Histórico da urbanização de Belo Horizonte a partir da década de 70.
Uma análise das políticas públicas ambientais e de urbanização do município.
André Ricardo Barbosa Duarte
Graduado em história
(bacharel/licenciado) pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.
Pós-graduado
(especialistas) em Políticas Públicas pela Universidade Federal de Minas Gerais.
Pós-graduando
(especialização) em Gestão de Pessoas e Projetos Sociais pela Universidade
Federal de Itajubá.
Endereço:
Rua Adavon Collani, nº 38
Bairro: Goiânia B – Belo
Horizonte/MG
CEP: 31960-200
Tel.: (31) 3432-3611
E-mail: historiador.arb@ig.com.br
RESUMO
No presente
artigo é contextualizado a atual situação ambiental do município de Belo Horizonte
e da RMBH (Região Metropolitana de Belo Horizonte) através de uma revisão
bibliográfica relativa aos temas ligados às políticas públicas urbanas
dedicadas ao uso e ocupação do solo e a industrialização a partir da década de
70. É objeto de analise também, o programa DRENURBS – programa de Recuperação
Ambiental e Saneamento de Fundos de Vale dos Córregos em Leito Natural – enquanto uma nova abordagem das políticas públicas de meio ambiente face às
urgentes demandas ambientais criadas pelas transformações materiais da cidade. Para
atingir as análises desejadas, serão abordadas as mudanças e permanências macro-históricas
no plano das sociedades industriais, no que se refere à relação entre progresso
econômico versus meio ambiente, mensurando esse aspecto à cidade de BH e seu
processo metropolização. Esse artigo surgiu de um conjunto de questionamentos –
relacionados à questão da urbanização no município – levantados durante o curso
de pós-graduação em políticas públicas do DCP/UFMG nos anos de 2003 e 2004 e
ganha suma importância diante das profundas mudanças climáticas que vêm
impactando as comunidades locais – tanto da cidade quanto do Estado de Minas
Gerais – com fortes chuvas e, por conseguinte, freqüentes enchentes durante o
verão de 2008-2009.
1. O atual
contexto ambiental de Belo Horizonte e o histórico das políticas urbanas de
saneamento e drenagem das águas pluviais.
A
tendência de concentração demográfica verificada no decorrer do século XX
acentuou no país, a primazia das áreas urbanas sob as rurais. A partir da
segunda metade do referido século, a taxa de crescimento da população
brasileira foi na ordem de “2,39% contra 2,23%”1 dos primeiros
cinqüenta anos, sendo São Paulo e Minas Gerais os estados que atraíram o maior
números de vagas em virtude da significativa expansão do parque industrial do
sudeste e da estagnação econômica do nordeste. É nesse estágio da nossa
formação econômica e social que se localiza a formação do exército de reserva
de mão-de-obra à disposição da indústria em desenvolvimento e, num crescimento
contínuo, os contingentes humanos, vindos do campo, expulsos pela persistente
concentração da propriedade territorial, aumentam os aglomerados urbanos criando
pressões sobre a infra-estrutura de serviços e equipamentos públicos das
cidades.
“A rápida urbanização, por si só,
exerce enorme pressão nas cidades; que precisam utilizar recursos limitados
para facilitar ou atender à elevada demanda por água, saneamento, eletricidade,
educação primária e saúde, moradia e transporte. Com o rápido crescimento das
cidades, também surgiu o modelo de pobreza tipicamente urbano: danos à saúde
causados pela poluição do ar e por água contaminada; multidões,
congestionamentos no trânsito; violência induzida pela pobreza; desigualdade; e
outros similares” (SINGER, 1978, p. 14).
A
urbanização acelerada e desordenada em BH – consolidada na segunda metade do
século XX – denota seu processo de metropolização que ocorreu predominante para
oeste norte. Esse fato fora condicionado por duas iniciativas (uma dos agentes
privados e outra dos agentes públicos) facilitadoras à expansão dos
loteamentos: preços mais acessíveis da terra - nas regiões citadas - para a
classe média e baixa e o total descontrole da administração municipal sobre as
regras de uso e parcelamento do solo.
Paralelamente,
a expansão dos loteamentos e a ocupação nas regiões norte e oeste, o centro da
capital, no mesmo período, passa por um processo de verticalização. Os bairros ao
sul da capital deixam de ser uma área tipicamente residencial e agrega a função
de centro comercial e de lazer. A zona sul, ocupada, historicamente, pela
classe alta amplia-se com a verticalização, concentrando serviços destinados a
essa classe. Os bairros mais antigos de BH não comportam as pressões
populacionais e tornam-se estagnados. A nova classe média, oriunda do “milagre
econômico” da década de 70 cria uma demanda cada vez maior para o mercado
imobiliário, exigindo loteamentos com infra-estrutura básica de serviços. As
terras urbanas, nessa década, multiplicam seu valor e a especulação imobiliária
transforma os loteamentos em reservas de valor.
“Inclui-se
nesse processo, como modelo pioneiro, o loteamento do bairro Cidade Nova,
seguido de vários outros, em áreas antes ocupadas por assentamentos populares,
ou mesmo em novas fronteiras de ocupação (bairro Havaí no Salgado Filho, bairro
do Tesouro em Venda Nova, bairro Álvaro Camargos no Glória, novos loteamentos
nas limítrofes da Pampulha, dentre outros)” (Fundação João Pinheiro, 1997. p.
218)
No processo de industrialização que ganha impulso nesse mesmo período a
iniciativa privada é privilegiada e o Estado assumiu o papel de fornecedor das
infra-estruturas.
A indústria automobilística é escolhida como o agente catalisador do
desenvolvimento industrial que por suas características de integração da
produção esta favoreceu a criação de pólos industriais e a concentração
espacial da população e dos serviços. O crescimento populacional, ligado ao
crescimento da indústria no país, explica a formação dos municípios de Betim e
Contagem formando um eixo industrial. Institui-se por esses processos de
ocupação, em 1973 a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).
Com a
criação da RMBH, surge o DEMAE (Departamento Municipal de Água e Esgoto),
autarquia municipal subordinada ao COMAG (Companhia Mineira de Água e Esgoto),
responsável pelo saneamento em BH e na RMBH. Em 1974, por força da lei 6.475 de
11 de novembro, o DEMAE passa a se chamar COPASA (Companhia de Saneamento de
Minas Gerais), como exigência para a adesão do Estado de Minas Gerais ao
PLANASA (Plano Nacional de Saneamento) que figura como estratégia
macroeconômica dos militares para o desenvolvimento industrial do país. Esse
plano – baseado na política desenvolvimentista do governo militar – amplia os
recursos federais voltados para o abastecimento de água, esgotamento e grandes
projetos viários e de moradia, voltados principalmente para beneficio da classe
média urbana.
“Na área
de saneamento, a década de 70 caracteriza-se, sobretudo pela prioridade à
expansão dos serviços. Cumprir as metas pelo PLANASA significa, principalmente,
afirmar o projeto de regime burocrático-autoritário, que busca, por um lado,
sua legitimação junto à população, através da política de desenvolvimento
social, e, por outro, o reforço e capitalização das empresas de construção
pesada” (Idem, 1997. p. 223).
Os anos 70 foram caracterizados por uma estratégia de desenvolvimento
baseado na implantação de grandes projetos de infra-estrutura ou de exploração
de recursos naturais. Ao lado das multinacionais, o Estado mostra-se o único
parceiro nacional que dispõe de capacidade econômica para a implantação desses
projetos. Nesse período a urbanização intensiva acentuou o crescimento das
regiões metropolitanas em todas as capitais do país, mas principalmente em BH,
São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. Nessas capitais os recursos naturais se
tornaram bens escassos, sejam em quantidade ou em qualidade, e, portanto, mais
"caros".
Nessa
ocasião e nesse contexto que foram concebidos alguns projetos de saneamento de
BH. Esses se desenvolveram a sombra das políticas de transporte e expansão da
malha viária prevista no PLAMBEL (Plano Metropolitano de Belo Horizonte). A
canalização e esgotamento do Ribeirão Arrudas (principal curso d’água que corta
a cidade), por exemplo, fora concebido como obra de infra-estrutura básica para
criação da via expressa leste-oeste, considerada necessária, por se tratar do
principal acesso viário para os municípios de Betim e Contagem importante
parques industriais.
As
políticas de abastecimento de água e saneamento, nas décadas que se seguiram a
de 70, mantiveram-se em um patamar restrito de debates. O desenvolvimentismo
tecno-burocrático e autoritário dos governos militares restringiu o debate
sobre a questão da gestão dos recursos hídricos nos centros urbanos. Os governos dos militares toleravam ou em alguns
momentos até incitava a sociedade civil (dentro de certo limite) a discutir as
questões ambientais e de saneamento, como um meio de desviar a atenção da
opinião pública dos problemas econômicos e políticos provenientes do fim do
"milagre brasileiro".
As questões ligadas ao saneamento e a proteção do meio ambiente foram
tratadas como questões técnicas. Sustentavam a tese de que a proteção do
meio ambiente seria um objetivo secundário, não prioritário e em conflito com o
objetivo central e imediato do crescimento econômico. No caso de BH, o breve
histórico apresentado sobre a questão da ocupação e metropolização da capital
operada na década de 70 denota essa situação.
As
políticas públicas apresentadas para a solução de questões estratégicas, no
conjunto da saúde pública, tais como o esgotamento e a drenagem das águas
pluviais evitando as enchentes, sempre buscaram soluções locais e setoriais,
que responderam de maneira ineficiente as necessidades da população, conduzindo
a uma crescente degradação urbana e ambiental na RMBH.
“Sem dúvida o crescimento demográfico e a explosão dos grandes
centros urbanos dos anos 60, 70 e 80 potencializaram os problemas, que foram
agravados pelo descaso que a área social teve no regime militar. A política
financeira habitacional dos anos 70, que subsidiou fortemente os usuários do
sistema (e as construtoras), foi praticamente orientada para a classe média”.
(SORJ, 2000, p.21).
A
urbanização em BH nas últimas décadas trouxe consigo, todos os problemas do
modelo de desenvolvimento oriundo da industrialização: Aumento da
impermeabilização do solo, aumento do carreamento de resíduos sólidos,
deterioração das águas superficiais e subterrâneas via esgotamentos
irregulares. Somam-se a esse quadro seus resultados: Acúmulo do lixo,
freqüentes enchentes e poluição dos rios e do lençol freático. As respostas
dadas a esses problemas, pelas administrações municipais de BH, em geral,
estiveram historicamente ligadas às concepções higienístas do século XIX.
As
tendências racionalistas, operadas pela planta urbana original de BH influíram
durante décadas nas políticas de saneamento e drenagem. Em parte, essa política
fora facilitada pela ideologia desenvolvimentista do Estado brasileiro. A
canalização dos córregos e rios transformando-os em receptores dos esgotos
domésticos e industriais são medidas que ocuparam e ocupam a agendas públicas
dedicadas a gestão dos recursos hídricos. BH adotou políticas públicas que
coadunam com essas inferências. Os antecedentes relacionados à política de
drenagem urbana, apresentados nas décadas de 70, 80 e 90 determinam uma solução
ortodoxa para o problema das enchentes no município e em sua RMBH.
Em 1975
foi apresentado pela Fundação João Pinheiro o “Plano Metropolitano de Águas
Pluviais e Proteção contra cheias RMBH”, o objetivo deste consistia no “levantamento
de dados, análise e proposições para concepção do sistema drenagem e controle
de cheias e de recomendações gerais para execução de trabalhos futuros”. Posteriormente
o PLANURBS (Plano de Urbanização e Saneamento de Belo Horizonte) elaborado
pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (SUDECAP) em 1979,
tornou-se o mais significativo em termos de impacto ambiental. O PLANURBS,
pautado na metodologia racionalista e higienista propôs:
“A
retificação e canalização de todos os cursos d’ água do Município, associando
as necessidades de implantação de interceptores de esgotos com empreendimentos
viários estruturantes (avenidas sanitárias) a serem implementadas pelas
municipalidades. Ate os dias atuais um número próximo de 200 km de cursos dágua foram submetidos a essa concepção técnica de canalização, associada à
urbanização dos respectivos fundos de vale que, quase sem exceção, receberam
via de tráfego do tipo avenida sanitária”. (CHAMPS, 2003, p.
5).
À execução
das políticas de drenagem urbana em BH acumulou vários problemas durante as
décadas seguintes a de 70. A industrialização acelerada e a ocupação
desordenada causaram impactos ambientais gravíssimos geraram desequilíbrios na
vazão das águas pluviais e uma degradação dos cursos d’ água no perímetro
urbano da capital, resultando em enchentes na área central, provocadas pelo
aumento da vazão das águas pluviais no Ribeirão Arrudas e pelos córregos do
Acaba-mundo e do Leitão. Obras para conter a vazão na jusante desses córregos
revelaram-se ineficientes e dispendiosas para o erário público. A barragem
construída para conter a vazão do Acaba-mundo rompeu-se 48 horas após sua inauguração
em março de 1975. A barragem Santa Lúcia, concebida para drenar as águas do
córrego do Leitão é assoreada em 2 anos e é utilizada como receptáculo do
esgoto oriundo da ocupação no montante da represa.
Em 1979 a canalização do Ribeirão Arrudas demonstra como a política de drenagem da prefeitura “(...)
desenvolvida com base no princípio hoje superado de que a melhor drenagem é a
que retira a água excedente o mais rápido possível do seu local de origem”
(MAGNA ENGENHARIA. Análise Integrada do sistema de Drenagem, 2001, p.13)
era insuficiente para o controle das enchentes no centro da capital. Em janeiro
de 1979 uma enchente tomou proporções catastróficas no centro de BH.
“As águas
do Arrudas chegaram na avenida Santos Dumont. Eu me lembro que estava no centro
de BH, poucas horas antes do inicio da chuva. Havia tomado o ônibus e passado
próximo ao rio para ir em direção a meu bairro. Lembro-me que as águas já
estavam agitadas. Quando cheguei em casa à chuva estava forte. Liguei a
televisão e vi aquela tragédia. A imprensa convocava os bombeiros que estavam
de folga naquele dia. A filha de um colega de trabalho do meu marido foi levada
pelas correntes da enchente próximo a ponte do perrela” 2 .
A visão particularista para a solução da questão das enchentes em um
determinado ponto da bacia desconsiderava até então os impactos no conjunto da
jusante do Ribeirão Arrudas.
“Na microdrenagem os projetos aumentam a vazão e esgotam todo seu
volume para jusante. Na microdrenagem a tendência é a canalização dos trechos
críticos. Este tipo de solução segue a visão particular de um trecho da bacia,
sem que as conseqüências sejam previstas para o restante da mesma ou dentro de
diferentes horizontes de ocupação urbana. A canalização dos pontos críticos
acaba apenas transferindo a inundação de um lugar para outro”. (MAGNA
ENGENHARIA. Análise Integrada do Sistema de Drenagem, 2001a, pp. 15-16).
Tais estratégias de drenagem urbana estão,
intimamente, ligadas a concepção higienista do século XIX, que avaliava como a
melhor medida para a questão da drenagem a evacuação mais rápida e eficiente
das águas pluviais do perímetro urbano:
“A política de controle das inundações, prevalecente no município
até fins do século XX, foi a evacuação rápida das águas, através do aumento da
velocidade dos escoamentos, obtidos através da retificação e revestimentos dos
leitos naturais dos cursos d’água.” (CHAMPS, 2003, p. 3).
Durante a
década de 90 novas tendências e temas – que até então estiveram no debate
marginal acerca do desenvolvimento urbano – começam a influenciar as abordagens
e teorias para as políticas públicas de saneamento e drenagem urbana. Essas
novas orientações para as políticas de desenvolvimento urbano encontraram na
mobilização da sociedade civil e no mote do desenvolvimento sustentável seu
marco inicial. Os debates estabelecidos acerca desses temas obedecem a uma nova
orientação: desenvolvimento sócio-econômico imbricado à proteção do meio
ambiente. Inaugurou-se uma nova fase, onde
se manifesta uma inédita consciência pública no tratamento da problemática
ambiental: meio ambiente saudável enquanto suporte de vida, e não apenas fonte
de recursos econômicos.
Em BH, onde partes significativas dos
cursos d’água estão degradados, retificados e canalizados faz com que a tarefa
prioritária seja, precisamente, a recuperação desses meios danificados, antes
que se produzam processos irreversíveis. Nessa
abordagem, critérios ecológicos são utilizados para a definição e a delimitação
das áreas industriais e para a localização das atividades poluidoras nas
principais regiões metropolitanas. As leis metropolitanas de zoneamento
industrial e de proteção de mananciais, os planos de loteamento e uso do solo
para a proteção de bacias hidrográficas e a mobilização das comunidades na
defesa do seu patrimônio ambiental (rios, córregos, matas, dentre outros) são
exemplos representativos dessas estratégias.
Nesse sentido, tanto a proteção e
valorização ambiental, face à crescente urbanização, como o manejo racional dos
recursos hídricos , assim como a potencialização de novas ofertas e
possibilidades ambientais adquirem uma influência extraordinária por meio dos
Planos Diretores de Drenagem Urbana, apoiado legalmente, no Estatuto das
Cidades. Assim é elaborado um plano de ação para equacionar os problemas
hídricos de BH, surge então como proposta o DRENURBS (programa
de Recuperação Ambiental e Saneamento de Fundos de Vale dos Córregos em Leito Natural).
Estabeleceu-se claramente, por meio desse
plano, a relevância que o meio ambiente tem assumido para definir as políticas
públicas para as cidades, bem como no melhoramento dos níveis de bem estar das
comunidades. Denota, também, uma reorientação da consciência ambiental, superando
a noção minimalista de preservação única e exclusiva dos recursos ambientais e
assenta-se na bem articulada tríade da saúde – meio ambiente – cidadania. A
necessidade de fazer com que o desenvolvimento econômico seja sustentado requer
uma sólida base ambiental, sobre a qual possa prever as futuras condições de
vida.
As administrações municipais de BH têm se
deparado com problemas de extrema gravidade com relação a sua política
ambiental, que versa necessariamente, sobre sua política de drenagem urbana,
adotada nas últimas décadas e a avaliação do impacto ambiental por elas
causadas no escoamento das águas pluviais. Existe atualmente na capital de
Minas Gerais, um nível prioritário de redução dos impactos negativos da
urbanização que obrigam, antes de qualquer coisa, a destinação de recursos e
esforços técnicos e organizativos para sua equação. Trata-se, pois, dos
problemas herdados da industrialização tardia e pelo crescimento desordenado,
cuja solução demonstra-se imediata para evitar a destruição irreversível de
todos os cursos d’ água em leito natural ainda existente na capital.
Cabe destacar, como uma preocupação
específica, no atual contexto ambiental de BH o manejo, disposição e tratamento
dos resíduos sólidos, aspecto no qual influi diretamente na capacidade de vazão
das águas pluviais nos aglomerados urbanos. Pode-se concluir com convicção que
este é um problema não resolvido e concomitante a maior “chagas” de que padece
as cidades: a pobreza. A miséria absoluta retrata a moderna degradação dos
centros urbanos.
“Embora a pobreza, no início dos anos 70, ainda fosse predominantemente
rural, a virada do século testemunha as cidades como principal ponto de pobreza
da América Latina e no Leste Europeu, sendo que o Leste Asiático fará essa
transição num futuro distante”. (SINGER, 1978a, p. 14).
Os assentamentos humanos precários -
(favelas, vilas e periferias) produzidos de tragédias sociais maiores, como a
migração interna para as cidades, causadas, por sua vez, na nossa história
recente, pelo desenvolvimento desigual, pelas secas ou pela atração em termos
de oportunidade - caracteriza-se unicamente por suas péssimas condições
ambientais e sanitárias. Os pobres são os usuários permanentes de um meio
ambiente degradado o que significa para eles água e esgoto insuficientes,
doenças, calor ou frio excessivo, ausência de coleta de lixo, postos de saúde e
escolas além de delinqüência, prostituição, desnutrição, desemprego, dentre
outros.
Nesse quadro caótico dos cinturões de
miséria a degradação dos cursos d’ água desempenha um papel nada secundário. A
pobreza deixa de ser um conceito meramente socioeconômico para mostrar sua face
real e concreta: as favelas, as vilas e periferias que se concentram ao longo
dos cursos d’ água em ocupações irregulares e insalubres pela falta de uma
infra-estrutura básica de equipamentos de saneamento público. Um dos exemplos
clássico de BH são as comunidades dos bairros que se edificaram ao longo da
calha do Ribeirão do Onça (bairro Ribeiro de Abreu) e as comunidades do
aglomerado Santa Lúcia, no montante da barragem que recebe o mesmo nome na região
sul e se estruturou na bacia do Córrego do Leitão, essas figuram como áreas de
alta criticidade social e ambiental.
Outra questão fundamental tanto no aspecto
social, quanto no ambiental, compreende todo o campo de avaliações dos impactos
da exclusão dos cursos d’ água do cenário urbano de BH e a má utilização desses
recursos enquanto receptores de esgoto doméstico e industrial. Trata-se nesse
aspecto, considerar, sobretudo, que o cenário ambiental da capital do século
XXI é um subproduto da debilidade dos projetos passados de gestão dos recursos
hídricos do município.
O caráter, essencialmente, estrutural dos
projetos de drenagem urbana, desconsiderou seu impacto global sobre o meio
ambiente, buscando equacionar de maneira imediata os problemas relacionados às
inundações, sem uma prevenção sobre as degradações futuras. A incompreensão
básica a respeito do emprego de políticas de drenagem, como a canalização e
retificação dos cursos d’ água no perímetro urbano da capital e seu impacto
ambiental resulta tanto em perdas ambientais como econômicas em virtude das
enchentes. Entretanto, a relevância econômica nos projetos de industrialização
e urbanização tem sido considerada primordial em detrimento dos seus impactos
ambientais. Em países em desenvolvimento, como no nosso caso, raramente se
considera que um projeto de urbanização regional e local seja concebido sem o
ponto de vista de seu impacto sobre o conjunto da economia, ficando marginalizada
a discussão acerca do seu impacto ambiental.
O caminho encontrado para solucionar essa
questão foi conduzir a uma mudança fundamental nas políticas de urbanização de
maneira a responder satisfatoriamente as comunidades atingidas diretamente
pelas inundações, mas buscando solidificar uma política ambiental capaz de criar
uma consciência pública de preservação do conjunto de recursos naturais da
cidade. Palavras como gestão democrática, mobilização, impacto ambiental,
cidadania, saúde, dentre outras, ocupam as teorias e debates sobre as políticas
de drenagem, esgotamento e abastecimento na cidade. A possibilidade de fazer
políticas ambientais, que contemplem, tanto o desenvolvimento econômico, como a
preservação do meio, consolidando uma base ambiental para gerações futuras
(fundamentalmente, no caso do DRENURBS, recuperando e conservando os rios e
córregos de BH que ainda se encontram em leito natural) são o foco de concepção
viabilizado pelos Planos Diretores.
“Obrigatório para cidades com mais de 20 mil
habitantes, o Plano Diretor passa a ser exigido também para as cidades
integrantes das áreas especiais de interesse turístico e para aquelas
influenciadas por empreendimentos ou atividades com significativo impacto
ambiental”. (MIRANDA, 2001, p. 11).
No caso de BH, o antecedente histórico a
enquadra em dois parâmetros para consecução de seu plano diretor. O primeiro e,
mais óbvio, é com relação a sua população. A explosão demográfica a partir da
década de 70, que reflete mais três milhões de habitantes em BH e RMBH, criou
pressões significativas sobre a infra-estrutura de serviços públicos. O segundo
versa sobre o impacto ambiental causado pela atividade industrial. A exploração
predatória de minério de ferro, por décadas, perpetrado pelo MBR na encosta da
Serra do Curral é uma experiência significativa em termos de impacto negativo
sobre o meio ambiente urbano. Não podemos ignorar também a construção de uma
série de plantas industriais concebidas sem o efetivo estudo sobre o destino de
seus resíduos. O córrego do Cachoeirinha (localizado na região nordeste da
cidade) foi e é um exemplo claro da utilização de córregos e rios como
receptáculo do esgoto industrial. A fábrica de tecidos que opera nas suas
margens, lançou e lança em suas águas, toneladas de produtos químicos
utilizados em sua produção. O uso desregrado do solo, sem uma racionalização de
seu parcelamento e ocupação, também figura como potente catalisador da
degradação das águas no plano urbano de BH.
Reflete-se nesse quadro ambiental caótico,
todos os problemas de saúde pública da cidade, denotando, fielmente, como a
degradação do meio ambiente resulta em condições sociais perversas,
principalmente para os pobres. Portanto a análise dos elementos que viabilizam
a degradação das águas, como prevê o Programa DRENURBS, justifica-se em termos
da sua contribuição para a introdução de uma nova teoria e práxis na gestão das
águas no plano urbano de BH e RMBH.
1.1 - O
contexto histórico de elaboração do Plano Diretor de BH. O marco legal de
concepção do DRENURBS.
As
mobilizações pela restauração do Estado democrático e a elaboração da
Constituição em 1988 colocou a emergência de resolução dos problemas urbanos,
com o objetivo de regular as atividades dos diversos agentes privados e
públicos nas cidades, garantindo a gestão democrática no plano das políticas
públicas para o meio urbano. A Constituição de 1988, portanto, tornou-se o
marco legal na mudança de abordagem das políticas de gestão urbana ao impor a
elaboração dos planos diretores para cidades com mais de 20 mil habitantes.
Assim
sendo, surgem legislações mais específicas, como por exemplo, a Lei Orgânica do
Município de BH que atribui um capítulo a questão da política urbana. A lei de
nº 7.165 de 27 de Agosto de 1996 outorgou o Plano Diretor da capital e
contemplou questões relacionadas ao uso, ocupação e parcelamento do solo, as
edificações compulsórias, IPTU progressivo, usucapião e, fundamentalmente, às
relacionadas à gestão dos recursos hídricos no plano urbano: a despoluição e
tratamento de cursos d’ água em leito natural e fundos de vale, instalação de interceptores
e estações de tratamento de esgotos, bacias de sedimentação, recuperação de
áreas erodidas, controle ambiental e hidrológico. Estabelecendo estratégias de
desassoreamento, tratamento, interceptação das águas de esgoto despejadas nos
cursos d’água urbanos e a instalação de equipamentos de lazer, turismo e
educação ambiental.
Tal
concepção inclui dois novos rumos da política urbana: Tratamento
multidisciplinar na resolução dos impactos negativos das inundações e ação
política e participação social (CHAMPS, 2003d, p.7). Sobre esse tratamento
podemos destacar uma preocupação do DRENURBS em priorizar metas de
desenvolvimento nos níveis de política de saúde vinculadas às condições
ambientais urbanas como a qualidade do ar e da água e as demais condições
sanitárias. No plano de políticas de ação social são expressas diretrizes de
participação de todos os segmentos sociais organizados e o tratamento
multidisciplinar, planejado e integrado, aos demais sistemas de saneamento
urbano de BH vinculando-os ao plano de drenagem. E na educação, a ênfase e dada
à mudança de consciência ambiental da população – que via de regra ao ser
atingidas pelas cheias dos rios e córregos solicita sua canalização – mediante
a criação de programas de cooperação e apoio nas comunidades, bem como na
criação de equipamentos públicos de lazer e educação ambiental.
Nesse
sentido podemos avaliar o DRENURBS dentro de uma ação coletiva construída a
partir da “mobilização de recursos” focalizando uma estratégia específica
visando um objetivo comum (MUNCK, 2000) – reduzir os efeitos negativos das
inundações sem necessariamente recorrer à canalização dos cursos d’ água que já
se revelou insuficiente no tratamento da questão. Essa estratégia de
mobilização de recursos – típica da abordagem da escola norte-americana de
estudo dos movimentos sociais – pode ser observada em alguns pontos do DRENURBS
como: ampliação do princípio poluidor X pagador; fortalecimento institucional
da prefeitura; obtenção de financiamento junto a agências multilaterais (BID –
Banco Interamericano de Desenvolvimento); e um ponto que considero fundamental,
envolver a participação social. Sobre esse último aspecto as recentes
experiências políticas em BH, têm dado exemplos para o restante do país.
O
Orçamento Participativo, implementado pela administração de Patrus Ananias em
BH, correspondeu a uma ação democrática que visava romper com a democracia
representativa. O mais importante dessa experiência é suscitar um novo tipo de
Estado que estabeleça uma relação diferente entre governantes e governados,
envolvendo uma nova noção de cidadania e de democracia que supere a
incapacidade política-administrativa das democracias representativas de corte
liberal em incorporar as demandas das camadas populares (SADER, 2002). Constroem
como demonstram a boa tradição habermasiana, espaços públicos autônomos,
transformando o Estado em um ente coletivo a serviço das comunidades, rompendo
com a essência privatista que o tem dominado até os dias atuais (HABERMAS,
1990).
A
partir dessas ações o DRENURBS deverá responder positivamente a muito mais dos
que a questão relacionada ao planejamento urbano, será um indutor do processo
de descentralização do poder decisório com relação às políticas públicas e de
acesso à cidadania, articulando com esse último à saúde e o meio ambiente.
Essas ações já apresentam algumas preocupações
quanto à preservação ambiental e sua importância para aumento nos níveis de
qualidade de vida das comunidades. A proposta de revitalização e saneamento
dos fundos dos vales significa, antes de qualquer coisa, combater a poluição
das águas em todas as frentes: na coleta seletiva do lixo que reduziria o
carreamento de resíduos sólidos pelas águas pluviais, diminuição na emissão de
poluentes, na redução da impermeabilização do solo e na elaboração de plantas
industriais que contemplem de maneira clara o tratamento dos resíduos gerados
pela sua linha de produção. As disposições quanto a esse tipo de ação não
restringem apenas aos fundos de vale e sim ao conjunto das bacias de drenagem.
A estratégia de reverter a degradação que afeta quase todos os cursos d’
água existentes em leito natural em BH e RMBH é adotada com vistas à obtenção
de dois resultados: re-naturalização desses cursos d’ água e a sua inserção na
paisagem urbana e consolidar uma nova concepção de gestão das águas circulantes
no meio urbano. O desenvolvimento e a eficácia desses objetivos ficaram
condicionados, principalmente a regulação do uso e ocupação do solo que a Lei
Orgânica do município definirá as diretrizes de zoneamento da cidade. Os locais
especiais de urbanização preferencial, de re-urbanização, de urbanização
restrita, de regularização de programas habitacionais, de transferência do
direito de construir e de preservação ambiental (GUIMARÃES & TEIXEIRA,
1996) com isso diminuindo a impermeabilização do solo.
1.2 –
Conclusão.
Abordando o processo de discussão e negociação do Plano Diretor de
BH e seu instrumento de transformação ambiental: o projeto DRENURBS – que
envolve interesses de toda ordem – podemos concluir que se trata de uma nova
abordagem na gestão do espaço urbano que busca estabelecer a função social das
cidades por meio de estratégias que dimensionam os espaços públicos em suas
funções econômicas, culturais, políticas e ideológicas.
Essas
condições outorgam o uso correto e racional da infra-estrutura urbana,
considerando o desenvolvimento econômico socialmente ajustado as questões
ambientais e espaciais, valorizando a formação de referenciais urbanos que
objetivam a preservação do patrimônio cultural e ambiental, ao mesmo tempo em
que potencializa condições de ampliação dos bens materiais das comunidades.
Significa dizer que, em todas as suas facetas, e vistas sob qualquer
ângulo, às políticas públicas obrigatoriamente devem contemplar princípios
básicos que comportem valores que orientem os planos nacionais, os setoriais e
os locais, tanto públicos, quanto privados.
Os Planos Diretores ao dedicarem um capítulo à questão do Ambiente
possibilitam a construção estratégica de princípios (compromissos), diretrizes
e sistemas de gestão, dos quais se originam programas estratégicos compostos
por projetos multidisciplinares, ações institucionais imediatas e recomendações
sociais advindas das mobilizações das comunidades. Esses elementos,
devidamente consolidados, destinam-se a oferecer às cidades, através da ação
integrada do poder público e da sociedade civil organizada, as condições
macro-ambientais necessárias à qualidade de vida.
“(...) estabelece uma aliança com as
gerações futuras, pois se refere à necessidade de buscarmos um novo estilo de
desenvolvimento, que não se baseie na cópia de modelos socialmente injustos e
ecologicamente inviáveis. Que submeta as diretrizes desse desenvolvimento a
padrões éticos bem definidos.” (BENJAMIM, César
[et.al], 1998, p. 151).
Viabilizando, portanto, a disponibilidade institucional, legal e técnicas
necessárias para:
·
Realizar o desenvolvimento sócio-econômico, rompendo com
a lógica de mercado capitalista;
·
Propiciar a inserção de atores sociais com interesses
diversos e conflitantes no processo de formulação e implementação das políticas
públicas;
·
Garantir a preservação e a reabilitação dos seus
recursos naturais presentes nas áreas urbanas.
Para que tal
estratégia se efetive e traduza em ações positivas e dinâmicas na busca da
distribuição equânime dos benefícios gerados pela urbanização, o poder público
buscou pautar-se em instrumentos de gestão flexíveis e democráticos que
envolvessem todos os setores organizados ou não da sociedade civil. Estratégias
como descentralização dos processos decisórios, parcerias público-privado e
participação popular passaram a ocupar a agenda das políticas públicas em BH.
“O compromisso com a democracia ampliada. (...) Para a refundação do
sistema político brasileiro em novas bases, amplamente participativas e
verdadeiramente plurais, nas quais se inclui o resgate da dignidade da função
pública em todos os níveis. Democracia, para nós, não é palavra vazia: é método
e meta, forma e conteúdo, processo e projeto.” (BENJAMIM, César [et.al], 1998a,
p. 151).
Essa
nova abordagem destoa uma concepção de cidade tal qual fora concebido
originalmente – como o espaço da cidadania – assim sendo, podemos caracterizar
os Planos Diretores e, por conseguinte o DRENURBS como um instrumento
importante para a sociedade, envolvida no processo de gestão urbana, que visa à
plena realização dos desejos das comunidades (TEIXEIRA & GUIMARÃES, 1996)
ajustados às demandas ambientais e econômicas futuras.
Um
dos aspectos positivos a ser destacado no escopo do DRENURBS é a ênfase dada ao
envolvimento das comunidades ribeirinhas, atingidas negativamente, pelas cheias
potencializadas pela retificação e revestimento dos córregos e rios da capital
e RMBH. Essa participação demonstra uma nova orientação da agenda pública nas
cidades que busca romper com os determinismos macroeconômicos que delimita e
relega em segundo plano a participação popular no processo decisório das
políticas públicas, tendo em vista que as políticas sociais são vistas como
acessórias e compensatórias aos efeitos negativos gerados pelas políticas de
ajustamento macroeconômico.
Isso
condiciona uma nova visão da relação entre os atores políticos tanto nos
governos, quanto na sociedade civil que obedecem a regras modernas e
democráticas. Democráticas, por universalizar a participação da sociedade.
Modernas em virtude de contemplar novas demandas da sociedade e não estar mais
na esteira de reivindicações por direitos trabalhistas irrestritos, catalisador
da luta de classes nas sociedades industriais. Construindo os seguintes
resultados: uma política de gestão dos problemas da cidade, particularmente o
que versa sobre as inundações, propondo medidas que atenda a uma maior
eficiência político-administrativa das ações públicas dedicadas à estrutura
urbana e uma ampliação dos direitos de cidadania diretamente proporcional à
diminuição das desigualdades sociais.
Notas finais
Referências
Bibliográficas:
BELO HORIZONTE. Plano
Diretor de Belo Horizonte. Disponível em: http://www.estatutodacidade.com.br/leis/bh_planodiretor.dot
. Acesso em: 15/02/2004.
BELO
HORIZONTE. Lei de Uso e Ocupação do Solo. Disponível em: http://www.estatutodacidade.com.br/leis/bh_parcelamento_solo.dot.
Acesso em: 15/02/2004
CHAMPS, José Roberto. Drenurbs: A reabilitação
ambiental das águas de Belo Horizonte. Belo Horizonte, Revista Pensar BH
Política Urbana e Ambiental, set. 2003, pp. 4-11.
FUNDAÇÃO JOÃO
PINHEIRO. Saneamento Básico em Belo Horizonte: Trajetória em 100 anos - os serviços de água e esgoto. Belo Horizonte, 1997.
LE VEN, Michel Marie & NEVES, Magda de Almeida.
Trabalho e Sindicato, Cidade e Cidadania (1897-1990). In. Belo
Horizonte: poder, política e Movimentos sociais. Belo Horizonte: Ed. Arte,
1996, pp. 78-105
MAGNA ENGENHARIA. Análise Integrada do Sistema de
Drenagem. Belo Horizonte: SUDECAP, 2001.
MIRANDA, Sérgio. O Estatuto das Cidades. Uma nova
feição social ao Brasil urbano. Brasília: Gab. Dep. Sérgio Miranda. 2001.
MORAES, Antonio
Carlos R. Meio Ambiente e Ciências Humanas. São Paulo: Hucitec, 1994.
MUNCK, Geraldo L. “Formação
de atores, coordenação social e estratégia de política: problemas
conceituais estudo dos movimentos sociais.”, Dados – Revista de
ciências sociais, Rio de Janeiro, IUPERJ, v. 40, n. 1, 1997, pp. 105 –
125.
MUSEU HISTÓRICO
ABÍLIO BARRETO. Belo Horizonte: Memória Histórica e Descritiva-História
Antiga e Média. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, Centro de Estudos
Históricos e Culturais, 1995. 2 volumes ilustrados
RAMOS, M. H. D. Drenagem
Urbana: aspectos urbanísticos, legais e metodológicos em Belo Horizonte . Belo
Horizonte: 1998.
SINGER, Paul. O Caráter histórico das migrações
internas. In. Economia Política da Urbanização. São Paulo: Brasiliense,
5ª ed., 1978.