ISSN 1678-0701
Número 64, Ano XVII.
Junho-Agosto/2018.
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14/06/2018COMO AS ESCOLAS EM JOÃO PESSOA–PB TRABALHAM COM A EDUCAÇÃO AMBIENTAL  
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Como as escolas em João Pessoa–PB trabalham com a educação ambiental

How the schools in João Pessoa – PB Works with environmental education

Alan Gurgel Saraiva: Graduado em Engenharia Ambiental pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em 2016, é especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho e está mestrando em Engenharia de Produção pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). E-mail: alan.gurgel@outlook.com

Resumo

Baseado no programa criado pelo Ministério da Educação e Cultura(MEC) em 2007: ‘’O que Fazem as Escolas que Dizem que Fazem Educação Ambiental?’’ Este artigo realizou um diagnóstico de como as escolas na cidade de João Pessoa, no estado da Paraíba(PB), trabalham com a educação ambiental(EA).

Palavras-chave: Educação Ambiental. Escolas. João Pessoa.

Abstract


Based on the program created by the Ministry of Education and Culture (MEC) in 2007: '' What Do They Do as Schools That Say They Do Environmental Education? '' This article made a diagnose how schools in João Pessoa, in Paraiba state, work with environmental education(EE).

Keywords: Environmental Education. Schools. João Pessoa.

1. Introdução

A educação ambiental (EA) é um campo de conhecimento que contém aspectos históricos, culturais, éticos, morais, ecológicos e de outras disciplinas tendo como objetivos: consciência, conhecimento, comportamento, habilidades e a participação do que diz respeito às questões ambientais. Heidari et. al.(2015) pensam de forma semelhante e definem a educação ambiental como a ferramenta e método mais eficaz para aumentar a conscientização e conhecimento, a fim de lidar com os desafios futuros, especialmente no que diz respeito à proteção do meio ambiente.

Hungerford e Volk (1990) afirmam que os objetivos da educação ambiental vão além da educação básico e do senso comum. Por isso, as pessoas entram em conflito com os objetivos da educação ambiental. A educação ambiental não exige apenas conhecimento, atitudes e habilidades, mas também exige a participação social. Da mesma forma, Varoglu et. al.(2018) afirmam que o conhecimento ambiental tem relação moderada com a atitude ambiental.

Novo-Corti et. al. (2017) confirmam que a educação ambiental revela-se uma ferramenta poderosa para gerar um comportamento verde entre os cidadãos. O comportamento verde consiste comportamentos indivual e doméstico que causam algum problema no meio ambiental, alguns desses problemas são: poluição, mudança climática, perda da biodiversidade, esgotamento de recursos naturais, etc.

Segundo a lei n° 9795/1999: ‘’Entende-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. ’’ Esta mesma lei também dispõem que a educação ambiental deve ser ensinada em todos os níveis de ensino. Por isso, Chaves e Gaia (2014), colocam que a escola deve ser o lugar onde o aluno é sensibilizado por questões ambientais, para que fora dela o mesmo possa dar continuidade para as suas ações ambientais, e assim ir se formando um cidadão e a escola também deve contínua e permanente está sensibilizando o professor já que ele é o principal agente promotor na escola, através de projetos e cursos de capacitação desses profissionais.

Conforme analisado por Chapman (2014) em seu estudo realizado em escolas públicas de 12 estados dos Estados Unidos sobre como as escolas trabalham com a educação ambiental foi concluído que as escolas têm bons ambientes que proporcionam condições adequadas para o desenvolvimento e motivação das atividades ligadas a educação ambiental.

A importância de realizar uma educação ambiental que cumpra seus objetivos é tão grande que, no ano de 2007, O Ministério da Educação e Cultura (MEC) fez um programa chamado “O que Fazem as Escolas que Dizem que Fazem Educação Ambiental?” com o objetivo de analisar como andava a educação ambiental nas escolas Brasileiras aplicando questionários para gestores de algumas escolas. Os únicos estados nordestinos que participaram desse programa foram Rio Grande do Norte e Ceará, de modo que não se tem conhecimento sobre nenhum projeto e/ou pesquisa feito para analisar a educação ambiental nas escolas de João Pessoa, no estado da Paraíba(PB).

Segundo esse relatório do Ministério da Educação (MEC) (2007), a educação ambiental no Brasil é realizada através de três diferentes abordagens principais: Projetos, Disciplinas Especiais e Inserção da Temática Ambiental nas Disciplinas, podendo ser ainda realizada através de: Tema Transversal, Inserção no Projeto Político Pedagógico, Datas e Eventos significativos e Atividades Comunitárias. Dos três temas principais analisados, foi verificado um crescimento de 90% para as modalidades Projetos e Disciplinas Especiais e apenas 17% para Inserção da Temática Ambiental nas Disciplinas durante o período de 2001 a 2004. Outro dado importante foi com relação à política de resíduos sólidos aplicada nas escolas que apresentou em segundo lugar entre as práticas aplicadas com relação a esse tema a queima dos resíduos, com 41,3% e apenas 5% das escolas reciclam ou reutilizam seu lixo.

2. Objetivo

Este trabalho trata-se de um estudo pioneiro, não se tem conhecimento de um estudo similar ter sido realizado antes em João Pessoa, no estado da Paraíba (PB). O objetivo deste artigo consiste em diagnosticar a situação atual da abordagem à problemática ambiental por parte das escolas do Município de João Pessoa (PB), despertando o interesse nos gestores na problemática ambiental e comparando as principais ações realizadas pelas escolas das redes municipal, estadual e particular.

O trabalho também tem a função auxiliar os gestores das escolas de como eles podem trabalham com a educação ambiental em suas escolas, contribuindo com o fornecimento de ideias e de informações contidos no questionário.

3. Metodologia

Através da aplicação de um questionário com dezenove perguntas, sendo quatorze de múltiplas escolhas e cinco abertas, aos gestores de dezesseis escolas públicas e privadas para avaliar a situação atual, as práticas mais utilizadas, e despertar a reflexão de questões ambientais através das respostas as questões.

O questionário foi aplicado entre os dias 31 de Agosto e 27 de Setembro de 2017, abordou temas como implementação da EA na escola, dificuldades da escola em trabalhar com educação ambiental, temas que as escolas tratam ao trabalhar com EA, mudanças que ocorrem na escola e na comunidade em decorrência do trabalho de EA desenvolvido pela escola, gestão, etc.

A partir dos dados obtidos com a aplicação dos questionários, foram elaborados gráficos utilizando o software Microsoft Excel 2010 para facilitar a leitura dessas informações.

O questionário aplicado foi focado nos gestores das escolas, porém os maiores beneficiários serão os alunos, visto que a reflexão por parte dos gestores das questões ambientais pode dar origem a projetos que serão facilmente absorvidos pelos alunos, além de divulgar as práticas ambientais mais utilizadas nas escolas, podendo servir de exemplo para as demais.

Este questionário aplicado foi baseado no mesmo questionário utilizado pelo MEC em 2004 para entrevistar escolas em alguns estados sobre como elas trabalham com a educação ambiental.

4. Resultados e Discussões

Após quase um mês de visitas as escolas, os seguintes dados foram obtidos:

Foram entrevistadas dezesseis escolas na cidade de João Pessoa para o presente trabalho, sendo: seis municipais, seis estaduais e quatro privadas. Com o propósito de saber como vem sendo aplicada a Educação Ambiental nas escolas da cidade de João Pessoa, o enfoque da presente pesquisa tem como ponto de partida a necessidade de aproximar-se da escola, e, portanto, coletar e sistematizar as primeiras impressões sobre a mesma.

Nesta seção será descrito as características dos respondentes do questionário com o intuito de conhecer um pouco sobre o perfil das dezesseis escolas de João Pessoa visitadas.

4.1. Características do respondente

A figura 1 apresenta a distribuição das escolas, segundo o cargo do respondente do questionário. A partir desta figura, é possível ver que a maioria dos respondentes, são coordenadores de escolas da rede privada. Também é importante observar que coordenadores e diretores da rede estadual e vice-diretores da rede municipal cada um desses cargos em suas respectivas redes de ensino respondeu três questionários. Houve uma tendência em delegar a função de preenchimento do questionário ao funcionário mais habilitado na área de conhecimento sobre a Educação Ambiental implantada na escola. Com base nisso, observa-se a maior importância da rede privada de segmentar sua administração com o uso dos coordenadores, enquanto que nas escolas da rede pública, esse trabalho foi realizado pelos diretores ou vice-diretores. De certa forma, isso demonstra certo acumulo de funções, uma vez que o diretor está envolvido com diversos outros afazeres, faltando tempo para planejar e implementar projetos de EA em sua escola.

Na figura 2, é possível ver o grau de formação dos respondentes e se percebe que a grande maioria dos respondentes tem especialização. Apenas dois confirmaram ter mestrado que foram os dois respondentes com maior grau de formação, um de escola privada e outra de escola municipal.

Figura 1: Distribuição de escolas segundo o cargo do entrevistado. Fonte: dados da pesquisa, 2016.

Figura 2: Grau de formação dos entrevistados. Fonte: dados da pesquisa, 2016.

Com o intuito, tão somente, de verificar a familiaridade dos gestores com relação à legislação específica sobre EA e caso essa não haja, despertar seu interesse no assunto foi perguntado aos respondentes se eles possuíam conhecimento da legislação que rege a educação ambiental no Brasil e na Paraíba através da Lei federal nº 9.795/99 e do Artigo 227 da Constituição da Paraíba inciso V que determinam a criação de uma disciplina específica de educação ambiental em todos os níveis de ensino. Apenas um dos respondentes demonstrou não conhecer nenhuma das duas leis, outro respondente disse que conhecia uma das leis, mas que aplica esta lei. Os demais respondentes demonstraram conhecer pelo menos uma das leis e aplicar ou ter conhecimento de ambas as leis e aplicá-las.

Foi notado certo desconforto, nos entrevistados, em responder que desconheciam a legislação, sendo inclusive observada uma tentativa de ludibriar a pesquisa, quando 6 dos entrevistados responderam conhecer e praticar ambas as leis e, em uma questão mais a frente, afirmavam não possuir uma disciplina específica.

Quando notado esse desconforto, com o intuito de promover EA aos gestores das escolas, foi esclarecido que a criação de uma disciplina específica é apenas uma das várias alternativas de promover EA no âmbito escolar e que era passível de críticas, visto que uma abordagem holística, inserida no conteúdo das outras disciplinas é capaz de produzir melhores resultados, fugindo do sistema tradicional cartesiano que transforma o conhecimento em caixas isoladas e sem interações.

Figura 3: Conhecimento dos gestores sobre a legislação que rege a educação ambiental no Brasil e na Paraíba. Fonte: dados da pesquisa, 2016.

4.2. Evolução e características da Educação Ambiental nas escolas

O objetivo desta seção é descrever como a educação ambiental de fato vem sendo trabalhada nas escolas. A figura 4 mostra o tempo de desenvolvimento da EA nas escolas, divididas por rede de ensino. A partir desses dados, foi calculada a média ponderada e verificou-se que o desenvolvimento desses processos é mais longo nas escolas privadas que nas escolas públicas sendo o tempo médio de realização de atividades nessa área de: dez anos nas privadas, seis nas municipais e quatro anos nas estaduais.

Figura 4: Tempo que as escolas desenvolvem educação ambiental. Fonte: dados da pesquisa, 2016.

Foi perguntado às escolas o que as motivaram a desenvolver projetos de educação ambiental. As opções mais afirmadas foram: “parâmetros em ação: meio ambiental na escola” e “Iniciativa de um professor ou um grupo de professores”. Por outro lado, nenhuma escola declarou ter iniciado projetos de educação ambiental por causa de projeto de empresa e uma escola da rede estadual declarou que um dos motivos que a fez iniciar projetos de EA foi projeto de ONG. Os resultados são mostrados na figura 5.

Figura 5: O que provocou as escolas a trabalhar educação ambiental. Fonte: dados da pesquisa, 2016.

Nenhuma das dezesseis escolas entrevistadas declarou ter uma matéria específica para ensina educação ambiental, sendo assim o ensino da educação ambiental em todas as escolas é feito inserindo a temática em outras disciplinas ou através da realização de projetos extraclasse. Para Lee e Kim (2017) A educação ambiental pode ser implementada através de outras disciplinas, atividades extracurriculares, e eventos escolares que tenha como temática o meio ambiente.

Mullenbach et. al. (2018) em um estudo concluiu que a conexão das crianças à natureza e atividades ao ar livre tem sido indicadas como preditivas do futuro comportamento ambientalmente responsável.

Na figura 6, é possível analisar bem como vem sendo a distribuição da temática ambiental nas disciplinas, com destaque para as geografia e ciências naturais, sendo a temática da EA inserida em mais de 90% das escolas nessas disciplinas. É importante destacar que as participações de matérias como a Língua Estrangeira e História representam um desafio para as escolas, e que, em geral, esses 18,75% e 25,00% de inserção, respectivamente, foram feitos através da introdução das disciplinas em projetos multidisciplinares.

Os resultados obtidos na tabela 6 comprova a conclusão que obtido no estudo realizado por Karvánko & Popjaková(2018), eles concluiram que a geografia como campo de educação oferece o potencial de enriquecer a educação em disciplinas de ciências naturais e ciências sociais. Provando assim que a geografia é como campo de educação é bastante interdisciplinar.

Álvarez (2004) afirma que o desenvolvimento de um modelo didático interdisciplinar onde inter-relacionaram as abordagens (sistêmica, comunitária e interdisciplinar) de Educação Ambiental permite maior orientação, interação professor-aluno e articulação entre conhecimentos e atitudes ambientais.

Para os autores Uitto & Saloranta(2017), alguns professores encontram dificuldades de associar a disciplina que leciona com educação para sustentabilidade.professores de disciplinas como biologia e geografia, história e geografia e, até certo ponto, também professores de religião e ética são capazes de usarem algumas vezes uma abordagem holistica para lecionar sobre sustentabilidade. Já professores de disciplinas como matemática, física, químicas e de línguas encontraram dificuldades para usarem uma abordagem holistica para lecionar sobre sustentabilidade.

Os autores Da Costa et. al.(2018) destacam outra dificuldade importante que os educadores ambientais tem, em um estudo de caso numa rede pública de ensino na cidade de Caxias do Sul – Rio Grande do Sul. Eles concluiram que os professores entrevistados pensam que o único objetivo da EA é apenas a conscientização ambiental, estes professores conserva uma visão naturalista do ambiente, segundo os autores da pesquisa.

Figura 6: Percentual de inserção da EA em disciplinas específicas (%).Fonte: dados da pesquisa, 2016.

Foi perguntado quais os principais objetivos da escola ao trabalhar com a educação ambiental, a escola teve que selecionar os três principais objetivos em ordem de importância. Para melhor compreensão desta questão foi estabelecido um peso na pontuação: o objetivo um vale cinco pontos, o objetivo dois vale três pontos e o objetivo três vale um ponto. A figura 7 demostra os principais objetivos da escola ao trabalhar com a EA.

Os itens com as opções: atender a demanda do governo, situar historicamente a questão socioambiental e conhecer os ecossistemas obtiveram pontuação zero. O objetivo mais importante mencionado pelas escolas entrevistadas é conscientizar alunos e comunidade para a plena cidadania com quarenta e quatro pontos, a segunda opção mais escolhida foi ensinar para presenvação dos recursos naturais com vinte pontos.

Figura 7: principais objetivos das escolas ao trabalhar com educação ambiental. Fonte: dados da pesquisa, 2016.

Para pode trabalhar com EA fora da escola é importante que o educador ambiental da escola procure apoio dos líderes da comunidade no desenvolvimento de seu trabalho, solicitando a colaboração de políticos, autoridades públicas, professores e líderes de bairros e imprensa, por exemplo. (Souza & Povaluk, 2010).

4.3.Principais temas tratados nos projetos de EA

Foi perguntando para as escolas os temas abordados nos projetos que elas desenvolvem sobre educação ambiental. O resultado está na figura 8.

Alguns resultados que chamam atenção no figura 8. Todas as escolas fazem projetos sobre água e lixo e reciclagem. O número de escolas que desenvolvem projetos sobre saúde e nutrição, poluição e saneamento, arte educação com sucata e plantas e animais são altos. Os projetos menos desenvolvidos pelas escolas são sobre práticas agrícolas e Agenda 21. O primeiro é justificável pelo fato das escolas analisadas serem, em sua totalidade, da zona urbana, porém, mesmo num cenário urbano, o cuidado com a terra é uma importante técnica de sensibilização e conhecimentos como esse ainda são capazes de aumentar a resiliência das comunidades para produzirem seu próprio alimento.

Figura 8: Quadro comparativo dos temas abordados nos projetos de EA nas escolas de João Pessoa (%). Fonte: dados da pesquisa, 2016.

Algumas escolas, por outro lado, desenvolvem outros projetos. Uma escola da rede particular de ensino declarou ter um projeto chamado praia limpa que leva alunos para sensibilizar e conscientizar os banhistas e frequentadores através de distribuição de sacos de papel para o lixo pessoal, evitando assim sacos plásticos deixados nas áreas ambientais.

Uma escola da rede municipal desenvolve um projeto com os moradores da comunidade do Timbó, uma comunidade localizada em João Pessoa, sobre os problemas que ações antrópicas causam na comunidade, relatando questões sobre saneamento básico direto do rio e conscientizar a comunidade do Timbó sobre o problema. Esse projeto é bastante interessante, pois muitos dos alunos são moradores da comunidade e, através dessa visita, foi possível que a escola associasse o desperdício de água dos alunos na escola com suas experiências diárias. Esse fato veio a promover um projeto de conscientização dos alunos na escola sobre a importância de evitar o desperdício de água. Por motivo como este, Kuo et. al. (2018) concluíram em um estudo que as aulas em contato com a natureza impulsionam o engajamento dos alunos na sala de aula e aumentam o interesse dos alunos em aprender mais.

Chowdhury (2011) diz que as questões ambientais desempenham um papel importante nas lições escolares, o que, por sua vez, terá um efeito positivo no interesse do aluno elementar e no conhecimento do ambiente. Discutir estas questões no ambiente escolar desperta o interesse dos alunos no aprendizado.

Uma escola da rede estadual declarou ter um convênio com um hotel da cidade, em que este estabelecimento está implantando uma horta orgânica na escola para fins educativos.

A respeito da frequência que as escolas fazem as atividades e projetos sobre educação ambiental, 90% afirmaram realizar educação ambiental inserida em várias disciplinas durante o ano letivo e 10% realizam uma vez por semestre.

Com relação à criação de projetos em educação ambiental, Aires e Suanno (2017) afirmam que: ”a EA, por meio de Projetos Transdisciplinares e a prática docente transdisciplinar, começa a delinear um caminho para a efetivação de uma Educação Ambiental que atenda aos principais dilemas ambientais vividos no mundo contemporâneo, contribuindo para o complexo desafio da EA, que é restabelecer a integração entre sociedade e natureza.”

4.4. Dificuldades que a escola enfrenta ao desenvolver a educação ambiental

Foi perguntado as escolas as dificuldades que elas enfrentam ao desenvolverem a educação ambiental. O resultado obtido está na figura 7.

Algumas discussões merecem destaque na figura 7. Onze escolas destacaram que a maior dificuldade que enfrentam é a falta de recursos materiais, a opção dificuldades da comunidade escolar de entender as questões ambientais teve resultado expressivo, com oito votos. duas escolas da rede estadual e uma da rede privada mostraram ter conflito de interesses como obstáculo para desenvolver a EA.

Brito et. al. (2018) afirmam que para fortalecer a educação como uma função substantiva, os currículos devem ser atualizados e integrados ao contexto da educação para a sustentabilidade em suas dimensões ambiental, social e econômica.

Em um estudo de caso, Bosa & Teser(2014) concluíram que as escolas encontram várias dificuldades para trabalhar com EA. Estas dificuldades estão nos aspectos físicos,didáticos e metodológicos. Todos com carência ou alguma carência.

Segundo Bosa & Teser(2014), a recente inserção temática da EA nas escolas, a falta de preparação dos professores e a falta conhecimento científico para efetivar melhorias nas atividades de EA contribuem para as dificuldades de trabalhar com EA nas escolas.

Figura 9: dificuldades apontadas pelas escolas ao desenvolveram EA. Fonte: dados da pesquisa, 2016.

4.5. Melhorias na escola e no entorno da escola depois que a escola começou a trabalhar com EA

Nesta seção do questionário foi feita uma série de perguntas sobre as mudanças que houve dentro e fora da escola depois que a mesma começou a desenvolver a EA. As escolas tinham três opções para responder: Sim, Não ou Ainda não foi possível avaliar. As tabelas 1 e 2 mostram os resultados.

Tabela 1: Resultados sobre as melhorias dentro da escola depois que a escola começou a trabalhar com EA. Fonte: dados da pesquisa, 2016.

Na tabela 1, Alguns resultados que merecem destaque são: A maioria das escolas respondeu sim para onze alternativas. Na pergunta oito, A resposta predominante foi não. A participação nas escolhas em conselhos e comitês comunitários ainda é baixa.

Na tabela 2, alguns resultados que merecem destaque são: nenhuma escola declarou haver formação de ONGs e associações ambientalistas e grupos de educadores ambientais na comunidade depois que a escola começou a desenvolver a educação ambiental. treze escolas afirmaram que desenvolvem projetos de educação ambiental de acordo com as necessidades da comunidade, isso é bom porque estes projetos vão proporcionar uma qualidade de vida melhor para os moradores próximos das escolas e fortalecer a relação entre escola e comunidade. Um número considerável de escolas (seis) declarou que a comunidade tem problema com resíduo sólido. Como as escolas falaram que desenvolvem projetos de acordo com as necessidades das comunidades se espera que esse projeto seja reduzido brevemente com a ajuda das escolas e algumas localidades.

Tabela 2: Resultados sobre as melhorias em torno da escola depois que a escola começou a trabalhar com EA. Fonte: dados da pesquisa, 2016.

Na tabela 1, Alguns resultados que merecem destaque são: A maioria das escolas respondeu sim para onze alternativas. Na pergunta oito, A resposta predominante foi não. A participação nas escolhas em conselhos e comitês comunitários ainda é baixa.

Na tabela 2, alguns resultados que merecem destaque são: nenhuma escola declarou haver formação de ONGs e associações ambientalistas e grupos de educadores ambientais na comunidade depois que a escola começou a desenvolver a educação ambiental. treze escolas afirmaram que desenvolvem projetos de educação ambiental de acordo com as necessidades da comunidade, isso é bom porque estes projetos vão proporcionar uma qualidade de vida melhor para os moradores próximos das escolas e fortalecer a relação entre escola e comunidade. Um número considerável de escolas (seis) declarou que a comunidade tem problema com resíduo sólido. Como as escolas falaram que desenvolvem projetos de acordo com as necessidades das comunidades se espera que esse projeto seja reduzido brevemente com a ajuda das escolas e algumas localidades.

4.6. Análise das questões subjetivas

Foram feitas cinco questões subjetivas para os respondentes visando maior liberdade de resposta e inserção de possíveis dados não contemplados no questionário, são elas:

1-Como você definiria a EA desenvolvida na sua escola?

2-Como você vê e/ou planeja a EA na sua escola nos próximos três anos?

3-O que é necessário saber em termos de EA na sua escola que não foi contemplado no questionário nem em nossa conversa?

4-A escola faz alguma interação com a comunidade?

5-Em sua opinião, existe desperdício de água e/ou de energia na escola? Se sim, esse desperdício é maior por parte dos alunos ou dos funcionários? Como você acredita que essa situação poderia ser alterada?

As escolas deram respostas similares para as 3 primeiras perguntas com algumas ressalvas.

As escolas definiram a educação ambiental nelas desenvolvida como sendo boa, uma escola da rede municipal inclusive citou em sua resposta que ela foi escolhida para participar do programa escola sustentável com outras escolas do município e da conferência estadual infanto/juvenil por causa dos seus projetos e interesse na educação ambiental.

Na questão dois, todas as escolas disseram que pretendem manter os projetos já existentes e algumas delas afirmaram implementar novos projetos.

Na questão três, o questionário foi muito elogiado pelas escolas sendo que algumas delas reclamaram sobre pequenos detalhes. Duas escolas da rede estadual disseram que gostariam que tivessem mais palestras sobre educação ambiental e que profissionais formados na área trabalhassem nas escolas para haver um maior aprofundamento no tema. Duas escolas da rede pública e duas escolas da rede privada acrescentaram informações de seus projetos de educação ambiental.

Na questão quatro, A maioria das escolas afirmou que não tem interação com a comunidade ou que a interação é feita através de reuniões com os pais dos alunos que interagem com a comunidade, porém algumas delas se limitam a reunião com os pais dos alunos. Uma escola da rede privada mencionou que sempre desenvolve projetos de educação ambiental com alunos, pais dos alunos e a comunidade do bairro.

Na questão cinco, dez das escolas que entrevistadas disseram ter desperdício de água e/ou energia. Na maioria dos casos, foi citado que a culpa do desperdício é por parte dos alunos. Os colégios foram unanimes em dizer que a maneira de alterar essa situação seria fazer um trabalho de conscientização, especialmente em cima dos alunos, mostrando a importância de não desperdiçar água e nem energia. É importante mencionar que uma escola da rede estadual declarou haver problemas no sistema de energia da escola por isso há desperdícios nessa escola. A figura 10 demostra as informações obtidas na questão cinco.

Figura 10: Desperdício de água e/ou energia nas escolas. Fonte: dados da pesquisa, 2016.

5. Conclusão

A construção de valores, conhecimentos, habilidades e atitudes conscientes com relação ao meio ambiente são os principais objetivos da Educação Ambiental. Como esta é uma temática bastante ampla, técnicas desenvolvidas especificamente para esses objetivos são bastante úteis para aumentar a eficiência desses processos. Com base no exposto, a pesquisa foi realizada na tentativa de desenvolver um diagnóstico para obter informações de como está sendo realizada a Educação Ambiental nas escolas na cidade de João Pessoa.

O ponto negativo desta pesquisa foi o número pequeno de escolas entrevistadas, apenas dezesseis escolas. O número de escolas entrevistadas poderia ter sido maior, mas algumas escolas se recusaram a serem entrevistadas.

Foram analisadas dezesseis escolas da zona urbana de João Pessoa, sendo: seis municipais, seis estaduais e quatro privadas. Dessas escolas, todas afirmaram desenvolver processos de Educação Ambiental, porém, foi notado que o desenvolvimento desses processos é mais longo nas escolas privadas, sendo o tempo médio de realização de atividades nessa área de: dez anos nas privadas, seis nas municipais e quatro anos nas estaduais.

Nenhuma das dezesseis escolas entrevistadas declarou ter uma matéria específica para ensina educação ambiental. No entanto, todas as escolas afirmaram realizar educação ambiental inserida em várias disciplinas durante o ano letivo. Porém, é importante destacar que existe uma dificuldade em inserir a temática em matérias como língua estrangeira e história.

É possível concluir que de acordo com os questionários respondidos houve melhorias na estrutura da escola e os entrevistados demonstraram que os alunos são conscientes em relação à temática ambiental.

Apesar do número da amostra de escolas entrevistadas ter sido pequeno, esta pesquisa serve como uma pesquisa piloto para futuramente pode realizar uma pesquisa mais ampla e profunda com um número maior de escolas em João Pessoa e obter mais informações sobre como as escolas de João Pessoa trabalham com a educação ambiental.

Como recomendações finais, recomenda-se avaliar a eficácia dos métodos desenvolvidos de educação ambiental pelas escolas com a realização de questionários com os alunos para avaliar a eficácia das técnicas desenvolvidas e também, como foi detectada uma dificuldade em inserir algumas disciplinas no contexto da educação ambiental, a introdução dessas disciplinas em projetos multidisciplinares e o ensino aos professores dessas matérias em como abordar as temáticas ambientais através de técnicas simples já existentes como as apresentadas no livro “Educação Ambiental” de Michèle Sato (2002) podem ser bastante úteis.

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EURASIA Journal of Mathematics, Science and Technology Education, Volume 14, Edição 3, p 997-1004. 2018






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