ISSN 1678-0701
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Artigos

No. 44 - 02/06/2013
ATIVIDADES PRÁTICAS EM SALA DE AULA SOBRE CONSUMO E GERAÇÃO DE RESÍDUOS
O modo como vivemos faz com que a sociedade atual seja pautada no consumo de bens. o que tem se agravado, e, o meio ambiente tem sofrido agressões constantemente na busca por recursos naturais.

Educação Ambiental no Ensino Fundamental: Um Enfoque em Resíduos Sólidos (Consumo Consciente, Lixo e Reciclagem)

ATIVIDADES PRÁTICAS EM SALA DE AULA SOBRE CONSUMO E GERAÇÃO DE RESÍDUOS

1. Gilberto Dias de Alkimin, Graduando do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Av. Brasil, 56. CEP: 15385-000. Ilha Solteira – SP. Tel.: (18) 3743-1152. E-mail: gilberto_cdz@hotmail.com. Tem experiência na área de educação com ênfase em educação ambiental, resíduos sólidos e fontes de energias renováveis.

 

2. Carolina Buso Dornfeld, Professor Assistente Doutor do Departamento de Biologia e Zootecnia – Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Av. Brasil, 56. CEP: 15385-000. Ilha Solteira – SP. Tel.: (18) 3743-1152. E-mail: carolina@bio.feis.unesp.br. Professora do conjunto de disciplinas de Práticas Pedagógicas e Educação Ambiental. Tem experiência na área de Ecologia e Educação Ambiental, atuando nos temas: preservação e conservação de  ecossistemas, resíduos sólidos e biodiversidade, relacionando esses temas com o ensino de  ciências e biologia e a educação ambiental. Colaboradora Projeto PIBID.

 

RESUMO

O modo como vivemos faz com que a sociedade atual seja pautada no consumo de bens. Este quadro tem se agravado, e, portanto, o meio ambiente tem sofrido agressões constantemente na busca por recursos naturais, levando à necessidade de um trabalho intenso de educação e conscientização da sociedade. O objetivo do presente trabalho foi propor a aplicação de diferentes atividades práticas com o tema consumo e geração de resíduos junto aos alunos do 6º ano do ensino fundamental de uma escola em Ilha Solteira (SP), utilizando os preceitos da pluralidade metodológica. As atividades envolviam dinâmicas de grupo, desenhos e exibição de filmes e os encontros foram realizados durante cinco semanas (maio e junho de 2011). Foram aplicados três questionários (prévio, intermediário e final) para avaliação das atividades e da aprendizagem dos alunos, sendo que as respostas tiveram tratamento quanti-qualitativo, especialmente de análise textual. Os resultados das avaliações indicaram que houve uma melhora no conhecimento dos alunos acerca da temática trabalhada durante o desenvolvimento do projeto devido ao número de respostas mais completas ao final e que o mesmo teve relevância ao desenvolver uma temática ambiental ainda pouco difundida, mas de grande importância socioambiental.

Palavras-chave: Ensino Fundamental; Pluralidade metodológica; questão ambiental.

 

INTRODUÇÃO

As estratégias de enfrentamento da problemática ambiental, para surtirem o efeito desejável na construção de sociedades sustentáveis, envolvem uma articulação coordenada entre todos os tipos de intervenção ambiental direta, incluindo neste contexto as ações em Educação Ambiental (EA), dessa forma, despontam também as atividades no âmbito educativo (BRASIL, 2005).

Porém, os modelos pedagógicos adotados e que foram muito disseminados e estudados se mostraram limitados e passaram a ser questionados. Estratégias como as que são consideradas transmissivistas, nas quais o professor protagoniza o processo de aprendizagem e os alunos são passivos se mostraram vulneráveis, resultando em um ensino superficial e pouco efetivo. Com o passar do tempo ficou mais evidente que a essência da aprendizagem individual é particularizada. Logo uma política educacional baseada em um único modelo didático privilegiaria as necessidades de um tipo particular de alunos, algo no mínimo discutível (LABURÚ et al, 2003).

Atualmente o que se tem proposto como uma possível alternativa é o pluralismo metodológico, que argumenta no sentido de que todos os modelos e metodologias tem vantagens e restrições. Em seu sentido geral o pluralismo não se opõe aos métodos empregados e sim ao princípio único e incontestável (LABURÚ et al, 2003).

Sendo assim, de acordo com Amigón e Gaudiano (2009), no atual contexto da educação básica, ênfase especial é dada à necessidade de oferecer conhecimentos relacionados à EA que permitam aos alunos compreender a natureza dos problemas ambientais, os efeitos negativos no ambiente e na saúde humana, bem como para realizar ações simples para ajudar a minimizá-los a partir do ambiente escolar e familiar dos estudantes.

Ainda, segundo Gonçalves et al (2009), as discussões sobre as questões ambientais têm tomado grandes dimensões na atualidade no intuito de buscar soluções para a crise socioambiental, e, portanto, ao se pensar na utilização de um projeto com metodologia pluralista, o docente pode diversificar as atividades desenvolvidas tornando sua aula mais dinâmica e buscando atingir o interesse de seus alunos, que possuem competências específicas, ritmo de aprendizagem distintos, nível particular de interesse por disciplinas/assuntos além de suas experiências vividas.

Nesse sentido, mais do que transmitir conhecimentos para guiar a busca por um ambiente mais democrático, inclusivo e harmônico para todas as espécies vivas, as atividades envolvendo EA procuram fundamentar práticas sociais efetivas, ações relevantes e multiplicadoras, que leve à reestruturação de nosso modo de vida e mais ainda, do nosso modo de entender a vida (JANKE; TOZONI-REIS, 2005).

Sendo assim, o presente trabalho buscou trabalhar temas atuais relacionados com as questões ambientais, quais sejam consumo e resíduos sólidos, de uma forma dinâmica e envolvendo os alunos em atividades que corroborassem os preceitos da pluralidade metodológica. Além disso, a escolha de tratar os temas acima citados de forma pluralista se dá pelo fato desta fornecer uma visão abrangente, na qual é possível observar-se o objeto de estudo como um todo, considerando que a relação entre meio ambiente e educação para a cidadania assume um papel cada vez mais desafiador, demandando a emergência de novos saberes para apreender processos sociais que se complexificam e riscos ambientais que se intensificam (FRANCO et al, 2010).

 

OBJETIVOS

O objetivo do presente trabalho foi propor a aplicação de diferentes atividades práticas com o tema consumo e geração de resíduos junto aos alunos do ensino fundamental. Assim, buscou-se aproximar o aluno dessa temática de grande importância e ainda pouco trabalhada em sala de aula despertando a curiosidade e interesse nos estudantes bem como fornecer subsídios para uma avaliação mais criteriosa e reflexiva de seus padrões de consumo.

 

METODOLOGIA

As atividades foram desenvolvidas no primeiro semestre de 2011 com os alunos do 6º ano do Ensino Fundamental de uma escola particular localizada em Ilha Solteira (SP). As atividades foram realizadas no período contrário ao das aulas, sendo a adesão facultativa e tendo entre 13 a 17 alunos por encontro. Foram desenvolvidas atividades em cinco semanas, com duração de duas horas por encontro e divididas entre contextualização teórica e atividade prática. A sequência de atividades está apresentada abaixo:

1ª semana: Foi aplicado um questionário de avaliação prévia (QP) dos conhecimentos dos alunos acerca da temática do projeto, contendo três questões. Logo após foi apresentada a proposta do projeto e como ele seria realizado. Neste mesmo encontro foram apresentados os conceitos sobre consumo e consumismo, tais como as diferenças entre as terminologias e o efeito da mídia e da publicidade sobre a sociedade e consumidores, bem como informações sobre consumo consciente e mudanças de hábitos.

2ª semana: Essa atividade foi composta por uma aula expositiva-participativa na qual foi abordado a classificação e composição dos resíduos sólidos e os princípios dos 3Rs. Após, os alunos foram convidados a participar de uma dinâmica de grupo denominada de “Desenho comum do grupo” (modificada de Sudan et al, 2007) qual possuiu a finalidade de suscitar a partilha de percepções e impressões dos participantes sobre uma temática socioambiental. Os alunos foram divididos em grupos de três pessoas e elaboraram um desenho com a seguinte temática “O meu, o seu, o nosso lixo de cada dia”.

3ª semana: A aula expositiva-participativa composta pelo conteúdo referente aos impactos ambientais causados pela destinação inadequada dos resíduos sólidos e os impactos na economia e na saúde pública. Como atividade prática foi desenvolvida a dinâmica de grupo denominada “Ilhas” (modificada de Sudan et al., 2007), que teve a finalidade de reflexão sobre possibilidades de cooperação entre as pessoas do grupo. Ao final da atividade foi aplicado um questionário intermediário (QI) abordando os assuntos trabalhados até o momento.

4ª semana: Nesta semana foi abordado de forma expositiva o gerenciamento de resíduos sólidos. Também foi trabalhado um trecho do Documentário “Lixo Extraordinário” (http://www.youtube.com/watch?v=srZD5VsQAlw – Trecho 4/7) com duração de 10 minutos que mostrava a experiência de uma trabalhadora do aterro e um pouco da sua vida pessoal. O vídeo foi utilizado na tentativa de sensibilizar os alunos quanto a qualidade de vida das pessoas que trabalham e sobrevivem do lixo gerado pela sociedade contemporânea. Como forma de aprendizagem lúdica, utilizou-se um caça-palavras elaborado com trechos da revista eletrônica “Meio Ambiente” (http://www.revistameioambiente.com.br/2007/11/16/curiosidades-sobre-lixo/), que possuía curiosidades a respeito do assunto.

5ª semana: A atividade foi composta por uma aula expositiva-participatica sobre a importância da coleta seletiva e o conceito de reciclagem. Após, foi desenvolvida a dinâmica de grupo “Discutindo sobre resíduos” (modificada de Adams, 2003), que solicitava informações acerca do tempo de decomposição dos resíduos, bem como o impacto do descarte inadequado das embalagens e o apelo publicitário, totalizando quatro questões. Após a finalização da dinâmica houve um momento de discussão e a aplicação do questionário final (QF).

Cada atividade teve uma metodologia própria de aplicação (aulas expositivas, discussão e dinâmicas de grupo), utilizando o Pluralismo Metodológico proposto por Laburú et al. (2003).

Sabe-se que as pesquisas qualitativas seguidamente trabalham com informações apresentadas em forma de textos, essa que recebe o nome de análise textual qualitativa e é um processo integrado de análise e de síntese, que se propõe a fazer uma leitura rigorosa e aprofundada de conjuntos de materiais textuais, visando descrevê-los e interpretá-los no sentido de atingir uma compreensão mais elaborada dos fenômenos e dos discursos no interior dos quais foram produzidos (MORAES, 2007).

Assim, na análise das questões dissertativa foi realizada uma análise textual, envolvendo a identificação e isolamento de enunciados dos materiais estabelecidos nas respostas dos alunos, categorização desses enunciados, integrando nesta descrição e interpretação, utilizando como base de sua construção o sistema de categorias desenvolvido na análise.

Para preservação da identidade dos alunos, os mesmos foram identificados por letras e as transcrições foram realizadas na íntegra, mantendo-se os possíveis erros de ortografia e gramática.

 

ANÁLISE DOS DADOS

Para facilitar o entendimento dos resultados os mesmos serão apresentados de acordo com as semanas da realização do projeto.

1ª semana: O QP foi respondido por 17 alunos e solicitava informações à respeito de consumo e geração de resíduos.

Na pergunta 1 os alunos deveriam comentar o que sabiam sobre os 3 R’s e analisando as respostas verificou-se que apenas um aluno não respondeu. Os demais responderam da seguinte forma: Aluno A: “Sim na sala de aula, pois isso ajuda o meio ambiente.”; Aluno B: “Sim, eu acho que o significados dos 3 R’s não são apenas algo para praticar, acho que são estilo de vida.”; Aluno C: “Reciclar é pra pode utilizar de novo, reduzir é não gasta tipo muita água e reutilizar é aproveita e não joga fora.”.

Essa mesma questão foi também solicitada no QF, assim, a Tabela 1 apresenta a comparação das respostas dos alunos entre QP e QF.

 

Tabela 1 – Resultado obtido para a pergunta 1 do questionário prévio (QP) e questionário final (QF).

Categorias de respostas

QP (%) – 17 alunos

QF (%) – 14 alunos

Associação com o cotidiano/mundo melhor (sem definição dos 3Rs)

35,30

21,42

Citação dos 3R’s (Reutilizar, Reaproveitar e Reciclar)

29,40

42,85

Definição dos 3 R’s e exemplos

11,75

14,31

Definições incompletas

5,90

-

Não sabem

17,65

21,42

Total

100

100

Fonte: Dados obtidos do Questionário Prévio e do Questionário Final aplicado no presente estudo.

 

A pergunta 2 solicitava que os alunos citassem três maneiras para diminuir a produção de resíduos sólidos, sendo que a resposta com o maior número de citações foi “reciclar”, com 47% (Tabela 2). Dessas respostas apenas 17,65% se referem à diminuição da produção de resíduos, as demais se referem ao gerenciamento e destinação final, demonstrando falta de conhecimento acerca deste tema. A mesma pergunta foi realizada no QF, e embora o item “reciclar” continue com a maior porcentagem de citações, foi possível observar um aumento de respostas mais adequadas, totalizando 28,5%.

Tabela 2. Categorias de respostas apresentadas pelos alunos para a pergunta 2 (QP) e pergunta 5 (QF): De que maneira podemos colaborar para diminuir a produção de resíduos sólidos? Cite 3 exemplos.

Categorias de respostas

% de respostas no Questionário Prévio (QP)

% de respostas no Questionário Final (QF)

Reciclar

47,00

35,7

Não jogar lixo nas ruas

32,30

-

Jogar lixo no lixo

17,65

21,45

Não poluir

11,75

-

Não jogar óleo na pia/ reutilizá-lo

11,75

-

Reduzir*

11,75

14,3

Reutilizar

11,75

7,15

Não poluir os rios

11,75

-

Economizando energia

11,75

7,15

Separar o lixo reciclável

5,90

7,15

Não consumir além do necessário*

5,90

14,3

    * indicam categorias mais corretas para a diminuição da produção de resíduos.

Fonte: Dados obtidos do Questionário Prévio e do Questionário Final aplicado no presente estudo.

 

Os alunos citaram as seguintes frases no QF: Aluno A: “É para de comprar coisas não ecológica, preserva mais o meio ambiente e para de comprar coisas em exagero.”; Aluno B: “Evitando o desmatamento o excesso de lixo e outros.”; Aluno C: “Parar de consumir muito, reciclar e reduzir.”.

 

2ª semana: Os alunos participaram ativamente da dinâmica de grupo e elaboraram desenhos condizentes com o conteúdo ministrado (Figura 1). Foi possível observar o início de um pensamento crítico em relação ao meio ambiente, considerando que os desenhos representam formas de melhorar a situação atual.

Citando a importância da aplicação de dinâmicas no processo de aprendizagem Brown et al. (1989 citado por Rocha, 2005), menciona que o trabalho cooperativo nos grupos potencializa os insights e as soluções que não seriam possíveis durante a aprendizagem individual, permitindo aos alunos assumirem diferentes papéis, confrontando seus conhecimentos prévios e a inadequação de suas estratégias de raciocínio, ajudando, portanto, a desenvolver as habilidades necessárias para o trabalho cooperativo, que é a maneira pela qual a maioria das pessoas aprende e trabalha.

 

Figura 1. Exemplos de desenhos produzidos pelos alunos durante a dinâmica de grupo “Desenho comum do grupo”.

 

3ª semana: Nesta semana foram realizadas duas atividades diferenciadas: uma dinâmica de grupo (“Ilhas”) e o questionário intermediário (QI).

Na dinâmica foi ressaltada a questão da poluição ambiental e suas consequências, tal como a redução de espaços adequados para a sobrevivência dos seres vivos. Após a atividade foi realizada uma roda de discussão para levantar as percepções dos alunos acerca do tema trabalhado na dinâmica.

Na Figura 2A observa-se que os alunos possuíam muitas opções de “Ilhas” e, portanto, estavam mais confortáveis. Na Figura 2B observa-se que com os espaços reduzidos, o conforto também é diminuído e aumenta-se a competição por espaços adequados para a sobrevivência.

 

Figura 2. Ambiente adequado (A) e inadequado (B) para a sobrevivência.

           

O QI foi respondido por 14 alunos e de maneira geral verifica-se que os estudantes responderam de forma mais completa às questões em relação ao QP.

Para a pergunta 1, “Você acha correto jogar lixo em terrenos baldios, córregos e rios?”, obteve-se os seguintes comentários: Aluno A: “Não, além de ser extremamente grosseiro também prejudica o meio ambiente e é claro a nossa casa, a Terra.”; Aluno B: “Lógico que não, faz mal a saúde e atrai bichos que transmite doenças perigosas.”; Aluno C: “Não, porque tudo que jogam nesses lugares poluem e não reutilizam.”. 100% dos alunos responderam corretamente.

 “O que pode aparecer nos terrenos onde se joga lixo de forma inadequada?” foi a segunda pergunta e os resultados estão na Tabela 4, tendo como resposta mais citada “o acúmulo de sujeira” (50%).

 

Tabela 4. Categorias de respostas elaboradas para a pergunta 2: O que pode aparecer nos terrenos onde se joga lixo de forma inadequada?

 

Categorias de resposta

% de alunos

Acúmulo de “sujeira” /entulho - restos de comida, móveis usados, garrafas, sacos plásticos

50

Animais  - ratos, baratas, insetos, cobras

35,7

Solo poluído/poluição

14,3

Mal cheiro

7,15

 

Fonte: Dados obtidos no Questionário Intermediário aplicado no presente trabalho.

 

 

A pergunta 3 solicitava aos alunos que descrevessem qual o aspecto que os rios possuem quando se joga lixo (Tabela 5),  verificou-se que o termo mais utilizado foi “poluição” (85,7%) palavra essa de grande destaque quando se remete a situação ambiental.

 

Tabela 5. Categorias de respostas elaboradas para a questão: Como ficam os rios em que se jogam lixo?

 

Categoria de resposta

% de alunos

Poluição

85,7

Sujeira/lixo

28,6

Mal cheiro

21,4

Morte dos seres vivos aquáticos

14,3

Substâncias tóxicas

7,15

Necessidade de tratamento

7,15

Fonte: Dados obtidos no Questionário Intermediário aplicado no presente trabalho.

 

 

As respostas para a pergunta 4 estão apresentadas na Tabela 6. A pergunta solicitava informações sobre o gerenciamento de resíduos e verificou-se que 64,3% das citações apontaram o lixão como destino final. Informação equivocada quando se considera o município no qual os alunos residem que possui atualmente um aterro sanitário.

 

Tabela 6. Resultado da pergunta 4: questionário intermediário.

 

Categorias de reposta

% de resposta

Para o lixão

64,3

Levado pelo caminhão de lixo/catadores

14,3

Separados para a reciclagem

14,3

Para o aterro sanitário

14,3

Para o esgoto

7,15

Não sabem

7,15

Fonte: Dados obtidos no Questionário Intermediário aplicado no presente trabalho.

 

 

A seguir são transcritas algumas respostas elaboradas pelos alunos: Aluno A: “Eu acho, que o caminhão de lixo aparece e levam para um aterro sanitário.”; Aluno B: “Não sei quanto a casa dos outros, mas na minha casa sei que o que é reciclável vai para reciclagem e o que não é vai para o aterro.”; Aluno C: “Eu acho que ele vai para o lixão, eu acho.”.

 

4ª semana: Ao ministrar o conteúdo sobre gerenciamento de resíduos e utilizar um trecho do documentário “Lixo extraordinário” foi possível mostrar aos alunos as formas mais adequadas de disposição final e também a realidade encontrada na sociedade. Não foi aplicado nenhum tipo de avaliação aos alunos nesta semana do projeto, mas durante a discussão observou-se que os alunos ficaram espantados com a realidade apresentada no documentário e algumas dúvidas puderam ser sanadas. Nesse caso, pode-se citar Paulo Freire, que argumenta que “Nenhuma ação educativa pode prescindir de uma reflexão sobre o homem e de uma análise sobre suas condições culturais” (FREIRE, 1983). Neste sentido, considera-se que o documentário pode auxiliar na reflexão sobre situações propostas e também estimular a reflexão (CAVALCANTE, 2011).

 

5ª semana: Nesta semana foi ministrado o conteúdo sobre coleta seletiva e reciclagem, desenvolvida a Dinâmica “Discutindo sobre resíduos” e aplicado o questionário final (QF). Sendo assim, os dados serão analisados separadamente.

- Dinâmica “Discutindo sobre resíduos”

Foram formados cinco grupos de trabalho e todos apresentaram respostas coerentes e condizentes com os conteúdos e seriação dos alunos. Para ilustrar os resultados serão apresentadas as respostas de apenas dois grupos.

Em relação à primeira pergunta “Qual o impacto causado pela produção da embalagem e do produto?”, tem-se as seguintes transcrições: Grupo 1: “Lata minério-causa impacto na natureza, porque o minério é retirado dela,  plástico impacto na natureza por causa do aumento da produção de gasolina e outros.”; Grupo 2: “ Que a caixinha pode aproximadamente arrancar uma árvore.”.

A segunda pergunta solicitava uma análise do rótulo da embalagem do produto listando os itens que chamaram mais atenção: Grupo 1: “A promoção oferecida pelo produto: 60 computadores por semana, 1 ano de [...] grátis (40 por semana), 40 cursos profissionalizantes por semana.”; Grupo 2: “Cor dourada e cor da embalagem.”

Em relação à terceira pergunta “Qual o slogan e apelo publicitário?” tem-se as seguintes citações: Grupo 1: “Fala que quem usa ajuda a fazer a substituição de 56% do consumo de combustíveis fósseis por biomassa de origem controlada.”; Grupo 2: “Leve 4, pague menos.”.

A quarta pergunta solicitava que os alunos indicassem “Como as pessoas podem ser influenciadas a comprar produtos sem a real necessidade deles?”. As respostas dos dois grupos estão apresentadas a seguir: Grupo 1: “Pela propaganda e a embalagem.”; Grupo 2: “ Porque é cheiroso e falam que vão deixar elas mais bonitas a acham que pelo nome ser [...] não vai prejudicar a natureza.”.

A partir das questões levantadas na dinâmica foi possível verificar que os alunos conseguiram realizar uma associação entre consumo – consumismo – propaganda, vinculando com danos causados ao meio ambiente.

Um importante fator que movimenta a dinâmica do consumismo é a publicidade. Em todos os territórios ocupados pelo ser humano, a publicidade consegue se infiltrar graças à mídia, que também está em todos os espaços, na forma de televisão, cartazes, outdoors, placas, folhetos/panfletos, internet e assim por diante (FORTUNATO; PENTEADO, 2011). Em seu estudo Sereda et al (2008) afirma que as propagandas direcionadas às crianças, veiculadas na televisão, demonstraram a forte influência ao consumismo infantil, isso porque crianças são fáceis de serem convencidas e, por permanecerem muito tempo em frente à televisão, são bombardeadas com comerciais nos intervalos dos desenhos e  programas a que assistem.

- Análise do Questionário Final:

No QF os alunos foram indagados, na pergunta 1, quanto ao tempo de duração, materiais utilizados, desempenho do professor e se estavam gostando das atividades desenvolvidas durante o projeto. Verificou-se nas respostas que 92,85% dos alunos afirmaram estar gostando das atividades propostas, 50% acreditam que a duração estava adequada, sendo que 100% apontaram que os materiais utilizados estiveram adequados, além disso, classificaram o desempenho do professor como bom (50%) e ótimo (50%).

A pergunta 2 solicitava “Das atividades desenvolvidas no projeto qual você gostou mais? O que você aprendeu participando dessa atividade?”. 64,3% dos alunos citaram as dinâmicas e jogos, mencionando da seguinte forma: Aluno A: “Ilha as poluição (dinâmica), aprendi que se nós continuarmos a jogar lixo em lugares inadequados nós ficaremos sem espaço”; Aluno B: “A dinâmica que eu mais gostei, foi a que nós tínhamos que ficar dentro de um retângulo de papalão e eu aprendi que se cada um ajudar um o outro, podemos ter um mundo melhor”; Aluno C: “ Eu gostei do filme porque mostra a realidade”.

A terceira questão abordava vários dos temas desenvolvidos durante o projeto solicitando que elaborassem o conceito ou exemplificassem o que haviam apreendido. A seguir são transcritos algumas respostas dos alunos.

- Consumo e consumismos: Aluno A: “Consumo é você comprar alguma coisa adequada para você (pouco). Consumismo é você comprar muitas coisas que você não vai usar (muita coisa).”; Aluno B: “Consumo é o necessário, consumismo o exagerado. Consumismo gera lixo. Com o consumismo a extração e matéria prima é grande.”; Aluno C: “Devemos consumir o que necessitamos.”. Dois alunos (14,3%) disseram não saber.

- Impactos ambientais e sociais: Aluno A: “Impactos ambientais é quando o problema atingira a natureza. Impactos sociais é quando o problema atinge a sociedade. O descarte errado de lixo pode trazer ambos impactos.”; Aluno B: “Ambientais: estamos estragando ele, sociais: prejudicando nós mesmos.”; Aluno C: “Impactos ambientais e sociais é quando jogamos lixo na natureza e que demora muito tempo pra se decompor.”. Cerca de 28% dos alunos não responderam a pergunta ou disseram que não sabem.

- Coleta seletiva: Aluno A: “Devemos sempre ajudar para não prejudicar a natureza.”; Aluno B: “Amarelo: metal, verde; vidro e vermelho plástico.”; Aluno C: “Temos que coletar e separar os lixos.”. Dois alunos não responderam a pergunta ou disseram que não sabem.

- Resíduos sólidos: Aluno A: “É uma divisão do lixo.”; Aluno B: “Resíduos como plástico.”; Aluno C: “Não é considerado lixo. Podem ser reciclados. São secos.”. Cinco alunos não responderam a pergunta ou disseram que não sabem.

As perguntas 4 e 5 do QF foram analisadas de forma comparativa junto ao QP, em tópicos já apresentados neste texto.

A pergunta 6 solicitava aos alunos que indicassem quais atitudes do dia-a-dia poderiam ser modificadas em busca de um ambiente e uma sociedade melhor. Apenas um aluno não respondeu adequadamente, sendo que os demais apontaram questões do cotidiano, tais como: Aluno A: “Não ter jogado lixo no chão, como fiz ontem.”; Aluno B: “É a gente para de comprar coisas exageradas para de produzir lixo e comprar coisas ecológicas.”; Aluno C: “Para de ficar jogando lixo nas ruas, porque pode aparecer animais que transmitem doenças e evita as inundações.”.

A pergunta 7 solicitava que os alunos indicassem o que a disposição inadequada do lixo poderia causar para a sociedade e o meio ambiente. Todos os alunos responderam adequadamente, podendo-se citar os seguintes exemplos: Aluno A: “Pode poluir o meio ambiente e a sociedade ter de pagar o “conserto” disto.”; Aluno B: “Enchentes, florestas cheias de lixo.”; Aluno C: “Pode causar doenças infecções e outras doenças e tudo isso por causa do exagero da população.”.

 

CONCLUSÕES E IMPLICAÇÕES

O presente trabalho teve grande importância, pois apresentou aos alunos temas que na maior parte das vezes são pouco abordados em sala de aula, dando-lhes, assim alguns subsídios necessários para terem uma avaliação mais criteriosa, reflexiva e que possam ocasionar mudanças de atitudes frente a relação do ser humano com meio ambiente e a exploração dos recursos naturais, demonstrando e fazendo-os compreender que fazem parte de um todo maior. Ressalta-se também a importância da forma lúdica que o projeto foi desenvolvido, contribuindo para a aproximação dos próprios alunos e estimulando o trabalho em grupo entre os mesmos. Observou-se também um acréscimo no conhecimento dos alunos devido as respostas mais elaboradas dos alunos e a maior proximidade entre os mesmos para as discussões sobre os temas expostos, tornando o trabalho mais amplo e complexo nas perspectivas educacionais e pessoais.

Verificou-se que as diferentes formas utilizadas para abordar o tema foram importantes para auxiliar na aprendizagem e reflexões ocorridas durante o projeto. Assim, o uso de dinâmicas em grupo, exibição de documentário e trabalhos colaborativos tiveram um impacto positivo na formação desses alunos.

Mas não podemos esquecer que a educação como uma ferramenta de mudança deve ser um projeto continuado, já que a sua efetivação exige uma (re)elaboração de conceitos e atitudes. Corroborando Sobral (2009), a continuidade de ações educativas de cunho crítico e reflexivo são necessárias em qualquer programa de sensibilização que busque um real sentido de aplicação, já que não se basta transmitir as informações é preciso que se repense e recrie e incorpore as novas formas como nós nos relacionamos com o desenvolvimento político, ambiental, econômico e cultural do nosso planeta.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BRASIL. ProNEA / MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Programa Nacional de Educação Ambiental. 3. ed. Brasília : Ministério do Meio Ambiente, 2005. 102p. Diretoria de Educação Ambiental/ Ministério da Educação. Coordenação Geral de Educação Ambiental

CAVALCANTE, E. C. B. Cinema na cela de aula: o uso de filmes no Ensino de Biologia para a EJA prisional. 2011. 153f. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências – Área de concentração: Ensino de Biologia) - Instituto de Ciências Biológicas, Instituto de Física, Instituto de Química, Faculdade UnB Planaltina, Universidade de Brasília, Brasília, 2011.

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