ISSN 1678-0701
Número 66, Ano XVII.
Dezembro/2018-Fevereiro/2019.
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04/12/2018EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM SAÚDE: ESTUDO DOS CASOS DE LEPTOSPIROSE NOTIFICADOS NA PARAÍBA (2015 A 2017)  
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EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM SAÚDE: ESTUDO DOS CASOS DE LEPTOSPIROSE NOTIFICADOS NA PARAÍBA (2015 A 2017)

Ana Carla da Silva Rodrigues1; Hermes Diniz Neto2; Raquel Vieira Bezerra3; Heloísa Mara Batista Fernandes Oliveira4, Raline Mendonça dos Anjos5, Abrahão Alves de Oliveira Filho6*

1Aluna de Graduação em Ciências Biológicas, Universidade Federal de Campina Grande. e-mail: anacarlarodrigues18@hotmail.com.

2Aluno de Doutorado em Farmacologia, Universidade Federal da Paraíba e-mail: hermes.dn@hotmail.com.

3Aluna de Graduação em Ciências Biológicas, Universidade Federal de Campina Grande. e-mail: raqquelvieir62@gmail.com.

4Doutora em Farmacologia, Hospital Universitário Ana Bezerra, Universidade Federal do Rio Grande do Norte. e-mail: heloisambf@gmail.com.

5Doutora em Farmacologia, Universidade Federal de Campina Grande. e-mail: raline.anjos@gmail.com.

6Doutor em Farmacologia, Universidade Federal de Campina Grande. e-mail: abrahao.farm@gmail.com.

Resumo: Leptospirose é uma doença infecciosa com maior incidência nas regiões tropicais sendo frequente em países subdesenvolvidos. O objetivo deste estudo foi executar uma análise dos casos referentes a leptospirose notificados no estado da Paraíba no período de 2015 a 2017. Realizou-se um estudo descritivo, quantitativo, retrospectivo epidemiológico dos casos relativos a leptospirose notificados no estado da Paraíba de 2015 a 2017 com dados provenientes do Sistema de Informação de Agravos Notificados (SINAN). Foi possível verificar um total de 1162 casos de leptospirose para a região nordeste durante o período estudado, a Paraíba ocupou a sétima posição apresentando 28 (2,4%) casos confirmados. Houve predominância de registros confirmados para o gênero masculino (82%), idade entre 20 e 39 anos (50%), proveniente da zona urbana (89%). Sendo notável grande deficiência quanto ao preenchimento das fichas para a variável escolaridade com destaque para o item ignorado ou branco (46,42%). O método diagnóstico clínico-laboratorial demonstrou maior acurácia (82%). Das pessoas infectadas, 82% obtiveram a cura e 11% foram a óbito. Desta maneira, a leptospirose continua sendo uma doença bastante presente em toda a região Nordeste, salientando assim a relevância da educação ambiental em saúde e da melhoria das condições sanitárias locais.

Palavras-chave: Educação ambiental; leptospirose; SINAM, vigilância epidemiológica.

Abstract: Leptospirosis is an infectious disease with a higher incidence in tropical regions and is frequent in underdeveloped countries. The objective of this study was to perform an analysis of the leptospirosis cases reported in the state of Paraíba in the period from 2015 to 2017. A descriptive, quantitative, retrospective epidemiological study of leptospirosis cases reported in Paraíba was carried out from 2015 to 2017 with data from the Notified Disease Information System (SINAN). It was possible to verify a total of 1162 cases of leptospirosis for the northeast region during the period studied, Paraíba occupied the seventh position presenting 28 (2,4%) confirmed cases. There was a predominance of confirmed records for males (82%), aged between 20 and 39 years (50%), from the urban area (89%). A notable deficiency was the filling of the records for the educational variable, with emphasis on the ignored or white item (46, 42%). The clinical and laboratory diagnostic method showed a higher accuracy (82%). Of the infected persons, 82% were cured and 11% died. In this way, leptospirosis remains as a very present disease throughout the northeast, thus highlighting the relevance of environmental education in health and the improvement of local health conditions.

Keywords: Environmental education, epidemiological surveillance; leptospirosis, SINAN.

Introdução

Percebeu-se já na Grécia antiga a relação existente entre condições precárias provocadas por fatores ambientais e sua influência sobre o aparecimento de doenças epidêmicas, e desde então houve movimentos sanitaristas. Porém, o declínio desta cultura acarretou o desaparecimento dos costumes urbanos e das práticas de saúde pública que só reapareceram no período de revolução industrial, mas sem promover ações que fossem efetivas para todos (RIBEIRO, 2004).

A educação ambiental tem importante papel no que se refere à tomada de consciência do individuo em suas ações para com o meio ambiente, e diante deste contexto, a educação ambiental pode influenciar diretamente na redução dos transtornos causados pela ausência de saneamento básico e destinação incorreta do lixo. A Política Nacional de Educação Ambiental instituída pela Lei nº 9795/1999, afirma que a educação ambiental é responsável pela construção de conhecimentos, atitudes, competências e valores sociais que visem a conservação do meio ambiente, o que é fundamental para a boa qualidade de vida e saúde (BRASIL, 1999).

O saneamento básico é de extrema importância, pois reflete na qualidade de vida e consequentemente na saúde pública reduzindo as doenças. Contudo, mais de um bilhão de pessoas no mundo não tem alcance aos serviços básicos de saúde. O saneamento adequado garante o combate e a prevenção de doenças e a sua falta representa um agravante crucial nas manifestações de inúmeras patologias (RODRIGUES et al., 2017).

O processo de urbanização descontrolado é característico de países subdesenvolvidos e ocasionou enormes impactos na saúde dos indivíduos, transtornos como serviços básicos de saneamento falho, coleta e destinação inadequada de lixo, habitação inapropriada, todos estes problemas diretamente ligados a pobreza e ao subdesenvolvimento (GOUVEIA, 1999).

A leptospirose é uma doença bacteriana aguda que tem como principal agente etiológico Leptospira interrogans, mas pode ser causada por diferentes espécies do gênero Leptospira. A bactéria é proveniente de animais, mas pode afetar o ser humano o qual se contamina pelo contato com a urina do rato (Rattus norvergicus), seu reservatório principal (PINNA et al., 2010).

A leptospirose é uma enfermidade de distribuição mundial em áreas urbanas, silvestres e rurais e é tida como a zoonose mais difusa do planeta. No entanto, é prevalente em regiões de clima tropical e com índice pluviométrico mais alto, apresentando mais de 200 sorotipos distribuídos em 19 grupos (DA ROCHA CALADO et al., 2017).

Por se tratar de uma patologia cujo interesse social e econômico é alto devido ao seu elevado custo de tratamento, dificultando o acesso a terapia eficaz, e por sua manifestação estar bastante atrelada a condição ambiental, esta doença ocorre mais frequentemente em determinadas áreas, sobretudo aquelas de países subdesenvolvidas (DO AMARAL, 2017).

Fatores como presença de água, lixo e roedores contaminados são os que mais predispõem à manifestação de casos humanos de leptospirose (ARAUJO, 2013). Desta forma, a leptospirose tem sido relacionada com atividades de trabalho que demonstrem exposição a estes fatores, aliados a baixas condições de saneamento básico (COSTA et al., 2000).

O homem se contamina através da urina de animais infectados e comumente ocorre pelo contato com águas contaminadas, e a penetração da bactéria acontece por intermédio da pele lesionada e mucosas, sendo possível acontecer também se houver longo tempo de contato com a água contaminada mesmo com a pele íntegra, como é o caso de esgotos urbanos a céu aberto. Seu período de incubação tem uma média de 7 a 14 dias, mas pode variar entre 1 e 20 dias (ARAUJO, COUTO, 2013).

Clinicamente, a leptospirose pode apresentar-se de duas maneiras: Na forma anictérica, exibindo manifestação mais leve da doença como febre, dor de cabeça e nos músculos, náuseas e vômitos; e na forma ictérica, onde o paciente pode apresentar falência múltipla de órgãos, hemorragia pulmonar e comprometimento hepático e renal, conhecida também como síndrome de Weil, onde cerca de 10% dos acometidos tendem a evoluir para a forma mais grave (DE MEDEIROS CIRILO et al., 2017).

Após a conferência de Ottawa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1986, foi ditado o conceito de promoção de saúde, deixando claro que um dos mais imprescindíveis fatores determinantes da saúde está estritamente associado as condições ambientais (BRASIL, 2006).

Tendo em vista todo o exposto, o presente trabalho tem como objetivo executar uma análise dos dados epidemiológicos referentes a leptospirose notificados no estado da Paraíba no período que se estende de 2015 a 2017.

Metodologia

Foi efetuado um estudo descritivo, quantitativo, retrospectivo epidemiológico dos casos de leptospirose notificados no estado da Paraíba, no período de 2015 a 2017.

A Paraíba está localizada no leste da região nordeste, é dividida em quatro mesorregiões, possuindo 23 microrregiões e 223 municípios. Conta com uma população de mais de quatro milhões de habitantes e é o décimo terceiro estado mais populoso do Brasil (IBGE, 2018).

Sucedeu-se a investigação e avaliação dos informes contidos no banco de dados oficial do sistema de agravos de notificação (SINAN), disponível no sitio eletrônico do departamento de informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS).

As variáveis investigadas foram: Gênero, faixa etária, escolaridade, zona de residência, evolução da doença e método diagnostico. A coleta de dados foi realizada no mês de maio de 2018. Para as análises exploratórias dos dados e construção dos gráficos e tabelas utilizou-se o programa Microsoft Excel® versão Office 2010.

Resultados e Discussão

Quando avaliada a distribuição de casos de leptospirose entre os estados do Nordeste durante os anos de 2015 a 2017, foi possível constatar um total de 1162 casos. O estado que exibiu o maior número foi o Pernambuco contando com 496 (42,69%) do total. Em contrapartida, o estado com menor número de casos foi o Piauí com apenas 4 (0,34%). A Paraíba ocupou a sétima posição incluindo 28 (2,4%) dos casos notificados (Tabela 1).

Tabela 1 - Número de casos de leptospirose notificados na Região Nordeste do Brasil no período de 2015 a 2017.

Localização

Casos notificados

(%)

Pernambuco

496

42,69%

Bahia

250

21,52%

Alagoas

116

9,99%

Ceará

100

8,61%

Sergipe

87

7,48%

Maranhão

55

4,74%

Paraíba

28

2,40%

Rio Grande do Norte

26

2,23%

Piauí

4

0,34%

Total

1162

100%



Dos 28 casos notificados na Paraíba entre 2015 e 2017 foi possível notar uma prevalência maior de casos para o gênero masculino simbolizando 82% do total, ficando o gênero feminino representado por apenas 18% como é possível verificar no (Gráfico 1).

Gráfico 1: Percentual de leptospirose por Gênero na Paraíba no período de 2015 a 2017.

No que se refere à distribuição da doença com base no gênero, a maior parte dos estudos retratou maior prevalência para o gênero masculino. Nos estudos analisados por Pelissari et al. (2011) foi demonstrado para o sexo masculino valor superior a 80% dos casos. Andrade e Brandão (1987) acreditam que este fato esteja correlacionado a maior participação dos homens em práticas que favorecem o contato com as fontes de infecção como animais domésticos de produção e silvestres, a saber: cães, bovinos, suínos, equinos, ovinos, caprinos, gambás, racuns e raposas.

Por se tratar de uma doença que está diretamente ligada a falta de saneamento básico e ao descarte de lixo em locais inadequados, foi apontada uma incidência maior de casos de leptospirose entre as idades de 20 a 39 anos (50%) e em segundo lugar, os de 40 a 59 anos (32,14%), o que possivelmente pode estar atrelado ao fato de que tal parcela da população desempenha a maior parte das atividades laborais de risco (Tabela 2). De acordo com Araujo et al. (2013) algumas atividades e profissões oferecem maior risco de contaminação, são elas: trabalhar em esgotos, lavouras de arroz e cana-de-açúcar, pecuaristas, tratadores de animais, magarefes, garis, mineiros, feirantes, pescadores, militares, veterinários entre outros.

Tabela 2 - Casos notificados de leptospirose por Faixa etária na Paraíba no período de 2015 a 2017.

Faixa etária

Casos notificados (%)

10 a 14 anos

7,14%

15 a 19 anos

7,14%

20 a 39 anos

50%

40 a 59 anos

32,14%

65 a 69 anos

3,58%

Total

100%



A idade e o gênero não são fatores alusivos ao risco de adoecimento por leptospirose, no entanto, é possível que indivíduos de determinado gênero ou faixa etária fiquem mais expostos durante a ocorrência de surtos, o que influencia a incidência estratificada (PAPLOSKI et al., 2013). Em todo o mundo a ocorrência da doença é mais comum em indivíduos com idade entre 30 e 50 anos, constatando-se o aumento dos riscos de infecções mais graves com a elevação da idade (DIAS et al., 2007).

De acordo com os dados avaliados, é possível perceber carência de preenchimento no que se refere às fichas de acusação dos casos por escolaridade, com notoriedade para o item ignorado ou branco que contou com 46,42% dos casos descritos (Tabela 3). Esse quadro torna clara a lacuna existente na capacitação efetiva dos profissionais que lidam com o preenchimento destas fichas, podendo comprometer as conclusões, já que se trata de uma doença infecciosa e estes dados auxiliam na adoção de medidas de controle.

Tabela 3 - Casos notificados de leptospirose de acordo com a escolaridade na Paraíba no período de 2015 a 2017.

Escolaridade

Casos notificados (%)

Ignorado/Branco

46,42%

1ª a 4ª série incompleta do ensino fundamental

7,14%

5ª a 8ª série incompleta do ensino fundamental

14,29%

Ensino fundamental completo

17,86%

Ensino médio completo

14,29%

Total

100%



Nos dados observados não é possível identificar associação entre a incidência da doença e a formação escolar. Dias et al. (2007) também encontrou correlação positiva entre a infecção por Leptospira e o baixo nível educacional.

Vasconcelos, et al. (2012) havia demonstrado previamente a relação entre o grau de escolaridade e as chances de ocorrer leptospirose, onde os indivíduos de menor escolaridade apresentavam maiores chances de estarem contaminados. Isto ocorreria pelo motivo de que esta população normalmente se encontraria em locais de péssima infraestrutura e limitado ou nenhum acesso a serviços de saúde, o que agravaria as situações em casos de epidemias.

O nível de escolaridade está intimamente relacionada a outras variáveis como o poder aquisitivo, que se interconectam com outros fatores que ilustram um panorama generalizado sobre os grupos mais susceptíveis à esta doença. Figueiredo, et al. (2001) demonstrou que a vulnerabilidade de grupos mais pobres estavam associados às condições sanitárias de habitação que facilitavam a transmissão da leptospirose, e difícil acesso a serviços de saúde de qualidade que poderia evitar ou controlar a disseminação da infecção, perfil este que também é encontrado na população de baixa escolaridade.

É sabido que a ausência da compreensão e conhecimento sobre o agente infeccioso e sobre a doença esta associada a um déficit na educação ambiental da população com baixo grau de escolaridade. Nos estudos realizados por Mesquita et al. (2016), 57% dos entrevistados apresentavam ensino fundamental incompleto, explicando que um maior grau de escolaridade reflete em uma elevação do senso crítico acerca de atitudes que podem ser danosas ao meio ambiente.

Então quando falamos de educação ambiental em saúde, nos é remetida de maneira fundamental a necessidade da articulação entre condições como expectativa de vida, renda, grau de instrução, avaliação do estado de saúde, valorização do conhecimento, boa qualidade de serviços e recursos, bem como redes sociais de apoio (ANDRADE JÚNIOR; SOUZA, BROCHIER, 2004).

A zona urbana registrou um número de casos muito superior (89%) se comparado com a zona rural (11%), o que pode estar relacionado ao agregado populacional associado à falta de saneamento e acúmulo de lixo nas áreas urbanas (Gráfico 2).

Gráfico 2 - Percentual de leptospirose por Zona de residência na Paraíba no período de 2015 a 2017.

A leptospirose é uma doença com prevalência em áreas urbanas, pois é nela que ocorrem as inundações provocadas pelas chuvas, ausência de saneamento básico, esgoto a céu aberto e lixões próximos a córregos favorecendo o contato com águas contaminadas, assim como a ocorrência de surtos epidêmicos (GENOVEZ, 2009; OLIVEIRA, GUIMARÃES, MEDEIROS, 2009).

Também vale salientar o caráter sazonal da leptospirose nestes grandes centros urbanos, como comentado por Magalhães, Zanella, Sales, (2009), onde observaram um aumento na incidência de leptospirose durante os períodos de maior ocorrência de chuvas em Fortaleza - CE. Este caráter sazonal se espalha para outras regiões, como documentado por Sampaio, et al. (2011) que também observou maior frequência de leptospirose em períodos chuvosos em Rio Branco - AC. Isto ocorre pelo acúmulo de água que acaba por facilitar a transmissão de vetores contaminados, fato este que por sua vez também é influenciado pelos hábitos ambientais populacionais sobre a disposição correta de lixo, sobretudo em regiões de infraestrutura carente (GUIMARÃES, et al. 2014).

Fato este que é agravado pela geografia da região, onde locais propícios a serem inundados em períodos de chuva estariam mais susceptíveis a surtos da doença, especialmente se estiverem sob influência de fatores negativos como os já citados (TASSINARI, et al. 2004).

É de extrema importância o tratamento inicial da infecção por leptospirose antes que ela se manifeste na sua forma mais grave, levando a morte. A antibioticoterapia é o método de tratamento mais indicado de acordo com o ministério da saúde e sua efetividade se dará principalmente se for ministrado nos primeiros quatro dias, sendo os antibióticos mais recomendados: penicilina, doxiciclina, tetraciclinas, eritromicina, ampicilina, amoxicilina e estreptomicina (BRASIL, 2009; SAMPAIO et al., 2011; DA ROCHA CALADO et al., 2017).

Relativo a evolução da doença, é pertinente destacar que 82% dos casos das pessoas infectadas obtiveram a cura, em contrapartida, 11% foram a óbito pela leptospirose (Gráfico 3).

Gráfico 3: Percentual da leptospirose de acordo com a Evolução da doença na Paraíba no período de 2015 a 2017.

Quanto a metodologia utilizada para o diagnóstico da leptospirose foi possível notar que 82% dos casos foram diagnosticados com base em dados clínicos e laboratoriais, enquanto que 11% utilizaram apenas dados epidemiológicos atrelados a clínica para elaboração do diagnóstico. Isto deve ser atribuído ao fato desta patologia possuir um quadro clínico bastante diverso e inespecífico (Gráfico 4).

Gráfico 4: Percentual de leptospirose de acordo com o método diagnóstico da doença na Paraíba no período de 2015 a 2017.

O diagnóstico laboratorial para a leptospirose se baseia em métodos diretos de cultura e técnicas de biologia molecular, e métodos indiretos de detecção de anticorpos específicos, porém, a escolha do método e do material biológico irá depender do tempo de evolução da doença. Pelo fato de a leptospirose possuir quadro clínico inicialmente inespecífico, os exames laboratoriais tem importante destaque no seu diagnóstico (SAMPAIO et al., 2011).

De acordo com Souza, Nogueira e Pereira (2007), é possível observar em alguns trabalhos conflitos diagnósticos existentes entre a leptospirose, dengue e hepatite viral devido a existência de similaridade do quadro clínico e de sua sazonalidade, o que se torna um obstáculo para a escolha do tratamento adequado ao paciente.

Conclusão

A leptospirose ainda é uma doença presente na população do estado da Paraíba, explicitando 2,4% do total de casos apontado para região nordeste, com predominância de registros confirmados para o gênero masculino (82%), provenientes de zona urbana (89%). Quanto à evolução da doença, 82% obtiveram a cura e 11% foram a óbito. Verificou-se uma carência de preenchimento das fichas para variável escolaridade, com destaque para o item ignorado ou branco que denotou 46,42% do total. Nesta concepção, é valido salientar a relevância da educação ambiental em saúde no incremento de atitudes que possam esclarecer os indivíduos acerca da importância do descarte adequado do lixo e dos riscos de contágio da doença. Como também melhoria das condições sanitárias e socioeconômicas locais, agregada a capacitação dos profissionais de saúde para diagnóstico, notificação e tratamento da doença.

Levando-se em consideração aspectos como ausência de saneamento, lixo depositado em locais inadequados que podem levar a contaminação da água, inaptidão em alguns setores da saúde, difícil diagnóstico da doença e métodos de tratamento pouco eficientes, torna-se clara a necessidade do controle adequado das condições ambientais e instituição de políticas que versem sobre a educação ambiental numa perspectiva de erradicar ou diminuir ao máximo essa doença no estado.

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