QUATRO EM CADA DEZ BRASILEIROS AINDA DESCONHECEM O QUE É ECONOMIA CIRCULAR

Pesquisa mostra que o tema avança no país, mas conhecimento ainda é superficial entre a maior parte da população.

 Por Redação DGRJ

 05/07/2026



Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva



Embora a sustentabilidade esteja cada vez mais presente nas discussões sobre consumo, reciclagem e preservação ambiental, o conceito de economia circular ainda é desconhecido por uma parcela significativa dos brasileiros.

Um levantamento encomendado pelo Movimento Plástico Transforma ao Instituto QualiBest aponta que 39% da população nunca ouviu falar sobre o tema.

A pesquisa mostra que 57% dos entrevistados já tiveram algum contato com a expressão economia circular. No entanto, o conhecimento ainda é limitado.

Apenas 12% afirmaram conhecer bem o assunto, enquanto 45% disseram já ter ouvido falar, mas sem saber explicar detalhes sobre o funcionamento ou a importância desse modelo. 

A economia circular propõe uma mudança na forma de produzir, consumir e descartar materiais. Ao contrário do modelo linear, em que produtos são fabricados, usados e jogados fora, a lógica circular busca manter recursos em uso pelo maior tempo possível.

Isso envolve reutilização, reciclagem, recuperação de materiais, redução de desperdícios e reinserção de resíduos na cadeia produtiva.

Para especialistas ligados ao setor, os dados indicam que o tema começa a chegar à população, mas ainda precisa ser traduzido de forma mais simples e prática. A avaliação é que reconhecer o termo não é suficiente.

É necessário entender como a economia circular aparece no cotidiano, desde a separação correta do lixo até o consumo mais consciente e a responsabilidade das empresas sobre seus produtos.

A educação ambiental aparece como uma das principais ferramentas para ampliar esse conhecimento. Escolas, governos, empresas e organizações sociais são apontados como agentes fundamentais para explicar o tema à população.

Crianças e adolescentes também são vistos como público estratégico, já que podem levar informações para dentro de casa e influenciar mudanças de comportamento nas famílias.

O estudo “Reciclagem no Brasil: Hábitos, Desafios e Percepções da População” ouviu 834 pessoas com 18 anos ou mais entre os dias 30 de abril e 8 de maio de 2026. Os resultados também foram comparados com a primeira edição da pesquisa, realizada em 2025.

Além do desconhecimento sobre economia circular, o levantamento identificou disposição de parte da população para adotar hábitos mais sustentáveis.

Segundo a pesquisa, 74% dos entrevistados disseram estar dispostos a mudar padrões de consumo para gerar menos resíduos. Outros 3% afirmaram que talvez fariam essa mudança, enquanto 23% declararam não ter intenção de alterar seus hábitos com esse objetivo.

A responsabilidade pela reciclagem também foi analisada pelo estudo. Para a maioria dos entrevistados, essa tarefa deve ser compartilhada. A população foi apontada como principal responsável por 78% dos participantes. Em seguida aparecem o governo, citado por 63%, e as empresas, mencionadas por 55%.

Na comparação com 2025, cresceu a cobrança sobre todos os setores. A responsabilização da população aumentou três pontos percentuais.

A cobrança por maior participação do governo subiu quatro pontos, enquanto a responsabilidade atribuída às empresas avançou seis pontos percentuais.

As escolas também foram lembradas como parte importante desse processo, sendo citadas por 35% dos entrevistados. Já as organizações não governamentais foram mencionadas por 30%. Outros 3% atribuíram a responsabilidade a diferentes setores.

O levantamento também abordou a logística reversa, mecanismo que permite devolver produtos ou embalagens ao fabricante, ao comércio ou a pontos de coleta após o fim da vida útil. A prática possibilita que materiais sejam reciclados, reaproveitados ou reinseridos no ciclo produtivo.

Segundo a pesquisa, 42% dos entrevistados afirmaram já ter devolvido algum produto ao menos uma vez por meio de iniciativas de logística reversa. Dentro desse grupo, 14% disseram realizar essa prática com frequência.

A coleta seletiva é outro ponto de atenção. O estudo aponta que 55% dos entrevistados têm acesso ao serviço em casa ou na rua. Apesar disso, ainda há obstáculos para o descarte correto. Entre os participantes, 11% disseram separar os resíduos, mas não levar os materiais até pontos de coleta.

Dentro desse grupo, 63% afirmaram entregar recicláveis e orgânicos juntos ao caminhão de coleta. Outros 36% disseram repassar o material separado diretamente aos catadores.

Mesmo com falhas de informação e infraestrutura, a confiança no processo de reciclagem permanece em patamar elevado. De acordo com o levantamento, 54% dos entrevistados acreditam que os resíduos separados são efetivamente reciclados. Apenas 6% afirmaram não confiar no processo.

Na avaliação do Instituto QualiBest, os resultados mostram que o Brasil ainda precisa avançar na compreensão sobre economia circular, mas já apresenta sinais de mudança no comportamento da população. A maior disposição para rever hábitos de consumo e a confiança na reciclagem indicam um ambiente favorável para ampliar práticas sustentáveis.

O estudo reforça que a economia circular depende de uma ação conjunta. A mudança não passa apenas pela atitude individual do consumidor, mas também por políticas públicas, estrutura adequada de coleta, participação das empresas, educação ambiental e fortalecimento da reciclagem.

Apesar de quase quatro em cada dez brasileiros ainda desconhecerem o conceito, a pesquisa mostra que há espaço para ampliar o debate.

A combinação entre informação, infraestrutura e responsabilidade compartilhada pode ser decisiva para transformar a reciclagem em uma prática mais eficiente e aproximar a economia circular da rotina da população.



Fonte: Quatro em cada dez brasileiros ainda desconhecem o que é economia circular – Diário da Guanabara