ENTREVISTA COM ROBERTO BOTELHO E SANDRA MEZZOMO PARA A 96ª EDIÇÃO DA REVISTA EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM AÇÃO

Por Bere Adams

Foto – Roberto e Sandra, por Bere Adams

Apresentação – Tive o prazer de conhecer o Roberto e a Sandra quando meu marido e eu nos hospedamos na pousada deles, e tivemos uma experiência encantadora! Eles são administradores da Recanto da Mata Pousada, em São Francisco de Paula (RS), onde suas trajetórias profissionais se encontram em torno do turismo, da hospitalidade e da valorização da natureza e dos saberes locais.

O Roberto é condutor ambiental e guia de turismo formado pelo Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), atua desde 2011 na administração da Recanto da Mata Pousada e faz a condução (guiamento) de birdwatching (observação de aves) com observadores de aves de todo o país e também do exterior. Sua trajetória inclui formação específica nessa área e participação em diversos encontros e eventos voltados ao turismo de observação de aves, como o AvisTchê, o Encontro Ornithos e o Avistar.

A Sandra tem formação em Turismo e Hospitalidade pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e em Gastronomia pelo Instituto Gastronômico das Américas (IGA), além de cursar atualmente Nutrição. Ao longo dos anos, ampliou sua formação em temas como Turismo Rural, Frutas Nativas, Boas Práticas na Alimentação, Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, Alimentação Inclusiva e Gastronomia e Sociobiodiversidade. Desde 2011, também atua na administração e na gastronomia da Recanto da Mata Pousada e, mais recentemente, também integra o Coletivo Alecrim de Consumo Responsável em Alimentação Inclusiva, em São Francisco de Paula.

Nesta entrevista, veremos como em diferentes campos de atuação, Roberto e Sandra aproximam turismo, alimentação, biodiversidade e contato com a natureza, construindo experiências que ajudam a revelar como atividades profissionais e escolhas cotidianas podem estabelecer relações mais cuidadosas com o ambiente.

Bere – Olá, queridos, é uma honra tê-los como entrevistados desta edição, muito obrigada! Indo direto aos pontos, risos, vocês chegaram às questões ambientais por caminhos profissionais diferentes, não é? Em que momento vocês perceberam que natureza, turismo, alimentação e modo de vida estavam profundamente ligados ao trabalho de vocês?

Roberto e Sandra – Talvez não tenha existido um único momento, mas um processo de percepção ao longo dos anos. A Recanto da Mata foi nos mostrando que não é possível separar a hospedagem do lugar onde ela está inserida.

Estamos em São Francisco de Paula, cercados por uma natureza que não é apenas cenário. Ela faz parte da experiência de quem chega, do silêncio, das paisagens, dos pássaros, das plantas, dos sabores e da própria maneira como recebemos as pessoas.

Com o passar dos anos, fomos percebendo também que alimentação, turismo e natureza contam a mesma história: a história de um território e das pessoas que vivem nele.

Hoje entendemos que receber alguém é também apresentar um pouco desse modo de vida, valorizando os produtos locais, a gastronomia, a cultura, a biodiversidade e as experiências que fazem parte de São Chico.

Bere – A Recanto da Mata Pousada está inserida em uma região de grande riqueza natural. De que maneira esse ambiente influencia as decisões e práticas adotadas por vocês no dia a dia da pousada?

Roberto e Sandra – A natureza está presente nas nossas decisões o tempo todo. Ela nos ensina a observar antes de interferir.

Procuramos valorizar aquilo que o próprio território oferece, respeitar os ciclos naturais e fazer com que a experiência dos hóspedes tenha relação com o ambiente, e não aconteça apesar dele.

Isso aparece na forma como pensamos a alimentação, na valorização de produtos e produtores locais, no uso das plantas e ervas que cultivamos, no interesse pela observação de aves e na maneira como apresentamos a paisagem aos hóspedes.

Também procuramos estimular uma relação de respeito com o lugar. Para nós, turismo não deveria significar apenas chegar, consumir e ir embora. Deve existir uma troca: o hóspede leva uma experiência e, ao mesmo tempo, aprende a reconhecer e valorizar o território que o recebeu.

Bere – Entre todas as experiências que tiveram ao longo desses anos, houve algum episódio, encontro ou aprendizado que tenha mudado de forma especial a maneira como vocês se relacionam com o meio ambiente?

Roberto e Sandra – Foram muitos encontros e experiências ao longo desses anos, e talvez o maior aprendizado tenha vindo justamente da convivência.

Quando começamos a observar mais atentamente a natureza ao nosso redor, percebemos que sempre existe algo acontecendo: uma ave que chega, uma planta que floresce, uma mudança no clima, uma transformação na paisagem.

A observação de aves, as experiências com os hóspedes, o contato com produtores e com pessoas que trabalham diretamente com a terra foram ampliando nosso olhar.

Aprendemos que a natureza não precisa ser grandiosa para nos ensinar. Muitas vezes, são os pequenos detalhes que nos fazem perceber o quanto dependemos dela e o quanto nossas escolhas interferem nesse equilíbrio.

Bere – Sandra, sua trajetória aproxima gastronomia, nutrição, frutas nativas, soberania alimentar e consumo responsável. O que a alimentação pode nos ensinar sobre cuidado ambiental?

Sandra – A alimentação nos ensina que cuidar da natureza também é cuidar de nós mesmos. Quando olhamos para o alimento para além do prato, percebemos todo o caminho que existe por trás dele: a terra, a água, as sementes, os agricultores, os conhecimentos tradicionais, a biodiversidade e as escolhas que fazemos como consumidores.

Minha trajetória entre a Gastronomia e a Nutrição tem ampliado justamente esse olhar. Tenho aprendido a valorizar cada vez mais os alimentos do território, especialmente as frutas nativas e aquilo que a nossa biodiversidade oferece.

Falar em soberania alimentar é também falar sobre o direito de conhecer, valorizar e escolher aquilo que comemos, fortalecendo os produtores locais e os saberes que fazem parte da nossa cultura.

Acredito que uma alimentação mais consciente começa quando entendemos que nossas escolhas à mesa também têm consequências para o ambiente. Consumir de forma responsável não significa buscar a perfeição, mas fazer escolhas mais conscientes, valorizar os alimentos locais e sazonais, evitar desperdícios e reconhecer o alimento como parte de um sistema vivo do qual fazemos parte.

Bere – Você também participa do Coletivo Alecrim de Consumo Responsável em Alimentação Inclusiva. Como surgiu esse trabalho e que mudanças práticas ele procura estimular?

Sandra – Minha história com o Coletivo Alecrim começou quando minha marca ainda se chamava Mezzomo Alimentação Saudável. Alguns meses depois, meu trabalho também foi se transformando e passei a me dedicar exclusivamente ao desenvolvimento de produtos sem farinha de trigo e sem leite, adotando então o nome Mezzomo Alimentação Inclusiva.

O Coletivo Alecrim nasceu em São Francisco de Paula a partir da iniciativa de uma amiga de Novo Hamburgo, que já participava do Coletivo Araçá de Consumo Responsável e trouxe a ideia de formar um coletivo também aqui. As primeiras reuniões aconteceram na Recanto da Mata, onde começamos a sonhar e construir esse projeto. Inicialmente, éramos o Grupo de Consumo Responsável São Chico, que começou em fevereiro de 2024.

Em março, iniciamos as Acolhidas, aproximando pessoas que desejavam consumir produtos da agricultura local e agroecológica, fortalecendo também a economia solidária. Em abril aconteceu o primeiro Ciclo de Pedidos e, junto à entrega dos produtos, começamos a realizar a Feira de Consumo Responsável. Depois de alguns encontros, escolhemos o nome Coletivo Alecrim de Consumo Responsável.

Desde então, mantemos ciclos mensais de pedidos, realizados pelo site, e a feira junto às entregas. Mais do que uma forma de comprar alimentos, o Alecrim procura aproximar quem produz de quem consome, valorizar a produção local e agroecológica e fortalecer relações mais justas e conscientes dentro da cadeia alimentar.

Para mim, participar desse movimento também acompanha uma transformação da minha própria trajetória profissional: compreender que aquilo que colocamos à mesa envolve saúde, território, cultura, trabalho, biodiversidade e escolhas de consumo. Cada escolha de consumo é também uma escolha sobre o mundo que queremos alimentar.

Bere – Roberto, a observação de aves ocupa um espaço importante na sua trajetória. O que essa atividade proporciona além do simples ato de identificar espécies?

Roberto – A observação de aves nos ensina, antes de tudo, a olhar. E olhar de verdade exige presença, silêncio, paciência e atenção.

Quando começamos a observar as aves, percebemos que não estamos apenas procurando identificar uma espécie. Estamos entrando em contato com um ambiente inteiro. O canto, o comportamento, a época do ano, a vegetação, a disponibilidade de alimento e até as condições climáticas contam uma história.

Para mim, a observação de aves também trouxe uma mudança na maneira de perceber o lugar onde vivo. Uma árvore deixa de ser apenas uma árvore quando sabemos que ela oferece alimento ou abrigo para determinada espécie. Um canto que antes passava despercebido passa a despertar curiosidade.

E existe ainda uma dimensão humana muito bonita. A observação aproxima pessoas, desperta perguntas e cria momentos de troca. Na Recanto da Mata, muitas vezes o hóspede chega sem imaginar que encontrará essa experiência e acaba descobrindo um outro jeito de conhecer São Francisco de Paula.

Observar aves é, portanto, muito mais do que identificar espécies. É aprender a perceber as relações que existem entre os seres vivos e o ambiente do qual todos fazemos parte.

Bere – A observação de aves pode também contribuir para a conservação ambiental e para uma maior sensibilização das pessoas em relação à natureza? De que maneira?

Roberto – Com certeza. Acredito que aquilo que conhecemos e aprendemos a valorizar passa a ser mais difícil de ignorar.

A observação de aves cria uma aproximação muito concreta com a natureza. Quando uma pessoa aprende a reconhecer uma espécie, observa seu comportamento e entende que ela depende de determinado ambiente para viver, começa também a perceber a importância de preservar esse ambiente.

As aves podem funcionar como uma espécie de porta de entrada para a conservação. Por meio delas, podemos conversar sobre florestas, água, alimentação, árvores nativas, biodiversidade e sobre os impactos das nossas escolhas no território.

Na Recanto da Mata, procuramos proporcionar essa experiência de maneira espontânea. Não se trata apenas de mostrar uma ave ao hóspede, mas de estimular a curiosidade e o respeito. Quando alguém para e observa, ouve e tenta compreender o que está acontecendo ao seu redor, estabelece uma relação diferente com aquele lugar.

A observação de aves também pode contribuir para o turismo de natureza e para a valorização dos ambientes naturais, mostrando que uma área preservada possui valor não apenas ambiental, mas também educativo, cultural e turístico.

Talvez esse seja um dos maiores potenciais da observação de aves: transformar a curiosidade em conhecimento, o conhecimento em encantamento e o encantamento em vontade de preservar.

Bere – O turismo de natureza cresceu muito nos últimos anos. Na experiência de vocês, o que diferencia um turismo que apenas utiliza a natureza como cenário de um turismo realmente comprometido com sua conservação?

Roberto e Sandra - Para nós, a principal diferença está na maneira como enxergamos a natureza. Quando ela é apenas um cenário, está ali para ser consumida como parte da experiência. Quando existe um compromisso com a conservação, ela passa a ser entendida como parte essencial do lugar e da própria experiência turística.

Um turismo comprometido com a conservação procura conhecer e respeitar o território, valorizar sua biodiversidade, seus ciclos, sua cultura e as pessoas que vivem e trabalham nele. Também procura minimizar seus impactos e, sempre que possível, contribuir para que aquele ambiente continue existindo e sendo valorizado pelas próximas gerações.

Na Recanto da Mata, isso está muito ligado à nossa forma de receber. A observação de aves, por exemplo, não é apenas uma atividade oferecida ao hóspede. Ela é uma oportunidade de despertar um olhar diferente para a natureza. Quando alguém passa a reconhecer uma ave, percebe seus hábitos e entende a relação dela com a mata, começa também a compreender por que aquele ambiente precisa ser preservado.

Da mesma forma, buscamos valorizar os alimentos, produtores, saberes e experiências do território. Acreditamos que o turismo pode movimentar a economia local sem perder de vista a responsabilidade com o lugar que o torna possível.

Para nós, o verdadeiro turismo de natureza não é aquele que leva as pessoas até a natureza, mas aquele que ajuda as pessoas a se sentirem parte dela.

E quando nos sentimos parte de algo, começamos a cuidar de uma maneira diferente.

Observar é também uma forma de cuidar.”



Bere – Pela experiência de vocês, quais pequenas escolhas cotidianas podem provocar mudanças importantes?

Roberto e Sandra - Acreditamos muito nas pequenas escolhas, porque são elas que, repetidas todos os dias, constroem grandes mudanças.

Evitar desperdícios, escolher produtos locais sempre que possível, valorizar quem produz de maneira responsável, observar a sazonalidade dos alimentos, reaproveitar aquilo que ainda pode ser utilizado e consumir de maneira mais consciente são atitudes simples.

Na pousada, também percebemos que pequenas mudanças podem envolver os próprios hóspedes: aprender a respeitar o espaço natural, observar sem interferir, cuidar da água, evitar desperdícios e compreender que conforto não precisa significar excesso.

Não acreditamos em perfeição. Acreditamos em consciência e em escolhas possíveis.”

Bere – Trabalhar diretamente com visitantes permite observar diferentes comportamentos. Vocês percebem que as pessoas estão chegando mais interessadas ou preocupadas com questões ambientais do que há alguns anos?

Roberto e Sandra – Sim, percebemos uma mudança. Muitas pessoas chegam mais curiosas e interessadas em conhecer o território, os produtos locais, a gastronomia, as plantas, as aves e as experiências que vão além do turismo tradicional.

Existe também uma busca maior por experiências com significado. As pessoas querem desacelerar, estar em contato com a natureza, conhecer histórias e compreender um pouco mais sobre o lugar que estão conhecendo.

Ao mesmo tempo, percebemos que ainda existe muito a aprender. E acreditamos que o turismo pode ter um papel importante nesse processo, não pela imposição de regras, mas pela sensibilização.

Quando uma pessoa observa uma ave, conhece um produtor local, experimenta um alimento do território ou descobre uma planta que nunca havia percebido, ela pode começar a olhar aquele ambiente de outra maneira.

Bere – Que dificuldades vocês encontram para conciliar atividade econômica, turismo, conforto dos hóspedes e responsabilidade ambiental?

Roberto e Sandra – Essa é uma busca diária, porque sabemos que uma pousada também é uma atividade econômica e precisa oferecer conforto, qualidade e uma boa experiência aos hóspedes.

Nem sempre a escolha ambientalmente mais adequada é a mais simples, mais barata ou mais conveniente. Existem custos, limitações de infraestrutura, hábitos já estabelecidos e expectativas dos próprios visitantes.

Por isso, procuramos trabalhar com equilíbrio e coerência. Não queremos transformar a sustentabilidade em discurso enquanto a prática não acompanha. Preferimos avançar gradualmente, fazendo escolhas possíveis e conscientes.

Para nós, responsabilidade ambiental não significa abrir mão do conforto, mas repensar o que entendemos por conforto. Talvez conforto também seja silêncio, natureza preservada, alimento de qualidade, acolhimento e a sensação de estar em um lugar que respeita aquilo que o cerca.

Bere – Depois de tantos cursos, encontros, viagens e experiências profissionais, o que vocês sentem que ainda precisam aprender com a natureza e com as pessoas que trabalham próximas dela?

Roberto e Sandra – Quanto mais aprendemos, mais percebemos que ainda temos muito a aprender.

A natureza nos ensina sobre tempo, ciclos, limites e adaptação. Ela não tem pressa, mas está sempre em movimento.

E as pessoas que vivem e trabalham próximas dela nos ensinam sobre conhecimento, experiência e pertencimento. Muitas vezes existe um saber que não está nos livros nem nos cursos, mas que foi construído ao longo de gerações na relação cotidiana com a terra, com os alimentos, com as plantas e com o território.

Queremos continuar aprendendo a observar mais, ouvir mais e respeitar esses diferentes saberes. Talvez esse seja um dos grandes aprendizados da nossa caminhada: entender que conhecimento também nasce da experiência e da relação com o lugar.

Bere – São Francisco de Paula reúne paisagens naturais, produção local, cultura e turismo. O que vocês consideram mais importante preservar e valorizar na região?

Roberto e Sandra – Para nós, o mais importante é justamente a relação entre tudo isso. São Francisco de Paula não é apenas um lugar de belas paisagens. É um território com uma identidade própria, construída pela natureza, pelas pessoas que vivem aqui, pela cultura, pelos saberes e pelos modos de produzir e viver.

A riqueza natural é, sem dúvida, um dos nossos grandes patrimônios. Mas ela ganha ainda mais significado quando conhecemos as pessoas que cuidam desse território, os produtores locais, os alimentos que são cultivados aqui, as tradições, a gastronomia, as manifestações culturais e toda a biodiversidade que encontramos na região.

Para nós, o turismo tem um papel importante justamente nessa conexão. O hóspede pode chegar atraído pela paisagem, mas queremos que ele vá embora levando também um pouco da história, dos sabores, dos conhecimentos e da identidade de São Francisco de Paula.

A observação de aves nos mostra isso de uma maneira muito concreta. Quando prestamos atenção à biodiversidade, percebemos que a mata não é apenas uma paisagem bonita: ela é um ambiente vivo, que abriga inúmeras espécies e que está diretamente relacionado à qualidade de vida e à identidade do território.

Da mesma forma, quando valorizamos um alimento produzido aqui, um produtor local ou um saber tradicional, estamos ajudando a manter viva uma parte dessa identidade.

Por isso, acreditamos que o maior patrimônio de São Francisco de Paula é o conjunto: natureza, pessoas, cultura e modos de vida que se relacionam e dão sentido a esse território.

E talvez o nosso papel, como moradores e também como pessoas que recebem hóspedes, seja ajudar a mostrar essa riqueza com respeito, para que quem chega não apenas conheça São Chico, mas crie uma conexão com o lugar.

Há lugares que hospedam pessoas.

Na Recanto da Mata acolhemos histórias.”

Essa é a filosofia que escolhemos e já construímos para a pousada!

Bere – Há alguma prática adotada por vocês — na pousada, na alimentação, no turismo ou na própria vida cotidiana — que começou de maneira simples e acabou produzindo resultados maiores do que imaginavam?

Roberto e Sandra – Uma das coisas que começou de maneira muito simples foi a valorização daquilo que já estava próximo de nós.

Começamos a olhar com mais atenção para as plantas, para as ervas do nosso espaço, para os produtos da região, para a gastronomia e para as possibilidades de compartilhar essas experiências com os hóspedes.

Aos poucos, percebemos que aquilo que parecia pequeno podia criar conexões muito maiores: aproximar pessoas, valorizar produtores, despertar curiosidade nos hóspedes e fazer com que a própria hospedagem tivesse uma relação mais profunda com o território.

Isso nos ensinou que nem sempre precisamos criar algo grandioso. Às vezes, precisamos apenas perceber o valor daquilo que já existe ao nosso redor.

Bere – Para finalizar: se cada um de vocês pudesse sugerir uma única mudança de hábito para quem está lendo esta entrevista, qual seria?

Roberto e Sandra Aprenda a observar!

Pode parecer uma mudança pequena, mas acreditamos que parar, silenciar e observar o que existe ao nosso redor pode transformar nossa relação com a natureza.

Na Recanto da Mata, os pássaros fazem parte dessa experiência. A observação de aves nos ensinou a olhar para a mata com mais atenção, perceber seus movimentos, reconhecer espécies, compreender seus hábitos e, principalmente, entender que estamos compartilhando esse espaço com uma enorme diversidade de vida.

Muitas vezes, o hóspede chega à pousada simplesmente para descansar e, ao descobrir uma ave na mata ou ouvir um canto que não conhecia, começa a enxergar aquele lugar de outra maneira. O que antes era apenas uma árvore passa a ser abrigo; o silêncio passa a revelar sons; a paisagem passa a ter vida.

Por isso, nossa sugestão seria simples: desacelere e observe. Observe os pássaros, as plantas, os sons, os ciclos da natureza e também as pessoas que fazem parte do território.

Talvez seja justamente quando começamos a conhecer e admirar aquilo que está ao nosso redor que nasce a vontade de preservar.

Na Recanto da Mata, aprendemos que observar é também uma forma de cuidar.”

Bere – Deixem seus contatos e links para quem quiser saber mais sobre vocês e sobre a Recanto da Mata Pousada, em São Francisco de Paula (RS).

Roberto e Sandra –

Roberto Botelho – Cel./WhatsApp: (54) 99920-1506

Instagram - @botelhoguiabirdwatching

Sandra Mezzomo – Cel./WhatsApp: (54) 99988-8250

Instagram - @mezzomoalimentacaoinclusiva

Bere – Queridos Roberto e Sandra, em nome de toda a equipe da revista, agradeço pela disponibilidade de compartilharem conosco suas trajetórias e experiências, que representam, acima de tudo, respeito, cuidado e uma forma muito sensível de se relacionar com o ambiente e com cada pessoa que chega a esse lugar tão especial, que também muito nos encantou.

Ao longo desta conversa, vocês nos lembraram de algo que muitas vezes esquecemos na correria cotidiana: é preciso desacelerar, observar, conhecer e criar vínculos para verdadeiramente cuidar. E talvez esteja justamente aí uma das maiores contribuições de suas trajetórias — mostrar que não precisamos ser meros espectadores da natureza, mas podemos nos reconhecer como parte dela.

Não tenho dúvidas de que suas experiências serão inspiradoras para muitos de nossos leitores e poderão motivá-los a se lançarem, de corpo e alma, sempre que tiverem a oportunidade de estar em um ambiente natural, levando consigo essa experiência como alimento para uma transformação profunda na maneira de sentir, pensar e agir em relação ao ambiente do qual fazemos parte.

Parabéns pelo trabalho que vêm construindo e votos de muito sucesso na continuidade dessa linda jornada. Que muitas outras pessoas possam chegar até vocês, observar, descobrir, se encantar e sair daí levando um pouco desse cuidado consigo. Muito obrigada!