesmas.

A terceira parada ocorreu em um fragmento de mata nativa, onde foi explicado para os alunos que, devido à evapotranspiração, a sensação térmica naquele local era mais amena. Em seguida, ocorreram explicações sobre parasitismo e mutualismo.

Na quarta parada foram feitas explanações sobre espécies exóticas, tendo como exemplo uma planta presente naquele ponto: o eucalipto azul (Myrtaceae, Eucaliptus globulus Labill.).

Na quinta parada, deu-se continuidade ao tema das espécies exóticas, enfatizando a presença do capim-anoni (Poaceae, Eragrostis plana Nees). Da mesma forma, aquela área apresentava grande presença de plantas medicinais como marcela (Asteracea, Achyrocline satueroides (Lam.) DC.), camomila (Asteracea, Matricaria chamomila L.), transagem (Plantaginaceae, Pantago major L.), carqueija (Asteracea, Baccharis trimera (Less.) DC.), erva cidreira (Gramineaceae, Cymbopogon citratus (DC) Stapf.) e hortelã (Lamiaceae, Mentha sp.).

A parada de número seis não apresentava local definido, pois nesta os alunos aprendiam a reconhecer a fauna através de suas pegadas e outros sinais como as fezes. Além disso, era comum encontrar exúvias, ou seja, exoesqueletos de quitina de artrópodes após estes realizarem a ecdise.

Na sétima parada foram abordados assuntos relacionados à agricultura: Plantio Direto na Palha, agrotóxicos, erosão e mutualismo entre leguminosas (Leguminosidaea) e bactérias do gênero Rhizobium.

A oitava parada localizava-se às margens do rio Cambará, onde os estudantes puderam ver exemplos de plantas parasitas e epífitas. Além disso, tal parada também detinha como assunto a presença de peixes e outras espécies de animais viventes naquele trajeto do rio.

Na última parada, localizada dentro de uma área de mata ripária já bastante reduzida, assuntos referentes a impactos ambientais foram explanados, especialmente o aumento de sedimentos dentro dos rios devido à falta de proteção vegetal nas encostas. Os alunos ainda puderam observar espécies de hepáticas (Briophyta).

Ao final das atividades, cada turma discutiu sobre suas atitudes e utilidade das atividades para suas vivências. Posteriormente aplicaram-se atividades lúdicas por meio de gincanas ecológicas, revisando os ensinamentos preferidos durante o percurso da trilha. Para tanto, houve divisão aleatória dos participantes em grupos.

Foi aplicado um questionário para os alunos referente à atividade desenvolvida, assim como um questionário para os professores que versaram sobre a trilha percorrida e interesse em implantar projetos similares. As respostas foram tabuladas para melhor entendimento dos resultados.


Resultados e Discussão

Durante o período de aplicação das trilhas ecológicas, participaram 545 alunos e 12 professores do Ensino Médio. Machado et al. (2009) envolveram a participação de 290 alunos e 16 professores do Ensino Fundamental; já Gontijo & Neves (2004) apontaram que houve cerca de 3.000 visitantes em 1995, data do início do Projeto Caminhadas Ecológicas, na Estação Ecológica da Universidade Federal de Minas Gerais, aumentando para mais de 14.000 visitantes em 2003. Em nosso estudo reitera-se que o espaço para execução das atividades é muito reduzido, o que impede a presença de turmas com muitos participantes, além disso, com um número reduzido de participantes (25 a 35) é possível que as interpretações ambientais sejam mais bem direcionadas, permitindo a participação efetiva de todos os presentes.

Para Dias & Zanin (2004), as trilhas traduzem para os alunos visitantes das áreas naturais, os fatores que estão além das transparências, como as leis naturais, histórias e fatos. Para este trabalho 70,1% dos estudantes responderam que a atividade de maior interesse foi o percurso da trilha em comparação com 29,9% que responderam ser as atividades lúdicas o que denotou mais atenção..

O percurso da trilha englobou todas as explanações e argumentações realizadas. Apesar disso, ambos os procedimentos (percurso e atividades lúdicas) são considerados importantes para que o aluno adquira o melhor proveito da atividade, observação esta que está em consonância com Freire & Batista (2005) que diagnosticam a importância para a existência do jogo como parte significativa das práticas de caminhadas em trilhas ecológicas da Ilha de Santa Catarina em Florianópolis-SC e com Machado et al. (2009), que enfatizaram que tanto as explicações durante o percurso, quanto as atividades lúdicas são importantes para o envolvimento dos alunos..

O aluno deve ser capaz de formular questões, diagnosticar e propor soluções para problemas reais, por meio de sua interação com o mundo e as pessoas com que tem contato. Acerca disso, ressalta-se ainda mais a necessidade do aluno em participar de atividades de educação ambiental, como trilhas ecológicas. Para esta prática investigou-se que apenas 45,5% dos alunos já haviam participado de uma trilha ecológica anteriormente, porém 98,9% demonstraram interesse em realizar novamente atividades similares a esta, o que incentiva ainda mais a realização deste tipo de atividade. Além disso, apenas 2,6% dos mesmos afirmaram terem sentido dificuldade para realizar o percurso, sendo estas dificuldades de ordem física no que condiz a acompanhar a caminhada.

Marcellino (1996) explica que é muito difícil uma separação entre os sentimentos desejáveis e indesejáveis, quando se aborda uma área de ação com alto grau de escolha individual como é o caso dos estudos do lazer. Seniciato & Cavassan (2004) relataram que em trilhas realizadas no Jardim Botânico de Bauru-Sp, 14% dos alunos sentiram-se desconfortáveis durante as trilhas realizadas.

Um dos objetivos da interpretação deve ser sensibilizar os visitantes para a importância de se preservar os recursos a serem interpretados (PDM, 2002). Assim, Neiman & Rabinovici (2002) afirmam que o prazer da descoberta estética dos biomas desperta nos indivíduos sentimentos preservacionistas. Para tanto, sua prática deve ser constantemente reavaliada, em função do tipo de público a que se destina.

Trilhas, como meio de interpretação ambiental, visam não somente a transmissão de conhecimentos, contudo igualmente propiciam atividades que revelam os significados e as características do ambiente por meio do uso dos elementos originais, por experiência direta e por meios ilustrativos, sendo assim instrumento básico de programas de educação ao ar livre (PÁDUA & TABANEZ, 1998). Neste sentido, durante o percurso da trilha é importante que vários assuntos sejam acionados, a fim de satisfazer às exigências por conhecimento dos estudantes. Neste sentido, relata-se que os assuntos de maior interesse foram: o conhecimento dos usos de plantas medicinais (36,3%); a identificação de pegadas de animais selvagens, como veados, felinos e mão-pelada (33,2%); presença de espécies exóticas no meio natural (17,6%) e; impactos ambientais (12,9%).

A respeito das ervas medicinais encontradas no percurso da trilha, enfatiza-se que muitas já haviam sido utilizadas pelos estudantes, conforme apresentado na Tabela 1.


Tabela 1. Ervas medicinais presentes na trilha e utilizadas pelos alunos, Cruz Alta-RS, 2007-09.

Erva medicinal

Alunos

Marcela

387

Carqueja

276

Boldo

234

Cidreira

187

Camomila

80

Hortelã

71

Tansagem

60

Erva-mate

36

Pitangueira

18

outras

21

Não opinou

27


Os alunos puderam anotar mais de uma planta medicinal, porém, ainda é possível encontrar alunos que nunca utilizaram plantas medicinais (Tabela 1). As plantas medicinais mais citadas foram: marcela, carqueja, boldo e cidreira.

Outro ganho propiciado pela realização das trilhas ecológicas foi a associação dos conteúdos propostos em sala de aula com os temas do percurso da trilha. Isto se comprova pelo fato de 98,0% dos alunos terem respondido que a percepção de tais conteúdos no meio natural auxilia no aprendizado em sala de aula. Tal observação coincide com o que foi exposto por Machado et al. (2009) em trilhas realizadas com alunos do Ensino Fundamental, onde mais de 95% dos alunos relataram a importância da associação entre a teoria e a prática das trilhas ecológicas.

As aulas de Ensino Médio desenvolvidas em ambientes naturais têm sido apontadas como uma metodologia eficaz tanto por envolverem e motivarem crianças e jovens nas atividades educativas, quanto por constituírem um instrumento de superação da fragmentação do conhecimento (SENICIATO & CAVASSAN, 2004). Trabalhos como os de Rocha (1997), Tabanez et al. (1997), Ceccon & Diniz (2002) e Machado et al. (2009), por exemplo, apontam para a eficácia do uso de trilhas interpretativas em unidades de conservação nas questões referentes especificamente à educação ambiental para os Ensinos Médio e Fundamental.

Seniciato & Cavassan (2004) alertam ainda que apesar de ser indiscutível que os problemas ambientais devam estar entre os assuntos prioritários na sociedade moderna e que as aulas de campo são um instrumento eficiente para o estabelecimento de uma nova perspectiva na relação entre o homem e a natureza, o que se procura é uma outra abordagem para as atividades educativas em ambientes naturais: o desenvolvimento das aulas como uma metodologia que auxilie na aprendizagem dos conhecimentos científicos, principalmente aqueles relacionados à ecologia. Para Sorrentino (1998), os grandes desafios para os educadores ambientais são, de um lado, o resgate e o desenvolvimento de valores e comportamentos (confiança, respeito mútuo, responsabilidade, compromisso, solidariedade e iniciativa) e de outro, o estímulo a uma visão global e crítica das questões ambientais e a promoção de um enfoque interdisciplinar que resgate e construa saberes.

Na medida em que o aluno compreende melhor o meio em que vive, tanto melhor será sua compreensão das atividades propostas em sala de aula. Depois de reconhecer os ecossistemas de sua região, tanto mais fácil será reconhecer outros, desde que tenham alguns atributos em comuns com os de seu conhecimento.

Quanto aos professores, também foram feitos questionamentos, como a participação destes em outras trilhas, onde oito educadores afirmaram já ter realizado atividades como esta e para os demais esta foi a primeira oportunidade de realizar uma trilha ecológica. Entretanto, todos julgaram que, para os alunos, a participação em trilhas ecológicas é muito importante, bem como a associação entre os conteúdos práticos apresentados nas trilhas com os conteúdos ministrados pelos professores em sala de aula. Da Silva et al. (2006) ao realizar trilhas ecológicas na Universidade de Passo Fundo reconheceram que, pelo interesse dos professores, houve uma contribuição da trilha ecológica na formação continuada destes, sendo necessário o estudo da inserção da educação ambiental na formação universitária.

Todos os professores inqueridos neste trabalho apontaram que a participação nesta trilha irá auxiliá-los na preparação de suas aulas, além de estarem disponíveis para realizar outras práticas do mesmo tipo com seus alunos. Tal informação é importante, visto que Chaddad (2010) informa que nem sempre o professor tem a real concepção do que é meio ambiente, pelo menos sua base integrativa entre política, cultura e natureza. Observação semelhante é proferida por Ovigli et al. (2009), que afirmaram que os professores ainda têm uma visão de educação ambiental muito vinculada a ecologia social, sendo que no que diz respeito aos problemas ambientais, os mesmos são desligados de uma reflexão mais ampla que contemple as relações do ser humano com o meio ambiente, considerado uma trama holística e integrada que abarque não apenas determinantes concretos (lixo, desmatamento, poluição), mas também componentes econômicos e políticos.

Trilhas interpretativas em áreas de interesse ecológico são instrumentos importantíssimos para a dinâmica da educação ambiental. As mesmas, tendo os devidos embasamentos metodológicos, fundamentam conhecimentos adquiridos em sala de aula, além de estimular a cognição e a percepção do meio aos seus participantes. Inclusive, devido a sua natureza interdisciplinar, possibilitam ganhos nas mais variadas áreas do conhecimento.


Conclusão


Trabalhos que envolvem educação ambiental possuem suma importância na construção de uma sociedade preocupada com o meio em que vive. A associação dos conteúdos teóricos com as explanações práticas faz com que o aluno valorize os ecossistemas naturais, observando sua importância para que ocorra o equilíbrio ambiental. Assim, estas trilhas promoveram a construção de um cidadão que não apenas valorize o meio em que vive, mas que também trabalhe para a preservação e a recuperação de ecossistemas que se encontrem em processo de degradação.

Neste estudo demonstrou-se que as trilhas podem compilar seus conteúdos com os conteúdos práticos da sala de aula, além de enfocar aspectos inerentes a elas. Além disso, o grande interesse dos alunos em realizarem novamente atividades similares suporta por si a importância da realização de trilhas ecológicas interpretativas.

Agradecimentos

Ao Programa Institucional de Bolsas de Extensão da Universidade de Cruz Alta (PIBEX-UNICRUZ) e à Secretária de educação da Prefeitura Municipal de Cruz Alta.


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