ISSN 1678-0701
Número 65, Ano XVII.
Setembro-Novembro/2018.
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16/09/2018A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA AUXILIANDO NO SANEAMENTO BÁSICO RURAL: MELHORIAS NA QUALIDADE DAS ÁGUAS DE NASCENTES EM PEQUENAS PROBRIEDADES RURAIS  
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A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA AUXILIANDO NO SANEAMENTO BÁSICO RURAL: MELHORIAS NA QUALIDADE DAS ÁGUAS DE NASCENTES EM PEQUENAS PROBRIEDADES RURAIS



Jefferson de Queiroz Crispim1, José Antonio da Rocha1, Sandra Terezinha Malysz1 Fernando Henrique Villwock2, Dener Elivelton Ciboto3, Taila Lorena de Souza3, Alesson Lopes Soares3

1Colegiado de Geografia, Universidade Estadual do Paraná

2Aluno de Doutorado, Universidade Estadual de Maringá

3Acadêmicos de Geografia, Universidade Estadual do Paraná





Resumo

Objetivando melhor a qualidade da água utilizada em pequenas propriedades rurais, em especial a de agricultores familiares, vem sendo desenvolvido através do Laboratório de Pesquisa Geoambiental, a recuperação de nascentes por meio da técnica solo-cimento. O trabalho visa evitar que contaminantes oriundos de excremento de animais; e outros materiais orgânicos passíveis de contato com a água utilizada para o consumo das famílias. Estes, quando atingem o corpo hídrico, acabam por contaminar os mananciais; colocando em imponderação seus índices de potabilidade e aumentando significantemente o risco a saúde dos usuários. Desta maneira, o objetivo central do trabalho é destacar a importância da extensão universitária voltada ao saneamento rural, buscando colaborar com uma melhor sanidade da água utilizada pelo agricultor familiar, sem esquecer a preservação ambiental, assegurando assim o equilíbrio entre meio ambiente e saúde. Outro objetivo do trabalho além do desenvolvimento da técnica solo-cimento por meio de projetos de extensão é o desenvolvimento da educação ambiental não formal com as famílias dos agricultores.



Abstract:

Looking at improving the quality of life of rural population especially family farmers, it has been developed through the Geoenvironmental Research Laboratory, the recovery of springs by means of the soil- cement. The research prevents contaminants from animal excrement; and other organic materials that can be contacted with water used for household consumption. These, when they reach the water body, end up contaminating the springs; placing its potability indexes on the market and significantly increasing the risk to users' health. In this way, the main objective of this work is to highlight the importance of university extension aimed at rural sanitation, seeking to collaborate with a better quality of life of the family farmer, without forgetting the environmental preservation, thus ensuring a balance between environment and health. Another objective of the work besides the development of the soil-cement technique through extension projects is the development of non-formal environmental education with the families of the farmers.





Introdução

A água é essencial para a vida humana e seu fornecimento está relacionado com aspectos ambientais, econômicos e sociais, tendo em vista a sua estreita ligação com a manutenção da saúde de seus consumidores, é considerada potável quando pode ser consumida pelos seres humanos sem agentes de contaminação que possam causar algum risco a saúde. Alterações na quantidade, distribuição e qualidade dos recursos hídricos ameaçam a sobrevivência humana e as demais espécies do planeta, estando o desenvolvimento econômico e social dos países fundamentados na disponibilidade de água de boa qualidade e na capacidade de sua conservação e proteção (TUNDISI, 1999).

Segundo a Organização das Nações Unidas ONU (1992), a água é a seiva de nosso planeta, ela é condição essencial de vida de todo vegetal, animal ou ser humano e sua utilização implica respeito à lei, sendo que o equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra, a água deve ser manipulada com racionalidade e precaução.

A garantia do consumo humano da água, segundo padrões de potabilidade adequados é questão relevante para a saúde pública no Brasil, a Portaria nº. 2.914 de 12 de dezembro de 2011 do Ministério da Saúde (MS) define os valores máximos permissíveis para as características bacteriológicas, organolépticas, físicas e químicas da água potável (BRASIL, 2011).

A falta de saneamento rural é uma das principais causas de insalubridade e degradação hídrica, caracterizando-se pela disposição inadequada de resíduos sólidos e líquidos, demandando estudos acerca do tema para melhoria da qualidade de vida da população, por isso hoje os estudos envolvendo os recursos hídricos têm como princípio analisar toda a bacia hidrográfica, suas características físicas, as atividades nela desenvolvida, o tipo de manejo empregado entre outros.

Para Pereira (1997) a qualidade da água de uma bacia hidrográfica pode ser influenciada por diversos fatores e, dentre eles, estão o clima, a cobertura vegetal, a topografia, a geologia, bem como o tipo, o uso e o manejo do solo. Para Calheiros et. al. (2004), o manejo de bacias hidrográficas deve contemplar a preservação e melhoria da água quanto à quantidade e qualidade, além de seus interferentes em uma unidade geomorfológica da paisagem como forma mais adequada de manipulação sistêmica dos recursos de uma região, bem como as nascentes, cursos d’água e represas, embora distintos entre si por várias particularidades quanto às estratégias de preservação, apresentam como pontos básicos comuns no controle da erosão do solo por meio de estruturas físicas e barreiras vegetais de contenção, minimização de contaminação química e biológica e ações mitigadoras de perdas de água por evaporação e consumo pelas plantas.

As ações humanas muitas vezes estão mais direcionadas por um objetivo econômico que não considera a necessidade de preservação, o que faz com que os recursos essenciais à vida humana sejam comprometidos. No entanto, essa relação habitual do homem com os elementos naturais possui exceções, um bom exemplo a ser observado é o de pequenos agricultores que usam os recursos de suas propriedades para suas atividades econômicas e subsistência, sobre isso é válido considerar o que já se pode observar em trabalhos anteriores sobre a problemática “[...] Mesmo se preocupando com a conservação, os agricultores podem desenvolver atividades que causam contaminação, pelo simples fato de desconhecerem a maneira mais adequada de lidar com o meio ambiente (ROCHA; MALYSZ; CRISPIM, 2016, p. 8).” Tal observação indica a preocupação dos agricultores em proteger e cuidar dos recursos naturais que usam e também devido a falta de conhecimentos técnicos necessários para conseguir realizar esta preservação.

Neste contexto, com este artigo objetivamos socializar as ações de extensão desenvolvidas pelo Laboratório de Pesquisa Geoambiental do curso de Geografia da Universidade Estadual do Paraná – campus de Campo Mourão, com a finalidade de melhorar a qualidade da água potável de agricultores na mesorregião de Campo Mourão, os quais ficam a margem das políticas de saneamento básico, a exemplo do que ocorre em muitas regiões do Brasil.

As ações se pautaram em pesquisas bibliográfica e participativa, com atividades de campo, envolvendo professores e acadêmicos da UNESPAR junto à comunidade de agricultores familiares, promovendo a recuperação e proteção das nascentes utilizadas para abastecimento de água potável, associando ações técnicas de educação ambiental e análises laboratoriais das condições das águas das nascentes.

Os trabalhos de extensão foram desenvolvidos em 10 propriedades de pequenos agricultores localizadas em cinco municípios paranaenses, sendo eles: Corumbataí do Sul, Altamira do Paraná, Campina da Lagoa, Barbosa Ferraz e Iretama. O foco foi a recuperação de nascentes, desenvolvida através da técnica solo-cimento, enquanto que a verificação do estado de conservação da nascente foi realizada por meio de análises macroscópicas com avalição in loco das condições que se encontravam antes da aplicação da técnica e análises microbiológicas para avaliar os padrões de qualidade.

Diante do exposto fica evidente a necessidade de atividades que permitam a construção de tal conhecimento, e atividade mais adequada para isso é a educação, em especial a Educação Ambiental que surge, de acordo com Reigota (2009) a partir de problemas ambientais observados e que necessitavam de soluções. E esta forma de educação é válida, ainda na perspectiva deste autor se “[...] a sua prática se justifica, se ela colabora na busca e construção de alternativas sociais, baseadas em princípios ecológicos, éticos e de justiça, para com as gerações atuais e futuras” (REIGOTA, 1998, p. 25).

Atualmente há uma grande preocupação com preservação dos recursos hídricos, haja vista que atualmente intensificaram-se os efeitos de poluição e contaminação dos mesmos, assim como a falta de planejamento no uso e ocupação do solo de maneira desordenada.



Metodologia

A conservação do meio ambiente vem adquirindo importância crescente no sistema de relações que determinam o comportamento humano. Processos de degradação ambiental relacionados à ocupação do solo, consumo de energia elétrica e ao uso de recursos hídricos, dando origem a necessidade de se criar instrumentos de orientação nas relações homem, agricultura e recursos naturais.

Para Jollivet & Pavê (1997), vem se constituindo novas modalidades de discursos e de práticas que postulam outra via de desenvolvimento, articulada à noção polissêmica de sustentabilidade. Na agricultura as denominações que veiculam a ideia de alternatividade foram englobadas nas nações mais abrangentes de agricultura sustentável, entendido como um conjunto de práticas sociais e produtivas que abrangem as várias correntes de pensamento ecológico.

Diante deste contexto, para o diagnóstico das nascentes, os dados foram obtidos por meio de trabalhos de campo e organizados de forma que as nascentes avaliadas durante as visitas pudessem ser caracterizadas por meio da avaliação de parâmetros macroscópicos apresentado por Gomes et. al, (2005) e adaptada por Crispim (2007).

Baseado no Guia de Avaliação da Qualidade das Águas (2004) e da Classificação do Grau de Impacto de Nascentes (2004), após trabalhos os de campo os parâmetros macroscópicos foram enquadrados em padrões para quantificação. Os indicadores escolhidos foram: cor da água, lixo ao redor, materiais flutuantes, espumas, esgotos, vegetação ripária, uso por animais, uso por humanos, com proteção, proximidade do estabelecimento e tipo de área de inserção. A metodologia utilizada neste parâmetro classifica os parâmetros macroscópicos das nascentes quanto ao grau de preservação ambiental.

O método de quantificação dos parâmetros macroscópicos é assim chamado por apresentarem a capacidade de serem vistos a olho nu sem a necessidade de realizar análises em laboratórios para detectar possíveis impactos. Após a coleta de dados em campo foi possível enquadrar as nascentes nos parâmetros macroscópicos, observando seu grau de preservação e quantificação ambiental com a finalidade de avaliar as alterações e os comprometimentos ambientais ocorridos (Quadro 1).



PARÂMETROS

RUIM

SITUAÇÃO ENCONTRADA

MÉDIO

SITUAÇÃO ENCONTRADA

BOM

SITUAÇÃO ENCONTRADA

Cor da água

1

Escura

2

Clara

3

Transparente

Lixo ao redor

1

Muito

2

Pouco

3

Sem lixo

Materiais flutuantes

1

Muito

2

Pouco

3

Sem presença



Espumas e óleos

1

Muito

2

Pouco

3

Sem espumas

Esgotos

1

Esgoto doméstico

2

Outras fontes

3

Sem esgoto

Odor

1

Forte

2

Fraco

3

Não há

Uso por animais

1

Presença

2

Apenas marcas

3

Não detectado

Uso antrópico

1

Muito

2

Pouco

3

Não detectado

Acesso

1

Fácil

2

Difícil

3

Sem Acesso

Vegetação ripária

1

Alta degradação

2

Baixa degradação

3

Preservada

Tipo de área de inserção

1

Ausente

2

Propriedade Privada

3

Parque ou áreas protegidas

Quadro 1- Qualificação dos parâmetros macroscópicos

Fonte: Apresentado por Gomes et. al, (2005) e adaptado por Crispim (2007).





O resultado obtido é comparado ao método de classificação de rios e fontes quanto ao grau de preservação ambiental por meio das classes A, B, C, D, E, seguidas de uma pontuação, resultado da somatória da quantificação dos parâmetros macroscópicos (Quadro 2).



CLASSE

GRAU DE PRESERVAÇÃO

PONTUAÇÃO FINAL

A

Ótima

Entre 30 e 33 pontos

B

Boa

Entre 26 e 29 pontos

C

Razoável

Entre 22 e 25 pontos

D

Ruim

Entre 18 e 21 pontos

E

Péssimo

Abaixo de 17 pontos



Quadro 2- classificação dos rios e fontes quanto ao grau de preservação ambiental nas bacias hidrográficas utilizando a quantificação dos parâmetros macroscópicos.

Fonte: Apresentado por Gomes et. al, (2005) e adaptado por Crispim (2007).



Baseado no Guia de Avaliação da Qualidade das Águas (2004), Classificação do Grau de Impacto de Nascentes (2004) e Gomes et. al., (2005) a proposta deste método é trazer uma indicação dos efeitos positivos e negativos ocorridos em nascentes com a finalidade de obter o grau de preservação ambiental destas fontes.

Não se trata de um instrumento de valoração econômica dos bens ambientais perdidos ou mesmo modelagem dos impactos, trata-se de estabelecer critérios razoavelmente objetivos e tecnicamente consistentes para uma maior uniformidade no processo, evitando-se variações decorrentes de avaliações subjetivas.

Durante o desenvolvimento do trabalho, foram efetuadas ações de educação ambiental por meio de conversas informais realizadas com os agricultores, alertando sobre os problemas causados pela água contaminada e orientando sobre limpeza das caixas d’água, cuidados com o entorno da residência, evitando a criação de animais soltos no quintal, o esgoto a céu aberto, manejo adequado do solo e dos agrotóxicos, e como realizar a proteção das nascentes com a técnica solo-cimento e o reflorestamento do entorno.

A proteção das nascentes foi realizada por meio do solo-cimento nas propriedades citadas (Figura1). Para a aplicação da técnica, seguiram-se alguns passos:

  1. Limpeza da nascente: primeiro faz-se a limpeza do entorno da nascente retirando todo material de origem vegetal como folhas, raízes e galhos.

  2. Preenchimento da nascente com rochas: preenche-se a área próxima ao olho d’água com pedra rachão (Basalto) não intemperizada com medidas entre 10 a 20 cm de diâmetro.

  3. Instalação das tubulações. São instaladas quatro tubulações de PVC, iniciando de baixo para cima: na base, no sentido horizontal instala-se o primeiro tubo com75 a 100 mm, que será utilizado para realizar a limpeza periódica da nascente; na sequencia, 10 cm acima, instala-se um tubo de 20 ou 25 mm responsável para enviar água para a residência; acima deste, instala-se a tubulação extravasora (ladrão) de 40 a 50 mm para aliviar a pressão no interior da área protegida; a última tubulação de 50mm é introduzida no sentido vertical e tem como função, facilitar o processo de desinfecção, realizada a cada dois meses. Para desinfecção, com a tubulação de limpeza fechada, adiciona-se na nascente pela tubulação de desinfecção, uma medida de 100 a 200ml de água sanitária, deixando agir por duas horas, depois a tubulação de limpeza é aberta para esvaziar o depósito de água.

  4. Vedação da nascente: Após realização destas etapas, vedam-se as pedras com uma mistura de solo e cimento na proporção 3x1.



Figura 1 - Modelo de aplicação da técnica do solo-cimento

Fonte: Villwock, 2013

Para um bom encaminhamento nos trabalhos é necessário que a família atendida participe das atividades, bem como os familiares e vizinhos, quando possível, em forma de mutirão. O envolvimento da comunidade é necessário para a aprendizagem da técnica e manutenção do sistema (Figura 2A, 2B).




Figura 2 A – Agricultores, Técnicos e acadêmicos após a conclusão do sistema solo-cimento em nascente.

Fonte – LAPEGE, 2018


Figura 2 B – Comunidade em forma de mutirão participando do trabalho de recuperação e proteção de nascentes.

Fonte – LAPEGE, 2018



Resultados e Discussão

Os projetos de extensão têm o objetivo de levar as pesquisas desenvolvidas nas Universidades para o contato com a sociedade, disseminando conhecimentos produzidos, contribuindo para a formação do sujeito, grupos e da comunidade em geral. A extensão possibilita a formação do profissional cidadão e se credencia, cada vez mais, junto à sociedade como espaço privilegiado de produção do conhecimento significativo para a superação das desigualdades sociais existentes, como prática acadêmica que interliga a Universidade nas suas atividades de ensino e de pesquisa, com as demandas da maioria da população (SCHEIDEMANTEL, et al., p.1, 2004).

O objetivo da extensão universitária com o projeto de recuperação de nascentes através do método do solo-cimento, visa a disseminação da técnica com a integração da educação ambiental não formal para os agricultores e seus familiares que residem nas propriedades rurais e não possuem nenhum acompanhamento técnico governamental relacionado a este tema. A educação ambiental não formal está amparada na Lei 9.795 de 1999, mas especificamente no Artigo 13 da Lei.



Art. 13. Entende-se por educação ambiental não formal as ações e práticas educativas voltadas à sensibilização da coletividade sobre as questões ambientais e à sua organização e participação na defesa da qualidade do meio ambiente (BRASIL, 1999).



Os resultados das dez amostragens de campo quantificando os parâmetros macroscópicos em nascentes foram preocupantes, pois nenhuma das nascentes avaliadas enquadrou-se como ótima (20%), duas receberam a quantificação de boas (20%) e seis como péssimas (60%), considerado preocupante por ser a água consumida diretamente pelos agricultores familiares.

A técnica do solo-cimento para preservação de nascentes vem recebendo boa aceitação por parte de agricultores, pois apresenta melhorias na qualidade da água para o consumo. A comprovação da eficiência do sistema é verificada em trabalhos realizados por Kath et. al., (2016) na Comunidade Muquilão, no município de Iretama – PR, onde se observou uma melhoria significativa da qualidade água das nascentes após a instauração do sistema, com redução de 70% nos índices de Bactérias heterotróficas, 60% nos índices de Coliformes Totais e 60% para Bactérias termotolerantes comprovando assim, que por meio de medidas simples, podemos melhorar a qualidade de vida das pessoas.

As nascentes estudadas pelos autores supracitados apresentavam grande risco ambiental por estarem expostas a fatores contaminantes externos, cerca de 80% destas apresentavam baixa cobertura vegetal em seu entorno, o que proporcionava a carreamento de partículas de solos e matéria orgânica diretamente para a fonte.



Comentários finais



É importante destacar que a técnica de proteção de nascentes com solo-cimento por si só não resolve o problema, já que se torna necessário para uma maior efetividade dos resultados o isolamento da área no perímetro ao redor da nascente, impedindo o acesso de alguns animais, reflorestamento, permitindo o desenvolvimento da vegetação que contribuirá para a preservação e melhoria da qualidade da água, além de limpeza constante da caixa d’água.

Os trabalhos de educação ambiental foram realizados por meio de conversas informais com os moradores das áreas abrangidas pelas pesquisas, falando sobre os riscos causados pela água contaminada e formas de proteger as nascentes mantendo a qualidade da água, além do envolvimento destas pessoas nas ações técnicas de recuperação e proteção com o ensinamento na prática da técnica solo-cimento, ações de reflorestamento, orientações para a limpeza da caixa d’agua. Além disso, os agricultores foram alertados sobre a importância do destino correto de resíduos sólidos, da reorganização do sistema de esgoto doméstico e manejo adequado do solo agrícola.

A educação ambiental em projetos de extensão é importante em todas as etapas do desenvolvimento, pois facilita o entendimento dos agricultores quanto a boa conservação das nascentes, bem como a manutenção ambiental da propriedade agrícola. E realizar as ações no ambiente de vivência dos agricultores pode ser uma medida interessante e o que problematiza as discussões são as situações encontradas nas propriedades de cada agricultor. Esta situação gera maior envolvimento e interesse, já que o objeto de análise é aquilo que interessa diretamente ao agricultor. Não é preciso que ele leve a discussão ou a fala do agente promotor de Educação Ambiental para sua realidade, a mesma se desenvolve a partir desta realidade, fazendo com que as discussões sejam mais pertinentes, interessantes e em consequência mais úteis.

A ação da Universidade depende de investimentos financeiros para pesquisas, atividades de Educação Ambiental e desenvolvimento de técnicas de saneamento para tender as especificidades das diferentes das famílias que vivem no campo, bem como a implantação de ações técnicas e práticas efetivas de saneamento nestes locais. Recursos estes cada vez mais escassos, o que compromete sem dúvida a qualidade de vida dos trabalhadores do campo, pequenos agricultores, e grandes responsáveis pela produção dos alimentos básicos que a população consome no dia a dia.



REFERÊNCIAS



BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria 2.914 de 2011. ISSN 1677 – 7042. p. 38 - 46.

BRASIL. Fundação Nacional de Saúde. Manual de saneamento. 3. ed. rev. Brasília: Fundação Nacional de Saúde, 2006.

BRASIL. Lei Nº 11.445, de 5 de Janeiro de 2007. Brasília, 5 de janeiro de 2007. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11445.htm Acesso: 27/06/2018.

BRASIL. Lei Nº 9.433, de 8 de  Janeiro de 1997. Brasília: 08/01/1997. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9433.htm Acesso em 27/06/2018.

BRASIL. Lei Nº 9.795, de 27 de Abril de 1999. Brasília: 27/04/1999. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm > Acesso: 28/06/2014.

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CALHEIROS, R. de Oliveira et al. Preservação e Recuperação das Nascentes. Piracicaba: Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios PCJ - CTRN, 2004.

CRISPIM, Jeferson Q. Avaliação de recursos hídricos e o desenvolvimento de métodos qualitativos da avaliação ambiental em estabelecimentos agroecológicos no município de Rio Branco do Sul- PR. 2007. 203f. Tese (Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento - UFP Campus de Curitiba, 2007.

CRISPIM, Jefferson de Q. et.al. Análise macroscópica em nascentes, como forma de educação ambiental. In Anais da IV Jornada Questão Agrária e Desenvolvimento. Unioeste, 2017.

FUNASA. Fundação Nacional da Saúde. Panorama do Saneamento Rural no Brasil. Disponível in <http://www.funasa.gov.br/panorama-do-saneamento-rural-no-brasil> Acesso em 25/06/2018.

GOMES, P. M; MELO, C; VALE, V. S. Avaliação dos impactos ambientais em nascentes na cidade de Uberlândia – MG: análise macroscópica. Sociedade & Natureza, Uberlândia, 17 (32):103- 120, jun. 2017.

JOLLIVET, M. e PAVÉ, A. O meio ambiente: questões e perspectivas para a pesquisa. In: P.F. Vieira e J. Weber (Orgs.), Gestão de recursos naturais renováveis e desenvolvimento. Novos desafios para a pesquisa ambiental. Cortez: São Paulo, 1997.

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PEREIRA, V.P. Solo: manejo e controle de erosão hídrica. Jaboticabal: FCAV, 1997. 56 p.  

REIGOTA, M. O que é educação ambiental. 2ª ed. São Paulo: Brasiliense, 2009.

ROCHA, Ana Paula A. e MALYSZ, Sandra M. A educação ambiental como uma política pública necessária para as áreas rurais: o direito ao saneamento básico. In: Anais do I ENDER – Encontro Interdisciplinar de Desenvolvimento Regional. Universidade Estadual do Paraná, UNESPAR, Campo Mourão, 2017.

SCHEIDEMANTEL, S.E.; KLEIN, R.; TEIXEIRA, L.I. A importância de Extensão Universitária: o Projeto Construir. Anais do 2º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária. Belo Horizonte, 2004.

TUNDISI, José Galizzi. Água no século XXI: enfrentando a escassez. São Carlos: RIMA, 1999.

KATH, Juliana.; BOGUSHESKI, Fernando.; CRISPIM, Jefferson de Queiroz. Melhoria da qualidade da água em pequenas propriedades rurais no assentamento Muquilão, município de Iretama – PR. Revista GEOMAE. Vol 7. FECILCAM. Campo Mourão – PR, 2016.





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