ISSN 1678-0701
Número 64, Ano XVII.
Junho-Agosto/2018.
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14/06/2018EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ESCOLAS MUNICIPAIS DA ZONA RURAL DE CRATEÚS/CE  
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EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM ESCOLAS MUNICIPAIS DA ZONA RURAL DE CRATEÚS/CE



ENVIRONMENTAL EDUCATION IN MUNICIPAL SCHOOLS OF THE RURAL AREA OF CRATEÚS/CE



Jones Baroni Ferreira de Menezes

(Graduado em Ciências Biológicas e Mestre em Ciências Fisiológicas. Docente da Universidade Estadual do Ceará. Av. Senador Milton Campos, 1122 – casa 06 – Passaré – Fortaleza/CE. (85) 98606-6608.jones.baroni@uece.br)

Raquel Bezerra Da Costa

(Graduanda em Ciências Biológicas - Faculdade de Educação de Crateús – Universidade Estadual do Ceará)

Shirliane de Araújo Sousa

(Mestre em Zoologia. Docente da Universidade Estadual do Ceará. shirliane.araujo@uece.br)



RESUMO

A Educação Ambiental (EA) é necessária, pois é por meio desta que as pessoas compreendem a importância de preservar o meio em que vivem, e de fazer o uso sustentável dos recursos naturais. Esta deve estar inserida em todas as instituições de ensino, pois é onde o ser se torna pensante através dos conhecimentos adquiridos. Portanto, a EA deve ser desenvolvida também nas escolas da zona rural, uma vez que, muitos dos estudantes permanecem em seu lugar de origem, mantendo as mesmas práticas que lhes foram repassadas, muitas vezes de maneira errada, sem ter a consciência ambiental para não degradar o meio. O objetivo geral deste trabalho é compreender a abordagem da temática de educação ambiental desenvolvida nas escolas de ensino fundamental da zona rural do município de Crateús/CE. Para a coleta de dados foi aplicado questionário aos professores do Ensino Fundamental II dessas duas escolas, no qual se abordou, o perfil dos professores, a formação, a opinião destes com relação à importância da EA na educação básica, aspectos relacionados à prática na escola e as dificuldades para a implementação desta nas escolas. De acordo com os resultados, os professores compreendem a importância da EA no processo de ensino-aprendizagem, assim realizam a interdisciplinaridade com metodologias bastante diversificadas, como pesquisa, textos e debates, dando ênfase no processo de formação destes, pois é fundamental que estejam preparados e capacitados para o exercício desta educação. Em relação à elaboração/participação de projetos desenvolvidos na escola 69,2% (9) responderam que sim, porém estes projetos não têm prosseguimento. Por fim, é imprescindível a realização da Educação Ambiental já no Ensino Fundamental, uma vez que possibilita uma aprendizagem mais significativa. Deste modo professores e gestores devem buscar caminhos para execução desta, tanto na sala de aula, como fora dela.

Palavras- chave: Meio ambiente; Formação docente; Sensibilização.

ABSTRACT

The environmental education (EA) is required, because it is through this that people understand the importance of preserving the environment in which they live, and to make the sustainable use of natural resources. This should be inserted in all the education institutions, because it is where the being becomes a thinking through of the acquired knowledge. Therefore, the EA should be developed also in the schools of the rural area, since many of the students remain in their place of origin, keeping the same practices that have been passed, often in a wrong way, without having the environmental awareness to not degrade the environment. The overall goal of this work is to understand the approach to the subject of environmental education developed in the elementary schools of the rural area of the municipality of Crateús/CE. For the data collection was be applied questionnaire to elementary II teachers from 2 schools, which was approached, the profile of teachers, the training, questioning the opinion of these with respect to the importance of EA in basic education, aspects related to the practice in the school and the difficulties for the implementation of this in schools. In accordance with the results, the teachers understand the importance of the EA in the teaching-apprenticeship process, so they carry out the interdisciplinarity with quite diversified methodologies, like research, texts and discussions, giving emphasis in the formation process of this, so it is basic what are prepared and enabled for the exercise of this education. Regarding the preparation / participation of projects developed in the school 69,2 % (9) answered that yes, however these projects have no continuation. For end, there is already essential the realization of the Environmental Education in the Basic Teaching, as soon as it makes possible a more significant apprenticeship, in this way be a teacher and gestores they must look for ways for execution of this so much in the classroom, as out of her.

Keywords: Environment; Teacher training; Awareness.

1 INTRODUÇÃO

A educação ambiental (EA) é um processo pelo qual as pessoas começam a questionar sobre os problemas causados ao meio ambiente, desta forma tendo uma visão mais ampla das catástrofes que acontecem, e se tornando um potencial agente transformador (MEDEIROS et al., 2011).

Para formar um cidadão que saiba como agir em relação a inúmeras adversidades, é preciso que o mesmo tenha adquirido estes conhecimentos desde sua infância, na qual construirá um pensamento crítico diante da sociedade. De acordo com Tavoralo (2005), a EA ensina para os seres humanos, de modo geral, todos seus aspectos, relacionando os valores da sociedade com o ambiente. Assim, todos os indivíduos têm conhecimento sobre o que é o meio ambiente e de como preservá-lo.

Jacobi (2003) afirma que a educação ambiental é uma alternativa para que as pessoas possam ser sensibilizadas a cuidar do meio em que vivem, de maneira que os recursos naturais possam ser preservados, e assim as atividades sustentáveis possam ser adotadas, no qual ocorra um desenvolvimento social e econômico.

A transformação depende da consciência que os seres humanos têm sobre o meio ambiente e este processo se deve a educação aplicada ao indivíduo, seja ela, por meio da escola, da família ou da sociedade. Desta forma, cabe ao ser humano questionar sua posição diante dos problemas existentes, e buscar realizar ações que não prejudiquem o ambiente, mesmo estas sendo restritas as grandes catástrofes que ocorrem na natureza (PITANO; NOAL, 2009).

Segundo Medeiros e colaboradores (2011, p.2), “a educação ambiental é essencial em todos os níveis dos processos educativos e em especial nos anos iniciais da escolarização, já que é mais fácil conscientizar as crianças sobre as questões ambientais do que os adultos”. Ou seja, o ensino de EA deve está inserido desde a educação básica até o ensino superior, sendo que a família e a sociedade têm um importante papel para que esse processo educacional seja concretizado.

A EA deve estar inserida também no meio rural para que a população reflita sobre suas ações e os impactos ambientais que estas trazem para as comunidades como a “destruição dos solos, o descontrole de pragas e doenças, a contaminação dos alimentos, intoxicações humanas e do meio ambiente, concentração de renda, exclusão social, entre outros” (LUCCA; BRUM, 2013, p. 37).

Porém, quando se fala nos agricultores rurais, muitos dos problemas ambientais que estes causam a natureza acontecem por desconhecimento, por não dominarem outros métodos de como trabalhar com a terra e acabam repetindo as mesmas práticas que seus antepassados. Nesse contexto, a educação ambiental vem como uma possibilidade de minimizar os riscos socioambientais. Uma boa educação envolve uma formação profissional de qualidade, um ambiente escolar adequado, e recursos didáticos para que o docente possa repassar seu conhecimento de forma íntegra (PHILIPPI; PELICIONI, 2005).

A escola é o principal ambiente onde a EA deve ser repassada para os alunos, sendo o professor o principal mediador deste ensino, deste modo deve estar preparado e qualificado para que os alunos tenham um conhecimento aprofundado e crie um pensamento crítico diante dos problemas ambientais, e de seu papel enquanto participante deste meio.

Sabendo da importância da Educação Ambiental principalmente no meio rural onde acontecem muitas práticas danosas a natureza, como as queimadas e desmatamento. Assim, o objetivo geral deste trabalho é analisar a abordagem da temática de educação ambiental desenvolvida nas escolas de ensino fundamental da zona rural do município de Crateús/CE. E tem por objetivos específicos: averiguar a importância da educação ambiental, na visão docente; pontuar as atividades ocorridas nas escolas e enumerar as dificuldades de aplicação da educação ambiental no ambiente escolar.

2 MATERIAIS E MÉTODOS

A pesquisa é um estudo de campo de caráter descrito e exploratório, possuindo uma abordagem qualitativa, realizado no município de Crateús, distante 350 km da Capital Fortaleza. Na referida cidade encontram-se 13 distritos, sendo que todos possuem escolas de nível fundamental. Entre os distritos, centramos a pesquisa em Irapuá, onde reside 1718 pessoas e a economia concentra-se na agropecuária, além da produção de lavouras de milho e feijão.

Dentro dessa localidade foram selecionadas as duas escolas municipais de Ensino Fundamental II, situadas em Jardim e Pocinhos, tendo como participantes da pesquisa 13 docentes, sendo 6 homens e 7 mulheres, com idade entre 22 e 53 anos, que são identificados ao longo das discussões como P1, P2, P3, e assim por diante. As disciplinas em que estes atuam são: Educação Física, Artes, Produção Textual, Matemática, Ciências, Geografia, Português, Inglês, Religião e História.

Para a coleta de dados foi aplicado um questionário com seis questões abertas no qual se abordava o perfil dos professores, a formação docente, e a opinião destes em relação à importância da EA na educação básica; aspectos relacionados à prática na escola e as dificuldades para implantação desta nas escolas. Quanto à análise, consistiu-se em três etapas, a primeira foi a tabulação dos dados, em que foi realizada a leitura e organização das respostas postas pelos sujeitos, em seguida a codificação, no qual cada questionário foi identificado por um número e as falas transcritas, de acordo com os questionamentos. E, por fim, realizou-se a interpretação dos dados obtidos para realização das discussões

A pesquisa foi executada de acordo com os aspectos éticos preconizados na Resolução 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (CNS) (BRASIL, 2016).

3 RESULTADOS

Primariamente, indagamos os docentes quanto ao aspecto formativo, conforme observado na tabela 1. Foi percebido que, praticamente, todos os professores são licenciados, estando somente um dos sujeitos em formação. Continuadamente, 62% (8) foram além, fazendo especialização, alguns seguindo a linha de formação da graduação, nas áreas de Biologia/Química, Psicopedagogia e Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa, e um possui especialização em Coordenação Escolar.

Tabela 1 – Caracterização da formação inicial e continuada dos docentes participantes da pesquisa.



Docente

Disciplina(s) lecionada



Formação inicial



Formação continuada

P1

Educação Física e Artes

Licenciatura em Educação Física


P2

Matemática e Geografia

Licenciatura em Ciências Humanas- História e Filosofia

Especialização em Coordenação Escolar

P3

Português e Inglês

Licenciatura em Letras- Português

Especialização Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa

P4

Português e Artes

Licenciatura em Letras

Especialização em Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa e Espanhola

P5


Licenciatura em Ciências Biológicas

Especialização em Biologia e Química

P6

Matemática, Ciências e Geografia

Cursando Licenciatura em Matemática


P7

Português

Licenciatura em Pedagogia e Letras

Especialização em Psicopedagogia Institucional e Clínica

P8

História e Religião

Licenciatura em História e Filosofia

Especialização em Psicopedagogia Institucional e Clínica

P9

Ciências, Inglês, Artes e Religião

Licenciatura em Ciências Biológicas


P10

Português e Educação Física

Licenciatura em Pedagogia


P11

Geografia e Ciências

Licenciatura em Ciências Humanas- Geografia e Sociologia


P12

Matemática e Ciências

Licenciatura em Biologia e Química

Especialização em Biologia e Química

P13

Matemática

Licenciatura em Matemática


Fonte: Elaborado pela autora.



Inquirimos também sobre a inserção da temática em questão nesse artigo durante o processo de formação inicial. Dos participantes, 53,8% (7 professores) não obtiveram formação para tal, enquanto 46,2% (6 docentes) destacaram as disciplinas de ciências, zoologia e ética e legislação profissional da biologia, além dos ensinos de geografia, ciências e educação e sociedade, da matriz do curso de pedagogia, em que os professores abordaram a educação ambiental.

Sobre a educação ambiental nas escolas, a princípio solicitou-se aos professores que atribuíssem um conceito para educação ambiental de acordo com seus conhecimentos prévios. Com isso, percebeu-se que estes possuem um bom embasamento quanto à educação ambiental e os problemas ambientais existentes, conforme podemos observar em algumas falas abaixo.

No âmbito escolar é um processo formativo que visa compreender, discutir e intervir junto aos problemas ambientais” (P7).

Conhecimentos e habilidades voltadas para a conservação do meio ambiente, essencial a qualidade de vida e sua sustentabilidade” (P8).

São os processos por qual nós como pessoas e a comunidade construímos valores sociais e atividades voltadas para a preservação do meio ambiente” (P9).

Um processo em que os indivíduos se preocupam com os problemas ambientais” (P1).

A educação ambiental é uma área ligada a ciência que trabalha a conservação dos recursos naturais” (P11).

Interessante ressaltar que em uma das respostas houve uma preocupação com a EA no meio rural, em que dizia o seguinte.

importante para nossa realidade que moramos no meio rural” (P4).

A escola é um propício local para o desenvolvimento da cidadania em suas múltiplas facetas. Nesse aspecto indagamos como a cidadania ambiental estava sendo elencadas em sua prática docente. Percebeu-se que todos os professores reagiram de maneira positiva, inclusive demonstrando a diversificação dos recursos e metodologias para tal fim, como podemos observar nas falas:

A leitura, o debate a formação crítica perpassa pelo ensino de língua portuguesa, assim esta temática aparece na maioria das vezes ligado a consciência e a relação com o bem viver” (P7).

Abordo com textos que ressaltam o meio ambiente” (P10).

Interpretação textual na semana do meio ambiente” (P4).

Com pesquisa usando a internet” (P6).

Assim podemos observar que estes professores abordam o tema em suas aulas, de modo que os alunos entendam a importância deste. Em vista disso, cabe ao professor se reinventar, buscar novas possibilidades, pois é possível sim trabalhar educação ambiental em qualquer uma destas disciplinas citadas anteriormente.

Outra indagação posta foi para saber qual a opinião destes com relação à importância da educação ambiental no processo de ensino-aprendizagem, em vista disso podemos observar nas respostas abaixo que estes relacionaram a importância da EA principalmente a conservação e a preservação do meio ambiente.

A educação ambiental deve ser compreendida como fundamental e deve ser ensinada desde a educação infantil. A sua importância fundamenta-se na percepção de participante do “meio ambiente” e necessidade de práticas educativas neste meio” (P7).

Deve fazer parte desde a educação infantil a fim de incentivar nossos alunos a se engajarem na proteção e preservação do meio ambiente e sustentabilidade, pois nosso planeta pede socorro” (P8).

De extrema importância, cuidar do meio onde vivemos e preservar a natureza de onde extraímos a maioria dos nossos recuros, devem ser preservados e cuidados. As crianças devem ser constantemente lembradas da importância do meio ambiente” (P9).

A Educação Ambiental é muito importante para que essa e as futuras gerações tomem conhecimento dos problemas como, poluição, queimadas e outros causam ao nosso planeta” (P11).

Cuidar do planeta, iniciando com pequenos passos que podem contribuir de forma significativa na preservação e conservação do ambiente” (P13).

Quando indagados se já haviam desenvolvido ou participado de algum projeto sobre EA na escola, 69,2% (9) disseram que sim, 23,1% (3) disseram que não e 7,7%% (1) se absteve. Aos que responderam sim, destacaram os projetos apresentados na figura 1 a seguir.





Figura 1 – Projetos de sensibilização para o meio ambiente desenvolvidos em duas escolas municipais situadas na zona rural de Crateús/CE.

Fonte: Elaborada pelos autores.



Contudo, os professores relataram as principais dificuldades que encontram para trabalhar a educação ambiental em suas aulas/escola. Dentre os principais obstáculos destacados estão: a falta de interesse dos alunos, o prosseguimento dos projetos, a falta de recurso didático e a falta de tempo, sendo esse último acordado como a principal dificuldade, justificativa essa que podemos observar em uma das falas dos professores, em que o P5 diz o seguinte:



pouco tempo já que temos que trabalhar rotinas” (P5).



Um dos sujeitos relatou que a dificuldade encontra-se na escola, em dar continuidade aos projetos planejados e desenvolvidos, uma vez que se necessita de uma equipe para cuidados permanentes aos projetos presentes na instituição. Já outro, relatou a falta de material didático expressando o seguinte:



Acredito que no trabalho pedagógico uma das dificuldades é a falta de material didático, algo sistemático” (P7).



4 DISCUSSÃO

De acordo com os achados, todos os professores estão aptos a atuarem no magistério, pois segundo a LDB 9394/96, para que uma pessoa possa ensinar na educação básica é necessário possuir no mínimo um curso de licenciatura, assim as licenciaturas atuam como uma base, com intenção de que estes educadores estejam preparados e qualificados para participarem do processo de ensino-aprendizagem dos alunos.

Porém, os cursos de formação de professores necessitam de aprimoramento para que haja mudanças no ensino da educação básica. É preciso pensar e discutir a formação de formadores docentes, para que a aprendizagem destes não fique atrelada somente ao domínio conteudista, mas que tenha também um propósito no contexto pedagógico e didático, uma vez que estes licenciandos vão lidar com uma heterogeneidade dentro da sala de aula (GATTI, 2014), além da necessidade de compreender e conduzir atividades transversais, de cunho interdisciplinar, como é o caso da educação ambiental.

Os professores devem compreender sobre a significação e importância da EA, uma vez que deram conceitos que realmente fazem parte desse processo. Segundo Guisso e Baiacô (2016), essa temática tem por finalidade a sensibilização, fazendo com que o ser humano compreenda que também faz parte do meio ambiente e por isso tem o dever de zelar pelo mesmo.

Destarte, Jacobi (2003, p.204) evidencia que “o papel dos professores(as) é essencial para impulsionar as transformações de uma educação que assume um compromisso com a formação de valores de sustentabilidade, como parte de um processo coletivo”. A sustentabilidade está relacionada com a preservação dos recursos naturais, em que o ser humano retira da natureza aquilo que necessita, porém de modo consciente.

Nessa incumbência, as instituições de ensino são fundamentais para a construção de conhecimentos, teóricos e/ou práticos. A temática em investigação deve ser tratada na transversalidade que é o modo como se trabalha dentro da sala de aula/escola, temas que são recorrentes em meio à sociedade, como meio ambiente, sexualidade, saúde, entre outros, e deve estar inserida, inclusive na formação inicial de professores (TEIXEIRA; SILVA; ALVES, 2014).

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (MEC/SEF, 1998, p. 29):

A interdisciplinaridade questiona a segmentação entre os diferentes campos de conhecimento produzidos por uma abordagem que não leva em conta a inter-relação e a influência entre eles questiona a visão compartimentada (disciplinar) da realidade sobre a qual a escola, tal como é conhecida, historicamente se constituiu. Refere-se, portanto, a uma relação entre disciplinas. A transversalidade diz respeito à possibilidade de se estabelecer, na prática educativa, uma relação entre aprender na realidade e da realidade de conhecimentos teoricamente sistematizados (aprender sobre a realidade) e as questões da vida real (aprender na realidade e da realidade).



Porém quando o assunto são temas transversais, as escolas deixam de serem os principais ambientes reflexivos e de ações, pois “é indispensável que toda a sociedade esteja envolvida e não apenas as escolas e universidades, a quem cabe o papel de produzir e disseminar o conhecimento” (LIMA JUNIOR; MATOS; DANTAS, 2016). A EA perpassa por todas as áreas de conhecimento, sendo de extrema importância que se tenha debates e reflexões acerca dos problemas ambientais recorrentes. Para que isso aconteça, é necessário que haja mudanças na educação para que os profissionais docentes possam atuar como idealizadores de conhecimento e de práticas educativas (BERNARDES; PRIETO, 2010).

No contexto rural, esse preceito torna-se ainda mais importante, já que houve uma maior visibilidade diante desse território possui um potencial de comercialização, seja através da extração de madeiras, ou a produção de verduras, hortaliças e outros. Além disso, outro fator que contribui para tal são as práticas dos agricultores, que em muitos casos não são realizadas de maneira correta, por falta de conhecimento (LUCCA; BRUM, 2013).

A EA pode trazer consigo possibilidades de reconstrução do meio em que vivemos, pois quando desenvolvida devem ser expostos os principais problemas para que desta forma os alunos e a sociedade como um todo possam se sensibilizar e assim começar a tomarem medidas que diminuam o impacto ao meio em que vivem. Quando relacionada ao meio rural, a EA se faz ainda mais necessária, pois neste verifica-se a presença de atividades danosas ao meio ambiente, como as queimadas que além de emitirem gases tóxicos destroem o habitat natural de espécies endêmicas, e desmatamentos principalmente da mata ciliar, que faz com que ocorra o assoreamento e provoca a redução da reserva de água.

Nota-se, portanto, que o meio ambiente e educação ambiental ainda são pouco presentes nos cursos de licenciatura das diversas áreas, mesmo estando em destaque no Art. 10 da Lei 9.795/99 sobre a Política Nacional de Educação, preconizando que estas devam ser trabalhadas em instituições de ensino público e privado e em todas as modalidades, desde a educação básica até a profissional, como uma prática educativa integrada, contínua e permanente (BRASIL, 1999). Ademais, deve ser instruída de acordo com as “questões sociais, históricas, culturais, além das científicas e tecnológicas que contribuem para a formação de educadores com uma visão crítica de EA” (REIS et al., 2013 p.111).

Para que a educação ambiental seja desenvolvida de modo a obter bons resultados, é necessário que o educador e a escola estejam preparados, sendo que a formação inicial atua como principal meio de conhecimento, logo as instituições da educação básica terão a oportunidade de intervir na concepção de seus alunos, podendo até mesmo conscientizá-los quanto aos problemas ambientais e destacando algumas possíveis soluções. Adicionalmente, Menezes (2014, p. 4119) diz que “é sempre válido fazer uma conexão entre o conteúdo trabalhado e o cotidiano dos alunos, pois facilita a compreensão das crianças e ajuda a criar um novo modo de pensar sobre um fato já conhecido”.

Os projetos são uma ótima oportunidade de trabalhar a interdisciplinaridade, pois tira a visão de que Educação Ambiental é desenvolvida somente na disciplina de ciências. Sendo que pode estar atrelada as outras disciplinas como tema transversal (OLIVEIRA et. al., 2012). O desenvolvimento deles no ambiente escolar pode trazer muitos benefícios para todos que participam. Para os alunos, é uma maneira de colocar em prática o que se aprendeu na teória. Para os professores, é uma experiência que contribuirá para sua qualificação profissional, além de oportunizar o trabalho coletivo com outros professores. E para os gestores é uma oportunidade de contribuir com a educação em projetos extraclasse (GRZEBIELUKA; KUBIAK; SCHILLER, 2014).

Toda a comunidade escolar é beneficiada com a prática pedagógica que acontece no decorrer de projetos extraclasse, em especial os alunos, pois “é imprescindível a participação destes durante as atividades relacionadas à temática desenvolvida na escola”, pois contribuirão significativamente para a sensibilização dos alunos que devem participar diretamente no desenvolvimento dos projetos (MENEZES; SILVA, 2017).

Dentre os principais fatores associados à dificuldade da realização desse tipo de atividades, segundo os participantes, está relacionado ao tempo, contudo acredita-se que o tempo não seja um dos principais desafios uma vez que a EA pode ser desenvolvida como um tema transversal e interdisciplinar na própria sala de aula, e não somente em projetos extracurriculares. De acordo com Xavier (2013) os professores possuem uma autonomia, no qual são os responsáveis pelo planejamento do tempo em sala de aula, cabendo a este, a decisão de como os conteúdos serão trabalhados, além de se impor quanto às atividades realizadas pelos alunos.

Neste contexto um dos desafios colocados é a necessidade de recursos didáticos “que faz com que os professores se restrinjam ao mais básico, desperdiçando o possível potencial das crianças” (MENEZES, 2014, p.4200). O professor deve buscar novas metodologias de ensino, para uma aprendizagem mais aprofundada, como podemos citar as HQ (Histórias em Quadrinhos), vídeos educativos criados pelos próprios alunos, criação de jogos didáticos, cartilhas, peça teatrais e entre outras (CAVALCANTE et al., 2015; COSTA; CARLI; SANTOS 2016 MENEZES et al., 2017). Desta maneira, o professor pode desenvolver novas metodologias na própria sala de aula, desta forma promovendo um ensino mais atraente e flexível para os alunos, e fazendo com que estes possam refletir quanto a sua participação no meio ambiente.



5 CONCLUSÃO

De acordo com os resultados podemos observar que os professores possuem pouca formação em relação à educação ambiental, porém possuem um breve conhecimento quanto à finalidade desta, que é sensibilizar as pessoas quanto ao consumismo excessivo, e incentivar a realizarem ações que amenizem os problemas ambientais, principalmente nas áreas rurais, onde o sertanejo ainda realiza atividades que prejudicam muito o ambiente, como por exemplo, as queimadas e desmatamentos que são práticas bastante corriqueiras.

As instituições de ensino já desenvolveram muitos projetos sobre meio ambiente, todavia, só são realizados em curto prazo, mas ainda sim é fundamental que os alunos participem destes projetos, pois assim podem adquirir noções quanto a práticas educativas em relação ao meio ambiente.

Em vista disso o ensino de educação ambiental nas escolas pesquisadas ainda é fragilizado devido a vários fatores que contribuem para a não efetivação da EA. Como foi destacada pelos professores, a falta de tempo e a indisponibilidade de materiais didáticos como principais dificuldades.

O que pode gerar uma consequência futura para as comunidades onde essas instituições estão presentes. Pois se os alunos não tiverem uma boa educação ambiental que saliente a estes a importância da preservação e da sustentabilidade, continuarão a praticar as mesmas ações prejudiciais a fauna e a flora.



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XAVIER, R. P. O tempo no agir docente: algumas reflexões para a formação de professores de línguas. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, Belo horizonte, v. 13, n. 4, out./dez. 2013, pp. 1085-1106.

















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