ISSN 1678-0701
Número 64, Ano XVII.
Junho-Agosto/2018.
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Relatos de Experiências

14/06/2018O USO DA BICICLETA POR ALUNOS DE UMA ESCOLA PÚBLICA DE CAPANEMA, PARÁ  
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O USO DA BICICLETA POR ALUNOS DE UMA ESCOLA PÚBLICA DE CAPANEMA, PARÁ



Evelize Cristina Rodrigues

Licenciada em Ciências Biológicas, Mestre em Aquicultura e Recursos Aquáticos Tropicais. Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Pará/ Universidade Federal Rural da Amazônia

Simiramis Duque de França

Licenciada em Letras-Inglês, Especialista em Metodologia do Ensino de Língua Inglesa

Universidade Estadual do Piauí/ IBPEX- FACINTER

Lucidalva de Sousa Coelho

Pedagoga, Especialista em Literatura e Língua Portuguesa

Universidade Federal do Pará/Universidade Federal do Pará

Elias Fernandes de Medeiros Júnior

Engenheiro de Pesca, Mestre em Aquicultura e Recursos Aquáticos Tropicais

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas-Campus São Gabriel da Cachoeira-AM

RESUMO

O munícipio de Capanema encontra-se localizado no nordeste paraense, sendo reconhecido como uma cidade polo devido a oferta de serviços de saúde, comércio e sistemas educacionais com oferta de educação básica e superior. No contexto educacional e de mobilidade urbana grande parte dos discentes fazem uso de bicicletas para se descolocarem até a unidade escolar. Objetivou-se com essa pesquisa investigar a percepção dos alunos de uma escola pública sobre os benefícios do uso da bicicleta. As informações foram coletadas por meio da aplicação de um questionário semiestrutado composto de oito perguntas que tratavam sobre o papel da bicicleta na ajuda ao meio ambiente. Foi verificado que 57,1% dos discentes utilizam o aparelho para se deslocarem até a escola, 76,2% utilizam como uma forma de lazer. Em relação ao uso de equipamentos de segurança no aparelho 23,8% apresentam pelo menos um equipamento de segurança na bicicleta, quanto ao uso de equipamentos de segurança individual 66,7% conhecem pelo menos um, sendo que 4,8% fazem uso do capacete. Sendo assim o uso da bicicleta oferece inúmeros benefícios para a sociedade e o meio ambiente e práticas como o uso de bicicletas coletivas poderiam ser ofertadas no município de Capanema como uma alternativa de mobilidade para os estudantes que residem em bairros distantes da escola.

Palavras chave: Bicicleta, Mobilidade, Capanema.

Introdução

Apesar da bicicleta ser culturalmente associada ao lazer, a mesma vem apresentando destaque em relação aos veículos motorizados (IEMA, 2010), sendo difundido como um transporte alternativo capaz de propiciar um tipo de mobilidade sustentável (GENGHINI, 2014).

Segundo Ferreira (2007), dada a distância de pequenas e médias cidades, a bicicleta acaba sendo o veículo ideal, sendo por sua vez, muito utilizada no município de Capanema, pertencente à mesorregião do nordeste paraense, o qual sua topografia não representa um componente impeditivo desse veículo.

A utilização da bicicleta se faz importante tanto ao usuário, através da melhoria de vida e redução do sedentarismo e obesidade; quanto à comunidade, por oferecer benefícios referentes à redução da poluição, do congestionamento, do consumo de combustível, dentre outros (NERI, 2014). Além disso, a inserção da bicicleta amplia a acessibilidade de estudantes ao espaço público, gerando uma equidade.

Deste modo, baseada na contribuição à mobilidade e acessibilidade da bicicleta como veículo de transporte, o objetivo do presente trabalho é conhecer a percepção que os estudantes apresentam sobre a mesma e se conhecem e possuem os equipamentos de segurança necessários.

Desenvolvimento

Referente a mobilidade, as pessoas podem utilizar-se do seu esforço direto ou recorrer a veículos de transporte não motorizado e motorizado, sendo afetada por diversos fatores, como: idade, sexo, renda do indivíduo, capacidade para utilizar o meio de transporte, dentre outros, podendo inclusive implicar em uma movimentação reduzida (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2006).

Para Lacerda (2015) a experiência da utilização de veículos com rodas na mais tenra idade é fundamental para a aquisição da autonomia e capacidade de deslocamento. Ainda para este mesmo autor, a melhor política de mobilidade segura e saudável far-se-á através de menos trânsito motorizado, onde crianças e adolescentes compartilharão o espaço de circulação desde cedo, de modo a mostrar que a fragilidade está presente e que a vida deve ser protegida.

De acordo com o código de trânsito brasileiro- CTB (Brasil, 1997) a utilização de capacetes não é obrigatória a ciclistas, como equipamento de segurança, determinando como obrigatório de segurança para as bicicletas, a campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo.

A bicicleta apresenta diversas vantagens em relação aos outros meios de transporte como não provoca: congestionamento, poluição atmosférica e nem sonora; não é: onerosa e nem pesada; não apresenta: grande espaço para estacionamento, difícil mecânica, e consumo de combustíveis fósseis, destacando sua eficiência energética; favorece: a interação entre as pessoas da cidade, transporte de pessoas e pequenas cargas; possui: pouca manutenção, alta durabilidade, menor potencial ofensivo a integridade física; permite: ausência de impostos para utilização, rapidez e flexibilidade nos deslocamentos em relação a trânsito de maior fluxo de veículo motorizado; possibilita: autonomia no deslocamento, melhor condicionamento físico; reduz: a obesidade ou sobrepeso, os riscos de problemas cardiovasculares e consequentemente custos com a saúde (SILVEIRA; BALASSIANO, 2009; SOBRINHO SEGUNDO, 2014).

A bicicleta apresenta importância também no campo psíquico, através do bem-estar gerado para cada pessoa, podendo inclusive transformar a realidade o qual está inserida, reduzindo o stress e a ansiedade (AMORIM, 2014).

Metodologia

O estudo foi realizado na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Padre Sales, no município de Capanema-Pará, na turma do ensino médio matutino, do projeto ‘’ Mundiar’’, no link das disciplinas de sociologia referente a aula “existe sociedade sem cultura?”, com a elaboração de questionário como atividade proposta; e da disciplina de geografia na aula “modificar o meio ambiente”, no qual a turma foi dividida em grupos e cada grupo escolheria um assunto para problematizar e criar um questionário.

Baseado nisto, foi elaborado e discutido em sala um questionário semi-estruturado com 8 perguntas fechadas sobre o papel da bicicleta na ajuda ao meio ambiente. A pesquisa se deu com a participação voluntária dos alunos, independente de utilizarem ou não bicicleta e com o anonimato do nome dos participantes. Posteriormente, os resultados das observações foram processadas por meio de análise percentual pelo programa Microsoft Excel 2013.

Resultado e Discussão

Do total da turma 60% participou da pesquisa, sendo 28,57% do sexo masculino e 31,43% do sexo feminino. A pesquisa demonstrou que 42,9% não utiliza a bicicleta para se deslocar à escola e 57,1% já utiliza, sendo este não uso distribuído em 4,8% para a opção motocicleta, 23,8% ônibus escolar, 14,3% caminhada (figura 1), devido respectivamente, a falta de condicionamento físico do indivíduo, longa distância a ser percorrida e ausência de bicicleta (figura 2).



Figura 1: Meio de transporte utilizado pelos alunos.















Figura 2: Causas da não utilização

Sobre o fato de não possuir uma bicicleta, uma medida interessante que poderia ser adotada é a que foi sugerida para uso em comunidades no Rio de Janeiro, a bicicleta para estudantes, uma variação do programa ganhe uma bicicleta, no qual o aluno a partir de uma nota em relação aos cuidados que teve com a bicicleta durante sua utilização no período 1 ano, ele poderia no final do ano ficar com uma (EMBARQ Brasil, 2014). E no que se refere a falta de condicionamento físico, apesar da escola já contemplar a disciplina de educação física, o incentivo à prática de uma atividade física extraescolar contribuiria para o desenvolvimento de jovens menos sedentários e mais dispostos a assistir as primeiras aulas no turno da manhã, uma vez que o ato de pedalar promove maior atuação da endorfina gerando bem-estar mental.

Foi indagado a todos os participantes sobre a utilização da bicicleta em outras ocasiões, e se a sua utilização apresenta algum benefício, com isso pôde-se observar que 76,2% utilizam em outros momentos, como por exemplo, se deslocar ao trabalho, à casa de parentes e amigos e como uma forma de lazer. Apesar de 23,8% não pedalar em nenhum momento, foi unanime a resposta positiva quanto ao uso deste veículo, dentre os quais foram destacados como sendo: importante à saúde (71,4%), veículo barato (19%), ambientalmente correto (4,8%) e de rápido deslocamento (4,8%), conforme disposto na figura 3.

Figura 3: Benefícios associados ao uso da bicicleta por alunos de uma escola pública no município de Capanema-PA.

Devido a importância que os aparelhos de segurança apresentam na redução da gravidade de acidentes, dentre os 76,2% que utilizam em algum momento a bicicleta, foi questionado se conhecem e possuem algum tipo de equipamento de segurança da bicicleta e do ciclista, e constatou-se que 28,6% conhecem algum equipamento de segurança da bicicleta, no qual destes, 23,8% apresentam em seu veículo pelo menos um equipamento. Em relação ao equipamento de proteção individual, 66,7% conhece pelo menos um, sendo mencionado principalmente o capacete, com 4,8% o adquirindo.

Informação acerca de um ciclismo seguro e defensivo, pode contribuir para que crianças e adolescentes se sintam mais confortáveis e resolutos enquanto pedalam (EMBARQ Brasil, 2014). O efeito do capacete é primordial na segurança do indivíduo, o qual segundo Waksman e Pirito (2005), seu uso por crianças pode ser responsável pela redução de traumatismo craniano em 60% dos casos e a mortalidade em até 15%. Supõe-se também que possa reduzir de 25% a 60% das lesões de acidentes em adultos (ERKE; ELVIK, 2007).

Conclusão

Ideias já implementadas em outras regiões do Brasil poderiam ser compiladas pela Setran com o intuito de beneficiar usuários de bicicleta, mas especificamente estudantes, através de um plano de mobilidade escolar, haja visto que, a utilização da bicicleta, inclusive por alunos do mundiar é uma realidade em Capanema.

REFERÊNCIAS

BRASIL (1997). Lei nº9503, de 23 de setembro de 1997. Código de Trânsito Brasileiro. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9503.htm

BRASIL. Ministério das Cidades. Gestão Integrada da Mobilidade Urbana (Curso). Brasília: Ministério das Cidades, 2006.

EMBARQ Brasil. MANUAL DE PROJETOS E PROGRAMAS PARA INCENTIVAR O USO DE BICICLETAS EM COMUNIDADES. Disponível em: http://thecityfixbrasil.com/files/2014/05/final_relat%C3%B3rio_embarq_maio2014_wireo_site.pdf. Acesso em: 19 julho 2017.

ERKE, Alena; ELVIK, Rune (2007). Making Vision Zero real: Preventing pedestrian acidentes and making them less severe. TOI report 889/2007, Oslo, Norway.

FERREIRA, C.R. Análise de parâmetros que afetam a avaliação subjetiva de pavimentos cicloviários: um estudo de caso em ciclovias do Distrito Federal. 2007. Dissertação de Mestrado em Transportes Urbanos. Universidade de Brasília, UnB, Brasília-DF, 2007.

GENGHINI, M.A.B. Políticas públicas para o uso da bicicleta como meio de transporte para o trabalho: entre realidade e utopia. Revista Direito e Liberdade – RDL – ESMARN – v. 16, n. 1, p. 135-169, jan./abr. 2014.

INSTITUTO DE ENERGIA E MEIO AMBIENTE-IEMA. (2010) A bicicleta e as cidades: Como inserir a bicicleta na política de mobilidade urbana, 2ed. São Paulo.

LACERDA, J.G. Bicicletas para crianças: saúde, diversão e trânsito. TRANSPORTE ATIVO. 2015.

NERI, Helen Carmen Ferreira Rebouças. Transporte não motorizado: o uso da bicicleta e seu potencial no entorno da Universidade Federal do Amazonas-UFAM. Dissertação (Mestrado). UFPB, 99f. 2014.

RAQUEL INÁCIO AMORIM. MOBILIDADE URBANA: O USO DA BICICLETA COMO ESTRATÉGIA DE ENFRENTAMENTO AO STRESS E ANSIEDADECAUSADO PELO TRÂNSITO. Monografia. Brasília 2014.

SILVEIRA, MARIANA OLIVEIRA; BALASSIANO, RONALDO.(2009) A Bicicleta e a redução de consumo de energia no setor de ransportes. In: XVI CLATPU-Congresso Latino Americano de Transportes Público e Uurbano, Buenos Aires.

SOBRINHO SEGUNDO, Irinaldo Lopes. A bicicleta como meio de transporte em São Luis-MA: Identidades em transito. Dissertação (Mestrado), Universiade Federal do Maranhão.143p, 2014.

TROCADO, P. As deslocações casa-escola e a mobilidade das crianças e dos jovens: uma breve reflexão. CADERNOS CURSO DE DOUTORAMENTO EM GEOGRAFIA FLUP. 2012.

WAKSMAN, R.D.; PIRITO, R.M.B.K. O pediatra e a segurança no trânsito. Jornal Pediátrico, 81 (5), 181-188. 2005.





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