ISSN 1678-0701
Número 62, Ano XVI.
Dezembro-2017/Fevereiro-2018.
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11/12/2017TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA LIMPA: VALORES, COMPETÊNCIAS E ATITUDE PARA UM MUNDO DA SUSTENTABILIDADE QUE DEVE SER ENSINADO NAS ESCOLAS.  
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TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA LIMPA: VALORES, COMPETÊNCIAS E ATITUDE PARA UM MUNDO DA SUSTENTABILIDADE QUE DEVE SER ENSINADO NAS ESCOLAS

Clean technology transfer: Values, skills and attitude for a world of sustainability that must be taught in schools

Autoria:    

CUZZUOL, Rosanete – mestranda em Ciência, Tecnologia e Educação

SILVA, F. José Geraldo – Doutor

NUNES, C. Marcus Antonius – Doutor

 

Resumo

Este artigo traz uma abordagem acerca dos problemas do meio ambiente, desde quando e como foram surgindo, como eles se constituem e quais as principais consequências advindas dos mesmos. Também traz abordagens baseadas em vários autores e em trabalhos de entidades preocupadas com as questões que afetam o ambiente da vida no planeta Terra. A terra, a água e o ar são os constituintes básicos em que todas as ações dos seres vivos, entre os quais o ser humano, se desenvolvem visando a alimentação e a movimentação necessárias para que haja bem-estar geral. Dividido em três itens e vários subitens a pesquisa é basicamente bibliográfica, mas também traz as impressões autorais advindas da vivência e da experiência como estudante, cidadã e professora no ensino básico.

Palavras-chave: meio-ambiente, preservação, ensino integrado, poluição, lixo

 

Abstract

This article presents an approach about the problems of the environment, from when and how they came about, how they are constituted and what are the main consequences of them. It also brings approaches based on various authors and on works of entities concerned with issues that affect the environment of life on planet Earth. Earth, water and air are the basic constituents in which all the actions of living beings, including the human being, develop in order to feed and move in order to have general well-being. Divided into three items and several sub-items, the research is basically bibliographical, but also brings the author's impressions of experience and experience as a student, citizen and teacher in elementary education.

Key-words: environment, preservation, integrated education, pollution, waste

 

INTRODUÇÃO

            A escola é o espaço privilegiado para que os cidadãos do futuro possam aprender como respeitar, preservar e melhor o meio ambiente.

            O presente artigo possui como tema “o meio ambiente que nos inquieta” e visa pesquisar como historicamente os fatos e fatores relacionados com a vida do homem na terra foi modificando o ambiente. Depois, pretende analisar como as ações humanas para poder sobreviver foram afetando os elementos constituintes da natureza e, aos poucos, gerar problemas até que, em nossos tempos, surge uma enorme preocupação com as condições ambientais para que seja possível a humanidade sobreviver por mais muito tempo.

            Por isso, o presente artigo contém três itens principais, sendo que o primeiro aborda o que começou a inquietar a escola e a vida. Este item subdivide-se em três partes, a saber: o ambiente em que vivemos; a degradação ambiental começa e se acentua; e muita inquietação. Este item, pois, determina quais os passos que a pesquisa deve abordar. A segunda parte enfoca a poluição ambiental como ela ocorre; não está dividido em subitens e traz algumas explicações buscadas na bibliografia. Já o terceiro item, o uso de uma tecnologia mais limpa, traz exemplos de como fazer, onde fazer, o que é apresentado em dois subitens: algumas ações importantes; e algo não difícil, basta vontade. Nesta terceira parte, trazemos várias afirmas de autores que se preocupam em orientar e explicar o funcionamento de ações que são essenciais na preservação e no melhoramento das condições ambientais para a possibilidade da existência da vida em nosso planeta, em todas as suas manifestações.

            O objetivo principal da pesquisa é trazer à tona uma reflexão sobre a importância do envolvimento da escola em tudo que diz respeito ao ensino integrado e interdisciplinar para que o meio ambiente seja uma preocupação constante nas pequenas e grandes ações das pessoas, das entidades e também na esfera governamental. Há a intenção, com base nas captações bibliográficas, de indicar sugestões proativas práticas que podem fazer a diferença na diminuição do lixo descartável, na poupança de energia e até na economia pessoal e familiar.

            Todas as afirmações apresentadas neste trabalho têm base, ou em experiências vividas pela autora, ou na pesquisa realizada pela leitura de obras acerca do assunto.

            O mais importante de tudo é educar e fazer com que o cidadão comum entenda que tudo o que ele faz ou fará gerará impactos no meio ambiente que o cerca. É somente com práticas e ações visando a sustentabilidade que estará garantida uma vida melhor e mais satisfatória, para ele mesmo e para as gerações futuras. Por isso, a preocupação enfatizada que a escola é a esfera primeira e básica para acontecer a formação de cidadãos conscientes de sua missão no mundo em que a degradação ambiental já foi longe demais.

 

1     INQUIETAÇÃO NA ESCOLA E NA VIDA

 

1.1 O ambiente em que vivemos

 

1.1.1     No longínquo passado

O ser humano é composto de matéria orgânica e matéria espiritual. Modernamente, poderia alguém dizer: matéria orgânica e matéria virtual. A terra, considerando seus constituintes como solo, água e ar fornece toda a matéria orgânica e inorgânica necessária para a sobrevivência dos seres vivos. Primitivamente, o ser humano conseguia, na natureza, a alimentação necessária mediante a coleta de frutas, raízes, caules e sementes das plantas, a captura de animais e de peixes. Respirava o ar das florestas, savanas, praias e desertos e bebia a água de rios e fontes. Costumava permanecer mais tempo próximo a essas fontes de água.

 

1.1.2     Após a descoberta do fogo

 

Assim como a queda de um raio foi vista acender uma fogueira, conforme se presume, quando o homem procurou manter essa chama acesa até descobrir uma técnica para criar o fogo quando dele precisasse, sem a necessidade de carregá-lo para onde precisava se deslocar, o homem começou a manipular seus alimentos assando e cozinhando as carnes, as sementes e as raízes. Assim podia conservar provisões por pequeno espaço de tempo, evitando o risco de passar fome em momentos quando não podia caçar, pescar ou colher.

A disponibilidade do fogo foi o precursor da atividade agrícola, que proporcionava a disponibilidade de mais variedades alimentícias. Paralelamente, a domesticação de animais como cachorro, boi e cavalo e a criação de porcos, galinhas, entre outros, provocou o abandono do nomadismo e fixou o homem à terra, gerando o apossamento de pequenas ou grandes áreas de terra para o cultivo.

 

1.1.3     Nos tempos modernos

 

A evolução do conhecimento humano ocorreu, durante milênios, bem lentamente, porém a partir do desenvolvimento tecnológico com as grandes guerras, no século XX, essa evolução foi gigantesca. É quando surge a mecanização cada mais intensa nas atividades rurais e industriais, beneficiando pequena parte das pessoas, os donos do capital, e marginalizando enormes contingentes de seres humanos que começam a se aglomerar nos cortiços e nas atuais favelas das grandes cidades. Isso tudo aconteceu em função do êxodo rural pela migração às cidades em busca de melhores condições de vida e que acabou em verdadeiras tragédias em todos os sentidos.

 

1.2 A degradação começa e se acentua.

À medida que atividade intensiva do uso do solo e da água foi ocorrendo ao longo do tempo, aconteceu o exaurimento de muitas áreas levando até à desertificação de muitas delas. Por isso, ocorreram migrações de colonos em busca de áreas virgens, ocasionando a derrubada de enormes áreas florestais e o assoreamento dos rios. Por outro lado, nas cidades começou a preocupar a questão do lixo gerado pela atividade humana – tanto a residencial como a da produção industrial. De repente, grandes lixões foram se formando com o que restava não aproveitável na vida diária, com a construção civil e com a produção industrial. Junte-se a isso a enorme necessidade da disponibilidade de água para as atividades e o descarte dela após o uso, causando, ao ser devolvida aos mananciais, a poluição desses e até do mar. Em função da necessidade sempre crescente de energia para as máquinas agrícolas e as industriais, ocorre a queima de materiais orgânicos – lenha – e fósseis – carvão mineral e petróleo, sendo os resíduos, principalmente o gás carbônico e o metano, entre outros gases, jogados no ar, poluindo a atmosfera a ponto de prejudicar enormemente a saúde humana, pela inspiração, a partir da respiração desses gases junto com o oxigênio, que fica menos em quantidade e qualidade nas áreas intensamente poluídas.

 

1.2.1     A locomoção acentua a poluição do ar

 

Não bastasse a necessidade de máquinas, que usam energia proveniente de fontes orgânicas e fósseis, tanto na agricultura como na indústria, o transporte de pessoas e de bens agrícolas e industriais exige a necessidade do uso de navios, já não movidos a velas coma energia do vento, de ônibus e caminhões e automóveis, em número cada mais maior, além de aviões de grande porte – até de helicópteros nas grandes metrópoles. Todos esses meios de locomoção usam, basicamente, os subprodutos do petróleo – óleo diesel, óleo combustível mais bruto, gasolina, querosene – cuja queima nos motores eleva demais a presença de gás carbônico na atmosfera, gerando o famigerado aquecimento global.

 

1.3 Muita inquietação

 

Subitamente, as pessoas começam a acordar para o problema meio ambiente. O que provoca essa inquietação?As respostas são muitas:

a)    Ar com forte mau cheiro e respiração difícil;

b)    Inundações de áreas urbanas próximas a rios e riachos pelo fato de haver residências em áreas que deveriam ser de preservação permanente;

c)    Falta de água ocasionada pela ausência prolongada de chuvas ou falhas na captação, tratamento e distribuição;

d)    Alimentos de baixa qualidade, por manipulação industrial ou conservação inadequada e procedência duvidosa;

e)    Alimentos contaminados por agrotóxicos;

f)     Lixo jogado sem critérios em locais inadequados ou sua manipulação errada;

g)    Desperdício de alimentos e resíduos reaproveitáveis;

h)   Falta de alimentos para grande parte da população em áreas;

i)     Separação inadequada do lixo, tanto por desconhecimento como por comodismo e pouca conscientização em relação ao problema;

j)      Pouquíssimo reaproveitamento de resíduos a partir da pouca reciclagem dos mesmos com perda enorme de valiosos elementos, o que gera mais desgaste na natureza para obtenção de novos recursos não renováveis;

k)    Produção agrícola em larga escala com fins industriais e para exportação em detrimento da produção de alimentos frescos na medida exata das necessidades;

l)     Utilização demasiada de adubos químicos em vez de orgânicos e uso, em excesso, de defensivos agrícolas venenosos, como secantes, inseticidas, fungicidas e outros;

m)  Desperdício de alimentos por má manipulação, problemas no transporte e intempéries;

n)   Ocorrência cada vez mais seguida de tragédias com temporais como vendaval, chuva de granizo, chuvas torrenciais e também de secas muito prolongadas.

O rol de respostas poderia ser até maior, mas com essas já é possível gerar grandes debates comunitários e escolares, além de conferências, simpósios, fóruns, etc., organizados por entidades governamentais e não-governamentais para chegar a uma conscientização maior por parte de toda a comunidade.

 

1.3.1     E a escola com isso?

É primordial trabalhar essas questões nas escolas, nas mais diversas áreas, sendo a de ciências e a de artes uma das que podem dar grande contribuição para tanto.

Como isso poderia ser implementado deve ser debatido exaustivamente no âmbito da direção com a supervisão escolar, juntamente com os docentes das diversas áreas. Precisa ser um trabalho integrado em que os alunos das escolas se tornam agentes de conscientização em suas famílias e em seu ambiente comunitário. Conforme Salles, 2013[1],

É preciso que haja inter-relação entre as disciplinas do currículo escolar e a comunidade, para que juntos realizem uma educação ambiental voltada para a mudança do comportamento humano, tendo a Escola como um agente transformador da cultura e principalmente da conscientização das pessoas para o problema ambiental a partir de sua própria realidade.

Considerando a importância da temática ambiental é necessário que se desenvolvam conteúdos, ou seja, meios que possam contribuir com a conscientização de que os problemas ambientais dizem ser solucionados mediante uma postura participativa de professores, alunos e sociedade, uma vez que a escola deve proporcionar possibilidades de sensibilização e motivação para um envolvimento ativo dos mesmos. (SALLES, Carolina – site da Jusbrasil).

 

Depreende-se, pois, um papel sumamente importante da escola na questão ambiental no que concerne à conscientização de cada ser humano para que o futuro seja melhor.

 

2     A POLUIÇÃO AMBIENTAL COMO ELA OCORRE

 

Segundo a Comissão Parlamentar para Estudo, Ação e Defesa do Meio Ambiente, da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, existem os seguintes tipos de poluição ambiental:

a)            Poluição natural – existente desde que apareceram sobre a face da terra as plantas e os animais;

b)            Poluição térmica – ocorre onde as indústrias contribuem com efluentes em altas temperaturas;

c)            Poluição pelos esgotos – consiste em resíduos domésticos brutos ou parcialmente tratados;

d)            Resíduos industriais – sob as formas sólida, líquida e gasosa: vapores fumaças e gases tóxicos – materiais flutuantes como óleos, graxas e sólidos flutuantes sendo serragens, papéis, fibras, plásticos, etc. – sólidos sedimentáveis, como limalhas, aparas metálicas, fuligens, pó de carvão – matéria coloidal, como resíduos de indústrias alimentares, tintas e produtos químicos diversos – sólidos dissolvidos, como sais minerais e substâncias tóxicas (fenóis, arsênico, hidrocarbonetos tais como pesticidas, herbicidas, elementos radioativos e ionizantes) (1972, p.18-20).

 

É lógico que esse resumo apresentado há cerca de 40 anos, hoje pode e deve ser tido como simples, se levado em conta que desde então inúmeros elemento poluentes entraram em cena, como é o caso dos equipamentos eletrônicos descartados em grande quantidade e também de eletrodomésticos, usados por certo período de tempo, nem muito longo e não mais consertados, mas trocados por novos. Nisso incluem-se também alguns meios de locomoção como carros e motos. Atualmente sobram toneladas de televisores, computadores, telefones celulares, pneus de carros e mais uma infinidade de objetos que as pessoas não guardam mais. Ajunte-se a isso, uma gama enorme de papelada oriunda de uma burocracia absurda, que, aos poucos, aparece para descarte.

Muito dessa mania de descarte dos objetos, após poucos anos de uso, advém do fato de a indústria com o marketing midiático levar os cidadãos e terem a ideia de que a última moda em equipamentos revela um status econômico e social que nem sempre se seria capaz de ostentar, a não ser com um endividamento o que leva a outro tipo de poluição: cartões magnéticos em demasia.

Um problema cruel na atualidade consiste na disponibilidade da água para o uso humano, uma vez que ela é básica para a vida, pois todas as pessoas precisam de vários litros diários para beber e manter o corpo saudável, como ela é usada na higiene do corpo e para o despacho dos excrementos no esgoto, além do uso no preparo dos alimentos (cozimento), da higienização da casa, de utensílios de cozinha e das vestimentas. Em determinadas épocas e regiões, a falta de chuvas leva ao esgotamento dos recursos hídricos disponíveis, gerando problemas como desabastecimento e/ou racionamento da água de uso doméstico.

Conforme Genestretti, 2013,

“Parece absurdo, mas uma única folha de papel pode precisar de 7 litros de água para ser produzida, um par de jeans, de outros 11 mil litros. Isso ajuda a explicar por que o setor industrial absorve 20% de todo o consumo de água do planeta, o dobro da fatia usada para fins domésticos.” (GENESTRETTI, Guilherme. Você tem sede de quê? In Meio ambiente: um mundo melhor. Brasileiros Editores, 2013, p. 10).

Ainda no mesmo encarte da revista se lê, na página 29: “Segundo o IBGE, só 32,3% dos municípios brasileiros têm coleta seletiva do lixo, enquanto 42,7% têm nenhum programa para separar os resíduos.” (AMARAL, 2013)

Genestretti, 2013, afirma:

“Todo ano, fogo, motosserras e tratores destroem 13 milhões de hectares de mata no mundo, enquanto pouco mais da metade é reflorestada no mesmo período. É como se a cada 12 meses sumisse do mapa o equivalente a uma Costa Rica inteiramente recoberta de florestas, derrubadas pelo avanço da fronteira agrícola, pela exploração não controlada de seus recursos e pela ocupação humana.” (GENESTRETTI, Guilherme. As florestas. In Meio ambiente: um mundo melhor. Brasileiros Editores, 2013, p. 40).

Partindo do pressuposto de que a atividade humana, desde a agricultura e a pecuária em grande extensão – o chamado Agronegócio – passando pela industrialização de alimentos, vestuário, itens de comunicação e locomoção, tudo gera poluentes e elementos nocivos ao ambiente e, consequentemente, às pessoas. Por isso, torna-se necessário que as pessoas, em comunidade, juntamente com as autoridades constituídas debatam quais leis são necessárias para a salvaguarda do ambiente em todos os sentidos.

O mesmo precisa ser pensado nas escolas, para que os educandos, a geração responsável por gerir os caminhos da sociedade nas próximas décadas, tenham uma visão clara do que significa uma vida mais simples, diferente daquela do consumo exagerado e desnecessário de bens de toda ordem. Precisam conhecer os malefícios causados pela poluição do ambiente e como agir de forma a mais adequada possível para poupar os recursos naturais, entre os quais a água é o primordial.

Será necessário gerar desenvolvimento e subsistência por meio de uma tecnologia a mais limpa possível, que será assunto do próximo item, em que abordaremos como este objetivo pode e deve ser alcançado e que deve ser a prioridade desta e das próximas décadas do século XXI.

 

3     O USO DE UMA TECNOLOGIA MAIS LIMPA

 

A vida humana corre riscos no planeta Terra. Cada vez mais ocorrem casos de câncer em pessoas relativamente jovem, os acidentes de locomoção – acidentes de trânsito nas estradas e vias urbanas – ceifam milhares de vidas todos os anos e doenças relacionadas ao stress e à depressão mental assolam cada vez mais pessoas e provocam grandes estragos na vida familiar e social, inclusive com custos quase insuperáveis para os sistemas de saúde governamentais e de entidades associativas ou particulares.

Urge, pois, pensar e agir em prol da utilização de tecnologia limpa, tanto na produção alimentar como em toda a cadeia produtiva industrial. Essa preocupação passa pelo ensino nas escolas e se torna uma obrigatoriedade nos cursos superiores e técnicos.

 

3.1 Algumas ações importantes

 

Conforme Amaral, 2013,

“O uso de matérias-primas renováveis, em especial da cana-de-açúcar, vem crescendo na indústria brasileira. A substituição de produtos derivados de fontes fósseis por etanol já é realidade em empresas como a Braskem, que comercializa o polietileno verde em larga escala desde 2010, para os setores de alimentos, limpeza, cosméticos, brinquedos, sacolas. [...] esse plástico, feito a partir do etanol da cana de açúcar tem as mesmas propriedades do convencional e não requer nenhuma modificação no processo de transformação em seu uso e nem nas correntes de reciclagem.” (AMARAL Isabella. 100% Renovável. In Meio ambiente: um mundo melhor. Brasileiros Editores, 2013, p. 22).

 

Ainda menciona Amaral:

“Na contramão da agricultura convencional, movimentos para produção mais sustentável ganha espaço – os sistemas orgânicos, agroecológicos, permaculturais e biodinâmicos são exemplos de linhas de pensamento voltadas à produção com menor impacto ambiental.” (Idem, p. 25).

 

De acordo com Alcarde, “A cana-de-açúcar é um recurso totalmente renovável capaz de gerar açúcar, álcool anidro e álcool hidratado, além de possibilitar a geração de energia elétrica por meio da queima do bagaço e a produção de plástico biodegradável, a partir do açúcar.” (ALCARDE, André Ricardo – site da AGEITEC)[2].

Ainda com relação mesmo tema, Alcarde afirma que:

Diante deste mercado, uma possível solução para os problemas que o Brasil enfrenta em relação à produção de energia é a geração de eletricidade, a partir do uso de resíduos da cana-de-açúcar (bagaço, palha, palhiço etc), alternativa que apresenta diversos aspectos positivos, como:

·         atendimento da necessidade nacional de geração de energia elétrica a partir de novas fontes energéticas;

·         produção de energia elétrica com tecnologia totalmente limpa, de fonte renovável, que contribui para a preservação ambiental;

·         produção de energia elétrica, sobretudo na época de menor pluviosidade, que coincide com a safra sucroalcooleira;

·         inclusão de um novo agente de produção de energia elétrica, contribuindo, assim, para a consolidação do novo modelo de mercado competitivo;

·         ganho de competitividade no setor sucroalcooleiro mundial, uma vez que será agregado novo produto de receita estável a partir do melhor aproveitamento de um produto residual;

·         utilização de tecnologia totalmente nacional, preservando empregos locais e desonerando a balança de pagamentos do País.

Outra vantagem da utilização do bagaço para geração de energia é o baixo custo, já que o produto não depende de variações cambiais. Para as usinas, além de fonte adicional de receita, a co-geração (Figura 2) pode representar a oportunidade de renovação da planta industrial, com investimentos em novas máquinas e equipamentos mais modernos e eficientes. (Idem).

 

            No caso do transporte, a utilização de carros elétricos ainda é muito pouco adotado, em parte por falta de incentivos governamentais e do interesse da indústria petrolífera. Ferreira, 2013, explica:

“Os automóveis elétricos se dividem em duas categorias: os que se movem apenas com baterias recarregáveis em tomadas e os híbridos, acionados por um motor elétrico com energia suprida por um gerador com gasolina e uma bateria a bordo.

O primeiro tipo é totalmente ‘limpo’ mas as baterias devem recarregadas a cada 100/150 km, o que demandaria postos instalados pela cidades. [...] Nos híbridos, as emissões de carbono (CO²) são reduzidos em até 50%, enquanto as de monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos (HC) e óxidos de nitrogênio (NOX) diminuem até 90%” (FERREIRA, Carolina. Plugados na tomada. In Meio ambiente: um mundo melhor. Brasileiros Editores, 2013, p. 34).

 

3.2 Algo não difícil, basta vontade.

 

Há muitas possibilidades para poupar energia e evitar a poluição ambiental. Tudo isso precisa passar pelo debate nas escolas, pois são os jovens que têm mais vontade para efetivar as mudanças necessárias em prol da melhoria ambiental, notadamente nas cidades. Entre tais iniciativas elencam-se:

a)    Instalação de ciclovias e uso da bicicleta para a locomoção. Um exemplo é a cidade de Rio Branco, capital do Estado do Acre;

b)    Pagamento a proprietários de terras para preservação de áreas em que se encontram importantes mananciais de água; exemplo Sistema da Cantareira, no Estado de São Paulo;

c)    Horta nas escolas para produção da merenda escolar sem aplicação de adubo químico nem de agrotóxicos; diversos exemplos pelo mundo afora;

d)    Desligar todos os plugues das tomadas quando os aparelhos não estão em uso; exemplos em casa e na escola;

e)    Desligar todas as luzes nos espaços que não estão sendo ocupados; exemplos em casa e na escola;

f)     Comprar produtos mais duráveis, menos descartáveis para gerar menor quantidade lixo; muitos exemplos já vistos;

g)    Pensar em energia limpa: hídrica – depende da disponibilidade de água nos mananciais em que há usinas – dar prioridade às pequenas e médias usinas que não necessitam de grandes áreas alagadas; eólica – exige a instalação de moinhos de vento em grande quantidade em lugares de ventos permanentes – pode causar a inutilização dessas áreas para outras finalidades; solar – pode ser utilizada a própria cobertura de casas e prédios para a instalação de captadores dos raios solares – em larga escala pode ser provocada uma secagem excessiva do ar;

h)   Evitar a impressão desnecessária de textos, restringindo isso ao estritamente premente; exemplo a ser dado também nas escolas;

i)     Reaproveitar folhas impressas em um lado apenas e já em desuso para imprimir boletos bancários, folhas de exercícios e provas para alunos; exemplos caseiros e também escolares;

j)      Tentar fazer pagamentos de boletos bancários a partir da simples informação do número do código de barras, tentando impedir a impressão em papel;

k)    Fazer a separação do lixo entre seco – reciclável, orgânico – aproveitável para a produção de adubo orgânico para horta e canteiros de flores em jardim e árvores frutíferas em pomares e infecto – que deve ir para aterros sanitários;

l)     Dar valor à leitura de livros eletrônicos (e-books – pdf e epubs) em computadores, tablets e smartphones no lugar de livros impressos ou de textos copiados e imprimidos para fins de leitura na escola;

m)  Implantar o sistema de recebimento de trabalhos escolares por meios eletrônicos impedindo a necessidade da entrega dos mesmos em papéis impressos.

É importante considerar sempre as vantagens e desvantagens de qualquer forma de produção energética, pois sempre algum elemento natural pode ser afetado. O importante é considerar o que causa menos problemas.

Uma observação importante sobre grandes usinas hidrelétricas: na implantação das mesmas, grandes áreas, vizinhas aos rios afetados, acabam sofrendo prejuízos ambientais imediatos, mas, em virtude do elemento água, um novo ambiente vizinho se forma, amenizando os prejuízos iniciais com o passar do tempo, sendo que os lagos acabam gerando novas atividades econômicas para os habitantes das cercanias, inclusive o desenvolvimento do turismo. As barragens também acabam impedindo enchentes no entorno, mas no fluxo do rio abaixo das construções sofre sérias influências, além do sempre existente risco de haver rompimento de alguma barragem com excesso de chuvas e descuido no controle da abertura de comportas.

CONCLUSÃO

 

            No presente artigo, buscamos demonstrar que a escola pode e precisa nortear boa parte do ensino envolvendo as questões ambientais, tanto do entorno, como da região em que se localiza, do país e do mundo. No estudo das ciências e da geografia, não se pode descuidar que a história de eventos catastróficos sejam analisados por suas causas e os efeitos causados, bem como a possibilidade de evitar a ocorrência de tragédias, como foi o caso do rompimento da barragem em Mariana – MG em 2015. No ensino das línguas, a escrita de textos envolvendo assuntos desse quilate devem ser considerados e estimulados, bem como, os professores das artes devem motivar os alunos a produzirem obras que dizem respeito às questões ambientais.

            Ao trazer relatos bibliográficos, procuramos demonstrar que o pensamento apresentado tem base em conhecimentos de estudiosos da causa ambiental e visamos alertar que o meio ambiente necessita de muito mais ações proativas por parte da sociedade e, principalmente, no âmbito escolar, onde reside a oportunidade de construir uma aprendizagem especial sobre como prevenir que a habitabilidade do planeta Terra não encerre em breve, mas se mantenha por milênios futuros.

            Na produção deste texto evitamos a impressão de qualquer papel, fazendo a leitura em livros emprestados por uma biblioteca pública e em textos na internet.

            Num único artigo não seria possível esgotar um assunto tão amplo como o que foi enfocado pelo presente. Temos mais a intenção de chamar a atenção para a reflexão sobre o tema e gerar novos e amplos debates a partir do que apresentamos em nossa pesquisa. 

 

Referências Bibliográficas:

ALCARDE, André Ricardo. Geração de energia elétrica. (Disponível em http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/cana-de acucar/arvore/CONTAG01_107_22122006154841.html – acesso em 12/10/17.)

AMARAL Isabella. Educação ambiental é o único caminho. In Meio ambiente: um mundo melhor. Brasileiros Editores, 2013.

AMARAL Isabella. 100% Renovável. In Meio ambiente: um mundo melhor. Brasileiros Editores, 2013.

Assembleia Legislativa RS – Anais da Comissão Parlamentar para Estudo, Ação e Defesa do Meio Ambiente. Porto Alegre, 1972.

FERREIRA, Carolina. Plugados na tomada. In Meio ambiente: um mundo melhor. Brasileiros Editores, 2013.

GENESTRETTI, Guilherme. As florestas. In Meio ambiente: um mundo melhor. Brasileiros Editores, 2013.

___________, Guilherme. Você tem sede de quê? In Meio ambiente: um mundo melhor. Brasileiros Editores, 2013.

SALLES, Carolina. Meio ambiente e educação ambiental nas escolas públicas. (Disponível em https://carollinasalle.jusbrasil.com.br/artigos/112172268/meio-ambiente-e-educacao-ambiental-nas-escolas-publicas - acesso em 12/10/17.)



[1] Doutora em Direito Ambiental e Sustentabilidade. Mestra em Direito Ambiental. Ativista do Direito dos Animais. LL.M. DegreeInternationalStudent.

[2]graduado em Engenharia Agronômica pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (1993), mestrado em CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE ALIMENTOS pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (1996), doutorado em ENERGIA NUCLEAR NA AGRICULTURA pelo CENTRO DE ENERGIA NUCLEAR NA AGRICULTURA (2000), Pós-Doutorado pelo InstitutNational de laRechercheAgronomique - INRA Montpellier (2005) e Livre-Docência em Tecnologia Sucroalcooleira pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (2006).



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