Relação Dialética entre Teoria e Prática sobre Educação Ambiental: Um Desafio para Professores de Geografia de um Colégio Público em Itabuna, BA
Relação
Dialética entre Teoria e Prática sobre Educação
Ambiental: Um Desafio para Professores de Geografia de um Colégio
Público em Itabuna, BA.
1Reubis
Almeida Silva, 2Sheila
Matos Viana Soares & 3Ricardo
Matos Santana.
1
Geográfo,
Esp. em Educação Geoam biental e Professor/ Itabuna. 2
Bióloga, Mestre em Produção Vegetal e Professora
de Biologia da Rede Estadual de Educação da Bahia. 3
Enfermeiro, Mestre e Docente da Universidade Estadual de Santa Cruz
(UESC).
Email:
areubis@yahoo.com.br
Resumo
A
Educação Ambiental é transformadora de valores e
atitudes, e que, através de conhecimentos e novos hábitos,
cria uma nova ética, sensibilizadora e conscientizadora para
as relações entre o ser humano, a sociedade e a
natureza, com o objetivo de atingir o equilíbrio local e
global, visando a melhoria da qualidade de vida.
A
questão ambiental não é um tema limitado às
Ciências, os temas transversais surgiram para minimizar esta
separação do conhecimento. Os temas transversais buscam
romper com as propostas pedagógicas convencionais que
separaram o processo educacional, compartimentando os conteúdos
em estruturas disciplinares, o que significa dizer que tais temas
traz, em si, embutida a perspectiva da interdisciplinaridade. A
mudança de comportamento e a conscientização
estão relacionadas com pequenos gestos de cada um, envolvendo,
justamente, a tomada de consciência do indivíduo como
cidadão, em todos os níveis da sociedade. Para tanto é
preciso que se inicie da base. Buscando respostas para minorar os
problemas ambientais, este trabalho buscou analisar a aplicação
do sistema integral educação e meio ambiente pelos
professores de um colégio público em Itabuna. Para
tanto o presente artigo descreve como os PCN's estão sendo
aplicados por estes professores, além de investigar se estes
conhecem os temas transversais. Verificou-se nessa pesquisa a
ausência da aplicabilidade dos temas transversais e da
interdisciplinaridade. Observou-se também que os professores
entrevistados não fazem cursos de aperfeiçoamento e de
qualificação e que a maioria deles não conhece
nenhum projeto de EA na região em que lecionam.
Palavras-chave: educação,
meio ambiente e temas transversais.
1.
Introdução
De acordo com Oliveira (2006), a
partir do momento em que o ser humano se sentir como elemento
complementar do meio ambiente, os problemas ambientais poderão
ser minimizados. Como o ser humano não se ver como parte da
natureza, sua maior preocupação está relacionada
exclusivamente à questão econômica, o que está
provocando uma cadeia de desequilíbrio no Planeta. Diante
desse contexto, acredita-se, estar na Educação
Ambiental e nos bancos escolares uma das soluções para
amenizar esta problemática de ordem ambiental, social e até
mesmo econômica que assolam o Planeta Terra.
Segundo a União Internacional
para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais
(IUCN, 1977), Educação Ambiental (EA) é definida
da seguinte forma: “Educação Ambiental é o
processo de reconhecer valores e aclamar conceitos para criar
habilidades e atividades necessárias que sirvam para
compreender e apreciar a relação mútua entre o
homem, sua cultura e o seu meio circundante biofísico. A EA
também inclui a prática de tomar decisões e
auto-formula um código de comportamento com relação
às questões que conservem a qualidade ambiental
(ANDRADE, 2000).
A EA é transformadora de
valores e atitudes, e que, através de conhecimentos e novos
hábitos, cria uma nova ética, sensibilizadora e
conscientizadora para as relações entre o ser humano, a
sociedade e a natureza, com o objetivo de atingir o equilíbrio
local e global, visando a melhoria da qualidade de vida (GUIMARÃES,
1995).
O Ministério da Educação
criou através da Lei Federal nº 9.394/96, a Lei de
Diretrizes e Bases (LDB), com esta nova LDB, o ensino Médio
passou a integrar a etapa do processo educacional, que a Nação
considera básica para o exercício da cidadania, e o
acesso às atividades produtivas. E o Poder Legislativo
Brasileiro, através da Lei Federal nº 9795/99 criou a lei
que trata da Educação Ambiental, esta bem mais
abrangente, onde envolve o ensino formal e o não formal.
A educação formal não
é a única capaz de desenvolver o processo da realização
da EA, o ideal seria uma parceria com a educação
não-formal. Por educação não-formal
entende-se o processo educativo, desvinculado ou não do poder
oficial, mas que se realiza fora da escola e se caracteriza pela
flexibilidade de métodos e conteúdos pela diferença
do público de destino, geralmente adulto (LUDKE,1986). Colley
et al. (2002) define educação não-formal, como
qualquer tentativa educacional organizada e sistemática que,
normalmente, se realiza fora dos quadros do sistema formal de ensino.
A questão ambiental não
é um tema limitado às Ciências, os temas
transversais surgiram para minimizar esta separação do
conhecimento. Os temas transversais buscam romper com as propostas
pedagógicas convencionais que separaram o processo
educacional, compartimentando os conteúdos em estruturas
disciplinares, o que significa dizer que tais temas traz, em si,
embutida a perspectiva da interdisciplinaridade (TORRES, 2003). A
proposta de temas transversais, que integra o conjunto das
proposições conhecidas como Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCN), do Ministério da Educação
e do Desporto (1997), configura uma inovação, pois
acrescenta ao currículo, além do rol de disciplinas, o
tratamento de temas referentes à problemas atuais da vida
social. Esses temas foram propostos para proporcionar maior
flexibilidade e abertura no currículo, podendo ser
contextualizados e priorizados de acordo com a necessidade local. Os
temas indicados são: Ética, Meio Ambiente, Pluralidade
Cultural, Saúde, Orientação Sexual, Trabalho e
Consumo.
Para Leff (2001) a
interdisciplinaridade que deve estar presente na EA não deve
ser apenas um somatório ou a articulação entre
as diferentes disciplinas, deve ser além do diálogo
entre as disciplinas, a busca de novos saberes que considerem as
culturas, os potenciais da natureza e os valores, teorias e práticas
necessárias à vida e à formação
humana, ele mostra que é necessário criar condições
para se pensar interdisciplinarmente o ambiente.
Segundo os PCN´s (BRASIL, 1997),
o distanciamento entre os conteúdos programáticos e a
experiência dos alunos, certamente respondem pelo desinteresse
escolar. Conhecimentos relacionados a priori tendem a se perpetuar
nos rituais escolares, sem passar pela crítica e reflexão
dos docentes, tornando-se desta forma, um acervo de conhecimentos
quase sempre esquecidos. Com isso verifica-se que a prática é
importante na construção do saber pedagógico do
professor, ela pode e deve enriquecer-se com conhecimentos teóricos.
O conhecimento teórico é o conhecimento organizado e
aceito pela comunidade científica ou acadêmica, que
socializa conceitos, leis e princípios que foram socialmente
construídos e pertencem a um determinado campo do saber. Dessa
maneira, pode-se concluir que não existe prática sem
teoria e vice-versa. É necessário que embora os
conceitos de teoria e prática sejam diferentes, eles formem
uma unidade inseparável. Toda a atividade humana envolve, em
alguma medida, tanto a ação concreta sobre a realidade
quanto a representação dessa realidade. Assim sendo,
quando tomamos teoria e prática em sentido amplo, podemos
afirmar que não há prática sem teoria, nem
teoria sem prática.
A aprendizagem significativa pressupõe
a existência de um referencial que permita aos alunos
identificar e se identificar com as questões propostas. Essa
postura não implica permanecer apenas no nível de
conhecimento que é dado pelo contexto imediato, nem muito
menos pelo senso comum, mas visa estimular a capacidade de
compreender e intervir na realidade, numa perspectiva autônoma
e desalienante. A construção das aprendizagens
significativas segundo Ausubel (PELIZZARI et al., 2002) implica a
conexão ou vinculação do que o aluno sabe com os
conhecimentos novos, quer dizer, o antigo com o novo. A reforma do
ensino supõe a reforma do currículo e, por
conseqüência, dos propósitos e condições
para que a educação seja eficaz.
A mudança de comportamento e a
conscientização estão relacionadas com pequenos
gestos de cada um, envolvendo, justamente, a tomada de consciência
do indivíduo como cidadão, em todos os níveis da
sociedade. Para tanto é preciso que se inicie da base.
Buscando respostas para minorar os problemas ambientais, este
trabalho buscou analisar a aplicação do sistema
integral educação e meio ambiente pelos professores de
um colégio público estadual de Itabuna, BA. Para tanto
o presente artigo descreve como os PCN's estão sendo aplicados
por estes professores; além de investigar se estes conhecem os
temas transversais principalmente quando se trata da EA. Buscou-se
também analisar os conhecimentos dos professores sobre a
interdisciplinaridade e se estes a utilizam em sua prática
escolar.
Acredita-se que a ausência da
aplicabilidade dos temas transversais e da interdisciplinaridade tem
prejudicado o despertar de uma consciência crítica nas
crianças em idade escolar, impedindo a percepção
do meio ambiente como "seu lar" e/ou como fruto do meio. A
ausência de cursos de aperfeiçoamento e de qualificação
da função do professor, aliado a falta de
comprometimento, e até mesmo a acomodação diante
da situação, tem contribuído para a não
aplicação dos temas transversais e da
interdisciplinaridade nas escolas.
2.
Metodologia
2.1 Tipo de
pesquisa
Realizou-se uma pesquisa de campo
descritiva, de caráter qualitativo, por possibilitar o uso e o
desenvolvimento de uma grande variedade de recursos e técnicas
(MARTINS E BICUDO, 1989). Para Triviños (1992), a pesquisa
qualitativa permite compreender a situação crítica
onde a mesma ocorre, sem criar situações simuladas que
distorcem a realidade, ou que levam à interpretação
ou generalização equivocadas.
Minayo (1999, p.101), diz que a
investigação qualitativa requer como atitudes
fundamentais a abertura, flexibilidade, a capacidade de observação
e de interação com o grupo de investigadores e com os
atores sociais envolvidos. Seus instrumentos costumam ser facilmente
corrigidos e readaptados durante o processo de trabalho de campo, de
acordo com as finalidades da investigação. A geografia
tem uma posição privilegiada em abordagem qualitativa e
pode ser usada na investigação de problemas que surgem
no dia-a-dia da prática de ensino da geografia.
2.2.
Sujeitos e Campo da pesquisa
A vida cresceu e se desenvolveu na
terra como uma trama, uma grande rede de seres interligados,
interdependentes. Essa rede entrelaça de modo intenso e
envolve conjuntos de seres vivos e elementos físicos. Para
cada ser vivo que habita o planeta existe um espaço a seu
redor com todos os elementos e seres vivos que com ele interagem, por
meio de relação de troca de energia: esse conjunto de
elementos, seres e relações constitui o seu meio
ambiente.
Explicado dessa forma, pode parecer
que, ao se tratar de meio ambiente, se está falando somente de
aspecto físico e biológico. Ao contrário, o ser
humano faz parte do meio ambiente e as relações que são
estabelecidas - relações sociais, econômicas e
culturais - também fazem parte desse meio e, portanto, são
objetos da área ambiental.
Considerando o exposto, escolheu-se
trabalhar com os professores de geografia, visto que estes procuraram
buscar explicações para aquilo que, numa determinada
paisagem, permaneceu ou foi transformado, isto é, os elementos
do passado e do presente que nela convivem e podem ser compreendidos
mediante a análise do processo de produção e
organização do espaço (BRASIL, 1997). Dessa
forma, foram eleitos como sujeitos da pesquisa, os oito professores
de geografia, que lecionam no Ensino Fundamental 2, em um colégio
público estadual de Itabuna, BA.
O município de Itabuna está
localizado na Zona Fisiográfica Cacaueira, Região Sul
do Estado da Bahia, na Microrregião de Itabuna – Ilhéus,
com as seguintes coordenadas geográficas: 14º 48’
de latitude, 39º 18’ de longitude, altitude 40 m, área
de 444,8 Km², distante de Salvador, capital do estado 433 Km. Em
1996, sua população era de 183.403, e segundo o censo
de 2000, esta população hoje corresponde a 196.456, com
uma taxa de crescimento anual de 1.73%. Sua população
está distribuída da seguinte forma: homens 94.192,
mulheres 102.264, urbano 190.888, rural 5.568 (IBGE, 2007).
O local da pesquisa é um dos
maiores colégios públicos da região, funciona
durante os três turnos, oferece turmas da 5ª série
ao 3º ano formação geral, Ensino Médio e
Magistério.
2.3.
Procedimentos para coleta de dados
Para a coleta de dados, optou-se pela
entrevista semi-estruturada, por considerá-la a técnica
que melhor possibilita alcançar os objetivos propostos pela
pesquisa. Entrevista, como afirma Lakatos e Marconi (1992, p.107), "é
uma conversação efetuada face a face, de maneira
metódica; proporciona ao entrevistador, verbalmente, a
informação necessária." É um modo de
comunicação onde determinada informação é
transmitida de uma pessoa para outra.
As oito entrevistas foram agendadas
pelo pesquisador, separadamente, de acordo com a disponibilidade dos
professores. Seguiu-se um roteiro, onde possibilitou que algumas das
informações fossem obtidas espontaneamente,
utilizando-se do recurso do gravador e, assim, evitando a perda de
informações necessárias à análise.
2.4.
Procedimentos para análise dos dados
O volume de informações,
obtido através das entrevistas, foi ordenado e sistematizado
de modo a permitir uma maior aproximação à
realidade concreta da prática dos professores, no que diz
respeito ao modo como estes têm trabalhado o tema Educação
Ambiental. O tratamento dos dados foi operacionalizado através
dos seguintes passos propostos por Minayo (1999): ordenação
dos dados, classificação dos dados e análise
final, onde buscou-se identificar os principais problemas que
inviabilizam a aplicação do tema transversal Meio
Ambiente dos PCN´s Nacionais. A ordenação dos
dados iniciou-se através da transcrição das
fitas-cassete, releitura do material e organização dos
relatos; momento em que as falas dos professores, referentes a cada
questão do roteiro de entrevista, foram agrupadas por
respostas, utilizando um quadro para fazer a seleção
destas, onde em seguida foi feita uma planilha e a confecção
de alguns gráficos e tabelas, através de freqüência
relativa simples.
A classificação dos
dados foi realizada através de uma “leitura flutuante”
e exaustiva dos textos, prolongando uma relação
interrogativa com eles, onde apreendeu-se as idéias centrais,
as estruturas de relevância dos sujeitos e a constituição
de um corpus. O Corpus foi compreendido como um conjunto de
informações e representações específicas.
Em seguida, foi feita uma leitura transversal de cada corpo. Esta
leitura possibilitou recortar de cada entrevista a essência
daquilo que nos deu um maior embasamento para a construção
de temas e tópicos para a construção dos
gráficos. Através do processo de aprofundamento da
análise, o movimento classificatório foi refeito e
aperfeiçoado, quando mostrou-se necessário.
Na análise final, os dados
foram trabalhados a partir da aproximação da
metodologia dos PCN´s, onde, lembrando Goldenberg (1998),
estabeleceu-se uma compreensão e comparação
entre as diferentes respostas, as idéias novas que apareceram,
e o que estes dados levam a pensar de uma maneira mais ampla.
3.
Resultados e discussão
Foi adotado como orientação
da pesquisa empírica a abordagem qualitativa, buscando abordar
os elementos que compõem o cenário de estudo, se os
professores de geografia (da 5ª a 8ª série) estão
trabalhando os PCN´s de forma "satisfatória",
e qual o nível de conhecimento de alguns professores sobre o
assunto EA.
A princípio foi feito um
levantamento para saber qual o perfil dos professores que estavam
lecionando a disciplina geografia no colégio. Pode-se perceber
que todos os entrevistados possuíam nível superior
(Figura 01), porém, nem todos eram formados em geografia.
Observa-se na Figura 01, que outros profissionais da educação
também estavam lecionando geografia no colégio.

Figura
01 - Distribuição dos professores de geografia do
ensino fundamental, do
colégio em estudo, por formação superior.
Percebe-se também que a
disciplina geografia, é lecionada por profissionais de
diversas áreas, o que pode levar a uma não compreensão
de assuntos pertinentes a própria disciplina.
Segundo Duarte (2008), uma projeção feita pela
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior (Capes) mostrou que os professores da rede
pública não assumem as disciplinas para as quais
receberam formação superior específica. O estudo
demonstra que apenas 28,8% (dos 354.475 graduados em licenciaturas)
lecionam na área na qual foram formados. O despreparo é
ainda mais grave nas regiões Norte e Nordeste, onde 69% e
67,5%, respectivamente, não atuam em sua área de
formação. Já no Sul e Sudeste ocorre o inverso.
Para lecionar geografia, deve estar claro que é um componente
curricular e, como tal, deve estar referido ao Projeto da Escola e,
dentro deste, ao plano da área e da disciplina como um todo.
Compreender os fundamentos da Geografia significa conhecer a sua
trajetória como ciência e como disciplina escolar, e
considerar os pressupostos teórico-metodológicos que
lhes dão sustentação.
Em relação
a experiência profissional dos entrevistados, observa-se que a
maioria dos professores concluíram o ensino superior e atuam
em sala de aula num intervalo de 0 à 10 anos conforme descrito
na Tabela 01. Por terem concluído o curso superior a pouco
tempo podemos pensar que a maioria dos professores não estão
desatualizados, em relação as mudanças ocorridas
no sistema educacional. Porém, seria pouco diante de tantas
mudanças que ocorrem hoje no mundo globalizado. Segundo Fusari
(1992) a rotina
do funcionamento da Escola pode ser a possibilidade de o professor
aperfeiçoar, continuamente, sua competência
docente-educativa, o mesmo podendo ocorrer com diretores, assistentes
e demais profissionais que atuam no sistema formal de ensino.
A formação
contínua é o conjunto de atividades desenvolvidas pelos
professores em exercício com objetivo formativo, realizadas
individualmente ou em grupo, visando o desenvolvimento pessoal e
profissional (GUIMARÃES, 2004).
|
Tempo de
ensino (anos)
|
Porcentagem
|
|
00 ----- 10
|
62,5%
|
|
11 ----- 20
|
25,0%
|
|
21 ----- 30
|
12,5%
|
|
Total
|
100%
|
Tabela
01 - Tempo de ensino, em sala de aula, dos professores de geografia
do ensino fundamental 2 em um colégio público estadual
de Itabuna, BA.
A Prática de Ensino vem sendo
alvo de reflexão há pelo menos duas décadas,
comemoradas no ano de 2000, durante o X Encontro Nacional de Didática
e Prática de Ensino (CANDAU, 2000). Nas últimas
décadas, pesquisas realizadas têm demonstrado, com
nitidez, a falência da formação dos educadores
para uma atuação competente nas escolas públicas
do ensino fundamental e médio (FUSARI, 1992). Observa-se de
acordo com a Tabela 02 que a minoria dos professores do colégio
público estadual estava fazendo algum curso de especialização,
ou curso ligado a disciplina que lecionam. Sabe-se que a formação
profissional do professor deve se dar como uma ação
contínua de reflexão crítico investigativa sobre
a realidade educacional, e não pelo simples acúmulo de
informações em cursos preparatórios.
Tabela 02 –
Professores do ensino fundamental 2 que lecionam geografia e estão
fazendo algum curso ligado à disciplina no colégio em
estudo.
Os meios auxiliares são pouco
explorados pelos professores do colégio público
estadual (Tabela 03), sendo que o vídeo foi o recurso que mais
apareceu nas respostas deles. Esse comportamento dos professores de
pouco utilizarem os recursos didáticos pode prejudicar a
aprendizagem significativa do aluno sobre meio ambiente. Pois, os
recursos didáticos são componentes do ambiente de
aprendizagem que estimulam o aluno. Podendo ser o computador, livros
e recursos da natureza. Dessa forma, podemos ver que tudo o que se
encontra no ambiente onde ocorre o processo ensino-aprendizagem pode
se transformar em um ótimo recurso de didático, desde
que utilizado de forma adequada e correta. Segundo Gil (1991), os
meios utilizados para informar as pessoas têm os seguintes
objetivos respectivamente: 1) organizar e sumarizar os dados de forma
tal que possibilitem o fornecimento de respostas ao problema proposto
para investigação e, 2) procurar o sentido mais amplo
das respostas, o que é feito mediante sua ligação
a outros conhecimentos anteriormente adquiridos.
|
Recursos
|
Porcentagem
|
|
Vídeos
|
40%
|
|
Apostilas
|
30%
|
|
Artigo
|
10%
|
|
Cartazes
|
10%
|
|
Nenhum
|
10%
|
|
Total
|
100%
|
Tabela
03 – Tipos de recursos utilizados pelos professores de
geografia em um colégio público estadual de Itabuna,
BA.
Segundo informação dos
professores, o colégio, não realiza nenhuma atividade
para trabalhar o tema EA entre os docentes, nem com os alunos.
Informam, também, que existe um projeto de educação
ambiental que nunca foi colocado em prática, mas são
realizadas atividades isoladas para explorar o tema. Estes eventos
estão ligados à preservação da natureza,
tais como passeatas e desfile, durante o dia da árvore e até
mesmo durante o desfile de 07 de setembro. Não podemos
adjetivar a educação ambiental, e não devemos
nos limitar a preservação de matas, florestas, e
animais. Mas cuidar da qualidade de vida, do ambiente em que vivemos.
Quando perguntado se o colégio
tem mostrado algum interesse em trabalhar com o tema EA (Tabela 04)
com seus professores e conseqüentemente com seus alunos, a
maioria dos professores informou que esse interesse apresentou-se
apenas de forma regular (no sentido de insatisfatório). É
muito importante o entrosamento entre a instituição e
os membros que pertence a ela, pois se não houver uma harmonia
entre estes, com certeza não ira surtir um grande efeito o
trabalho pretendido. A instituição tem que elaborar um
projeto, preparar e capacitar as pessoas encarregadas de trabalhar
com este, oferecer condições logísticas e de
pessoal, divulgar esses trabalhos para que outras pessoas que não
façam parte da instituição tomem conhecimento do
trabalho desenvolvido por ela, e quem sabe contribuir para que este
trabalho venha a ganhar novos adeptos.
Tabela 04 -
Interesse do colégio em trabalhar com os professores e alunos
de geografia com tema EA.
O interesse em trabalhar com os alunos
sobre determinados temas, de grande importância para a vida
destes futuros cidadãos, não pode só depender da
instituição. Este deve partir também dos
professores, que devem se reunir para trabalhar com os temas
transversais de forma coesa.
A integração dos
diferentes conhecimentos pode criar as condições
necessárias para uma aprendizagem motivadora, na medida em que
oferece maior liberdade aos professores e alunos para a seleção
de conteúdos mais diretamente relacionados aos assuntos ou
problemas que dizem respeito a vida da comunidade. Todo conhecimento
é socialmente comprometido e não a conhecimento que
possa ser aprendido e recriado se não se parte das
preocupações que as pessoas detêm (BRASIL, 1997).
A ocorrência
de interdisciplinaridade entre os professores de geografia (da 5ª
à 8ª série) do colégio em estudo, segundo
estes ocorre de forma regular para a maioria deles (Tabela 05).
|
Interdisciplinaridade para os
professores
|
Porcentagem
|
|
Pouco
|
38%
|
|
Regular
|
49%
|
|
Insuficiente
|
13%
|
|
Total
|
100%
|
Tabela
05 - Ocorrência de interdisciplinaridade entre os professores
de geografia do ensino fundamental 2, em um colégio público
estadual de Itabuna, BA.
Esta interdisciplinaridade permitirá
uma interação com o conhecimento de outras disciplinas
ao dar, assim, uma maior ênfase aos temas transversais, dentre
estes, o tema meio ambiente. Estudos têm revelado que a
interdisciplinaridade ainda é pouco conhecida. E é com
o objetivo de contribuir para o entendimento desse tema que
apresentaremos a seguir um breve resumo das principais concepções
e controvérsias em torno desse tema (FAZENDA, 1994).
Não podemos atribuir o trabalho
com o tema EA somente a professores ligados a área de
ciências. Neste caso estamos nos referindo aos professores de
geografia, devendo todos estarem engajados no processo, mas
percebemos que os próprios professores de geografia, parece
não estar mostrando muito interesse em se reunir para tratar
do tema EA (Figura 04). Muitos se queixaram de tempo, e justificam
que precisam trabalhar mais para ganhar um salário melhor.

Figura 02 - Reunião dos
professores do ensino fundamental de geografia do colégio em
estudo para tratar do tema EA com alunos.
De acordo com a pesquisa, observou-se
que falta tempo para os professores se reunirem com os colegas, para
tratarem do tema EA (Figura 02), mas esse tema deveria ser abordado
constantemente na sala de aula, o que não ocorre. A sociedade
atual vive numa época de acontecimentos diferentes que se
manifestam em relação ao clima e ao aparecimento de
grandes problemas nas áreas produtivas de alimento do
planeta. Compreender que adotando uma política que
promova a importância da educação
ambiental voltada principalmente para a sustentabilidade já
nas escolas primárias, as novas gerações terão
uma mentalidade conservacionista e será muito mais fácil
programar políticas que visem à utilização sustentável
dos recursos ambientais no futuro (ABREU, 2008).
Além de trabalhar com a
temática, seria de grande importância conhecer algum
tipo de projeto local relacionado a EA, para que se possa discutir
com os alunos a influência que este exerce sobre sua vida. A
Tabela 06 mostra que a maioria dos professores não conhece
qualquer tipo de projeto de EA local, concluindo assim que esses
projetos não estarão em discussão em sala de
aula. Os professores que informaram conhecer algum programa local
relataram sobre o projeto de reciclagem de lixo de Itabuna.

Tabela
06 - Conhecimento quanto a projetos de EA local pelos professores que
lecionam geografia no ensino fundamental 2 de um colégio
público estadual de Itabuna, BA.
Na região de Itabuna, devido a
sua exuberância, seja na fauna ou na flora, existem diversos
projetos de EA, principalmente devido às instituições
da UESC, Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira
(CEPLAC), Instituto de Estudos Sócios Ambientais da Bahia
(IESB), Grupo de Resistência as Agressões ao Meio
Ambiente (GRAMA), e até mesmo nas Prefeituras Municipais.
Como foi verificado na pesquisa que os
professores demonstravam idéias divergentes uns dos outros,
foi solicitado que eles conceituassem interdisciplinaridade (Figura
05). Diferentemente das concepções desses professores,
na proposta de reforma curricular do Ensino Médio, a
interdisciplinaridade deve ser compreendida a partir de uma abordagem
relacional, em que se propõe que, por meio da prática
escolar, sejam estabelecidos interconexões e passagens entre
os conhecimentos através de relações de
complementaridade, convergências ou divergências (BRASIL,
1997).
|
PROF.
|
CONCEITO
|
|
01
|
Relação entre as
diversas áreas (disciplinas) de conhecimento.
|
|
02
|
Explorar um tema em conjunto.
|
|
03
|
Interdisciplinaridade entre as
disciplinas.
|
|
04
|
Integração das
disciplinas sejam elas afins ou não.
|
|
05
|
Discutir assuntos de interesse dos
alunos e professores e colocá-los em prática.
|
|
06
|
Troca e relacionamento entre
diversos ramos de disciplinas onde uma utiliza do conhecimento da
outra e vice-versa.
|
|
07
|
União de disciplinas para
um resultado melhor, interagindo com todos os conteúdos.
|
|
08
|
Conhecimento de várias
disciplinas para resolver problemas e compreender fenômenos.
|
|
Figura 05
- Conceito de interdisciplinaridade para professores do ensino
fundamental 2 de um colégio público
estadual de Itabuna, BA.
|
Como já foi dito a
interdisciplinaridade não é apenas uma questão
de comentar com os alunos determinados assuntos ligados a outras
disciplinas, até mesmo porque não existe nenhuma
disciplina independente, elas estão todas entrelaçadas.
Deve ser feito um planejamento, para que todos trabalhem o mesmo tema
ao mesmo tempo, e não fujam de sua área, nem dos
objetivos propostos. Porém todos devem ter conhecimento dos
temas transversais (Ética, Meio Ambiente, Pluralidade
Cultural, Saúde e Orientação Sexual), pois estes
devem fazer parte da discussão de todas as disciplinas.
Muitas questões sociais
poderiam ser eleitas como temas transversais para o trabalho escolar,
uma vez que o que os norteia, a construção da cidadania
e a democracia, são questões que envolvem múltiplos
aspectos e diferentes dimensões da vida social. Foram então
estabelecidos os seguintes critérios para defini-los e
escolhe-lo: urgência social, abrangência nacional,
possibilidade de ensino e aprendizagem no ensino fundamental,
favorecer a compreensão da realidade e a participação
social (BRASIL,1997).
4.
Conclusões
Tendo em vista os alunos do ensino
fundamental como os futuros residentes e ocupantes deste espaço
que ora se apresenta tão degradado e mal conservado, temos que
orientá-los, para que, estes, saibam valorizar a natureza que
os rodeiam e possam viver em harmonia, sem degradar o meio ambiente.
Alguns governantes vivem criando leis
e baixando decretos, mas podemos perceber que estes não têm
nenhum compromisso com o meio ambiente, com a EA e deixam os
professores com a responsabilidade de conscientizar nossa juventude.
Estes se apresentam totalmente “vazia”, sem uma visão
crítica e absorvendo idéias prontas e acabadas, através
da televisão e outros meios de comunicação, que
são utilizados para manipular a massa. Podemos observar ainda
que alguns professores não estão assimilando o que o
governo coloca como proposta, que são os PCN´s, onde o
básico seria que todos tivessem no mínimo conhecimento.
O papel do professor é crucial,
pois a ele cabe também apresentar, escolher os objetivos, os
conteúdos e atividades de aprendizagem de forma que os alunos
compreendam o porquê e para que do que aprendem. E, assim,
desenvolva expectativas positivas em relação à
aprendizagem, sentindo-se motivados para o trabalho escolar.
Mas é importante que se motive
também os professores, pois estes, estão em constantes
reivindicações por melhores salários. É
importante ganhar bem para poder investir em livros, adquirir
revistas, jornais e materiais que possam lhe dar suporte para dar uma
boa aula, e isso tem um custo alto. Muitos professores só têm
acesso a computadores quando estão na escola, quando todos
deveriam possuir pelo menos um computador em casa.
O governo lança planos,
projetos, leis que se referem a educação mas não
se preocupa em capacitar os professores para que esses sejam
trabalhados de forma coerente, pois sempre apresenta soluções
em período eleitoral, visando adquirir sempre algum beneficio
em troca.
A educação é sim
a solução para uma sociedade melhor, em todos os
aspectos, para um ambiente harmonioso, para uma vida melhor, mas não
devemos esperar por ninguém. Cada um deve fazer sua parte,
pois, o que destruímos hoje com certeza vai nos fazer falta
amanhã, uma vez que, a destruição do meio
ambiente refletirá em todos
5.
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