ISSN 1678-0701
Número 62, Ano XVI.
Dezembro-2017/Fevereiro-2018.
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11/12/2017AVALIAÇÃO DA PERCEPÇÃO DO RISCO EM UMA POPULAÇÃO DO SEMIÁRIDO EXPOSTA A TÓXICOS AMBIENTAIS.  
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AVALIAÇÃO DA PERCEPÇÃO DO RISCO EM UMA POPULAÇÃO DO SEMIÁRIDO EXPOSTA A TÓXICOS AMBIENTAIS

Mycarla Nely Rodrigues dos Santos¹, Júlio Alejandro Navoni², Viviane Souza do Amaral³

¹ Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - Campus Universitário, Lagoa Nova – Natal/RN. CEP: 59.072-970, (84) 3214-5993, mycarla_nely@yahoo.com.br

² Doutor em Toxicologia – Campus Universitário, Lagoa Nova – Natal/RN. CEP: 59.072-970, (84) 3215-9209, navoni.julio@gmail.com

³ Doutora em Genética, Professora Adjunta do Departamento de Biologia Celular e Genética da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Campus Universitário, Lagoa Nova – Natal/RN. CEP: 59.072-970, (84) 3215-9209, vi.mariga@gmail.com

 

RESUMO

            Ao longo da vida o homem consome direta e/ou indiretamente inúmeras substâncias tóxicas, naturais e sintéticas, as quais podem gerar efeitos deletérios tanto nos ecossistemas quanto à saúde das populações expostas. Neste contexto o município de Lajes Pintadas/RN/Brasil possui características geológicas, tais como reservatórios de metais e radionuclídeos, que podem influenciar negativamente na qualidade ambiental e, consequentemente, na saúde da população. A análise de percepção de risco além de ser o primeiro passo para entender as problemáticas de interesse ambiental e sanitário, torna-se um instrumento fundamental uma vez que subsidia informação de interação mútuo homem/ambiente no cenário a ser estudado. Sendo assim, este trabalho teve como objetivo avaliar a percepção da população em relação a exposição a contaminantes ambientais, tanto de origem natural quanto antrópica, através da realização de um questionário com 70 itens, que envolveram características sociodemográficas, fatores de risco e determinantes de exposição. Foram realizadas um total de 223 entrevistas, representando uma população de 933 indivíduos, pertencentes aos núcleos familiares atingidos. Mesmo que tenham sido descritas falências na formação educacional e muitos núcleos familiares possuírem ao menos uma necessidade básica insatisfeita, a população de Lajes Pintadas pode ser caracterizada como saudável.  Em termos de qualidade de vida, hábitos saudáveis desde o ponto de vista social, nutricional e cuidados da saúde foram as características mais representativas, contextualizado num ambiente não poluído nem relacionados diretamente a atividades que envolvam exposição a substancias tóxicas. No entanto, uma alta prevalência de aborto espontâneo e câncer foram reportados. A percepção de problemáticas ambientais estiveram associadas com o grau de formação educacional e com o tempo de moradia no município, além da ocorrência de casos de câncer. Dentre as problemáticas a queima de lixo e a radioatividade natural foram as mais citadas. Diante da informação obtida neste estudo e a relação causal descrita na bibliografia entre a prevalência de neoplasias com a ocorrência natural de radioatividade, fato já constatado no município de Lajes Pintadas, estudos de avaliação de risco dirigidos a ratificar esta hipótese serão necessários.

 

Palavras chave: comunicação do risco, radiação natural, poluição ambiental, saúde pública.

 

 

RISK PERCEPTION ASSESSMENT OF A POPULATION FROM THE SEMIARID NORTHEAST EXPOSED TO ENVIRONMENTAL TOXICS

 

ABSTRAT

 

Human being throughout its lifespan consumes directly and / or indirectly countless of toxic substances, both natural and synthetic ones, which can generate deleterious effects both on ecosystems and the health of exposed populations. In this context, in the Lajes Pintadas city / RN / Brazil there are geological characteristics, such as metals and radionuclides reservoirs, that can negatively influence the environmental quality and, consequently, the health of the population. The analysis of risk perception, besides being the first step to understand issues of environmental and sanitary interest, becomes a fundamental instrument since it subsidizes information about the mutual interaction man / environment of the studied scenario. Therefore, the objective of this study was to assess the perception of the population in relation to the exposure to environmental contaminants, both from natural and anthropic origin, through a questionnaire with 70 items, which involved sociodemographic characteristics, risk factors along with exposure determinants. A total of 223 interviews were performed, representing a population of 933 individuals, belonging to every family nucleus.

Eventhough educational failures have been described and many family groups described at least one unsatisfied basic need, the population of Lajes Pintadas could be characterized as healthy. In terms of quality of life, healthy habits from the social, nutritional and health care point of view were the most representative characteristics, contextualized in an environment neither polluted nor directly related to activities involving exposure to toxic substances. However, a high prevalence of miscarriage and cancer were reported. The perception of environmental concerns was associated with the degree of educational training and length of time in the locality, besides the occurrence of cancer cases reported. Among the concerns described, waste burning and natural radioactivity were the most cited. Considering the obtained information in this study and the causal relationship described in the literature between the prevalence of neoplasias and the natural occurrence of radioactivity, a fact already verified in the locality of Lajes Pintadas, risk assessment studies aimed at ratifying this hypothesis will be necessary.

Keywords: risk communication, natural radiation, metal pollution, health hazards.

 

 

1.    INTRODUÇÃO

A busca por novas tecnologias, iniciada no século XVIII com a Revolução Industrial, tem tido como objetivo proporcionar ao homem uma melhor qualidade de vida. No entanto, as mudanças acarretadas no novo estilo de vida trouxeram como consequência a exposição indiscriminada a uma infinidade de compostos capazes de gerar danos no ambiente e nas populações afetadas (POSE-JUAN; FERNANDEZ-CRUZ; SIMAL-GÁNDARA, 2016). Efluentes industriais, resíduos sólidos não biodegradáveis, gases poluentes, tóxicos incorporados nos bens de consumo, alimentos com agrotóxicos, são algumas das inúmeras fontes antrópicas de contaminação ambiental e que faz do homem vítima de seus próprios atos (DORNELES et al., 2013; IVAR DO SUL; COSTA, 2014; PEREIRA et al., 2016; SŁOWIK-BOROWIEC et al., 2016; TAYEB et al., 2015), as quais geram desde impactos pontuais a efeitos em nível global, como por exemplo, o efeito estufa (IPCC, 2014).

Frente a essa situação, atualmente, as principais potências mundiais têm estimulado a minimização, por meio de políticas públicas, da emissão de resíduos e da recuperação de ambientes impactados. Contudo, em países em desenvolvimento, como o Brasil, essas práticas não têm sido incorporadas em função de que grande parcela do seu crescimento econômico está associado ao desenvolvimento industrial (SUZIGAN; FURTADO, 2006). Tal atividade proporciona aos polos comerciais do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, aumento na arrecadação financeira gerando emprego e renda. Em contrapartida, a falta de legislação que regulamente a disposição final de resíduos bem como a falta de fiscalização, favorecem cada vez mais a geração de impactos que vão desde o detrimento da qualidade dos recursos naturais à saúde das populações, tornando essas regiões líderes em contaminação ambiental (MIRAGLIA; GOUVEIA, 2014).

No Nordeste brasileiro a poluição é ainda mais preocupante devido às condições ambientais particulares da região.  Cabe salientar que a disponibilidade de recursos hídricos vem se tornando cada vez mais escassa, devido à seca extrema que atinge a região desde o ano de 2012 (MARTINS et al., 2015). Soma-se a isso, diversos municípios nordestinos, compartilham a mesma formação geológica, rica em jazidas de pedras preciosas e diversos metais de grande interesse econômico, além de urânio nos afloramentos pegmatíticos encontrados na área (CPRM, 2013). A presença desses metais em solo de áreas habitadas gera uma potencial exposição da população à contaminantes naturais, como por exemplo, a exposição à radionuclídeos contidos na formação rochosa. Dentre eles, pode-se destacar o gás Radônio (Rn) que é um subproduto oriundo do decaimento do Urânio-238 e apresenta um forte potencial carcinogênico, sendo considerado a segunda causa de câncer de pulmão no mundo (IARC, 2001). Adicionalmente à contaminação natural, a exposição ocupacional a altos níveis de metais tem efeitos deletérios comprovados sobre a saúde (JOMOVA; VALKO, 2011). Desta forma, a exposição natural a esses elementos (geralmente a baixas concentrações) podem acarretar danos na saúde ambiental e da população de modo imperceptível (BERSIMBAEV; BULGAKOVA, 2015; CHAVES et al., 2016).

A presença desses elementos, podem gerar alterações nos ecossistemas aquáticos, desde a diminuição da qualidade da água até efeitos negativos nos biomas associados. Além disso, tem sido observado que a exposição a níveis baixos de certos metais foram relacionados com efeitos na saúde da população. De fato foi demonstrado que a exposição a baixos níveis de chumbo podem acarretar problemas renais e vasculares (BINNS; CAMPBELL; BROWN, 2007). Contudo, o grupo mais suscetível são as crianças, uma vez que tal intoxicação pode afetar o desenvolvimento cognitivo e psicomotor (FRASER; MUCKLE; DESPRÉS, 2006; VALENT et al., 2004). Ainda, efeitos severos podem ser observados, como o desenvolvimento de câncer, associados a exposição de metais como o Cadmio, o Crômio e o Níquel (IARC, 2006). Portanto, ambientes com tais caraterísticas geoquímicas tornam-se sítios de risco potenciais para a saúde das populações estabelecidas. Na região objeto de estudo vários trabalhos têm descrito níveis baixos de exposição, mesmo assim demostraram risco sanitário a elementos tais como o chumbo, o níquel, o manganês, o crômio e o cadmio em reservatórios hídricos (BARBOSA et al., 2010; CHAVES et al., 2016; FAGUNDES SOARES GARCIA et al., 2011; MARCON et al., 2017). Por outro lado, altos níveis de radioatividade têm sido associados à efeitos mutagênicos em uma população também exposta a radioatividade natural, descrevendo uma região que requer um entendimento claro do risco toxicológico associado com a exposição ambiental antes descrita (MARCON et al., 2017).

Diante desse contexto ambiental, é importante entender como a própria comunidade percebe o meio em que vive. A avaliação da percepção de risco, é uma ferramenta de baixo custo, com resultados rápidos, que fornece informações relevantes para compreender como os indivíduos interpretam e julgam os possíveis riscos que os cercam. A análise de percepção de risco envolve os aspectos intrínsecos entre o indivíduo e o meio ambiente baseado na mutua interação, e com isso, gerando as ideias de compreensão do entorno. Além disso, é fortemente influenciada pelas condições socioeconômicas e culturais nas quais o indivíduo está inserido (VILLAR et al., 2008). Dessa maneira, a percepção de risco torna-se uma ferramenta vital como primeiro passo no entendimento de uma problemática socioambiental.

 Sendo assim, o objetivo deste trabalho foi realizar um estudo de avaliação da percepção do risco no município de Lajes Pintadas, localizado na região pegmatítica (Fig. 01) do semiárido potiguar, a fim de entender os potenciais riscos associados a presença de contaminantes, tanto de origem natural quanto antrópica.

Figura 1 - Localização da Província Pegmatítica do Borborema, Nordeste-Brasil (MIRANDA, 2012).

 

2. METODOLOGIA

2.1 Caracterização da área de estudo

O estudo foi realizado no município de Lajes Pintadas localizado na mesorregião Agreste do estado do Rio Grande do Norte, no nordeste brasileiro (Fig. 02). Encontra-se a 138Km de Natal, capital potiguar, possuindo uma extensão em torno de 130Km². Segundo a última estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (2016), a cidade apresenta aproximadamente 4.813 habitantes, distribuídos de modo praticamente uniforme entre as zonas urbana e rural. As principais atividades econômicas desenvolvidas no município são: o comércio, o extrativismo e a agropecuária. A prática do extrativismo, atualmente em declínio, é voltada para obtenção de minérios, gemas de turmalina e água marinha, provenientes das rochas pegmatíticas (RAO et al., 2004).

 

 

Figura 2 - Mapa de Localização de Lajes Pintadas, Rio Grande do Norte-Brasil (Fonte: Google Maps).

 

2.2 Avaliação da percepção do risco

  Como instrumento de análise foram realizadas entrevistas utilizando um questionário semiestruturado com 70 perguntas, o qual buscou avaliar os seguintes aspectos: i) Características sociodemográficas: idade, sexo, tempo de moradia e escolaridade; e características sociais e sanitárias: consumo de álcool e/ou tabagismo, histórico de doenças; ii) Percepção ambiental: questões sobre conhecimento de danos ao meio ambiente que fossem prejudiciais à saúde, existência de contaminação natural e qualidade da água; iii) Determinantes de exposição. Consideraram-se aspectos tais como: manipulação de produtos químicos, tipo de moradia, uso de produtos contendo metais tais como o chumbo, condições da estrutura e origem do material de construção da residência.  Além disso, foi realizada uma análise de vulnerabilidade socioeconômica baseada na investigação das necessidades básicas insatisfeita (FERES; MANCERO, 2001), as quais foram definidas pela presença de uma ou mais das seguintes características infraestruturais ou de moradia: acesso a água potável, condições sanitárias adequadas, crianças frequentando a escola, residência com dimensões satisfatórias para habitar e condições estruturais. As entrevistas foram realizadas em espaços cedidos pela prefeitura, e o recrutamento foi por meio de convite aberto a toda comunidade do município. A pesquisa foi realizada com a aprovação do Comitê de Ética da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (CAEE: 20368713.8.0000.5537 de 2014). Todos os entrevistados foram informados das circunstâncias da entrevista e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido sobre a pesquisa requisitada pelo referido comitê de ética.

2.3 Análises estatísticas

Os discursos das questões abertas foram interpretados com base em Análise de Conteúdo (BARDIN, 2004). A abordagem quantitativa foi feita através da tabulação dos dados por meio de análise categorial. A análise inferencial foi realizada mediante a análise da distribuição de frequência por meio de tabelas de contingência utilizando o teste de Qui-quadrado. Os dados foram analisados por meio do programa SPSS Statistics versão 20 (Statistical Package for the Social Science).

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Um total de 223 moradores tanto da zona rural quanto da urbana participaram da pesquisa. Quando extrapolamos esse número e levamos em consideração os núcleos familiares participantes, o estudo pode comtemplar um total de 933 indivíduos.

As características sociodemográficas da população envolvida neste estudo estão discriminadas na tabela 1. Os entrevistados foram predominantemente mulheres, sendo a participação delas quase 2 vezes superior em relação aos homens. Torna-se possível presumir, com isso, que as características culturais desta comunidade, em geral, estabelecem que as mulheres sejam as responsáveis por cuidar da casa e dos filhos, estando assim disponíveis a participar da pesquisa. Já os homens são aqueles responsáveis por sustentar financeiramente a família, ou seja, eles estariam trabalhando e não poderiam estar participando da pesquisa. Isso levanta a ideia de uma sociedade patriarcal, onde o homem tem o papel de trabalhar para sustentar a família e a mulher é aquela responsável por cuidar da casa e dos filhos. Apesar dessa cultura estar sendo questionada e a passos lentos vencida, o modelo de família patriarcal, fortemente consolidada no Brasil, principalmente nas cidades do interior, é reafirmada nos dados aqui levantados.

 

Tabela 1 - Dados sociodemográficos da população estudada.

Variável

Categorias

N (%)

Sexo

Feminino

139 (62,3)

Masculino

84 (37,7)

Idade

Crianças (0 a 15 anos)

91 (40,8)

Adultos (16 a 59 anos)

100 (44,8)

Idosos (≥60 anos)

32 (14,4)

Escolaridade

Fundamental incompleto

110 (49,3)

Fundamental completo

14 (6,3)

Ensino médio incompleto

19 (8,5)

Ensino médio completo

44 (19,7)

Superior incompleto

1 (0,4)

Superior incompleto

4 (1,8)

Sem escolaridade

10 (4,5)

Tipo de trabalho

Agricultor

38 (17,0)

Dona de casa

24 (10,8)

Outros

35 (15,7)

Estudante

126 (56,5)

Exposição ocupacional a Chumbo (Pb)

Não

174 (95,6)

Sim

8 (4,4)

Exposição ocupacional a outros produtos químicos

Pesticidas

23 (10,3)

Saniantes

26 (11,7)

Não

168 (75,3)

Tintas, vernizes, solventes e esmaltes

6 (2,7)

Água para consumo humano

Torneira

131 (72)

Mineral

44 (24,2)

Poço

7 (3,8)

Residência com três ou mais pessoas por quarto

Não

129 (70,9)

Sim

53 (29,1)

Residência insatisfatória (em condições precárias)

Não

121 (54,3)

Sim

61 (27,4)

Residência com condições sanitárias adequada

Não

178 (97,8)

Sim

4 (2,2)

Residência com crianças (6 a 12 anos) que não frequentam a escola

Não

101 (55,5)

Sim

34 (18,7)

Não se aplica

47 (25,8)

 

A idade da população estudada incluiu toda a faixa etária desde 02 a 86 anos de idade sendo representativa da localidade objeto de estudo para compreender as possíveis exposições a contaminantes em todas as fases de vida. Setenta por cento dos entrevistados residem no município desde a infância. É bem consolidada a aliança estabelecida entre moradores de municípios do interior com sua cidade natal. Segundo Lucena & freire (2014), a população mais idosa permanece ao longo de toda sua vida no mesmo local em que nasceu, onde criam laços com a região e consequentemente obtendo uma imagem temporal e representativa apurada das condições e mudanças do cenário estudado. Estes dados estão de acordo com os obtidos por Nasuti et al.  (2013), em pesquisa sobre os conhecimentos tradicionais e as previsões meteorológicas, realizada no semiárido potiguar. Além disso, o fato da maior parte da população entrevistada residir ao longo de toda sua vida na região se torna relevante por estabelecer uma “exposição crônica” ao ambiente estudado e, portanto, aos potenciais contaminantes e sua relação direta com saúde da população ali presente.

Mais de 60% dos entrevistados não possuem formação em educação básica, apresentando cerca de cinco por cento de analfabetos e pouco mais de 3% com formação no ensino superior. Apenas 14% dos participantes com 18 anos conseguiram concluir o ensino médio, ou seja, a maior parte desta população não consolida os estudos em tempo hábil. Como consequência as novas gerações destes núcleos familiares, geralmente, não são incentivadas/direcionadas a investirem no conhecimento como forma de ascensão socioeconômica. Estudos sobre percepção ambiental realizados por Lucena & Freire (2012; 2014), em diferentes municípios da região, compartilharam dessa mesma realidade. Tal fato não difere com a realidade de outros municípios do nordeste do Brasil (IBGE, 2010). O nível de instrução se mostrou ser um fator determinante na percepção (dos riscos) associada a uma problemática ambiental determinada.

Considerando a parcela da população que se encontra empregada, cerca de 40% dos participantes são agricultores e pouco mais de 35% desempenham função do lar. Ambas categorias, geralmente, estão expostas a produtos químicos relacionados a suas atividades. Cerca de 40% destes que fazem uso de tais substâncias não possuem escolaridade satisfatória. No entanto, não foi encontrada uma relação significativa entre ser escolarizado versus trabalhar com produtos químicos (Odds Ratio 0,505 / IC 95%: 0,211- 1,209). Pesticidas e saneantes foram os mais citados em relação a exposição ocupacional a contaminantes. O uso indiscriminado de agrotóxicos é uma das grandes problemáticas relacionadas a contaminação ambiental por xenobióticos.  A exposição a essas substancias não está restrita aqueles que trabalham na agricultura, mas também expõe aqueles que ingerem água e alimentos contaminados por resíduos. Diversos estudos vêm levantando preocupações sobre os efeitos comprovados desses tóxicos a saúde humana (DAMALAS; ELEFTHEROHORINOS, 2011; MOSTAFALOU; ABDOLLAHI, 2013). Já a manipulação, muitas vezes incorreta, de saneantes é responsável por vários casos de intoxicação domiciliar (TEIXEIRA SANTOS et al., 2011). Dessa forma, pode-se considerar que boa parte dos participantes estão laboralmente expostos a substâncias potencialmente tóxicas, no entanto, trata-se de uma exposição discreta e pontual. Importante salientar que o uso e a adoção de medidas protetivas corretas, no manuseio de agentes químicos, irão depender de como esses indivíduos percebem o risco que correm, bem como o nível de instrução que possuem para tais fins.

Muitos fatores sociais auxiliam na compreensão de populações estudadas, tornando-se possível estabelecer relações entre o modo/condição de vida dos indivíduos e doenças por eles desenvolvidas, bem como a relação que estas pessoas estabelecem com o meio em que vivem. Sendo assim, avaliar as necessidades básicas insatisfeitas possibilita a identificação de grupos sociais vulneráveis, e com isso relacionar, por exemplo, a exposição a tóxicos ambientais.

Os resultados mostram que um baixo número de residências apresenta problemas na sua infraestrutura, bem como uma superlotação no número de habitantes por moradia. Além disso, mesmo com um maior acesso à educação, quase 20% dos núcleos familiares investigados apresentam crianças fora da escola. Integrando a informação antes descrita, 38% da população apresenta condições de vulnerabilidade infraestrutural descrevendo uma parcela significativa que está susceptível a potenciais problemáticas sanitárias. Por outro lado, o consumo de substâncias lícitas, tais como álcool e tabaco, é uma prática social que expõe o indivíduo a compostos químicos capazes de gerar danos não só a própria saúde, mas também aqueles do convívio social do usuário. Apesar de mais de 50% dos participantes afirmarem nunca consumirem bebida alcoólica, esse dado pode não refletir no hábito da população total do município, já que aqueles que responderam os questionários foram em sua maioria mulheres, e cerca de 26% recusaram responder. Mesmo assim, a bebida citada como a mais consumida é a cerveja (consumida por mais de 50% dos indivíduos), a qual apresenta, geralmente, teor alcoólico em torno de 5,0%. Dentre as bebidas citadas, esta é a que possui o menor percentual de álcool na sua constituição. Considerando a quantidade de número de copos/semana ingerida pelas pessoas (1 a 5; 6 a 10; 11 a 20; mais de 20 copos), o volume (L) ingerido de álcool puro/ano, foi de: 0,52 – 2,6; 3,12 – 5,2; 5,72 – 10,4 e > 10,92 respectivamente.  A média global de consumo de álcool pelos entrevistados esteve abaixo da média nacional, que segundo dados do Relatório Global sobre Álcool e Saúde da Organização Mundial de Saúde - OMS (2014), estima-se que o brasileiro consume entre 7,5 – 9,9 L/ano de álcool puro. Com isso, aqueles que afirmaram consumir bebida alcoólica não foram considerados alcoólatras.

Quando se deixa de considerar a exposição individual (consumo de álcool) e se considera a exposição a contaminantes em nível coletivo podemos, primeiramente, considerar a esfera domiciliar como um ambiente favorecedor da exposição a substâncias potencialmente tóxicas. A exposição a contaminantes em ambientes fechados (indoor), como as residências, pode ser considerada, em muitos momentos, até mais nociva à saúde humana, quando comparada a exposições ao ar livre (outdoor). Nos ambientes fechados, devido a menor circulação de ar, a dispersão de qualquer substância ali presente se torna mais lenta, aumentando o tempo de exposição. Características do ambiente e os hábitos sociais irão influenciar nos níveis de exposição, sendo importante observar o padrão da construção, tais como: material utilizado, ventilação, espessura das paredes, estado de conservação da casa; além disso, verificar a utilização de produtos (manipulação e/ou armazenamento de compostos químicos, como: tintas, solventes, vernizes, saneantes, pesticidas, dentre outros) no interior da morada. Utilizando desses aspectos foi possível observar que, geralmente, as residências do município de Lajes Pintadas/RN (zona urbana) são do tipo “conjugadas” com poucas e estreitas janelas, o que diminui a circulação do ar, além de seguirem um modelo arcaico, com paredes bem espessas, o que favorece a exposição indoor a contaminantes.

Ao se referir a contaminação em ambientes confinados, o tabagismo é uma das mais importantes e frequentes fontes de contaminação. Quando avaliado a frequência desse hábito em Lajes Pintadas, foi possível observar que cerca de 40% dos entrevistados fazem ou já fizeram o uso do tabaco. Tal hábito prevalece entre as mulheres, sendo estas 52,2% dos atuais fumantes e mais de 60% dos que já abandonaram o hábito. Sendo este um dos hábitos sociais que mais expõe os indivíduos do convívio domiciliar a toxinas, é relevante citar que não é apenas aquele que fuma que está sujeito a exposição, mas aqueles que residem e/ou convivem na casa, por vezes, até mais expostos a esses tóxicos que o próprio fumante, classificados como fumantes passivos e de “terceira mão”. O primeiro inala as toxinas enquanto o fumante inala o fumo do cigarro, já o segundo é aquele que está exposto as toxinas que ficam impregnadas em estofados, carpetes, cortinas e no entorno da moradia que acabam sendo uma fonte de exposição, principalmente para crianças, que tem a respiração mais rápida e entram constantemente em contato com superfícies. Por tanto uma alta parte da população estudada se encontra exposta tanto diretamente quanto por consequência de partilhar o ambiente aos produtos nocivos do tabaco (WINICKOFF et al., 2009).

Como indicado anteriormente, o tabagismo é a primeira causa de câncer de pulmão no mundo. No entanto a segunda causa é um gás naturalmente presente no ambiente da área de estudo, o gás Radônio (IARC, 2001). Trata-se de um contaminante natural passível de ser encontrado no ar, na água e no solo. Vários estudos têm documentado a presença deste carcinógeno em moradias da região incluído o município de Lajes Pintadas (CAMPOS et al., 2013; MARCON et al., 2017).  A presença de urânio na região foi citada como fonte contaminante por 20% da população entrevistada. Além disso, outros 20% reconheceram a mineração, hoje pouco desenvolvida na região, como fonte poluidora. Juntos, os dois exemplos somam a opinião de quarenta por cento dos entrevistados e estão diretamente ligados a problemática de que a exposição aos minerais presentes naturalmente na região pode gerar danos à saúde humana.

O modelo de construção das moradias em Lajes Pintadas é um dos fatores que contribui para a exposição à radioatividade natural. Vale salientar que a exposição domiciliar é mais acentuada já que é, geralmente, dentro de casa que as pessoas passam grande parte do tempo. Sabendo que os elementos radioativos podem ser provenientes de fendas na infraestrutura do imóvel, da ausência de isolamento em relação ao solo assim como dos materiais utilizados na construção das moradias, buscou-se conhecer a origem desses materiais. Mais de 90% dos entrevistados declararam utilizar materiais locais, como pedras e areia, para erguerem suas casas. Tal fato pode estar relacionado aos altos níveis de gás Radônio descrito no interior das residências, como já foi visto em estudos que investigam materiais empregados na construção (KAYAKÖKÜ; KARATEPE; DOGRU, 2016; PIRSAHEB et al., 2016), incrementando assim o potencial risco de exposição. A International Commission on Radiological Protection – (ICRP, 2011), propôs que o valor máximo de radônio no ar não ultrapasse 300Bq/m³. Um estudo desenvolvido por Campos et al. (2013), o qual mediu os níveis do gás Radônio em residências do município, encontrou valores entre 7 - 4055 Bq/m³. Com isso algumas residências de acordo com os dados obtidos nesse trabalho, estão acima dos limites permitidos pela ICRP em mais de 10 vezes. Não apenas a origem do material de construção, mas até mesmo o estado de conservação da estrutura residencial é um fator importante. Cerca de 27% dos entrevistados afirmaram ter problemas com a má conservação das paredes (fissuras, rachaduras).  De acordo com a (ICRP, 2011), isto pode aumentar a taxa de gás Radônio indoor expondo os indivíduos a uma maior concentração deste contaminante, e os consequentes danos gerados a saúde.  Portanto, fatores sociais (tabagismo) quanto ambientais (radônio) podem ter um efeito sinérgico sobre a incidência de doenças associadas a exposição destas substancias. 

Desde um ponto de vista outdoor em relação a poluentes atmosféricos, uma prática comum nos municípios interioranos, é a geração de diversos tóxicos e consequentemente contaminação do ar através da queima do lixo, realizada como alternativa para a disposição final dos resíduos sólidos. Esta atividade foi citada por quase 40% dos entrevistados como um dos problemas que mais causa danos à saúde da população local. Toda combustão gera inúmeros compostos particulados que irão poluir o ar, e que serão dispersados para áreas do entorno, originado diversos problemas a saúde (LEWTAS, 2007). A preocupação diante disso é o fato da maioria dos bens de consumo atuais serem constituídos de inúmeros tóxicos, como os Poluentes Orgânicos Persistentes (POP’s), destacando o grupo das dioxinas e Bifenilas Policloradas (PCB’s). As dioxinas são formadas principalmente pela queima de lixo doméstico e hospitalar. De acordo com Dorneles et al. (2013), as PCB’s uma vez liberados ao ambiente acumulam-se na cadeia trófica, e consequentemente, pode acarretar problemas na saúde do homem. Outros compostos altamente persistentes e muito empregados são as Binifenilas Polibromadas (PBB), os “retardantes de chama” - utilizado amplamente pelas indústrias têxteis, estando presentes em travesseiros, colchões, tintas, plásticos, eletroeletrônicos, etc (PEREIRA et al., 2016), e o antimônio, elemento presente na composição de diversos plásticos também considerado um cancerígeno para o homem (DE BOECK; KIRSCH-VOLDERS; LISON, 2003), dentre outros. Esta família de substâncias tem sido amplamente estudada por sua capacidade como disruptores endócrinos e vários destes compostos têm uma ação cancerígena comprovada inclusive a baixas concentrações (ELOBEID et al., 2010; KNERR; SCHRENK, 2006). Com o fortalecimento da obsolescência programada, esses bens de consumo tornam-se lixo em curto espaço de tempo, gerando grande preocupação frente ao problema de poluição. Por isso a prática da queima do lixo torna-se mais uma importante fonte de exposição a contaminantes ambientais, podendo gerar efeitos adversos a saúde da população exposta.

Associado a isto, outro problema ambiental relevante da disposição incorreta dos resíduos sólidos é a contaminação do lençol freático devido a percolação do chorume, processo da dinâmica dos lixões. Mesmo quase metade da população tendo estabelecido que o lixo é um problema que afeta a saúde, apenas 20% dos entrevistados apontaram o lixão como um dos principais problemas ambientais da cidade. Numa região como Lajes Pintadas/RN, onde a escassez de água é um problema recorrente, uma das alternativas encontradas é a utilização de águas subterrâneas por meio da perfuração de poços. O acúmulo de lixo e os produtos da queima podem percolar prejudicando a qualidade do lençol freático, e desta forma aumentando a exposição por via digestiva somando-se a exposição prévia por via respiratória. Além disso, devido a não prática da separação do lixo doméstico, atrelado a destinação incorreta de materiais - pilhas, baterias, lâmpadas e medicamentos – gera-se uma situação mais agravante resultante da contaminação dos compartimentos ambientais por metais pesados (Cd, Li, Cu, Pb, Hg, etc.) incluindo outras problemáticas sanitárias emergentes como o  descarte incorreto de medicamentos na rede de esgoto e lixo (BERNARDES; ESPINOSA; TENÓRIO, 2004; FOCAZIO et al., 2008).

A vasta exposição a tóxicos ambientais vem contribuindo ao longo de décadas no aumento da prevalência de fatores que impactam a saúde da população exposta, tais como: doenças, má formações congênitas e abortos. Quando associado o consumo de álcool e o hábito de fumar, anteriormente citados, foi possível observar que as mulheres que se declararam fumantes apresentaram em média quase quatro vezes mais a chance de ter aborto em relação aquelas que não fumam (OR 3,82 / IC 95%: 1,13 - 12,8). Já o risco associado entre aborto versus consumo de álcool não foi um fator influente (OR 1,02 / IC 95%: 0,33 - 3,10). Mais de trinta e sete por cento, ou seja, dos 159 indivíduos que responderam esta pergunta, 60 afirmaram que em seu núcleo familiar alguma mulher não conseguiu manter a gravidez. Este valor é maior mais de duas vezes a média nacional (14%) identificada por Cecatti et al. (2010), ratificando a influência do hábito de fumar sobre o efeito a saúde e considerando o fato que poderia estar estreitamente vinculado com um sinergismo entre a co-exposição ao gás Radônio aumentando assim a incidência de abortos como descrito anteriormente.

No entanto, outro fator importante a ser considerado para discutir a ocorrência de abortos espontâneos é a consanguinidade entre os genitores (CHAMAN et al., 2014). Pelo fato de Lajes Pintadas ser um município interiorano pequeno, a união entre parentes pode ser algo comum, podendo influenciar, juntamente com o hábito de fumar e a exposição indoor ao Rn, na alta incidência descrita. Outro dado significativo foi o número de famílias que apresentaram histórico de neoplasia. Cerca de sessentas por cento dos entrevistados relataram casos de câncer entre familiares. O Radônio e um gás com comprovada ação carcinogênea em humanos (IARC, 2001). Existe suficiente evidência científica que sustenta a relação entre a exposição natural ao gás e o desenvolvimento de câncer de pulmão (YOON et al., 2016). No entanto, outros tipos de câncer têm sido associados a essa exposição. Por exemplo, recentemente tem sido associado a incidência de leucemias em crianças expostas a este gás (PRIEST et al., 2013). Ainda, nos últimos anos evidências relatam o papel do Rn dissolvido na água na incidência de câncer de estomago (BARBOSA-LORENZO; BARROS-DIOS; RUANO-RAVINA, 2017). É interessante salientar que localidades que têm apresentado altos níveis de Rn em seus compartimentos ambientais tem uma tendência positiva marcante desses tipos de câncer quando comparado com localidades com baixos níveis de radioatividade sustentando a necessidades de futuros estudos sobre esta problemática (MARCON et al., 2017). Adicionalmente, mais de 20% dos entrevistados apontaram a ocorrência de má formação congênita na família. A exposição à radiação natural pode ser um fator de influência no surgimento de anomalias congênitas (JAIKRISHAN et al., 2013). No entanto, como indicado anteriormente, a consanguinidade poderia contribuir como um fator adicional de vulnerabilidade aos efeitos sobre a saúde tornando a população vulnerável frente a determinados níveis de exposição.

Segundo a OMS a prática frequente de esportes somado a costumes alimentares saudáveis são comprovados fatores protetivos ou retardantes no desenvolvimento de diversas doenças (WHO, 2003). Foi observado que mais de 65% dos participantes relataram a prática rotineira de exercícios físicos, e mais de 90% dos entrevistados descreveram hábitos alimentares e nutricionais compatíveis com uma consciência preventiva no cuidado da saúde. Não entanto, esses fatores protetivos não apresentaram associação significativa para a prevalência ou não de doenças entre os entrevistados, apresentando OR 0,531 / IC 95%: 0,297 – 0,949, e OR 2,537 / IC 95%: 0,710 – 9,060, respectivamente.

Mesmo apresentando alta prevalência de problemas em relação à saúde (câncer, aborto e más-formações) como indicado anteriormente, a percepção da população sobre a qualidade de vida de Lajes Pintadas foi positiva, pois afirmaram que se trata de um ambiente saudável para viver, sendo esta a visão de mais de 70% dos entrevistados. A característica “saudável” foi interpretada pelos participantes tanto pelas relações sociais quanto ambientais estabelecidas entre indivíduos/região. Várias citações, a exemplo: laços de amizades, residirem no município desde a infância, ser um ambiente calmo/sem violência, proximidade com a natureza, não ter tanta poluição; ilustram as relações estabelecidas entre a população e o meio que a cerca. Tais sentimentos muitas vezes são compartilhados por moradores de cidades pequenas do interior que estão frequentemente distantes dos centros de desenvolvimento econômico/industrial. São nesses polos onde se dá um processo de desconstrução a nível de relações interpessoais entre a comunidade e o meio ambiente (MELAZO, 2005).

A preocupação com ações poluidoras, que degradam o meio ambiente e que consequentemente causam malefícios à saúde, vem sendo a cada dia incorporada ao saber/agir da população contemporânea. Frente aos altos níveis de degradação ambiental e a utilização desenfreada dos recursos naturais, tem-se uma tendência à inquietação pela preservação daquilo que é natural. Começa a se despertar aspectos cruciais para o direito e a qualidade de vida a todo ser vivo, tais como: o cuidado com o meio ambiente e a consciência que os recursos naturais são limitados (PEREIRA, 2007). Assim como vários municípios do interior, Lajes Pintadas apresenta vários tipos de danos ao meio ambiente. Foram descritos entre eles a geração de lixo e esgoto, poluição do ar por cerâmicas e queima do lixo, e o desmatamento. Tais opiniões totalizam em torno de 35% dos entrevistados, e foram percebidos como os danos ao meio ambiente que refletem ou irão refletir na qualidade de vida da população. O grau de escolaridade é um dos fatores que mais reflete no posicionamento crítico do indivíduo frente aos problemas ambientais e os possíveis riscos que o cerca (FERREIRA et al., 2008; RECENA; CALDAS, 2008). A percepção dos aspectos supracitados representa uma preocupação com o meio ambiente. Ao relacionar esta preocupação com o nível intelectual da população (considerado satisfatório aqueles que concluíram o ensino médio), observou-se uma associação significativa (OR 13,84 / IC 95%: 1,76-108,61) ratificando assim, a influência da escolaridade no comportamento da população frente as problemáticas de índole ambiental.

O tempo de moradia foi outra variável de sensibilização frente a percepção de impactos ambientais. Aqueles que residem em Lajes Pintadas há mais de 30 anos apresentaram quase duas vezes mais chances de identificar danos ambientais do que aqueles que estão no município a menos tempo (OR 1,78 / IC 95%: 1,00 - 3,21). O tempo de morada estabelece uma identidade entre a população e o lugar escolhido para residir, isso pode os tornar mais críticos com a situação do seu entorno. Essa condição pode ter favorecido a associação significativa entre a ocorrência de câncer nas famílias investigadas e a percepção de danos ambientais pelos entrevistados (OR 2,04 / IC 95%: 1,11 – 3,76), onde aqueles com parentes que tem ou já tiveram câncer mostraram 2 vezes mais chances de perceber algum problema ambiental na região quando comparados com os indivíduos que não apresentam neoplasias na família. Com isso, se pode afirmar que parte da ocorrência de câncer na região pode estar relacionada a algum problema ambiental aí estabelecido. Diante da clareza que danos ambientais são prejudiciais à saúde, aproximadamente cinquenta por cento dos entrevistados afirmaram ter conhecimento de alguma situação de contaminação natural ou antrópica na região, as quais envolvem questões geogênicas e que foram percebidas e relacionadas com a atividade de mineração desenvolvida na região.

Um dos recursos mais afetado pela presença desses minérios é a água. A preocupação com a qualidade dos recursos hídricos, principalmente em áreas de escassez de água como o semiárido brasileiro, no qual Lajes Pintadas está inserida, é cada vez mais discutida (GARFÌ et al., 2011).  Diversos estudos descrevem a presença de metais e radiação natural em várias regiões do Rio Grande do Norte, incluindo Lajes Pintadas  (BARBOSA et al., 2010; CHAVES et al., 2016; MARCON et al., 2017; VERÇOSA et al., 2017). Além disso, pesquisas realizadas na região de Lucrécia, também no RN, apresentaram altos índices de radioatividade, sendo encontradas várias alterações genéticas em células de peixes quanto em células humanas descrevendo uma região impactada naturalmente pela presença de radioatividade (FAGUNDES SOARES GARCIA et al., 2011; MARCON et al., 2010). Considerando a água como principal vetor de exposição e disseminação de contaminantes, as perguntas estiveram dirigidas a entender o papel deste recurso como fator de risco de exposição. Frente aos estudos mencionados e as citações feitas pelos entrevistados, foi possível perceber que a população tem certo esclarecimento de que o município apresenta tal contaminação e que esta pode estar gerando impactos negativos na saúde dos moradores. Foi questionado aos entrevistados qual é o tipo de água por eles consumida e o porquê dessa escolha. Sessenta e cinco por cento afirmaram beber água da torneira, apresentando as seguintes justificativas: “...acho boa...”, “...a água mineral é cara...”, “...uso a da torneira depois de filtrar...”, dentre outras. Já cerca de 25% relataram consumir água mineral porquê: “...é a mais saudável...”, “...a água da torneira é ruim...”, “...o médico passou...”. Apenas 7 indivíduos (3,8%) alegaram beber água de poço sendo este o único acesso disponível (habitantes de zona rural).

Tendo em vista que o município de Lajes Pintadas possui traços de urânio na sua formação rochosa e apresenta altos níveis de gás radônio na água e no ar, além de níveis variáveis de metais de interesse toxicológico (CAMPOS et al., 2013), e por consequência seus corpos d’águas estão passíveis de contaminação, buscou-se associar o consumo da água local com a percepção em considerar ou não o recurso bom para saúde. No entanto, não foi achada associação entre essas variáveis (OR 0,348 / IC 95%: 0,099–1,216). Esse resultado pode refletir no fato da zona urbana (maior participação na pesquisa) do município ser abastecida por uma adutora do Estado do RN, a qual capta água de uma região sem potencial radioativo descrito até o momento, não gerando preocupação da população estudada. No entanto, a população da zona rural que é totalmente abastecida por água subterrânea (poços), a qual naturalmente pode estar associada a altos índices de radionuclídeos provenientes do solo, não apresentaram preocupação associada a estes fatores. Por tanto, o nível de percepção relatado descreve uma limitação ao relacionar os problemas ambientais apenas como aqueles onde os sentidos sensoriais apresentam um papel principal (tal como o cheiro gerado pela queima de resíduos sólidos). Além disso, o nível intelectual é um fator diferencial, como indicado anteriormente, que influencia a percepção de outras problemáticas cientificamente comprovadas.

4. CONCLUSÃO

Este estudo pôde representar a realidade de Lajes Pintadas, diante da proporção entre os núcleos familiares atingidos e a população total do município. A avaliação da percepção do risco proposta demostrou que, como inúmeras cidades do interior do Brasil, Lajes Pintadas compartilha alguns problemas ambientais oriundos da falta de investimentos e de políticas públicas eficientes. Além disso, a população apresenta condições socioeconômicas que a torna vulnerável as problemáticas ambientais ali estabelecidas. Mesmo a maioria da população não apresentando conhecimento sobre a radiação natural, existe uma percepção clara da presença de um problema que está causando danos à saúde dos moradores. Isto ocorre não pelo fato dos entrevistados vivenciarem o risco, por exemplo de ter câncer, mas por ter relacionado a ocorrência de casos na família. Diante dos resultados obtidos, somados ao referencial científico considerado, a percepção do risco irá corroborar futuros estudos de avaliação do risco, possibilitando o gerenciamento dos problemas identificados através da adoção de medidas mitigadoras que venham a minimizar os impactos à saúde de populações que residem em áreas com radioatividade natural significativa.

 

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