JARDIM BOTÂNICO PROMOVE 3º ENCONTRO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM DIÁLOGO SOBRE A IMPORTÂNCIA DA CAATINGA

17 de junho de 2026

Em um cenário marcado pelo agravamento das emergências climáticas e degradação ambiental, o Jardim Botânico Professor Ivan Coelho Dantas, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), trouxe para o 3º Encontro de Educação Ambiental, um amplo debate sobre a importância da preservação da Caatinga. Com o tema “Caatinga: conservar, educar e florescer”, o evento segue até esta quinta-feira (18), sendo realizado no contexto das comemorações pelos 60 anos da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).

A exemplo das duas edições anteriores, o encontro voltado para as questões ambientais e sustentáveis, conta com palestras, oficinas, apresentação de trabalhos, rodas de conversas, distribuição de mudas e mesas-redondas. As atividades estão sendo realizadas no Auditório do curso de Psicologia, do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), no Câmpus I.

Uma das finalidades do evento é refletir, sob perspectivas ecológicas, sociais e culturais, sobre a relação entre humanidade e natureza, além de discutir o papel da Caatinga — bioma exclusivamente brasileiro e das populações que nela vivem na promoção da qualidade de vida, da sustentabilidade e da preservação ambiental para as futuras gerações.

Nesta quarta-feira (17), foi realizada a mesa-redonda “Fazendo a Caatinga Sustentável”. A atividade, mediada pelo vice-presidente do Jardim Botânico, Helimarcos Nunes, foi dividida em várias vertentes com foco na conservação e a sustentabilidade na Catinga. O tema foi amplo, passado pelo reuso da água, até o papel desempenhado pelas abelhas para manter o bioma com toda a sua riqueza, e, principalmente, a abordagem de culturas, abordando a diversidade da caatinga de forma sustentável.

Antes do debate, Helimarcos Nunes destacou a relevância da temática e lembrou que o Jardim Botânico da UEPB sempre atuou para preservar o bioma. O tema, segundo ele, é atual e está sendo tratado para outros biomas como a Amazônia, a Mata Atlântica. Por ser o primeiro Jardim Botânico voltado para o bioma Caatinga, o equipamento da UEPB tem desempenhado um papel estratégico voltado à preservação. Entre os desafios, Helimarcos Nunes citou a necessidade de uma convivência harmoniosa entre ser humano, sabendo utilizar a Caatinga sem degradá-la.

A questão do reuso de água no Semiárido, foi abordada por Mariana Medeiros Batista, do Instituto Nacional do Semiárido (INSA). O reuso da água, segundo ela, é uma forma de tornar possível a convivência no Semiárido. Isso usando técnicas simples e tecnologias de fácil alcance aos agricultores. O reuso, conforme destacou a especialista, propicia, além de uma oferta de água em uma região seca, se transforma em uma fonte de nutrientes para preservar sobrevivência na Caatinga, servindo como fonte de renda. “O reuso é uma das linhas de pesquisa que a gente trabalha no INSA. É uma linha que é primordial para o ambiente do semiárido. Então, serve de fonte de água, fonte de nutrientes, e além disso proporciona renda para o agricultor”, destacou.

Ainda com foco na sustentabilidade, a mesa-redonda abordou a “importância das abelhas nativas para o bioma Caatinga”. A palestrante foi a professora Janaína Mendonça Soares, do Câmpus II. Em sua participação ela, destacou o papel das abelhas nesse bioma, atuando como instrumento de preservação e ao mesmo tempo como fonte de renda que movimenta toda uma cadeia produtiva através do mel. “Nós precisamos desconstruir essa ideia de que a Caatinga é improdutiva. Ela é muito rica e mostra todo o potencial da região. E as abelhas têm um papel importantíssimo nesse processo de potencialização desse bioma. Porque, através de nossas abelhas nativas é realizado o processo de potencialização. A abelha está ali para manter essa diversidade”, explicou.

A atividade abordou ainda a questão das “Frutíferas da Caatinga: potenciais, desafios e oportunidades”, abordado por Renato Pereira Lima, também integrante do INSA. Em sua fala, ele destacou o potencial sócio-econômico dessas frutíferas. Para explorar esse potencial, é necessário, segundo o especialista, a implementação de políticas públicas. “Temos que incentivar e mostrar as formas de explorar essas plantas que são nativas e muito adaptadas às nossas regiões”, enfatizou.

O evento seguiu a tarde com a realização das oficinas: “Sementes da Caatinga”, ministrada por Camila Firmino de Azevedo; “Paisagismo com espécies botânicas da Caatinga”, ministrada pela arquiteta Zenaide Nunes Magalhães; “Geotinas: as cores dos solos da Caatinga”, a ser ministrada pelo professor Simão Lindoso de Souza; e “Produção de mudas de espécies arbóreas da Caatinga”, que terá como palestrante a professora Márcia Paloma da Silva Leal.

Neste mesmo turno também foram programadas as oficinas: “Plantas medicinais da Caatinga”, ministrada pelo professor Helimarcos Nunes Pereira e pela professora Semirames do Nascimento; além da palestra “Palma forrageira: do uso animal ao humano”, que terá como palestrante a professora Daniela Batista da Costa (INSA) e o professor Evaldo dos Santos Felix.

O 3º Encontro Estadual de Educação Ambiental acontece dentro das comemorações do 7º aniversário do Jardim Botânico da UEPB. O encontro promove reflexões voltadas a temas relacionados ao desenvolvimento sustentável e à Agenda 2030. O coordenador do Jardim Botânico, Arnaldo Bezerra de Menezes, destacou a importância do 3º Encontro de Educação Ambiental e a temática abordada para esta edição que trouxe uma perspectiva ecológica, social e cultural.

Essa semana é de festa do Jardim Botânico que está completando sete anos de criação. Já é um Jardim Botânico internacional com projetos executados e outros em andamento. Essa instituição cresceu e se firmou. Foi uma semente plantada que hoje está dando muitos frutos”, comentou Arnaldo.

O Jardim Botânico Professor Ivan Coelho Dantas, em Campina Grande, foi criado e institucionalizado em junho de 2019 pelo Conselho Universitário (Consuni) e é filiado à Aliança de Jardins Botânicos Brasileiros, a Rede Latino Americana de Jardim Botânico e a Rede Brasileira de Jardim Botânico. O local tem desempenhado um papel fundamental na conservação ambiental através de projetos inovadores, como o Projeto Cumaru, que visa preservar a Amburana cearensis, uma espécie nativa da Caatinga e ameaçada de extinção.

Texto e foto: Severino Lopes

Fonte: Jardim Botânico promove 3º Encontro de Educação Ambiental em diálogo sobre a importância da Caatinga