Seção: artigos
EDUCAÇÃO
PARA O CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA NAS FAVELAS
Nathalia
Machado Simão
- Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Energia da
Universidade Federal do ABC. Email: nathalia.simao@ufabc.edu.br
Gilberto
Martins
- Diretor do Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais
Aplicadas da Universidade Federal do ABC.
Email:
gilberto.martins@ufabc.edu.br
Endereço
para correspondência: UFABC
- Universidade Federal do ABC. Rua Santa Adélia, 166. Bairro Bangu.
Santo André - SP - Brasil . CEP 09.210-170 . Tel/Fax: +55 11
4996-3166
RESUMO
Este
trabalho tem como principal objetivo comparar os programas de
educação para o consumo e uso racional de energia voltados às
comunidades de baixa renda de três concessionárias do estado de São
Paulo: AES Eletropaulo, Companhia Paulista de Força e Luz e Elektro.
O critério de escolha das concessionárias foi o estágio de
desenvolvimento de seus projetos, por estarem adiantados em relação
aos demais. Considerando a obrigatoriedade, por parte da Aneel, de
investimentos nestas comunidades a partir do lançamento do Programa
de Eficiência Energética, apresenta-se como uma das conclusões
deste trabalho a relação fundamental entre a regularização da
clandestinidade de energia elétrica e a mudança de hábitos
dispendiosos em seu consumo. Além disso, é essencial que a
regularização venha acompanhada de ações e projetos sociais (que
conquistam a confiança dos moradores) para se atingir resultados de
consumo mais conscientes e permanentes nessas comunidades.
Palavras-chave:
Educação para o consumo, Clandestinidade no consumo de energia
elétrica, Projetos sociais nas comunidades de baixa renda.
ABSTRACT
This
work has as main objective to compare the programs of education for
the consumer and rational use of electric energy focused on low
income communities of three concessionaires in the state of São
Paulo: AES Eletropaulo, Companhia Paulista de Força e Luz and
Elektro. The criterion for selection of concessionaires was the
development stage of their projects, being advanced in relation to
the others. Considering the requirement of investments in these
communities by the concessionaries determined by Aneel in the release
of Energy Efficiency Programs,
appears
as one of the conclusions of this work the fundamental relationship
between the regularization of the clandestineness electric power use
and change of costly habits in your consumption. Moreover, it is
essential that the adjustment is accompanied by actions and social
projects (which won conquers the trust of the residents) to achieve
more aware and permanent results in these communities.
Index
Terms: Education
for consumption, Clandestineness electric power use, Social projects
on low income communities.
Introdução
Os
dois principais focos de mudança quando se trata de eficientização
energética são de ordem tecnológica e comportamental. A questão
tecnológica está baseada fundamentalmente na pesquisa e
desenvolvimento de equipamentos inovadores e soluções tecnológicas
que permitam a redução do uso de energia em seus processos. Na
vertente comportamental, a racionalização de energia está
fundamentalmente alicerçada em mudanças nos hábitos de consumo,
migrando da cultura do desperdício para o consumo consciente. Estes
dois pilares fundamentais representam, considerando sua abrangência,
uma estrutura de desenvolvimento sólido para o uso eficiente da
energia. Em cada uma das vertentes é necessário o desenvolvimento
de pesquisas e ações contínuas com o objetivo de aprimorar
técnicas e atividades que possam ser aplicadas na realidade das
indústrias, empresas, residências e na sociedade com um todo.
Delimitando
o escopo deste trabalho, a pesquisa insere-se na dimensão
comportamental dos conceitos relativos à eficiência energética,
como foco de análise específico relativo às comunidades de baixa
renda.
Como
objetivo principal deste artigo visa-se comparar os programas de três
concessionárias de energia elétrica do estado de São Paulo (AES
Eletropaulo, Companhia Paulista de Força e Luz e Elektro) no uso
consciente e racional de energia elétrica nas comunidades de baixa
renda.
Assim,
este trabalho justifica-se pela necessidade de analisar a efetividade
dos programas que visam modificar hábitos de consumo de energia
baseados na cultura do desperdício de energia nas favelas. Para
tanto, é necessário compreender o problema do consumo de uma
maneira focada, levando em consideração variáveis fundamentais que
corroboram para o atual padrão de consumo.
Programa
de Eficiência Energética da Agência Nacional de Energia Elétrica
Desde
julho de 2000, foi disposta a lei no 9.991(ANEEL, 2000), alterada
pela lei 10.848/2004 (ANEEL, 2004) onde as empresas concessionárias
ou permissionárias de distribuição de energia elétrica devem
aplicar um percentual mínimo da receita operacional líquida em
Programas de Eficiência Energética – PEE, e em Programas de
Pesquisa e Desenvolvimento - PPD, segundo regulamentos da Agência
Nacional de Energia Elétrica -Aneel.
A
porcentagem de investimento obrigatória foi definida em 1% da
receita operacional líquida, sendo dividida em 0,5% para pesquisa e
desenvolvimento e 0,5% para programas de eficiência energética para
oferta e uso final da energia.
Em
relação ao Programa de Eficiência Energética, a distribuição
dos 0,5% da receita líquida operacional não apresentava nenhuma
particularidade, mas a partir de fevereiro de 2008, com a resolução
normativa no
300 (ANELL, 2008b) foi determinado que da porcentagem
obrigatoriamente destinada ao Programa de Eficiência Energética,
50%, ou seja, 0,25% da receita operacional líquida da concessionária
deve ser investida em programas em comunidades de baixa renda.
Esta
obrigatoriedade deveu-se principalmente ao fato de que, quando da
elaboração da lei 9.991 em 2000, por não haver restrições em
relação à tipologia de projetos para investir, as concessórias
concentravam seus investimentos em grandes projetos, que despendiam
grande parte dos recursos financeiros, concentrando os investimentos
nos setores Industrial e o Poder Público, por exemplo. Assim,
através de ações como estas às concessionárias atendiam aos
requisitos da Aneel de uma maneira (pouco) onerosa no que diz
respeito ao gerenciamento do projeto, entretanto com uma baixa
quantidade de beneficiados.
Com
a obrigatoriedade de 0,25% da Receita Operacional Líquida ser
destinado a comunidades de baixa renda, as concessionárias são
obrigadas a distribuir os recursos determinados pela Aneel na forma
de projetos que demandem ações pulverizadas (e, portanto
investimentos diluídos) em diferentes comunidades, contribuindo para
que o benefício da política atenda aos mais desfavorecidos.
Na
proposta da Aneel para aplicação nas comunidades de baixa renda
estão listadas atividades como: a substituição de equipamentos
ineficientes (ex: lâmpadas, refrigeradores, chuveiros elétricos);
ações educacionais, como palestras educativas e atividades para
combater o furto de energia e estimular o seu uso eficiente e seguro;
regularização de consumidores clandestinos, mediante instalação
de ramal de ligação até o ponto de entrega ao consumidor; e
reformas/instalações nos padrões de entrada e instalações
internas dessas unidades consumidoras (ANELL, 2008a). No entanto,
mesmo no escopo da baixa renda, não há obrigatoriedade com relação
a nenhum dos escopos, o que pode, portanto, comprometer os
investimentos em educação para o consumo.
Educação
para o consumo x Regularização de clientes x Projetos sociais
A
questão da educação para o consumo nas favelas está intimamente
relacionada à regularização dos clientes que consomem energia
clandestinamente e a inserção de projetos sociais nessas
comunidades.
Tendo
em vista a associação educação x regularização,
o
elemento principal está relacionado com os custos para os novos
consumidores que, apesar de irrisórios se comparados à tarifa
normal de energia elétrica - já que enquadram-se na tarifa baixa
renda (ANELL,2002a;2002b) tornam-se inibidores de consumo para a
faixa de renda dessas comunidades. Dessa forma, os novos consumidores
possuem motivação para rever sua forma de utilizar a energia
elétrica e aceitar orientação dos agentes que promovem palestras
nas comunidades e visitam as residências uma a uma no intuito de
identificar os gastos excessivos de energia e propor uma solução
mais adequada caso a caso. Além disso, com a exigência da Aneel em
investimentos nas comunidades de baixa renda, as concessionárias de
energia passaram a ter uma oportunidade de alavancar seus retornos
financeiros, reduzindo suas perdas comerciais, advindas da
clandestinidade, a partir de investimentos que seriam necessariamente
realizados.
A
associação entre educação x projetos sociais relaciona-se com a
“conquista” pela concessionária junto à comunidade. Essa
conquista deve ser gradual, através de palestras, eventos, visitas
porta a porta, para que os moradores sintam que não estão somente
adquirido mais uma obrigação, mas também cidadania. Essa
necessidade é tão clara que inclusive as ações sociais e de
regularização têm sido aprovadas pela Aneel no Programa de
Eficiência Energética como parte dos 0,25% obrigatórios a serem
destinados à comunidade de baixa renda.
Projetos
das concessionárias
O
principal objetivo desta seção é apresentar os programas do estado
de São Paulo que visam o consumo consciente nas comunidades de baixa
renda das três principais realizadoras de projetos neste escopo: AES
Eletropaulo, Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e Elektro. É
opinião das três empresas que desenvolvem os projetos que para que
de fato haja longevidade nos resultados, há a necessidade de
projetos sociais para a aceitação da comunidade, bem como de ações
para a regularização da clandestinidade. Na Figura 1 está
apresentada a área de concessão de cada uma dessas empresas.

FIGURA
1 - ÁREAS
DE CONCESSÃO E DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA NO ESTADO DE SÃO
PAULO
Fonte:
Adaptada de ARSESP, 2008
3.1 AES Eletropaulo –
Eletropaulo na Comunidade
O Projeto Eletropaulo na
Comunidade iniciou suas atividades em 2004 e tem atualmente
coordenação, realização e execução pela The Group Comunicações.
O programa visa a implementação de ações locais para atender a
população pertencente aos municípios da área de concessão da
empresa e a criação de um canal de comunicação direto com as
comunidades beneficiadas, concentrando suas atividades em escolas
públicas e CEUs (Centro Educacional Unificado), através de
atividades que visam conscientizar a população em áreas de risco
sobre o uso racional da eletricidade e sobre sua segurança, por meio
de ações culturais, educativas, sociais e pesquisas domiciliares
(de posse e hábitos de consumo). (AES, 2007a)
Antes
da data do evento nos CEUs e nas escolas é realizada uma etapa
chamada de pré-evento onde pesquisadores realizam visitas
domiciliares com o intuito de orientar as famílias sobre o uso
consciente e seguro da energia elétrica. Além disso, no pré-evento,
funcionários da AES Eletropaulo ministram palestras educacionais nas
escolas para todos os envolvidos na unidade escolar.
No dia do evento as
atividades oferecidas abrangem diferentes focos de atuação:
informação (espaço para dúvidas sobre contas e serviços da AES
bem como esclarecimento sobre o uso inteligente e correto de
energia), cidadania (espaço do voluntariado UNINOVE) e saúde
(espaço do voluntariado TERUYA). (AES, 2007a)
As
principais ações estão relacionadas a atividades que envolvem
educação aliadas ao lazer como o espaço caminhos da energia, bike
da energia, forca elétrica, jogo da memória da eletricidade, teatro
interativo de fantoches, túnel da energia e simulador de consumo. As
participações diretas da comunidade estão vinculadas
principalmente ao show de talentos que é um espaço onde o palco é
aberto à comunidade e a unidade escolar para apresentações de
música, dança, teatro etc. e ao concurso de redação para crianças
com premiação de medalhas aos alunos e DVDs aos professores.
Nesses quatro anos de
existência no projeto AES Eletropaulo na Comunidade, ocorreram 138
eventos em 75 locais (entre escolas públicas e CEUs ) dentre as
quais pode-se citar: (1) CEUs: Meninos, Pq. São Carlos, São Rafael,
etc; (2) EE: Cassiano Ricardo, Antonio Caros da Trindade, Dr.
Aureliano Leite, Pedro Moraes Victor, etc.. (AES, 2007a)
Apesar
de existir instruções aos moradores sobre o consumo eficiente de
energia no pré-evento do Eletropaulo na Comunidade, o cadastramento
das famílias para a regularização da clandestinidade é feito por
outro programa que atua nas mesmas comunidades em que atua o programa
Eletropaulo na Comunidade através do Programa de Regularização de
Ligações Elétricas. (AES. 2006)
Este
projeto tem por objetivo a regularização de unidades consumidoras,
localizadas em comunidades de baixo poder aquisitivo clandestinas,
envolvendo a instalação de circuitos novos e eliminando condições
inseguras das instalações elétricas. O programa inclui a doação
do padrão de entrada, reforma das instalações internas das
residências, instalação de iluminação pública em vielas, e
substituição de geladeiras e lâmpadas eficientes das famílias
mais carentes. Neste programa estão incluídas também campanhas de
orientação sobre o uso seguro e racional da energia elétrica, com
palestras e visitas locais. (AES, 2006)
3.2 Companhia Paulista
de Força e Luz – Programa Rede Comunidade
Na
CPFL a regularização da energia elétrica dos moradores nas
comunidades de baixa renda e os projetos sociais com objetivos
educacionais e de eficientização energética são gerenciados de
maneira conjunta.
O
Programa Rede comunidade começou a ser desenvolvido em 1998,
inspirado em um benchmarking da empresa Argentina EDENOR. Com
estratégias de aproximação das comunidades esta empresa conseguiu
reduzir (quase erradicar) o consumo clandestino de energia nas áreas
onde o projeto era implantado.
Em 2001, a CPFL iniciou a
o gerenciamento e a implantação de seu programa em campo, no bairro
Vila Vitória, em Campinas. Outras comunidades já beneficiadas com o
projeto São Campo Belo, Parque Oziel e Nova Veneza (Campinas),
Cantagalo (Piracicaba) e Jardim São Francisco (Sumaré). (CPFL,
2008b).
A
partir de agosto de 2008 a empresa contratou a Tecnolight para a
operacionalização/implantação do programa em campo, no entanto, o
gerenciamento continua a ser de responsabilidade da CPFL.
Dentre
os objetivos do programa estão: reduzir o desperdício de energia
elétrica nas residências dos clientes envolvidos, contribuindo para
ampliar a consciência da sociedade sobre este tema; capacitar
famílias em bairros previamente selecionados nos temas combate ao
desperdício de energia elétrica, uso inteligente e eficiência
energética; disseminar os conceitos básicos de uso eficiente e
seguro de energia elétrica junto ao público infanto-juvenil;
contribuir para a mudança de hábitos e comportamentos no uso da
energia elétrica; disseminar o uso eficiente de energia elétrica e
com segurança pela promoção do uso de equipamentos eficientes;
reduzir a inadimplência das contas de energia elétrica motivada
pela ausência de conhecimento sobre hábitos corretos de consumo,
uso de equipamentos não eficientes, ou ainda pelo uso de circuito
elétrico inadequado; reduzir as perdas não técnicas, através da
regularização
de ligações irregulares. (CPFL, 2008a)
Com
relação aos eventos, o programa da CPFL inclui: oficina sobre a
utilização racional e seguro de energia para adultos e
adolescentes: palestras informativas; atividade lúdica: peça
teatral com temática alinhada aos propósitos do programa; ações
de cidadania: emissão de documentos, exames médicos
simplificados etc. (Ibidem)
Uma
outra importante atividade é o cadastramento de residências para a
colocação de padrão de ligação, substituição de lâmpadas,
substituição de refrigeradores, reforma nas instalações internas
e substituição de chuveiros. Para realizar este trabalho de campo a
equipe deve ser composta de um mínimo de 50% de colaboradores
moradores nas comunidades, que deverá representar um número mínimo
de 20 colaboradores. A execução é realizada por outras empresas
específicas para esse fim, porém o gerenciamento é realizado pela
que realizará o cadastramento (CPFL, 2008a).
Uma
das ações educativas previstas no programa é a capacitação de
professores na utilização consciente de energia elétrica e a
navegação no portal de eficiência energética das escolas públicas
situadas próximas às comunidades participantes do programa. Após
este treinamento os professores capacitados promovem uma gincana com
a temática da energia nas escolas, por meio de atividades lúdicas e
culturais, como realização de peça teatral, concurso de desenhos,
com brindes e premiação em dinheiro e em objetos como computadores
para as escolas e bicicletas para as crianças (Ibidem).
Faz
parte também do programa a iniciativa de buscar formas de geração
de renda local como o estimulo à coleta seletiva e a criação de
cooperativas nas comunidades para este fim. Além disso, são
oferecidas oficinas de empregabilidade e cooperativismo (Ibidem).
O
Projeto Rede Comunidade realiza também ações de contato direto com
a comunidade através dos agentes comunitários que, entre outras,
tem como funções: orientar os moradores sobre a utilização
racional da energia elétrica; esclarecer aos moradores sobre a conta
mensal de energia elétrica; verificar e orientar quanto a não
propagação de ligações clandestinas; levantar e reportar
situações de não conformidade no atendimento da CPFL a essas
famílias; facilitar o diálogo entre a comunidade e demais agentes
no programa com a CPFL.
3.3 Elektro –
Programa Energia Comunitária
O
Projeto Energia Comunitária tem como objetivo principal a promoção
do desenvolvimento e inclusão social das comunidades de baixa renda
nas áreas de concessão da Elektro. Foi lançado como
projeto-piloto em 2006 na comunidade de Maré Mansa no Guarujá. O
projeto da Elektro já foi, até hoje, implantado em diversas outras
comunidades do Guarujá como Bela Vista, Morro do Engenho, Santa
Clara, Vila da Noite, Cachoeira Morro, Asa Delta, Jardim das Flores
etc. (ELEKTRO, 2007a)
A
empresa contratada pela Elektro e responsável pelo projeto é a
HMelilo Projetos Especiais que desenvolve e implementa projetos
empresariais nas áreas social, cultural, ambiental, esportiva.
O
projeto energia comunitária abrange ações com diferentes focos de
atuação.
Na
parte de infra-estrutura, as comunidades participantes são
beneficiadas com ações como
identificação
de vielas e travessas, encanamento de esgotos, construção de muro
de segurança, entre outras. Na área da saúde a comunidade é
beneficiada com exames médicos como diabetes, pressão etc. bem como
orientação odontológica. São prestadas também orientações
sobre dengue e sobre DST/AIDS. Na educação sobre energia e para o
uso racional existem palestras de conscientização e o museu da
energia. Com relação ao lazer e entretenimento, são oferecidos
serviços como o Cine Elektro, a Estação Elektro, e apresentações
de dança da comunidade. Também são oferecidas à comunidade cursos
e oficinas profissionalizantes, com a formação de profissionais
eletricistas (ELEKTRO, 2007b)
No
evento “Dia da Felicidade” são é proporcionados à comunidade
serviços de cidadania como o cadastramento para o Bolsa Família, a
emissão de documentos, como por exemplo o cartão do SUS e a
carteira de trabalho. (ELEKTRO, 2007a)
Além
disso, inserido no projeto Energia Comunidade as atividades porta a
porta nas residências envolvem o cadastramento de famílias para a
regularização, a pesquisa e diagnóstico das condições técnicas
e consumo energético nas residências bem como orientação e
atendimento dos moradores. No atendimento são realizadas ações
como a regularização das instalações elétricas, a troca de fios,
interruptores, tomadas, lâmpadas e geladeiras (Ibidem)
Análise
e discussões
A
primeira idéia para a operacionalização deste trabalho havia sido
selecionar duas distribuidoras que possuíssem programas educacionais
para baixa renda em um estágio mais avançado e selecionar duas
outras que direcionavam todo seu investimento em baixa renda (0,25%
do faturamento líquido) em ações mais direcionadas a parte técnica
e não a educacional. Assim, o objetivo seria identificar as
diferenças entre uma e outra e apresentar as mudanças e os
benefícios a longo prazo proporcionados pelas empresas que optam
também por projetos de conscientização e educação. No entanto, a
comparação entre esses dois tipos de orientações traria
conclusões que poderiam ser dedutíveis e extremamente óbvias.
Assim,
a comparação foi realizada entre empresas que já estão adiantadas
neste aspecto, partindo do pressuposto que todas as companhias
necessitam ter algum tipo de programa de conscientização e
educacional. Assim, as concessionárias que não adentraram em ações
como estas precisam seguir o exemplo das que já possuem projetos
neste escopo para que possam ser comparadas e para que por meio de
seu exemplo possam orientar a novas práticas eficientes neste
sentido.
Em
relação aos casos apresentados, as três empresas optaram por
realizar suas ações por meio de outras empresas, no geral empresas
de eventos, que se responsabilizariam pela execução do projeto.
Com
que relação a operacionalização dos programas, tanto a CPFL
quanto a Elektro possuem modelos válidos por mesclarem
eficientemente as responsabilidades entre concessionária e
contratada, bem como por possuírem integração entre as ações
sociais e educacionais com a regularização da clandestinidade. O
exemplo da Elektro auxilia na compreensão em relação a importância
da confiança da comunidade para com a concessionária. Os vínculos
formados entre comunidade x empresa (HMelilo) por serem favoráveis
(se a empresa souber fazer um bom trabalho) podem ser utilizados para
seguir o processo até o fim, sem realizar a divisão da parte
técnica (que doa as lâmpadas, muda padrões, instala postes) da
parte educacional e social. Apesar de a Elektro ser responsável por
validar ou não as ações do programa, bem como avaliar seus
resultados, desde seu início, as atividades foram desenvolvidas,
implantadas e gerenciadas pela HMelilo. Dessa forma, neste modelo, a
participação da empresa contratada e as responsabilidades pelos
resultados são arcadas pela empresa realizadora do projeto. Para tal
gerenciamento é preciso grande confiança entre a concessionária e
a contratada, que será responsável pela imagem da empresa cliente
(Elektro) junto aos novos consumidores.
Pioneira
(em relação às três concessionárias apresentadas) na implantação
de projetos-piloto e posteriores atividades nas comunidades a CPFL,
diferente da Elektro optou por desenvolver o projeto internamente.
Sua aplicação, no inicio era totalmente realizada pela CPFL e
somente posteriormente, com o projeto já mais maduro por ter sido
implantado em diferentes comunidades foi repassada a execução do
projeto à Tecnolight. No entanto, a gestão continua sendo de
responsabilidade da CPFL.
No
caso da AES Eletropaulo, os trabalhos de cadastramento para a
regularização bem como a doação de lâmpadas e geladeiras a
comunidade (Programa de Regularização de Ligações Elétricas) não
são realizados pelo mesmo grupo responsável pelo Programa
Eletropaulo na Comunidade (The Group). Assim, diferentemente da
Elektro, a Eletropaulo não repassa totalmente a responsabilidade do
projeto à empresa contratada. Apesar de os projetos serem
gerenciados pela AES em uma mesma diretoria, que alia
estrategicamente as ações, a mudança de agentes comunitários (no
dia do evento – Eletropaulo na Comunidade, e na Regularização –
Programa de Regularização de Ligações Elétricas) traz a perda da
identidade do grupo junto à comunidade. Para estes moradores a
identidade está vinculada às pessoas que estão acompanhando seu
desenvolvimento (cidadania, social etc) e não a empresa AES
Eletropaulo. Além disso, as empresas contratadas pela AES
Eletropaulo por serem somente responsáveis por uma parte do processo
não se comprometem inteiramente com os resultados das ações
globais, até porque são cobradas pela AES somente em relação aos
resultados do projeto pelo qual foram contratadas.
As
ligações tornar-se-iam mais efetivas se as pessoas que realizam
cadastramento e enviam os técnicos para a regularização das
instalações fossem as mesmas responsáveis pelo evento do Programa
Eletropaulo na Comunidade. Dessa forma, como proposta a esta
concessionária sugere-se integrar todos os projetos que estão
relacionados com a comunidade com o mesmo grupo, seja ele da própria
empresa ou uma empresa contratada.
Conclusão
A
principal conclusão deste trabalho fundamenta-se no fato de que as
atividades educacionais, para serem efetivas e apresentarem
resultados nas comunidades de baixa renda, precisam ser apoiadas
principalmente por projetos sociais e de regularização da
clandestinidade. A questão da regularização da clandestinidade
liga-se à educação para o consumo principalmente pelo fato de que
a cobrança financeira é fator regulador de consumo. Os projetos
sociais são de fundamental importância por aproximarem a comunidade
da empresa e de uma realidade mais cidadã, fazendo com que aceitem a
cobrança da fatura de energia elétrica.
No
caso das três concessionárias estudadas identificou-se modelos bem
desenhados para atingir os objetivos propostos pelo escopo baixa
renda do Programa de Eficiência Energética da Aneel. Dentre os
três, o único modelo que necessita de ajustes, como a integração
de ações sociais e de regularização e a associar de equipes de
trabalho para adquirir proximidade e confiança das comunidades, é o
modelo da AES Eletropaulo.
Assim,
tendo em vista que a questão da educação e conscientização para
o uso racional de energia apresenta-se como elemento essencial para a
eficientização energética nas comunidades de baixa renda,
propõe-se uma revisão na distribuição da porcentagem de 0,25% da
receita operacional líquida para as comunidades de baixa renda,
sendo parte deste percentual direcionado obrigatoriamente a projetos.
Referências
Bibliográficas
AES
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