ISSN 1678-0701
Número 66, Ano XVII.
Dezembro/2018-Fevereiro/2019.
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Relatos de Experiências

04/12/2018O PROBLEMA DO E-LIXO FÍSICO: REFLEXÕES SOBRE UMA EXPERIÊNCIA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL A RESPEITO DOS LIXOS ELETRÔNICOS  
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O PROBLEMA DO E-LIXO FÍSICO: REFLEXÕES SOBRE UMA EXPERIÊNCIA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL A RESPEITO DOS LIXOS ELETRÔNICOS



Wagnélia Alves da Rocha1, Lilia Sousa Alves Rodrigues2, Danila Fernandes Mendonça3, Renata Luiza da Costa4

1Licenciada em Química pelo IFG/câmpus Inhumas, e-mail: wagneliarocha@gmail.com

2Licenciada em Química pelo IFG/câmpus Inhumas, e-mail: lsalilia@hotmail.com

3Mestre em Química, professora do IFG/câmpus Inhumas, e-mail: fmdanila@gmail.com

4Doutora em Educação, professora do FG/câmpus Inhumas, e-mail: rldcosta@gmail.com

RESUMO

O presente trabalho analisa uma experiência pedagógica de educação ambiental em que o tema foi o descarte do lixo eletrônico, visando à conscientização sobre os prejuízos do descarte inadequado de tal lixo ao meio ambiente e à saúde humana. As atividades incluíram palestras e questionários, em escolas públicas do interior de Goiás, bem como, a recepção de lixos eletrônicos trazidos por alunos e professores. Ao final do projeto, os lixos recolhidos foram destinados a uma empresa que faz a reciclagem desse resíduo sólido. Foi possível observar que houve empenho por parte dos professores e alunos para que a campanha de coleta do lixo eletrônico desse certo, demonstrando a conscientização e interesse em colaborar com a cidade. Em torno de 34 peças foram coletadas. No que diz respeito à experiência pedagógica, destacamos que a experiência enriqueceu a formação evidenciando relações entre teoria e prática, qualificando-a para atuação num mundo concreto.



Palavras-chave: Lixo eletrônico, e-lixo, prática como componente curricular (PCC), Licenciatura em Química.



THE PROBLEM OF PHYSICAL E-WASTE: REFLECTIONS ON AN EXPERIENCE OF ENVIRONMENTAL EDUCATION ABOUT ELECTRONIC WASTE

ABSTRACT

The current paper analyzes a pedagogical experience. The theme of the activities was the problem of physical e-waste and aimed at raising awareness of the harm caused by improper disposal of such waste to the environment and human health. The activities included lectures and questionnaires at schools in the interior of Goiás, as well as the reception of electronic waste brought by students and teachers. At the end of the project, the waste collected was destined to a company that recycles this solid waste. It was possible to observe that there was commitment on the part of the teachers and students so that the campaign of collection of the electronic junk of that certain, demonstrating the awareness and interest in collaborating with the city. About 34 pieces were collected. With a pedagogical regard to this experience, we emphasize that practical experience enriches the formation showing the concrete relations between theory and practice, qualifying it to act in a concrete world.

Keywords: Electronic waste, e-waste, practical curricular component, Chemistry Teacher Education.

Apresentação

Segundo Libâneo (2006), as escolas são responsáveis pela formação cidadã dos alunos, de forma crítica e questionadora, dando-lhes aportes para tomar decisões sobre os dilemas da sociedade atual. Para este autor, é preciso formar jovens capazes de analisar as publicidades e resistir às tentações do consumismo que é muito acentuado na sociedade capitalista. Dessa forma, as escolas devem trabalhar temas relacionados ao cotidiano dos alunos, por exemplo. São muito importantes as contextualizações com temas reais que os façam pensar e refletir a necessidade de mudanças em determinadas ações humanas para melhorar o meio socioeconômico e ambiental em que está inserido. Ou seja, para além de se trabalhar os conteúdos de cada ciência, é preciso aproveitar o momento de ensino para educar os alunos em diversas vertentes, o que possibilita uma formação integral do aluno.

O lixo eletroeletrônico é mais um dos problemas ambientais que se somam a outros, como um desafio para a humanidade, que compra e descarta esses equipamentos sem refletir nos danos futuros, preocupados basicamente em suprir suas necessidades imediatas. Portanto, devemos conscientizar as pessoas sobre a necessidade do descarte correto do mesmo. Conforme explicado por Costa et al (2011), quase todos os materiais dos lixos eletrônicos são recicláveis. Assim, “o que é mais necessário no momento é analisar o problema desse tipo de lixo e organizar formas de coletar, receber e encaminhar tais resíduos para locais corretos que possam fazer a separação e, posteriormente, as doações e reciclagens” (Id., p. 467). Isso requer educação sobre o tema.

Os cursos de licenciatura, no Brasil, desde 2002 (RIBEIRO, 2016) devem dar condições para que os alunos executem as Práticas como Componentes Curriculares (PCC). Tais práticas representam a busca pela superação da ideia de que teoria e prática ocorrem separadamente. A intenção é superar a ideia de que o licenciando estudará, nos primeiros anos do curso, a parcela teórica do mesmo deixando, para o final, o momento da prática por meio do estágio. Ou seja, são situações diferentes, este último ligado à experiência in loco pelo estudante, e as PCC ligadas a intensificar a relação entre teoria e prática durante todo o curso, em diferentes ambientes sociais, de modo que isso aprofunde o conhecimento do professor em formação no que diz respeito aos conteúdos que vai ensinar no futuro, ao conhecimento e experiência pedagógica e aos contextos e problemas sociais concretos e diversos.

Diante do exposto, o tema lixo eletrônico físico foi escolhido para o desenvolvimento de uma PCC de estudantes de Licenciatura em Química por envolver conteúdos da Química e da Tecnologia dentro de um amplo contexto de problemas ambientais, além de retratar um problema consequente do avanço e consumismo tecnológico muito acentuados na sociedade capitalista em que vivemos. O objetivo, com esse tema, foi trabalhar a conscientização das pessoas, principalmente a comunidade estudantil de escolas públicas, sobre os danos causados ao meio ambiente e à saúde humana com o descarte inadequado do lixo eletrônico físico.

Para este artigo, então, objetivamos descrever e analisar a PCC desenvolvida de maneira a contribuir tanto com a compreensão de tais práticas como com a importância do tema do lixo eletrônico físico.

Revisão bibliográfica

A inovação tecnológica trouxe, além de benefícios, grandes riscos para o meio ambiente. Conforme cita Andrade (2004), as tecnologias modernas fazem parte dos fatores que desestabilizam o meio ambiente, uma vez que utilizam recursos energéticos e emitem poluentes que geram poluição atmosférica, hídrica e resíduos sólidos.

Oliveira et al (2010) afirma que a produção de eletroeletrônicos, que está cada vez mais rápida, afeta o meio ambiente negativamente de duas formas: durante a fabricação, pois utilizam muitos recursos naturais nesse processo; e com a destinação inadequada desse material após serem descartados por mal funcionamento ou por se tornarem obsoletos. Portanto, é importante trabalhar esse tema em sala de aula devido suas implicações socioambientais. Os autores acima também destacam que “o lixo eletroeletrônico é uma excelente ferramenta de sensibilização dos alunos, tanto para questões ambientais quanto para perceber a importância das propriedades dos elementos químicos na concepção dos produtos de nossa vida moderna” (Id., p. 247).

Costa et al (2011) destaca, ainda, que falta ação, por parte dos órgãos públicos responsáveis, as prefeituras, no caso, de conscientização e de coleta especializada. Estes autores explicam que até a parte da população que conhece o tema, em cidades interioranas onde não há coleta específica e nem pontos de recebimento, essas pessoas separam mas finalizam entregando para o serviço comum de coleta de lixo.

Diante desse contexto, consideramos importante incorporar tal tema em uma prática curricular. Sabe-se que as PCC são uma exigência, desde 2002, da formação inicial de professores (RIBEIRO, 2016), objetivando que a dimensão prática da profissão de professores seja vivenciada e refletida ao longo do curso. Assim, é possível que experiências práticas em diversos ambientes de ensino-aprendizagem, formais e não-formais, contribuam com o processo de formação de tais profissionais. Além disso, devido sua ampla definição, as PCC permitem o desenvolvimento de atividades, pelos licenciandos, nos eixos de ensino, pesquisa e extensão. Diante disso, elas representam uma carga horária significativa do total do curso em que é possível dar mais liberdade para o estudante trabalhar os estudos desenvolvidos nas disciplinas específicas e pedagógicas, de maneira integrada, tanto em nível de conteúdo quanto nos três eixos supracitados que compõem a atuação docente.

De acordo com Marcon, Nascimento e Graça (2007), o desenvolvimento da PCC contribui tanto para o avanço no conhecimento específico da licenciatura em questão quanto para o aprofundamento sobre o conhecimento pedagógico. Para tais autores, a aproximação do contexto escolar já durante o curso, não esperando o estágio ao final do mesmo, proporciona uma inserção gradativa no mundo da docência levando a intensificação da vocação pela profissão, bem como maior experiência ao chegar na fase de estágio. Os autores destacam também a intensificação das relações entre teoria e prática, tendo em vista que os estudantes trazem mais debates e reflexões para sala de aula pautados nas experiências práticas que vão construindo por meio da PCC.

Real (2012) também destaca que o objetivo da PCC é a intensificação entre teoria e prática visando melhor qualidade na formação dos professores. Visando a tal objetivo, a autora destaca as diferenças entre estágio e PCC, e a autonomia institucional como criadora e organizadora da PCC por meio dos projetos de curso. Entretanto, defende que a PCC não deve ser organizada na forma de uma disciplina de cunho prático, devendo a prática “vir diluída ao longo do curso entre as disciplinas de caráter propositivo, estabelecendo uma relação dialética entre teoria e prática.” (p. 60).

Nesse sentido, este artigo, então, reflete sobre atividades desenvolvidas na Prática como Componente Curricular VI (PCC 6) do curso de Licenciatura em Química, que, em nossa instituição, tem como tema “Ciência, Tecnologia e Sociedade” e, a partir disso, também traz reflexões sobre a problemática do lixo eletrônico físico.

Metodologia

Esta pesquisa foi orientada por uma abordagem qualitativa de pesquisa de foco descritivo e analítico (GIL, 2002). Ao realizar o levantamento bibliográfico sobre o tema do lixo eletrônico e das PCC, foi possível observar que ambos são temas ainda pouco pesquisados no Brasil.

Para operacionalização do projeto, foram feitas visitas a duas escolas estaduais e uma municipal de XXX (omitido para avaliação), cidade situada no interior de YYY (omitido para avaliação): Colégio Estadual Hermógenes Coelho, de Ensino Fundamental II e Ensino Médio; Escola Estadual Presidente Artur da Costa e Silva, que é de tempo integral e abrange turmas de Ensino Fundamental I; Escola Municipal Cantinho do Saber, destinada apenas a alunos do Ensino Fundamental I.

Nas três unidades de ensino, foram ministradas palestras e distribuídas caixas para receber lixos eletrônicos que os alunos, professores e demais pessoas quisessem entregar durante o período da campanha, realizada durante o mês de outubro de 2017. Após as palestras ministradas aos alunos do Colégio Estadual Hermógenes Coelho, foram distribuídos aos alunos questionários sobre o lixo eletrônico, com o objetivo de verificar o que aprenderam do tema. As palestras foram realizadas com duração de 10 minutos para as turmas do Ensino Fundamental I e 30 minutos para as turmas do Ensino Fundamental II e Médio.

Foi efetivada parceria com uma empresa de Goiânia que coleta lixo eletrônico para que ela buscasse esse material ao final do projeto.

Resultados e discussões

Os alunos do 9º ano e do 3º ano do Ensino Médio do referido Colégio não participaram da palestra e nem responderam ao questionário, pois estavam sendo preparados para a realização da Prova Brasil e para a avaliação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), aplicados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC). Ao todo, 174 alunos responderam ao questionário, sendo 93 do turno matutino e 81 do turno vespertino, conforme pode ser observado no quadro abaixo:

Quadro 1 - Alunos que responderam ao questionário sobre o lixo eletrônico

Turno Matutino

Turno Vespertino

Série

Quantidade de aluno

Série

Quantidade de aluno

6º ano A

19

6º ano B

20

7º ano A

24

7º ano B

23

8º ano A

14

8º ano B

21

1º ano A

14

1º ano B

17

2º ano A

22



Total de alunos

93

Total de alunos

81



Ao analisarmos as respostas das questões um e dois, pudemos perceber que, para efeito de conscientização, a maioria (85%) dos alunos demonstraram saber o que é lixo eletrônico, seja através de definição ou exemplificação (Figuras 1 e 2):

Figura 1 – Resultado do questionamento sobre o que é lixo eletrônico



Fonte: Os autores.

A pergunta 1 era do tipo dissertativa. A intenção era que os estudantes pudessem escrever livremente para expressar o que compreenderam. Já com a segunda pergunta, composta por itens para serem escolhidos e marcados, objetivamos direcionar e especificar um pouco mais o conhecimento sobre o tema.

Figura 2 - Opções para marcarem o que consideravam lixo eletrônico

Fonte: Os autores.



A terceira pergunta do questionário teve como objetivo analisar como era o comportamento da população de Araçu em relação ao descarte do lixo eletrônico físico. Como já era esperado, a maioria das pessoas (60%) descartam no lixo comum, conforme mostra a Figura 3:

Figura 3 – Onde descartam os lixos eletrônicos de suas casas.

Fonte: Os autores.

Ao analisarmos a Figura 3, percebemos que 18% dos alunos que responderam ao questionário separam esse material e dá um destino adequado a eles. No questionário havia um espaço para que colocassem qual era esse destino e a maioria dos alunos (85%) que responderam a essa questão colocaram que levam para lojas que recebem esses materiais. Outros 18% dos alunos responderam que separam esse material em suas casas, mas descartam em lixo comum. O ato de separar esse material dos demais indica que eles sabem que não devem dar o mesmo destino a eles que os lixos comuns. O que falta é opção e orientação de local para descartar o resíduo eletrônico de forma correta. Por isso, Costa et al (2011) fala da necessidade imediata de analisar os problemas desse tipo de lixo e fazer coletas para receber e encaminhar esses materiais para locais onde terão um destino correto.

Oliveira et al (2010) diz que os consumidores de materiais eletroeletrônicos compram e descartam esses materiais sem refletir sobre os danos futuros, preocupando-se, basicamente, com a satisfação de suas necessidades imediatas. Porém, nesse caso das pessoas da cidade de Araçu, que não possui nenhum tipo de coleta seletiva, além de falta de conscientização, também pode ser por falta de opção de onde descartar esses materiais, já que a soma de quem separa o lixo representa 36%. Ressaltamos que, embora a cidade de Araçu represente um caso particular no Estado de Goiás que não oferece coleta e nem locais próprios para o descarte adequado do lixo eletrônico, não há no Estado dados que mostrem situação diferente em outros municípios do interior.

A quarta pergunta do questionário para efeito de conscientização, também mostrou que a maioria (51%) dos alunos aprendeu sobre os danos causados pelo descarte feito de forma incorreta do lixo eletrônico. Muitos (51%) responderam corretamente, falando que afetam o meio ambiente, causam doenças, contaminam os solos, os rios e os lençóis freáticos:

Figura 4 – Resultado sobre os danos causados pelo descarte inadequado do lixo eletrônico

Fonte: Os autores.

Sete alunos (4%) fizeram uma resposta mais elaborada falando do trajeto percorrido pelos elementos contaminantes liberados pelos lixos eletrônicos até entrar em contato com o ser humano, contaminando o solo, a água e os alimentos. Alguns alunos (3%) também lembraram da demora desses materiais em se decomporem na natureza. Oito alunos (5%) não responderam essa questão e 36 alunos (21%) responderam não saberem os danos causados pelo descarte incorreto do lixo eletrônico.

A quinta pergunta do questionário teve como objetivo identificar se os alunos seriam capazes de elaborar uma sugestão para a redução do lixo eletrônico no município, pois, conforme cita Libâneo (2006), uma das funções da escola é formar cidadãos críticos e questionadores capazes de lidar com os dilemas da sociedade moderna. A maioria dos alunos (48%) apontaram sugestões práticas como: “Reciclar” e “Levar o lixo eletrônico para uma loja que recebe esse material”. Alguns alunos (9%) deram algumas sugestões mais elaboradas, como por exemplo: “Iniciativas como a que aconteceu em nossa escola a fim de conscientizar os alunos e suas famílias e um ponto de recolhimento para esse tipo de material”; “Todo mês fazer uma coleta de lixo eletrônico no município”; “Ter um local de recolhimento em todos os municípios”. Alguns alunos (3%) se preocuparam além do lixo eletrônico, sugerindo que o município colocasse lixeiras seletivas para cada tipo de lixo, não somente o eletrônico, já que Araçu não possui coleta seletiva, todos os resíduos sólidos são descartados no lixo comum. No entanto, dezesseis alunos (9%) deixaram a questão em branco e 53 alunos (31%) responderam não ter nenhuma sugestão para a redução do lixo eletrônico no município.

Por fim, a sexta e última pergunta do questionário teve o objetivo de dar um feedback à nossa palestra para avaliarmos a forma que proferimos o conteúdo do tema. Ao analisarmos o resultado, obtivemos um resultado positivo. A maioria dos alunos (86%) responderam que gostaram da palestra, pois foi uma forma de obterem conhecimento de algo que não sabiam e ainda mostrou como descartar o lixo eletrônico de forma correta. Dos alunos que responderam não terem gostado da palestra (11%), justificaram dizendo que não gostam de palestra, que estava muito calor e que sentaram no fundo e não deu para escutar nada. Merece ressalva, que essa última justificativa foi dada pelos alunos do vespertino, em que não foi usado o microfone, pois, a quantidade de alunos era menor e achamos que não seria necessário. Porém, no turno matutino, que utilizamos microfone, não houve reclamação em relação a isso.

Então, percebemos que foi uma palestra de conscientização que obteve efeitos positivos, porém, há alguns pontos que poderão ser melhorados, caso essa palestra seja proferida novamente.

Durante a campanha, foram coletados: um tablet, dois monitores, um estabilizador, três teclados de computador, um gabinete de computador, um motor de tanquinho, dois aparelhos de som portátil, nove celulares, um telefone residencial, seis carregadores de celular, três fones de ouvido, uma lanterna, três baterias de relógio, várias pilhas alcalinas e alguns cabos.

Percebemos que não foram coletados mais materiais eletrônicos porque, pouco antes dessa nossa proposta, a maioria das pessoas já haviam feito o descarte desses materiais de forma incorreta, como pudemos perceber em conversas informais com algumas pessoas da cidade, que disseram que guardavam esses materiais, mas a pouco tempo jogaram fora. Uma senhora relatou que colocou um micro-ondas no lixo uma semana antes de começarmos a campanha de recebimento de lixo eletrônico. Um rapaz também relatou que ficou com uma televisão de tubo guardada por muito tempo em sua casa e tinha mais ou menos um mês que ele tinha descartando-a em lixo comum, pela falta de local adequado para o descarte.

No que diz respeito à PCC como atividade prática para melhorar a formação dos estudantes de licenciatura durante o curso, destacamos o quanto foi interessante a oportunidade de entrar em contato com a realidade de escolas públicas. Percebemos que a dedicação dos profissionais que trabalham nessas escolas para manterem a ordem e a disciplina dos alunos, e proporcionarem um ambiente acolhedor para estudarem é muito grande, apesar de poucos recursos.

É preciso ressaltar, também, o quanto foi importante perceber, na prática, conteúdos da Didática que haviam sido estudados em períodos anteriores do curso como, por exemplo, o uso de temas atuais, a forma interdisciplinar, a necessidade de exemplos do cotidiano dos alunos, etc. Foi possível observar que tais conceitos são mesmo importantes para o ensino que realmente se preocupa com a melhor aprendizagem possível dos alunos, pois proporcionam um aporte para melhor compreensão do conteúdo de maneira global, problematizada e crítica. Assim, ao abordar o tema do lixo eletrônico físico, o qual envolve várias disciplinas, como a química, a biologia, a informática e, até mesmo, valores humanos como o consumismo, ficou mais fácil de compreender a problemática do tema e levou os alunos a refletirem de forma crítica sobre suas próprias ações em casa e sobre as ações de órgãos públicos da sua cidade. Isso tudo proporcionou um crescimento pedagógico e de conteúdo muito profundo, sem dúvida, muito importante para o exercício de qualquer licenciatura.

Conforme explicam Marcon, Nascimento e Graça (2007), o encontro com a prática leva os estudantes a trazerem reflexões novas e mais aprofundadas para sala de aula, aproximando-os, desde o início do curso, as situações concretas que envolvem a docência. Isso traz o ganho de maior experiência na fase de estágio e melhor formação global do professor que está sendo formado, pois, além de poder vivenciar os conhecimentos teóricos em ambientes reais, tem oportunidades de relações profissionais e conhecimento social escolar que só seriam conhecidos ao final do curso.

Considerações finais

De forma geral, os alunos e professores das escolas participantes se mobilizaram e conseguimos recolher parte dos lixos eletrônicos do município, o qual não possui nenhum programa de coleta seletiva, evitando, assim, que esses resíduos fossem parar no lixo comum.

Analisando os dados, podemos dizer que parte desses materiais também foram descartados em locais adequados em outras cidades, como lojas que recebem esses materiais para destinação adequada. A análise dos dados obtidos mostra uma avanço no conhecimento sobre o tema do referido lixo.

Com relação ao papel das PCC para a formação de professores, concordarmos com os objetivos prescritos para as PCC e essa experiência corroborou os pressupostos de que a dialética teoria e prática é bem melhor explorada pelos futuros professores quando participam desse tipo de atividade. Destaca-se o fato das PCC serem realizadas em ambientes concretos, podendo os professores em formação vivenciar conteúdos teóricos estudados e diversificadas situações pedagógicas.

Referências

ANDRADE, T. Inovações tecnológicas e meio ambiente: a construção de novos enfoques. Ambiente & Sociedade, v. 7, n. 1, p. 89-106, 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/asoc/v7n1/23538> Acesso em: 02 de novembro de 2017.

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COSTA, R. L. et al. Avaliação do Destino do Lixo Eletrônico do Município de Inhumas. In: Anais Encontro Nacional Informática na Educação - ENINED. 2011. p. 465-474. Disponível em < http://www.inf.unioeste.br/enined/anais/artigos_enined/A50.pdf > Acesso em: 01 dez. 2017.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2002.

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MARCON, D.; NASCIMENTO, J. V. do; GRAÇA, A. B. S. A construção das competências pedagógicas através da prática como componente curricular na formação inicial em educação física. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 21, n. 1, p. 11-25, mar. 2007. ISSN 1981-4690. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/rbefe/article/view/16640>. Acesso em: 30 jan. 2018.

OLIVEIRA, R. S.; GOMES, E. S.; AFONSO, J. C. O lixo eletroeletrônico: uma abordagem para o ensino fundamental e médio. Química Nova, v. 32, n. 4, p. 240-248, nov. 2010. Disponível em: <http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc32_4/06-RSA10109.pdf> Acesso em: 22 de novembro de 2017.

REAL, G. C. M. A prática como componente curricular: O que isso significa na prática? Educação e Fronteiras On-Line, Dourados/MS, v.2, n.5, p.48-62, maio/ago. 2012.

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