ROTEIRO PARA PEÇA DE TEATRO

 

SALA DE AULA OU JARDIM?

 

Argumento: Marina Strachman

Roteiro: Marina Strachman

Fonte inspiradora: Bere Adams

 

  Argumento: Suzi é uma menina que frequenta a escola, está na quarta série, sempre muito tranquila e feliz, a não ser que sinta que algo ou alguém corra perigo de vida, depois da ocorrência de um terremoto, deslizamento por chuva, ou qualquer fato desta natureza, ela corre a vizinhança para arrecadar mantimentos e outros itens para os necessitados. Suzi adora as matérias que, como ela mesma diz, são vida, qualquer tipo de vida seja o ar, água, as árvores, a terra, gente, bicho. Nestas aulas ela não tira os olhos do professor, está sempre atenta.... Mas, outro dia, enquanto a professora de matemática dava aula, Suzi começou a chorar, pois estava online e “viajava” em alguns sites pelo tablet... E este é o ponto que será a mudança na vida da professora de matemática.

 

Roteiro:

Personagens

 

Suzi: Menina de 10 anos, muito interessada e estudiosa. Tem MUITA força de vontade para ajudar.

 

Professora de Matemática: Uma senhora muito cansada de dar aulas, às vezes tem que gritar tanto para que alguém preste atenção nas aulas, que fica com tosse. Parece que não se interessam mais por esta matéria.

 

Professora de Ciências: É uma jovem bonita, mas com um humor muito variável, por vezes, está muito feliz e alegre, mas de repente, seu humor muda e só fala da parte trágica das ciências.

 

Jardineiro: É o melhor amigo da Suzi e da prof. de ciências. Defende suas estufas com unhas e dentes. Um de seus maiores ideais é poder recuperar a mata ciliar das cidades e ver as águas do mundo limpas.

 

Professor de Artes: Um jovem artista, cheio de idéias. Sempre traz consigo algum material inusitado para utilizar nas aulas, muitos dos quais certamente retirou de algum lixo.

 

Vizinha da frente: uma “perua” que só sabe ostentar e comprar...

 

Marido da vizinha: o senhor consumista, aonde um está, o outro está também; os dois se vestem iguais o tempo todo, se um está de azul, o outro também está. A mulher manda nele.

 

Lego: filho dos vizinhos da frente, está na classe de Suzi tem este apelido pois adora montar jogos tipo “lego”.

 

 

A cena se passa na escola de Suzi.

 

Sala com escrivaninhas, uma porta do lado esquerdo; estante com livros, um mapa Mundi e uma mesa para o professor.

                      

- Cena I –

 

(Suzi)

 

Suzi (sentada em sua escrivaninha com o tablet na mão, é hora do recreio, falando sozinha) – Olha isso, que coisa horrível! E isso, e agora.... Alguém tem fazer alguma coisa, quem vai me ajudar?

 

Começa a aula de matemática e Suzi nem percebe.

 

Prof. de Matemática – Bom dia, hoje teremos uma aula sobre multiplicação e divisão e porcentagem. Quem ainda…

 

E Suzi começa a chorar, pula da carteira e diz:

 

Suzi (muito aflita) – Professora, a senhora precisa me ajudar! É urgente! As pessoas estão morrendo, o planeta vai acabar, vamos todos…

Prof. de Matemática (andando em direção a Suzi) – Calma Suzi, calma. O que está acontecendo? O que você esta vendo em seu tablet? (E tosse, tosse muito)

 

SuziEstou em sites que mostram as verdades sobre Meio Ambiente.

 

Prof. de Matemática - Suzi, Respira… Fica tranquila… Verifiquem estes sites, (se dirigindo a classe) todos vocês peguem seus tablets, vamos ...pensando bem....Crianças, nós vamos dar uma volta lá fora! Deixem seu material aqui na sala e venham comigo!!   

 

- Cena II –

 

(Todos estão sentados no jardim da escola em roda – prof. de Ciências, o Jardineiro, prof. de Artes)

 

Prof. de Matemática (respira fundo) - Muito bem alunos, (pensando alto)…Eu não sei o que fazer! Ah meu Deus….Eu falei isto alto….(avista o prof. de Artes, prof. de Ciências e o Jardineiro) Iuhuuu, vocês aí, juntem-se a nós!

 

Prof. de Artes (sorrindo) – Nossa, que bacana aula de matemática no gramado!

 

Jardineiro (se sentando na roda) – Que sensacional, aula de matemática com a natureza!

 

Prof. de Artes – Amei!

 

Prof. de Matemática – Preciso da ajuda de vocês. Suzi teve um pequeno ataque na sala de aula, ao ver cenas horríveis de degradação ambiental e desatou a chorar. A única ideia que tive, foi tirar todos da sala de aula, mas agora não sei o que fazer. Por sorte encontrei vocês!

 

Prof. De Artes – Olhem a sua volta, vejam quantas plantas diferentes temos. Eu quero que vocês contem quantas plantas com flor temos e quantas sem flor.

 

Jardineiro – Boa essa cara!! Mas antes de iniciarem esta tarefa, preciso molhar o canteiro de hortaliças e quero a ajuda de vocês. Suzi traga o balde, Lego, pegue dois copos.

 

(As crianças voltam já com o balde cheio e colocam na frente do Jardineiro.)

 

Jardineiro- Muito bem me ajudem aqui, vamos molhar só as alfaces, com os copinhos...contem quantos copos por fileira.

 

Suzi- Meus deram dez copos!

 

Lego- Os meus deram doze.

 

Jardineiro- Agora digam uma coisa pra mim, se temos 5 fileiras de hortaliças e precisamos de ...quantos copos mesmo, usamos agorinha nesta fileira?

 

(Suzi responde rapidamente.)

 

Suzi-  22!

 

Jardineiro- Então quantos copos precisaremos para todas as fileiras?

 

Suzi-  110!

 

Prof. de Matemática – Muito bem, Suzi, agora podem ir contar quantas plantas com flor e quantas sem flor temos no jardim.

 

Prof. de Ciências – e tragam na volta, flores que caíram no chão, algumas pedras e folhas caídas também.

 

 

 

  - Cena III–

 

Todos com folhas, flores caídas no chão, pedras nas mãos

 

Prof. de Artes (separando as folhas, das flores, das pedras) – Prestem atenção, meus alunos que adoro, separem as flores, das pedras e das folhas.

 

Todos começam a separar.

 

Prof. de Ciências – Peguem uma pedra na mão, apertem forte e sintam.

 

Suzi – Sentir o que?! O mundo acabando e a gente pegando pedra prá sentir!

 

Jardineiro – Calma Suzi, você já vai saber por quê! Apenas faça.

 

Prof.  de Matemática  Olha que legal, nunca fiz isso! A pedra estava fria, agora ficou quente!

 

Prof. de Ciências  Isso mesmo! A pedra tem a capacidade de absorver e transmitir o calor, sem perder cor ou forma. Agora peguem uma folha e a segurem entre as duas mãos bem forte.

 

Jardineiro – Abram as mãos, e digam como sentem a folha.

 

Suzi – A folha não faz nada, não fica quente, nem fria.

 

Prof. de Ciências – Muito bem Suzi! A folha não transmite calor nem muda de forma.

 

Prof. de Artes  Agora façam o mesmo com uma flor.

 

Prof. de Matemática- Tadinha, amassei toda a minha flor!! Coitada!

 

(Todos dão risada)

 

Prof. de Ciências (rindo ainda) – Incrível, é isso mesmo! A flor muda de forma. Agora turminha, prestem atenção. Todas as coisas da natureza, para chegar ao ponto final, sofrem com alguma adversidade. Por exemplo, um diamante, antes de ser diamante, foi carvão, mas carvão de pedra. Vocês sabem que existe carvão de madeira e de pedra? Ótimo, já sei sobre o que será minha próxima aula... Voltando ao assunto... Porém, saibam que existe carvão que nunca virou diamante, porque não sofreu a pressão ou a adversidade necessária para isso.

 

Toca o sinal, fim de aula.

 

- Cena IV–

 

Os professores conversando na sala dos professores

(Prof.  de Ciências, Jardineiro, Prof.  de Artes, Prof.  de Matemática)

 

Prof. de Artes (tomando um café e comendo um pedaço de bolo) – Adorei esta aula diferente que demos agora no jardim. Temos que fazer isso mais vezes!

 

(Batem à porta e o Jardineiro vai atender.)

 

Jardineiro – Olá, Suzi! Entre! Diga, o que você precisa? Aceita um pedaço de bolo?

 

Suzi balança a cabeça positivamente.

 

Prof. de Artes (comendo bolo) – Adorei também! Achei incrível e vocês viram os alunos nem piscaram de tão interessados que ficaram!

 

Jardineiro (se abaixando para falar com Suzi) – Suzi o que você veio fazer aqui?

 

Suzi (com a boca cheia de bolo) – Vim dizer que estou muito confusa, mas achei “da hora” a aula no jardim!

 

Prof. de Matemática – Jura?! Eu também!

 

(Toca o sinal, todos vão para casa)

 

- Cena V–

 

  Narrador: enquanto isso na casa de Suzi

Só escutamos as vozes.

 

Suzi (gritando)  Mãe, cheguei!

 

Mãe da Suzi- Que bom filha, como foi a aula?

 

Suzi – mãe foi tãããããããoooooooo bacana! Tivemos aula de matemática no jardim.

 

Mãe da Suzi- Que incrível! Conta mais adorei esta idéia!

 

Suzi – mãe, o Jardineiro fez a gente contar quantos copos de água a gente precisa para molhar a horta.

 

Mãe da Suzi- Caraca! Que ideia sensacional, amanhã mesmo vou lá na escola para fazer um elogio. Agora Suzi, já lavar as mãos e vamos almoçar.

 

 

- Cena VI –

 

 Narrador:

Enquanto isso, na casa da Vizinha da frente

Só se escutam as vozes

 

Vizinha da frente (gritando) – O QUE? Você teve aula de MATEMÁTICA, no jardim da escola, com florzinhas na mão! MARIDOOOOO!

 

Marido da vizinha: – O que foi?! Que gritaria é esta! 

 

Lego (chorando) – É que....

 

Marido da vizinha: – Por que é que este menino está chorando?

 

Vizinha da frente: –Não fale assim com meu bebezinho!

 

Lego (chorando ainda mais alto)

 

Vizinha da frente: – Você não se atreva a falar assim com meu bebezinho! Amanhã cedo vamos aquela escola! Eu vou botar um ponto final nesta palhaçada!

 

Marido da vizinha: – Sim meu bem!

 

 

-Cena VII-

 

Na entrada da escola

 

Vizinha da frente:  – (andando muito rápido e com a voz mais calma do universo) – Marido, venha, Lego venha. Vamos acabar com esta palhaçada, onde já se viu aula de matemática no jardim.

 

Marido da vizinha: (de mãos dadas com Lego correndo atrás da esposa) –Sim meu bem!

 

Lego(muito aflito) – Por favor, pai! Não deixa ela fazer escândalo, pai por favor!!

 

Vizinha da frente:  – (gritando) – Cala a boca Lego! Se você acha que vou deixar isto assim, você está muito enganado! Eu te troco de escola.

 

(Batendo em uma porta, pedindo para abrir)

 

 

-Cena VIII-

 

Os professores conversando na sala dos professores

(Prof.  de Ciências, Jardineiro, Prof. de Artes, Prof.  de Matemática)

 

Prof.  de Matemática (chorando e soluçando) – Eu, eu, eu....

 

Prof. de Ciências (muito bravo) – O que foi isso?

 

Prof.  de Artes - Não se preocupe, nós vamos ajudar você!

 

Prof.  de Matemática – Como, como... Eu vou ser mandada embora!

 

Jardineiro – Não vai não!

 

Prof.  de Ciências, Jardineiro, Prof.  de Artes (todos juntos) – Não vai não... Somos um grupo unido e queremos uma escola melhor!

 

Prof. de Ciências, Jardineiro, Prof.  de Artes, Prof.  de Matemática (todos juntos) – Um por todos e todos por um!!

 

 

Cena IX-

 

Na sala de aula

 

Suzi (brava, chegando junto) – O que foi aquilo que sua mãe fez aqui Lego? A melhor aula da minha vida e sua mãe vem dizer que vai fazer a professora ir embora? Lego se ela for embora a culpa vai ser toda sua!!

 

Lego (assustado) – Suzi, não sei o que deu na minha mãe....Eu só contei que a aula de matemática foi no jardim...Foi incrível a aula de ontem!

 

Prof. de Ciências, Jardineiro, Prof.  de Artes, Prof.  de Matemática- entram na sala de aula e dirigem-se a turma.

 

Prof.  de Ciências (tomando a frente) – Eu sei que tenho um comportamento que varia muito, meu humor é instável, mas este momento é de nos unirmos pelo bem da escola. Queremos uma escola que o respeito a todos seja o principal ingrediente. Acredito que através do respeito muita coisa pode ser feita... O respeito é o motor da máquina, é com ele que se faz uma escola melhor, um mundo melhor!

 

Prof.  de Artes – Teremos que ser um pouco mais tolerantes e muito mais parceiros. Acredito que com isso teremos uma escola melhor.

 

Jardineiro – Eu gosto de trabalhar por amor. E o que aconteceu ontem naquele jardim e está acontecendo agora, tem tudo a ver com amor, respeito e tolerância.

 

Prof.  de Matemática  Obrigada colegas! Sim, teremos uma escola melhor. Vamos iniciar atividades que envolvam o Meio Ambiente em tudo. Inclusive vou programar as aulas de matemática do mês que vem para fazermos recolha de sementes e iniciarmos o tão desejado projeto de replantio das matas ciliares. Vamos começar um viveiro de árvores nativas!

 

Então, todos juntos gritam: - OBA!!!!!!

 

E todos cantam:Estudo Errado de  Gabriel o Pensador ou  Sobradinho de Sá e Guarabyra, se preferir.

 

 

https://www.vagalume.com.br/gabriel-pensador/estudo-errado.html

Gabriel O Pensador

 


Eu tô aqui Pra quê?
Será que é pra aprender?
Ou será que é pra sentar, me acomodar e obedecer?
Tô tentando passar de ano pro meu pai não me bater
Sem recreio de saco cheio porque eu não fiz o dever
A professora já tá de marcação porque sempre me pega
Disfarçando espiando colando as prova dos colegas
E ela esfrega na minha cara um zero bem redondo
E quando chega o boletim lá em casa eu me escondo
Eu quero jogar botão, vídeo-game, bola de gude
Mas meus pais só querem que eu "vá pra aula!" e "estude!"
Então dessa vez eu vou estudar até decorar cumpádi
Pra me dar bem e minha mãe deixar ficar acordado até mais tarde
Ou quem sabe aumentar minha mesada
Pra eu comprar mais revistinha (do Cascão?)
Não. De mulher pelada
A diversão é limitada e o meu pai não tem tempo pra nada
E a entrada no cinema é censurada (vai pra casa pirralhada!)
A rua é perigosa então eu vejo televisão
(Tá lá mais um corpo estendido no chão)
Na hora do jornal eu desligo porque eu nem sei nem o que é inflação
- Ué não te ensinaram?
- Não. A maioria das matérias que eles dão eu acho inútil
Em vão, pouco interessantes, eu fico pu..
Tô cansado de estudar, de madrugar, que sacrilégio
(Vai pro colégio!!)
Então eu fui relendo tudo até a prova começar
Voltei louco pra contar:

Manhê! Tirei um dez na prova
Me dei bem tirei um cem e eu quero ver quem me reprova
Decorei toda lição
Não errei nenhuma questão
Não aprendi nada de bom
Mas tirei dez (boa filhão!)

Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci
Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi
Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci
Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi
Decoreba: esse é o método de ensino
Eles me tratam como ameba e assim eu não raciocino
Não aprendo as causas e conseqüências só decoro os fatos
Desse jeito até história fica chato
Mas os velhos me disseram que o "porque" é o segredo
Então quando eu num entendo nada, eu levanto o dedo
Porque eu quero usar a mente pra ficar inteligente
Eu sei que ainda num sou gente grande, mas eu já sou gente
E sei que o estudo é uma coisa boa
O problema é que sem motivação a gente enjoa
O sistema bota um monte de abobrinha no programa
Mas pra aprender a ser um ignorante (...)
Ah, um ignorante, por mim eu nem saía da minha cama (Ah, deixa eu dormir)
Eu gosto dos professores e eu preciso de um mestre
Mas eu prefiro que eles me ensinem alguma coisa que preste
- O que é corrupção? Pra que serve um deputado?
Não me diga que o Brasil foi descoberto por acaso!
Ou que a minhoca é hermafrodita
Ou sobre a tênia solitária.
Não me faça decorar as capitanias hereditárias!! (...)
Vamos fugir dessa jaula!
"Hoje eu tô feliz" (matou o presidente?)
Não. A aula
Matei a aula porque num dava
Eu não agüentava mais
E fui escutar o Pensador escondido dos meus pais
Mas se eles fossem da minha idade eles entenderiam
(Esse num é o valor que um aluno merecia!)
Íííh... Sujô (Hein?)
O inspetor!
(Acabou a farra, já pra sala do coordenador!)
Achei que ia ser suspenso mas era só pra conversar
E me disseram que a escola era meu segundo lar
E é verdade, eu aprendo muita coisa realmente
Faço amigos, conheço gente, mas não quero estudar pra sempre!
Então eu vou passar de ano
Não tenho outra saída
Mas o ideal é que a escola me prepare pra vida
Discutindo e ensinando os problemas atuais
E não me dando as mesmas aulas que eles deram pros meus pais
Com matérias das quais eles não lembram mais nada
E quando eu tiro dez é sempre a mesma palhaçada

Manhê! Tirei um dez na prova
Me dei bem tirei um cem e eu quero ver quem me reprova
Decorei toda lição
Não errei nenhuma questão
Não aprendi nada de bom
Mas tirei dez (boa filhão!)

Encarem as crianças com mais seriedade
Pois na escola é onde formamos nossa personalidade
Vocês tratam a educação como um negócio onde a ganância a exploração e a indiferença são sócios
Quem devia lucrar só é prejudicado
Assim cês vão criar uma geração de revoltados
Tá tudo errado e eu já tou de saco cheio
Agora me dá minha bola e deixa eu ir embora pro recreio...

 

https://www.letras.mus.br/sa-guarabyra/356676/

Sobradinho

https://studiosol-a.akamaihd.net/uploadfile/letras/fotos/2/d/3/3/2d33f4bb91f14061fcf6b7fa30fa5b06-tb.jpgSá e Guarabyra

O homem chega, já desfaz a natureza
Tira gente, põe represa, diz que tudo vai mudar
O São Francisco lá pra cima da Bahia
Diz que dia menos dia vai subir bem devagar
E passo a passo vai cumprindo a profecia do beato que dizia que o Sertão ia alagar

O sertão vai virar mar, dá no coração
O medo que algum dia o mar também vire sertão

Adeus Remanso, Casa Nova, Sento-Sé
Adeus Pilão Arcado vem o rio te engolir
Debaixo d'água lá se vai a vida inteira
Por cima da cachoeira o gaiola vai subir
Vai ter barragem no salto do Sobradinho
E o povo vai-se embora com medo de se afogar.

Remanso, Casa Nova, Sento-Sé
Pilão Arcado, Sobradinho
Adeus, Adeus ...

 

 

 FIM

 

Esta peça foi criada para todo grupo teatral que tenha interesse em trabalhar as questões ambientais.

Contatos com a autora:

Marina: archteta@yahoo.com

A peça poderá sofrer adaptações, mas os créditos devem ser mantidos.

Pedimos que os grupos façam contato.

Agradeço!

 

 

 

Marina Strachman - arquiteta e urbanista, mestre em desenvolvimento regional e meio ambiente e especialista em educação ambiental.