I - Introdução
Iniciando crianças em
Educação Ambiental: Estudo de caso
Bethânia
Alves Sena. Especialista em Metodologia das Ciências
Naturais-Biologia pela UEPA. betalsena@yahoo.com.br
Fernanda Alves
Sena. Graduada em Pedagogia pela UEPA. Integrante do GPEEA-Sala Verde
Pororoca-NPADC/UFPA fasena1@hotmail.com.
Ana Paula Alves
Sena Barbosa. Graduada em Pedagogia pela UEPA. Integrante do
GPEEA-Sala Verde Pororoca-NPADC/UFPA, anapaula-barbosa@hotmail.com
Resumo
Sabemos que o interesse pela questão
ambiental surge por termos consciência de que ela faz parte de
nossa vida e é motivado por fatores sociais, econômicos
e outros. Já os estudos com as temáticas ambientais
justificam-se por sensibilizar a sociedade para adoção
de uma política ética e solidária em relação
ao meio ambiente, formar um cidadão atuante e consciente a fim
de buscar soluções para problemas ambientais, além
de informar-se sobre a legislação ambiental para
utilizar seus direitos constitucionais e de cidadania. O ambiente,
nesse caso, deve ter as características de todos que ali
convivem e as crianças sentirem que aquele lugar lhes pertence
(BLASI, 2008). Observamos que as crianças passaram a ter uma
nova percepção de ambiente, pois conseguiram verbalizar
a sua compreensão e percepção a respeito do meio
ambiente com bastante clareza e detalhes. É necessário
também refletir sobre a formação dos
professores, para que cada um repense sobre sua função,
busque mais conhecimentos teóricos que lhe dê suporte
para mudar a prática. Nesse desafio à educação
pode ser uma alternativa.
I - Introdução
A educação ambiental é
um tema abrangente e chama atenção pelas relações
que a sociedade estabelece com a natureza. O interesse pela questão
ambiental surge por termos consciência de que ela faz parte de
nossa vida e é motivado por fatores sociais, econômicos
e outros. Já os estudos com atemáticas ambientais
justificam-se por sensibilizar a sociedade para adoção
de uma política ética e solidária em relação
ao meio ambiente, formar um cidadão atuante e consciente a fim
de buscar soluções para problemas ambientais, além
de informar-se sobre a legislação ambiental para
utilizar seus direitos constitucionais e de cidadania.
“O homem é
um dos elementos do ambiente, formado de partes: o biólogo, o
racional, o emocional, que estão em permanentes integração
e inter-relação entre si e com os outros elementos da
natureza, nos diferentes níveis de sua evolução.
Esta influência recíproca fez nascer os homens sociais,
que ao incorporar todas estas dimensões alicerça a
historia da construção humana em estreita e continua
reciprocidade” (Ana Lúcia Carneiro Leão e Lúcia
Maria Alves, 1999).
Definir educação
ambiental é falar sobre ensino-aprendizagem, dando-lhe uma
nova dimensão ambiental, contextualizada e adaptada à
realidade interdisciplinar, vinculada aos temas ambientais locais e
globais.
Antes mesmo de aprendermos as
primeiras letras, nossa primeira leitura é a do ambiente. O
primeiro questionamento que pode fazer, quanto à concepção
de meio ambiente, é o da compreensão da nossa própria
existência.
O senso comum nos leva a perceber que
o meio ambiente é tudo aquilo que nos envolve.
A educação tem sido
sugerida como a salvadora dos problemas ambientais, como se a busca
de alternativas para um desenvolvimento sustentável se desse
apenas pela mudança de mentalidade, via educação.
A educação ambiental
deve ser desempenhada de forma a entender eqüitativamente as
necessidades ambientais e de desenvolvimento das gerações
presentes e futuras, de acordo com a realidade de cada indivíduo
independente do grau de sua escolaridade.
Em função disso,
torno-se necessário o trabalho de estimular os alunados das
séries iniciais para a consolidação de um
entendimento mais amplo no que diz respeito ao processo de educação
ambiental. Ou seja, a educação ao trabalhar as questões
ambientais não deve ser reduzida somente ao ensino ou a defesa
da ecologia, também deve levar o educando ao tratamento, a
análise e a reflexão da sua realidade mediada com o
meio.
Para este fim, deve ser usado
mecanismo inovador para que a aprendizagem se torne algo
significativo para o educando, fazendo com que o mesmo entenda e
aprenda a partir de sua forma de ver o mundo. No entanto, ainda
existem metodologias tradicionais no ensino e na aprendizagem que
dificultam e bloqueiam a evolução da aprendizagem dos
educandos, como a falta de incentivo o que resulta no pouco interesse
dos mesmos.
Com isso, realizamos através
deste projeto de pesquisa, um levantamento de dados que serão
conseqüentes das alternativas educacionais aplicadas que irá
abranger as questões ambientais.
É neste contexto, objetivamos
pesquisar a compreensão dos alunados do ensino fundamental
menor (1º série), sobre educação ambiental
dentro e fora do âmbito escolar norteando o uso e a preservação
dos recursos naturais de acordo com seu conhecimento adquirido e
vivenciado.
Para isso ministramos uma aula teórica
em sala de aula:
Aplicamos questionários
fechados em cada turma; analisar e comparar os conhecimentos
adquiridos ao longo das aulas por cada turma;
Levantamos dados através de
gráficos das respostas obtidas pelos alunos;
II - Metodologia
O trabalho de pesquisa foi realizado
no colégio Santo Afonso, situado na Rodovia Arthur Bernardes
s/n°, Telégrafo. Em duas turmas da 1° série do
ensino fundamental, com alunos na faixa etária de 7 a 9 anos
de idade, onde em uma turma foi ministrado uma aula teórica e
na outra uma uma aula prática.
Foram utilizadas duas metodologias
diferenciadas: teórica e prática.
Aplicamos um questionário
fechado com 2 questões voltadas para o tema educação
ambiental, com as seguintes perguntas:
Todos os seres vivos fazem parte do
meio ambiente?
Andando em sua rua identifique os
elementos que fazem parte do meio ambiente?
Analisamos a compreensão dos
respectivos alunos sobre o tema educação ambiental,
através das respostas que obtivemos.
III - Resultado e discussões
Através dos dados dos
questionários que foram aplicados obtivemos como resultado:
A primeira questão foi: “Todos
os seres vivos fazem parte do Meio Ambiente?”.
Todas as crianças responderam
que sim, mas tiveram como referência o seu cotidiano, isto é,
mesmo com a nossa presença ensinando e mostrando situações
adversas, mesmo assim as crianças trazem estas questões
ao seu convívio.
As idéias ligadas à
temática ambiental não surgiram de um dia para outro.
Numerosos fatos de âmbito internacional foram delineando o que
conhecemos hoje por Educação Ambiental (EA).
Implementar a Educação
Ambiental nas escolas tem se mostrado uma tarefa exaustiva. Existem
grandes dificuldades nas atividades de sensibilização e
formação, na implantação de atividades e
projetos e, principalmente, na manutenção e
continuidade dos já existentes.
Segundo ANDRADE
(2000),
“... fatores como o tamanho da escola, número de alunos
e de professores, predisposição destes professores em
passar por um processo de treinamento, vontade da diretoria de
realmente implementar um projeto ambiental que vá alterar a
rotina na escola, etc, além de fatores resultantes da
integração dos acima citados e ainda outros, podem
servir como obstáculos à implementação da
Educação Ambiental”. Dado
que a Educação Ambiental se dá por atividades
pontuais, mas também precisa passar por toda uma mudança
de paradigmas que exige uma contínua reflexão e
apropriação dos valores que remetem a ela, as
dificuldades enfrentadas assumem características ainda mais
contundentes.
O ensino da Botânica permeou
todas as atividades de seis semanas na escola. Conceitos de educação
ambientais puderam ser trabalhados de forma inédita e
integrados, atentando para sua presença no cotidiano. Dos
alimentos consumidos às árvores existentes nas calçadas
e debaixo da água, das plantas nativas às artificiais,
das visitas temáticas aos conceitos aprendidos em
sala-de-aula, o passeio por estes temas acabou gerando diferentes
enfoques sobre o tema.
A experiência pela qual passamos
possibilitou, a nós e aos professores da escola pública,
repensar a prática e transformá-la. Nós,
professores, continuamos buscando “brechas” para
realizarmos trabalhos interdisciplinares que possibilitem múltiplos
olhares para os conhecimentos científicos. Todos nos que
estávamos envolvidos no projeto, aprendemos e também
ensinaram bastante.
Para SILVA (1997), “Utilização
de um corpo metodológico e conceitual é capaz de
permitir a construção e avaliação de
projetos elaborados a partir de diferentes realidades cognitivas e
sociais”. É importante aliar a metodologia utilizada a
realidade em que estamos trabalhando para que possamos conseguir
alcançar o objetivo desejado.
A segunda questão foi: “Andando
em sua rua, identifique os elementos que fazem parte do seu meio
ambiente”.
O quadro abaixo representa a
freqüência que as repostas tiveram.

Mais uma vez as crianças
utilizaram como exemplo elementos que fazer parte da sua vida
cotidiana.
“Educação
é o processo de desenvolvimento da capacidade física,
intelectual e moral do ser humano visando à sua melhor
integração individual e social”. MAGALHÃES,
2006.
Impossível pensar o processo de
ensino-aprendizagem sem múltiplas interações. O
ensino formal, em que o aluno não participa e não
interage em seu processo de construção do conhecimento,
é algo mais do que questionável atualmente. Dessa
forma, podemos citar, dentre várias vantagens dos projetos, a
mais importante, que é a troca da passividade do aluno pela
interação. Os projetos, com certeza, parecem suprir
essa necessidade de fazer com que o aluno rompa com sua passividade e
interaja de diferentes maneiras em todas as etapas de sua execução.
“Embora
não tenha um ”certo” e um “errado”,
ancoramos a EA na perspectiva da Teoria Crítica, onde as
pesquisadoras devem construir um projeto pedagógico que
legitime uma forma crítica da prática intelectual”.
(McLaren, 1997).
Acreditamos que, de certa forma, os
alunos ainda não estão acostumados com a autonomia, e,
nos projetos, precisamos trabalhar com essa questão. Se não
estabelecermos como primeira regra contar aos nossos alunos o que é
um projeto e como se trabalha com o ato de projetar, eles terão
a sensação de que estão "perdidos",
pois não existe, no projeto, o professor dirigindo e ditando
as tarefas, as atividades, a cor da caneta, a forma da maquete, o
tipo de cartaz, etc. Entendido primeiramente o que é um
projeto e qual o seu papel dentro dessa dinâmica, as regras
seguintes são aquelas relacionadas às etapas de um
projeto, que são norteadoras para seu planejamento, execução,
depuração, apresentação e avaliação.
A interdisciplinaridade ou a
multidisciplinaridade seria um requisito essencial de qualquer
projeto; isso se todos os
projetos fossem interdisciplinares. Na prática, um projeto
pode iniciar com apenas um professor de uma única disciplina
tratando de um determinado conteúdo programático.
No decorrer do projeto, conforme
interesses e necessidades, outros professores e outras disciplinas
podem interagir com o projeto em questão e, dependendo da
forma, a multi ou a interdisciplinaridade poderão acontecer
espontaneamente.
Para que a educação
aconteça, é necessário que as informações
e conhecimentos façam sentido tanto para quem os transmite
quanto para quem os recebe. É preciso que o professor e o
aluno, ou visitante de exposição, se apropriem dos
conteúdos; tomem posse deles. Para tanto é preciso que
o transmissor, tanto quanto o receptor dos conteúdos,
ultrapasse posições passivas e seja participante da
ação educativa. A educação é,
portanto, um processo dinâmico que requer um educador agente e
um educando participativo.
“Obviamente,
ao assumirmos que a EA é realmente um processo educativo, cabe
questionar qual é a base pedagógica que orienta as
nossas ações. Cabe aos/às educandos e educadores
refletir sobre os diversos paradigmas, e sobremaneira, agir para a
transformação necessária”. (Sato, 1997,
p.12).
Como vimos, a ação do
educador não se reduz à transmissão de
informações e conhecimentos, mas é ativa na
construção de tramas que articulam conteúdos,
mundo, vida, experiências (suas e dos alunos) num todo
significante: é neste sentido que o professor é
mediador.
Para MORAN
(1997), “O ensinar chega a resultados participativos quando
está integrado em um contexto estrutural de mudança do
ensino aprendizagem onde professores e alunos vivenciam processos de
acordo com a sua realidade”.
A experiência pela qual passamos
possibilitou, a nós e aos professores da escola pública,
repensar a prática e transformá-la. Nós,
professores, continuamos buscando “brechas” para
realizarmos trabalhos interdisciplinares que possibilitem múltiplos
olhares para os conhecimentos científicos. Todos nos que
estávamos envolvidos no projeto, aprendemos e também
ensinaram bastante.
A utilização de uma
abordagem estratégica no processo de ensino/ aprendizagem,
resultou na elaboração de estratégias sobre
Educação Ambiental, além disso a utilização
de um corpo metodológico e conceitual nos permitiu construir e
avaliar nosso projeto que foi elaborado a partir de diferentes
realidades cognitivas e sociais.
IV - Conclusão
Através desta metodologia que
aplicamos (questionário fechado) com as crianças,
percebemos o quanto foi importante e proveitoso, pois a partir desses
conhecimentos em educação ambiental eles se tornaram
mais conscientes e compromissados com a natureza, pois acreditamos
que a informação e a vivência participativa são
dois recursos importantes para ensino-aprendizagem voltado para o
“desenvolvimento da cidadania” da “consciência
ambiental”.
V – Referências
bibliográfica
ANDRADE, D. F.
Implementação
da Educação Ambiental em escolas: uma reflexão.
In: Fundação Universidade Federal do Rio Grande.
Revista Eletrônica do Mestrado em Educação
Ambiental, v. 4.out/nov/dez 2000.
BLASI, M. A Configuração
dos Ambientes. Organização dos Espaços Materiais
e Tempos: Os Cenários para o Trabalho Escolar. Revista
Aprendizagem a Revista da Prática Pedagógica.
Ano 2. n. 4. Jan./Fev. 2008.
DIAS, G. F.
Educação
Ambiental: princípios e práticas.
São Paulo, Gaia, 1992.
Grande Dicionário Larousse
Cultural da Língua Portuguesa.
São Paulo: Ed. Nova Cultural, 1999.
FREIRE, Paulo. Pedagogia
da Autonomia: Saberes necessários à prática
educativa. São
Paulo, SP: Paz e Terra, 1996. (Coleção Leitura).
FRIZZO, Mariza Nunes. O
ensino de ciências nas séries iniciais.
2º Ed.
Ijuí: UNIJUÍ Ed., 1989.
LARCHER, Walter.
Ecofisiologia
vegetal. São Paulo:
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McLAREN, Paul. Teoria
crítica e significada da esperança.
In GIROUX, H. Os Professores
como Intelectuais. Porto
Alegre: Artes Médicas, p. xi-xxi, 1997.
PENTEADO, Heloísa D. Meio
ambiente e formação de professores.
5º ed. São Paulo: Cortez, 2003.
REIGOTA, Marcos. Meio
ambiente e representação social.
São Paulo, SP: Cortez, 1995.
SATO, M. Educação
para o ambiente amazônico.
São Carlos, SP: 1997. Tese (Doutorado em Ciências
Biológicas / Ecologia / Educação Ambiental) –
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SILVA, Daniel José. Metodologia
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Educação Ambiental). 1996.
http://www.ufsc.br/prolarus/vfv.html l
SMYTH, John.
Environment
and education: a view of changing scene.
In Environmental
Education Research, v.1,
n.1, 3-20, 1995.